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Kaio

 

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31 dezembro 2006

Simbólica passagem

Não vou desejar feliz ano novo para vocês, porque, pelo menos para mim, o ano não começa em Janeiro, mas sim em Agosto.
Digo isso baseado em uma análise fria e ampla (rá!) da minha vida, e em quase todos os anos, foi a partir do segundo semestre que operaram-se as, digamos, mudanças. O que acontece entre Janeiro e Julho é sempre uma conseqüência do Kaio que se desenvolveu entre Agosto e Dezembro.
Como vocês devem ter lido em alguns posts antigos, notaram que eu sempre exalto os últimos meses do ano, e não é por acaso.
1. Comecei a ouvir pra valer quase todas as minhas bandas favoritas no 2º semestre de um ano. Por exemplo, Legião Urbana em 2000, Nirvana e Pink Floyd em 2002, Beatles em 2003, Mutantes, The Clash e Led Zeppelin em 2004, Joy Division, Smiths, My Bloody Valentine e Cure em 2005, Daft Punk em 2006, e por aí vai.
2. Praticamente todos os meus 'vícios' foram adquiridos de Agosto pra frente. Cavaleiros do Zodíaco em 1995, Pokémon em 1999, RPGs em 2001, política em 2003, livros 'porrada no estômago' em 2005...
3. As três garotas pelas quais eu já me apaixonei até hoje: o início e o fim sempre foram depois de Julho. A primeira eu conheci no início de 1999, mas comecei a gostar pra valer dela em Ago/99 e acabou o 'platonismo babaca kaionístico' em Dez/00. A segunda, de Out/05 até Nov/05. E a terceira, durante todo o Out/06. Ah, não se impressione se as durações temporais parecerem curtas, mas a intensidade de cada um desses 3 momentos foi atemporal.
4. Eu me animo pra estudar no segundo semestre, e isso influencia meu desempenho no ano seguinte. Se não fosse um bom final de 7ª série, eu jamais teria feito uma 8ª tão boa, e sem essa 8ª boa, meu 1º ano não teria começado tão bem. Não fui tão bem no 2º porque comecei a folgar no final do 1º. Felizmente, no mês passado, eu voltei de vez a me interessar por estudos, e isso refletirá no terceirão. Quem sabe não voltarei a tirar 100 em Biologia, Química ou Física, estou com saudades disso...
5. Eu fico um pouco mais sociável de Agosto pra frente. Saio mais, converso mais, vivo mais.
6. Fico menos burro em segundos semestres. Quer apenas um exemplo que prove isso? Abandonei, no fim do ano passado, as idéias de esquerda que tinha.
7. E o mais importante - Racio Símio 'nasceu' em 31 de Julho de 2005, já indicando que a partir do mês seguinte minha vida ia ser mais cool (até porque aquele primeiro post ainda era reflexo de um 2004-05 socialista e 'ninguém me ama', motivos pelos quais ele é tão sem graça).

Eu poderia citar zilhões de outros 'fatos', mas, já tendo consciência que esse post está ficando bem cansativo e pedante, resolvi me limitar a esses seis.

"Kaio, quais os seus planos para 2007?"

Eu sou uma pessoa bem metódica, admito, mas não faço planos baseado em passagens de ano. O que eu farei nos primeiros meses do 'ano que vem' é um projeto iniciado em Novembro.
-> ler bons livros (já até escolhi o primeiro que eu lerei em Janeiro - "Pornopolítica", do Jabor. Meu padrasto ganhou ele de D.M. Cap. de algum parente, e me emprestou);
-> discotecar (ou sozinho no meu quarto, ou então em aniversários de amigos meus que tenham bom gosto musical - não, eu não estou sendo arrogante, mas sim lúcido. Ou vocês vão me dizer que 'funk carioca' é melhor do que, por exemplo, New Order, Prodigy e Franz Ferdinand em uma 'dancefloor' para pessoas não-vulgares?);
-> prosseguir com meus idealismos românticos baratos (sim, eu ainda alimento a esperança de que, entre as 3 bilhões de mulheres existentes na Terra, uma delas é a minha cara-metade);
-> ser um bom aluno
(só vou prestar para um vestibular ano que vem, a UnB, mas em duas provas - a 'normal' e o PAS. Isso me ajudará a direcionar os meus estudos, talvez diminuirá um pouco o stress que virá com o 3º ano. Ciência Política, me aguarde!);
-> escrever ainda mais (o Racio Símio e minhas folhas avulsas de caderno foram bastante utilizados por mim nos últimos tempos, mas ainda acho que não é o suficiente. Quero fazer menos posts supérfluos com este e mais posts 'geniais', como, hã... um ou outro que eu fiz nesse ano);
-> nightlife (continuarei a ter mais contato com seres humanos. Claro que vou odiar a maioria das festas e baladas pras quais possivelmente irei, mas minha sobriedade, como eu já disse semanas atrás, é a garantia da lucidez, o que significa que eu não precisarei ter momentos felizes para estar feliz. Digo feliz porque é o contrário da tristeza, e, sejamos sinceros, triste eu não sou nem um pouco. Basta boa música, chocolate e Coca-Cola pra me deixar serelepe caso eu esteja meio 'mellow').

Nossa, agora que fui perceber o quanto esse meu texto de hoje está chato. Que bom. Acho que já é o suficiente por hoje. Até mais.

29 dezembro 2006

Life During Holiday Times

Se tem algo pelo qual eu sou completamente apaixonado, se chama "deep music". Adoro ouvir os discos mais densos de certas bandas de rock.
Densos no sentido de criarem uma verdadeira atmosfera que contagia o ouvinte, que nota uma enorme sensibilidade do disco em alternar (ou aguçar) climas e ambientes. Isso sem falar na intensidade das melodias, a profundidade das letras, a força sonora concentrada em cada faixa do álbum. Poderia eu até me apropriar do clichê "discos que penetram na alma de quem os ouve".
Separei aqui uns vinte discos (na verdade, 21, mas Sgt. Pepper's não é disco, e sim 'hors concours', coloquei ele só pra embelezar a lista) para os eventuais interessados.
Prefiro não comentar sobre eles (aliás, já falei sobre cinco deles em um post antigo do Sofisma Burlesco), deixarei que os ouvintes tirem suas próprias conclusões:

- SGT.
PEPPER'S LONELY HEARTS CLUB BAND (The Beatles)
- WHITE LIGHT / WHITE HEAT (The Velvet Underground)
- THE BEATLES (The Beatles) - também conhecido como "The White Album"
- A DIVINA COMÉDIA OU ANDO MEIO DESLIGADO (Os Mutantes)
- DARK SIDE OF THE MOON (Pink Floyd)
- LOW (David Bowie)
- THE IDIOT (Iggy Pop)
- UNKNOWN PLEASURES (Joy Division)
- FEAR OF MUSIC (Talking Heads)
- SEVENTEEN SECONDS (The Cure)
- CLOSER (Joy Division)
- STRANGEWAYS, HERE WE COME (The Smiths)
- SURFER ROSA (Pixies)
- DISINTEGRATION (The Cure)
- LOVELESS (My Bloody Valentine)
- V (Legião Urbana)
- IN UTERO (Nirvana)
- OK COMPUTER (Radiohead)
- 13 (Blur)
- KID A (Radiohead)
- ABSOLUTION (Muse)

Ah, sim, enquanto redigia esse post, eu estava ouvindo o Fear of Music, hehe...

Apesar da "falta do que fazer", estou até aproveitando as férias aqui em casa.
Na TV, assisto diariamente a meus seriados favoritos - os 'dramas' Dawson's Creek (se eu fosse mulher, eu teria uma personalidade parecida com a da Joey, rá) e The O.C. (a nova temporada está muito boa) e as comédias Seinfeld (a melhor sitcom da história, rio à beça até nas reprises), Friends (quem não resiste aos 6 amigos adoravelmente idiotas?) e Frasier (adoro as obsessões do Niles).
No quintal, jogo bola e falo sozinho. É bem divertido, adoro ficar contando histórias de bandas de rock imaginárias, torneios de futebol imaginários, seriados de TV imaginários, filmes imaginários...
Quanto à geladeira e a despensa, bem, elas me fornecem Coca-Cola, Toddynho, chocolate, bolachas, água gelada, limonada, queijo... hum, fome e sede jamais passarei.
Também ando jogando o PS2 que meu irmão ganhou de D.M. Cap. Nossa, o jogo dos Cavaleiros do Zodíaco ficou bem legal... também joguei Need for Speed: Hot Pursuit 2, Dragon Ball Z Budokai 3 e Winning Eleven 10... ah, e ainda tem outros que eu ainda nem joguei, como Final Fantasy XII!
E no PC, minha rotina inclui:
1. last.fm (ouvi quase 1300 músicas na semana passada!);
2. orkut (virou apenas uma pequena parte do meu dia-a-dia, deixou de ser vício);
3. escrever (freqüentemente) em Racio Símio e (esporadicamente) em Sofisma Burlesco;
4. bate-papo do UOL (sim, a maioria das pessoas que eu conheço lá rendem conversas curtas e descartáveis, mas com um pouco de persistência conheci algumas bem legais);
5. soulseek (baixei muitas músicas nos últimos dias);
6. Wikipédia (ando até editando algumas páginas);
7. ler blogs e sites bacanas (coloquei vários deles nos links);
8. MSN Messenger (ah, já contei que tenho seis MSNs, mas só costumo usar três deles?), etc.

Eu até que estou com vontade de ir em uma "balada" de música eletrônica ou rock, mas a censura 18 anos de algumas delas, o preço absurdo dos ingressos e, claro, a 'entressafra' de eventos que ocorre nas férias de Dezembro/Janeiro (justamente quando elas deveriam acontecer mais!) andam me impedindo de ir.
Restam a mim as minhas discotecagens e as 'atividades' que eu organizei para o meu dia-a-dia. Nem ando lendo ou estudando, talvez me sentirei mais disposto pra isso nos próximos dias, com a proximidade da volta às aulas (que, no meu colégio, é em 23 de Janeiro).
Ah, acho que por hoje é só. Good night, fellows.

28 dezembro 2006

"Quem é você, Kaio?"

Geralmente não acredito muito em testes de personalidade, mas fiz um hoje que foi fenomenal. É uma análise bem ampla e interessante da pessoa que responde o questionário, e o resultado é surpreendente de tantos 'na mosca' que o teste contém.
Se quiser fazer o teste, clique aqui. Se quiser ler meu resultado, acompanhe as linhas abaixo. Destaquei as partes que eu mais gostei e em itálico as que eu discordei.

Retrato de um ENFJ - Extraverted iNtuitive Feeling Judging

"Seu modo principal de viver é focado externamente, através do qual você lida com as coisas de acordo com a maneira com que você se sente quanto a elas, ou de acordo com a maneira que essas coisas se encaixam dentro do seu sistema de valores pessoais. Seu modo secundário é focado internamente, absorvendo fatos primeiramente através da sua intuição.
Você é voltado às outras pessoas, vivendo num mundo cheio de possibilidades de contatos. Mais do que quaisquer outros tipos, você tem uma habilidade excelente para lidar com pessoas. Você entende e se importa com elas, e tem um talento especial de conseguir trazer à tona o melhor de cada um. Seu interesse principal na vida é dar amor, ajudar nas horas difíceis, e curtir a vida nas horas boas, junto aos outros. Você está sempre tentando entender, ajudar, e encorajar os outros, fazendo as coisas acontecerem na vida deles e tirando satisfação pessoal disso.
Por causa dessas suas habilidades interpessoais tão extraordinárias, você tem a capacidade de conseguir que as pessoas façam exatamente o que você quiser, já que você percebe muito bem como cada pessoa reage a diversas situações. Seus motivos geralmente não são egoístas, mas se você não desenvolver seu lado mais idealista, você pode acabar usando este poder sobre as pessoas para manipulá-las.
Você é uma pessoa tão voltada para o mundo exterior que é importante que você gaste um tempo só. Isso pode ser até difícil para você, por causa da sua tendência a ser duro consigo mesmo, e a ter pensamentos negativos quando sozinho. Conseqüentemente, você pode acabar evitando passar tempo só, e encher sua vida de atividades que envolvam outras pessoas. Você tende a direcionar o rumo da sua vida e suas prioridades de acordo com as necessidades das outras pessoas, e pode acabar não prestando atenção para as suas próprias necessidades. É natural que você coloque as necessidades dos outros acima das suas, mas você precisa estar ciente das suas próprias necessidades para que você não se sacrifique nas suas tentativas de ajudar ao próximo.
Você tende a ser mais reservado quanto a se expor do que outras pessoas extrovertidas. Assim, mesmo que você tenha certas opiniões e crenças fortes sobre diversas coisas, você normalmente evita expressá-las se acha que isso acarretará em um impacto negativo na sua relação com elas. Como você se interessa muito em acelerar mudanças na vida das outras pessoas, você provavelmente vai interagir com as outras pessoas no nível delas, como um camaleão, ao invés de estar sendo o mesmo indivíduo em todas as ocasiões.
Mas isso não quer dizer que você seja uma pessoa que não tem opinião. Você tem valores e opiniões bem definidas, e pode expressá-las de maneira clara e sucinta. Porém, essas crenças serão expressadas contanto que não pareçam ser muito pessoais. Você é expressivo e aberto de diversas maneiras, mas é mais focado em reagir às atitudes das pessoas, e em apoiá-las. Quando uma opinião ou crença de extrema importância para você se choca com as necessidades do próximo, é muito provável que você escolha atender às necessidades do próximo.
Você pode se sentir um tanto sozinho mesmo quando rodeado de pessoas. Esse sentimento de solidão pode se tornar exagerado por causa da sua tendência de não revelar seu verdadeiro “eu”.
Por outro lado, as pessoas te amam. Você é divertido de se estar junto, e verdadeiramente entendem e amam as pessoas. Você é quase sempre direto e franco. Você geralmente exala muita autoconfiança, e tem grandes habilidades para mexer com muitas coisas diferentes. Você é um tanto brilhante, cheio de potencial e energia, e gosta de um ritmo rápido, e é geralmente bom em qualquer coisa que consiga capturar seu interesse.
Você gosta que as coisas estejam bem organizadas, e irá trabalhar duro para manter a estrutura e para resolver questões duvidosas. Você tem uma tendência a se irritar com facilidade, especialmente em casa.
No ambiente de trabalho, você se dá bem em posições que lidem com gente. Sua habilidade aguçada de entender as pessoas e dizer exatamente o que deve ser dito para deixar as pessoas felizes o torna um conselheiro natural. Você gosta de ser o centro das atenções, e se dá muito bem em situações onde você pode inspirar e liderar outros, como dando aulas, por exemplo.
Você não gosta de lidar com raciocínios que sejam impessoais. Você não entende nem aprecia o mérito em questão, e não ficará feliz em situações em que seja forçado a lidar com lógica e com fatos que não tenham conexão com elementos humanos. Vivendo num mundo de possibilidades humanas, você gosta mais de seus planos de que de suas conquistas. Você fica animado com as possibilidades que o futuro guarda, mas pode se cansar facilmente do presente, e se tornar ansioso.
Você tem uma capacidade especial de lidar com as pessoas, e é geralmente feliz quando pode usar esta habilidade para ajudar os outros. A maneira com que você se encontra mais satisfeito é ajudando e servindo os outros. Seu interesse genuíno na humanidade e sua excepcional percepção intuitiva do que acontece com as pessoas, faz com que você compreenda até os indivíduos mais reservados.
Você tem uma grande necessidade de relacionamentos fortes e íntimos, e se esforçará grandemente para criar e manter estes relacionamentos. Você é muito leal e confiável quando envolvido numa relação.
Se você não desenvolver seu Sentimento, você pode encontrar dificuldades em tomar boas decisões, e pode acabar tendo que contar demais com outras pessoas na hora de tomá-las. Se você não desenvolver sua Intuição suficientemente, terá dificuldade em ver possibilidades, e irá decidir as coisas rápido demais, baseando-se em sistemas de valores ou de regras sociais, sem na verdade compreender a situação real que existe por trás. Se você não se encaixar no mundo, será extremamente sensível a críticas e terá a tendência de se preocupar demais e de se sentir culpado. Poderá também ter uma tendência a ser muito manipulador e controlador das pessoas.
No geral, você é uma pessoa charmosa, calorosa, graciosa, criativa e diversa, com idéias altamente desenvolvidas sobre a maneira como as outras pessoas funcionam. Esta habilidade especial de ver o potencial de crescimento das pessoas, combinada a uma intenção genuína de ajudá-las, faz com que você seja alguém altamente valorizado. De tão preocupado com os outros que você é, você precisa se lembrar de valorizar mais suas próprias necessidades assim como você valoriza as dos outros."

27 dezembro 2006

Is there anybody here?

Hehe, só foi eu fazer aquele post do dia 20 que NENHUM psicólogo de plantão comentou no meu blog desde então. Ironical, huh?
Excetuando-se algumas (ótimas) pessoas que comentam esporadicamente (não preciso citar o nome delas porque acho que a carapuça vai servir), a maioria dos comentaristas do Racio Símio são pessoas extremamente simpáticas que adoram me dar conselhos e se escondem no anonimato porque têm medo de revelar a sua verdadeira face - fracassados que tentam minimizar a desgraça de suas vidas falando mal dos outros.
E não é só aqui no blog, em tudo que é lugar se encontram pessoas com essa falta de caráter. No ambiente escolar, por exemplo. Sempre existem aquelas garotas adoráveis que quando supostamente deveriam estar estudando em um (adivinha) grupo de estudos, estão fofocando e criticando a vida alheia - às vezes nem por inveja, mas sim por baixa auto-estima. Isso sem falar nas revistas de celebridades (?!), que vendem bem à custa de mentes inferiores que acham suas vidas tão desprezíveis que o affair relâmpago de fulana com sicrano é bem mais interessante.

Eu, no entanto, não vou pagar de moralista e criticar os meus críticos (nossa, essa foi péssima). Prefiro ser mais kaionístico - continuem comentando, sinto falta das risadas que eu dava ao ler suas abobrinhas. Vocês não imaginam o quanto era divertido abrir a caixa de comentários e me deparar com anônimos (ou semi-anônimos) jurando que sabem mais da minha vida do que eu. Só faltava aparecer um freudiano falar que eu desenvolvi um trauma na minha fase anal.

Bem, já que meu blog é um dos menos lidos do Brasil (o que não o impede de ser um dos mais cool, é claro), eu me sinto no absoluto direito de falar banalidades. Ainda bem que eu não sou famoso e, portanto, não preciso ser "acessível e sempre divertido e atraente" como os blogueiros pop, que recebem uns 20, 30 comments diários. Sinto pena deles, porque se existe algo pior do que a crítica é o elogio. Deve ser um tédio pra eles ver aquele tanto de pessoas vazias dizendo "Nossa, amei seu blog! Você é muito bacana, escreve bem! Vou ler aqui todo dia, já até te adicionei nos meus favoritos" ou concordando com tudinho que o sujeito publica no blog.
Nietzsche dizia ser um homem póstumo (e o desgraçado estava certo, porque, desde os nazistas até os indies, vários segmentos da sociedade se interessaram pela sua obra). Eu acho que nem isso eu vou ser. Não nego que estou à frente da minha época, mas isso não me fará ser reconhecido pelas gerações futuras. Tomara, pois eu, mesmo morto, odiaria saber que só me valorizariam depois que eu virasse pó.

Mesmo assim, não me sinto no direito de me comparar a um gênio, porque eu não tenho os meios para sê-lo. Primeiro porque eu não tenho nenhuma capacidade mental especial, como depressão, transtorno bipolar, epilepsia, hiperatividade ou superdotação. Nem sei se meu QI é alto, nunca fiz o teste. Sou mais puritano que muita gente religiosa por aí, portanto, não tenho drogas ou sexo pra estimular minha criatividade. Não tenho nenhum problema sério na minha vida que porventura me instigue a superar barreiras.
O que, afinal, me faz especial, diferente dos outros?
Justamente isso. "A importância de não ser importante".
Eu discuto política sem precisar beber ou me filiar a uma corrente partidária e defendê-la até o fim. Não me encaixei nem na direita (por ser muito pragmática e arrogante) nem na esquerda (por ser muito hipócrita e risível).
Eu gosto de filosofia sem precisar de um 'mestre' pra me ensinar, tampouco problemas pessoais para me levar a ela.
Eu sou apaixonado por música e consegui organizar e definir meu gosto musical como se as bandas que eu curto fossem filhas que eu estou criando.
Eu não preciso querer ser estranho pra sê-lo. Acho absolutamente normal ser Kaio.
Eu não tenho uma família influente ou tradicional, fui desenvolvendo sozinho e de maneira quase autodidata a minha personalidade e gostos. Não nego, no entanto, que a liberdade de pensamento e o apoio que minha mãe me forneceu foi essencial para isso.
Eu tenho uma vida tão pacata que coisas que para mim soam como 'momentos decisivos de minha existência' ou 'coisas radicais' que eu fiz parecem nada para outras pessoas. Isso é ótimo, odiaria levar uma vida tão extrema ao ponto de esquecer dos pequenos detalhes.

Enfim, eu me amo. Falar de mim mesmo é quase orgásmico. Claro que eu adoraria que existisse uma garota pela qual eu pudesse desenvolver um amor tão ou mais forte do que o que eu sinto por Kaio, mas já que ela não existe no mundo real, passou a existir no ideal. O nome dela é Júlia, e eu a criei através dos últimos, hum, 6 anos. É como se ela fosse meu 'padrão' - todas as 3 garotas que até hoje mais se aproximaram (ou menos se distanciaram) da perfeição da Júlia foram justamente as 3 pelas quais eu me apaixonei. Vários fatores pesaram para que meu coração batesse forte nessas três oportunidades:
- No campo do intelecto, o fato do gosto pra música e literatura ser bem parecido foi essencial.
- No campo da fantasia, 2 das 3 eram um pouco mais velhas que eu. Não nego que tenho uma queda por 'older girls', hehe.
- No campo sentimental, eu adorava conversar com as três, me sentia confortável na presença delas.
Obviamente, as 3 paixões não foram concretizadas, e, além da "não-reciprocidade do sentimento", as diferenças na personalidade contribuíram para o malogro. A primeira, porque era muito esnobe e metida a popular. A segunda, porque era muito junkie. E a terceira, porque era muito inconstante. E eu não me afinizo com isso. Posso ser horrível em muitas coisas, mas eu não sou metido a pop, junkie e tampouco inconstante. Conseqüentemente, a Júlia, como minha 'soulmate', também não é.

Ah, pronto. Termina aqui mais um post idiossincrático. (Ouvindo "Something in the way", Nirvana. Após várias maratonas musicais nessa semana, incluindo Garbage, The Prodigy, Depeche Mode, Legião Urbana, Franz Ferdinand, Muse e The Cure, chegou a vez dos rapazes do garage rock mais bem feito dos anos 90). Boa noite para vocês, criaturas noturnas das trevas melancólicas de um mundo soturno e sombrio. Ou "shiny happy people", tanto faz.

25 dezembro 2006

Festividades do D.M. Cap? Que nada, eu quero é Beatles!

Ah, nada como começar um domingo ouvindo Beatles... baixei o disco novo deles, "Love", e fiquei encantado com a produção brilhante de George Martin. De fato, as canções parecem bem mais modernas com essa, digamos, remixagem. Destaque para "I Am The Walrus" [eles conseguiram melhorar a melhor canção de todos os tempos! Isso é fabuloso!], "I Want To Hold Your Hand" [ouvindo-a nessa nova versão, você até esquece que ela é uma música de 43 anos atrás!], "Drive My Car / The Word / What You're Doing" [uma colagem sonora fantástica], "Being For The Benefit Of Mr. Kite! / I Want You (She's So Heavy) / Helter Skelter [fiquei perplexo com a coesão criada entre músicas tão diferentes - uma circense e as outras duas, pesadas], "Strawberry Fields Forever" [ficou linda], "Here Comes The Sun / The Inner Light" [Harrison ficaria satisfeitíssimo com esta], "Back In The USSR" [agora sim podemos ouvir o que Macca falava no finalzinho!] e "A Day In The Life" [a obra-prima do Sgt. Pepper's ficou ainda mais perfeita].
Aproveitei a empolgação beatlemaníaca para ouvir e ler o Álbum Branco. Ouvi ele na íntegra (baixei as mp3 dele que eu ainda não tinha) e li a parte do livro The Beatles: Antologia sobre ele. Falando sério, o White Album é absurdamente bom. A prova definitiva de que os Beatles, mesmo sendo pop, sabiam fazer rock alternativo e experimental melhor do que ninguém. O post-punk é um dos exemplos de movimentos do 'underground roqueiro' que devem muito ao LP duplo de 1968 de capa minimalista e música densa. Para entender a dimensão da genialidade do fab-four nesse disco, ouça, por exemplo, "Back In The USSR", "Dear Prudence", "Sexy Sadie", "Helter Skelter", "Everybody's Got Something To Hide (Except For Me And My Monkey)", "Ob-La-Di, Ob-La-Da", "While My Guitar Gently Weeps", "I'm So Tired", "Happiness Is A Warm Gun", "Julia" e "Birthday" (e há outros 19 petardos tão bons quanto estas).

Enfim, sobre o D.M. Cap., eu fui esperto.
Eu, minha mãe e meu irmão caçula passamos a festa na chácara da família de uma amiga da minha mãe. Eu fui o Kaio de sempre - andei pelas 'áreas de baixa densidade demográfica', controlei bem meu consumo de Coca-Cola para que o mesmo fosse o ideal (ou seja, 4 copos tomados em momentos estratégicos), tentei ser sociável em alguns segundos, arranjei um puf e descansei um pouco nele, lá pelas 1h30 peguei meu CD do New Order e fiquei ouvindo em um canto, aproveitando que tinha um aparelho de som dando sopa... o resto do pessoal fez o que pessoas não-kaionísticas fazem: assistiram a DVDs de shows (hum, acho que viram César Menotti & Fabiano, Bruno & Marrone e Roberto Carlos), beberam bastante (não houveram escândalos, felizmente - no máximo, umas mulheres dando risada alto), as crianças e adolescentes brincaram, os adultos conversaram sobre banalidades...
Acho que, em suma, a noite foi até legal. É boa a sensação de tranqüilidade que minha vida passa, afinal, eu posso usufruir do tédio silencioso, já que não há ninguém brigando na festa, nenhum problema financeiro sério afetando a minha vida, nenhum relacionamento amoroso me afligindo, e a sobriedade é a garantia da lucidez! Existe algo mais legal do que isso?
Sim! Dançar New Order sozinho, hehe.

23 dezembro 2006

Feliz dia mundial do Capitalismo!

Dia 24 será a véspera do mais importante acontecimento do ano.
Você sabe qual é?
Isso mesmo, o dia mais feliz para comerciantes, vendedores, varejistas e/ou qualquer pessoa que lide com ele, o nosso amado e querido capitalismo!
É dia de usar uma boa desculpa para saciar os seus, os meus, os nossos desejos consumistas!
Claro que precisávamos arranjar algum pretexto para tantos presentes. E qual seria ele?
Ah, ouvi dizer que tem uma religião por aí que tem 2 bilhões de fiéis, acho que se chama cristianismo. Parece que dia 25 de dezembro é provavelmente o dia em que nasceu um judeu que anos mais tarde viraria filósofo, pacifista e líder político, o JC. O cara era super bacana, mas tinha alguns amigos bem canalhas, que, depois que ele morreu, resolveram distorcer as idéias dele e criar uma seita religiosa. Não que eu esteja condenando tal atitude (longe disso, quem sou eu para criticar os apóstolos? Sou apenas um cordeirinho de Deus!), mas é que o barbudão não queria criar algo tão formal como uma religião, uma postura filosófica que passasse as idéias dele para os possíveis interessados já bastava.
Enfim, depois de amanhã fará 2006 anos desde que esse camarada foi parido. Como estamos no lado ocidental do globo, e o Brasil tem apenas uns 90% da população de cristãos, nada como aproveitar a festinha para movimentar o comércio, né?
As crianças, por mais risível que isso possa parecer, também precisam de um bom motivo para gostarem da festa. Oras, que tal toneladas de presentinhos para elas, usando a desculpa de que é o Papai Noel que vai dar pra elas (afinal, crianças adoram acreditar que um adulto fará algo pra elas que não seja deixar de castigo, obrigar a ir na escola e bater)? Perfeito! Temos o apoio incontestável dos pirralhos, que, mesmo se por acaso vierem a descobrir que Santa Claus não existe, vão continuar fingindo que acreditam nele pra ganhar presente!
Opa, os mais preocupados com questões sócio-econômicas nos lembraram que temos que ajudar os mais "necessitados". Oras, isso é fácil! Vamos dar o peixe ao invés de ensinar a pescar - campanhas filantrópicas já!
Pronto, teremos agora uma noite feliz! Encham suas panças, comida é o que não falta!

Os politicamente corretos dirão que tudo que eu relatei é Natal, mas deixem eles pra lá, eu prefiro chamar de "Dia Mundial do Capitalismo" mesmo. Viva Marx, que deu todas as dicas para que os burgueses continuassem hegemônicos graças ao seu livrinho, "O Capital"!

22 dezembro 2006

Kaio, o metódico por excelência.

Quando um sujeito consegue empatar QUATRO MÚSICAS na segunda colocação de seu last.fm, é sinal de que ele nem precisa se esforçar mais para ser organizadinho - seu subconsciente faz esse serviço.

20 dezembro 2006

Auto-indulgência não faz mal a ninguém

Sim, hoje estarei usando muita função metalingüística, hehe.

Não existe nada melhor e pior para mim do que reler posts do Racio Símio.
Alguns deles me deixam muito orgulhoso. "Poxa, eu sou muito foda!"
Outros me deixam envergonhado. "Como eu sou um idiotinha..."
Existem também - a maioria, aliás - aqueles que soam tão melosos, jocosos e idealistas que parecem ter saído de um poetinha jovem do século 18, que resolveu contemplar as árvores e pessoas do ambiente bucólico, mas que continua solitário, lendo seu livro apoiando-se em uma pedra.
E claro, os posts longos, que ninguém vai ler, mas que eu publico mesmo assim.
E os posts curtos, que são os "mais lidos" (entre aspas mesmo), mesmo sendo (geralmente) os piores.

Acho, no entanto, que a coisa mais esquisita que esse blog me trouxe foi a maioria dos leitores e 'comentaristas'. Sim, eles mesmo. Os psicólogos de plantão, que juram que são pessoas perfeitas e geniais o suficiente para me darem conselhos de como eu deveria ser, agir e pensar.
Eles devem me amar muito para perderem tempo com pérolas como "Você é inteligente, porém imaturo", "Viva a vida", "Deixe de querer bancar o estranho", "É muita idiotice da sua parte deixar tudo da sua vida no seu blog", "Saia desse seu mundinho imaginário", etc...
Coisas como essa me fazem pensar: "Nossa, ainda bem que eu sou egoísta, e tudo que essas pessoas tão espertas e geniais dizem soam para mim não como conselhos ou críticas, mas sim como elogios, como veneração do meu estilo de vida".
Eu não nego que também gosto de aconselhar e criticar as outras pessoas, mas tenho completa consciência de que 'vai entrar por um ouvido e sair pelo outro'. Por isso, nem o faço com freqüência, não gosto de perder meu tempo tentando mudar a cabeça de pessoas dotadas de personalidade própria e intransigência, afinal, (a maioria de) nós, seres dotados de algum intelecto (sim, eu sou pedante e pseudo-intelectual, mas tenho lá algum conhecimento, por mais raso que seja) é assim.

[A seguir, um parágrafo idiossincrático e auto-indulgente. Pule-o se estiver entediado] Eu gosto dessa minha vida tranquila. Relativamente saudável, não bebo, não fumo, não beijo, não transo, eu adoro indicar bandas legais para as outras pessoas, não me disfarço de anônimo pra comentar no blog dos outros, não visto as roupas da moda, eu passo de ano no 3º bimestre, não me acho apenas mais um macaco (e o cara que fez o vídeo também não, afinal ele deve saber o que significa 'individualidade'), não sou filantrópico, sou gentil apenas com pessoas que eu realmente ache que valem a pena, não sou um supernerd, sou meio otimista (eu sorrio até ouvindo Joy Division e a palavra 'tristeza' é eliminada do meu dia-a-dia com um simples chocolate), sou um pouco anti-social (não tanto quanto gostaria, mas o suficiente para afastar pessoas com quem eu não me compatibilizo), minha risada diabólica é bizarra, etc.
Sou Kaio.
"I need to be myself." E você também, [a seguir, um falso elogio] querido (a) leitor (a).

19 dezembro 2006

Death of a disco dancer, well it happens a lot around here...

Ontem fiz minha discotecagem de post-punk. Não seria exagero dizer que foi a que eu mais gostei de fazer até agora. A mais dançante e empolgante de todas. Eu acho estranho isso, eu sou uma pessoa relativamente alegre e feliz, mas adoro músicas melancólicas dos anos 80! Talvez porque elas sejam mais 'densas e intensas', e eu gosto disso. Eu quase entrei em transe quando tocaram, em seguida, A Forest, Love Will Tear Us Apart, Transmission e Isolation. Desliguei todas as luzes do meu quarto (inclusive o monitor do meu PC) e dancei freneticamente.
"Dance, dance, dance, dance, dance to the radio..."

(Ah, na foto não aparece a Transmission porque eu me lembrei de adicioná-la de última hora, e tirei These Days, que é mais new wave que post-punk, mas, como vocês lerão a seguir, vai entrar na de hoje...)

Hoje vou fazer uma de new wave. Selecionei as fases "serelepes" de Smiths, Cure e Depeche Mode, além de um pouco de New Order e Joy Division e, claro, os 'new wavers puros' - Talking Heads, The B52's, Blondie, Devo, Tears For Fears e Duran Duran.
Vai ser uma noite boa. Já até separei o Toddynho, as Trakinas e a (falta de) iluminação.

17 dezembro 2006

Que soe o hino da (o) Internacional!

Heh, como se não bastasse vencerem 7 das 10 eleições que houveram na América Latina em 2006, os esquerdistas têm mais um motivo para comemorar.
O Internacional, com suas cores vermelhas e "time baseado na coletividade e na união da equipe, apesar das limitações", venceu o Barcelona, equipe "globalizada, recheada de craques e representante dos interesses das classes dominantes".
O jogo foi equilibrado, as duas equipes jogaram muito bem, mas o Inter foi superior, soube marcar melhor os ataques do Barça, e mesmo as eventuais falhas de disciplina tática do Colorado (que foi ótima) foram compensadas por boas atuações individuais, como Clemer, Iarlei, Fabiano Eller e, claro, Adriano, autor do gol do título em uma jogada espetacular.
A imprensa toda noticiará o resultado do jogo com clichês como "Davi vence Golias", "O mundo é vermelho" (por exemplo, Juca Kfouri), "Internacional desbanca favorito Barcelona", "Que soe o hino da/o Internacional", "Tóquio é verde, amarela e vermelha" (esse é o pior)... mas não dá pra fugir deles em uma situação dessas.
Tirando os torcedores do Inter, duvido que alguém que entenda o mínimo de futebol não colocaria o Barça como o mais cotado para vencer.
E a equipe catalã jogou bem, mas não teve (olha outro lugar-comum) a garra e a força de vontade do Inter, que foi 200% superior à atuação no jogo anterior. Também contou com a sorte em certos momentos, nos quais jogou pior e o seu adversário não soube aproveitar as chances.
Melhor para os vermelhinhos, que tiveram uma vitória justa e consagradora. Parabéns para eles e os proletários de todo mundo [ok, proletários é coisa do tempo de Marx. Atualmente temos esquerdistas festivos do Fórum Social, mas eles têm o mesmo QI de um proletário analfabeto do século XIX]

Nada como uma discotecagem esquerdista para comemorar, hehe: selecionei The Clash, Pink Floyd, The Smiths, Radiohead, U2 e Depeche Mode, entre outras bandas politizadas que tem uma visão política mais 'power to the people' sem serem pedantes e fazendo um som muito bom.

16 dezembro 2006

Sublimação

Parabéns, Kaio. Você conseguiu algo difícil de se obter - não ficar entediado na primeira semana de suas férias.

Na segunda-feira, você dançou ao som de uma discotecagem, e percebeu que a idéia era boa e resolveu estendê-la para todas as noites seguintes de sua semana.
Os temas variaram: no primeiro dia, "top 5 bandas européias dançantes"; na 3a, shoegaze; na 4a, grunge; anteontem, se o computador não tivesse dado tantos problemas, seria uma de house e techno; e na noite passada, você fez uma noite dedicada ao britpop.

O que mais você fez? Comeu muito chocolate, não é? A Coca-Cola acabou já na quinta-feira? Uau!
Parece que você foi na escola mendigar nota pro professor de Física... Rá! Conseguiu dois décimos, mas não foi suficiente pra impedir que fosse a pior nota do seu boletim, não é? Hehe, após um ano terrível em notas como esse, nada como passar de ano em setembro e despencar em Física (70), Biologia (70) e Química (72) no quarto bimestre, não é, seu preguiçoso? Ah, você tirou 100 em todas as outras matérias, inclusive Matemática? E ficou em sexto lugar no simulado, mesmo errando aquele monte de questões porque simplesmente NÃO sabia a matéria? Hum, mala.
Aproveitando o 'passeio' no colégio, você pegou uns livros e CDs que tinha emprestado...

Hã, estou começando a bocejar... sua semana foi só isso?!
O quê, o seu PC te deu muita dor de cabeça com as sucessivas travadas? Tadinho... ainda bem que você desinstalou o The Sims 2, aquele jogo estava arrasando com seu hardware.

E livros, leu algum, lazy boy? Ó, que gracinha, está alegando que não há ambiente em sua casa que seja propício para leituras? Get a life!

Então conclua, Kaio - a semana foi boa, apesar de, hã, "tudo" isso?

Sim, blog. Foi um bom início para as minhas férias. E hoje vai ter discotecagem clubber, aguarde por posts na madrugada.

14 dezembro 2006

Leaders of men

Estava falando com uma amiga minha sobre grunge:

Kaio: Parking in the garage - it's the grunge discotheque! Black hole sun, won't you come? diz (23:53):
às vezes eu acho que o grunge foi uma resposta do rock americano pro inglês. se o pós-punk é o jeito inglês de fazer um rock denso e melancólico, o grunge é o jeito americano.
Kaio: Parking in the garage - it's the grunge discotheque! Black hole sun, won't you come? diz (23:54):
o kurt cobain é pro grunge o que o ian curtis foi pro pós-punk: o mártir.

Mas é mesmo, ambos eram depressivos, drogados e se suicidaram jovens, tinham problemas no casamento, morreram em momentos decisivos de suas carreiras, nos respectivos auges de suas bandas (In Utero pro Nirvana e Closer pro Joy Division), e fizeram carreiras meteóricas, mas deixaram discos que marcaram a história do rock e muitas sobras de estúdio pra alegria dos fãs.
"Love Will Tear Us Apart" foi pros anos 80 o que "Smells Like Teen Spirit" foi pra década seguinte. Além do mais, tanto Kurt quanto Ian foram os representantes máximos de seus respectivos movimentos musicais, e possibilitaram a subida do rock alternativo às paradas.
A partir do Joy Division, em 1980 o post-punk foi crescendo e obtendo sucesso de público e crítica, com o surgimento de bandas como Cure, Smiths, Echo and the Bunnymen, Siouxsie and the Banshees, Bauhaus e o próprio New Order.
Depois do sucesso do Nirvana em 91, o rock alternativo americano ganhou as paradas, com medalhões do indie rock como Pixies e Sonic Youth, grunges como Alice in Chains, Pearl Jam e Soundgarden e até bandas alternativas como Smashing Pumpkins e Pavement.
E, falando sério, as duas bandas mudaram completamente o rock de suas décadas. O Joy iniciou a tendência "melancolia dançante" (resultando no NO) e das canções tristes e pessimistas que dominaram os anos 80, e o Nirvana iniciou um período de ressurreição do underground nos EUA, com a MTV divulgando várias bandas novas, além do fato de que a banda de Kurt foi um dos símbolos do 'consumo de massa' da década de 1990 - "o salvador do rock" foi o "porta-voz da geração X".
Cada macaco no seu respectivo galho, e o rock segue em frente, (ainda) firme e forte.

13 dezembro 2006

Take a Ride for Nowhere

Ontem à noite, eu fiz a discotecagem shoegazer. Por alguns minutos, até usei meu All Star e fiquei (dâ) dançando e olhando para ele.
Escolhi faixas das cinco maiores bandas desse estilo de rock: 8 do Ride (banda com uma pegada dançante e vocais que lembram um pouco a Madchester), 6 do Jesus and Mary Chain (que fazia uma espécie de proto-shoegaze no seu primeiro disco, Psychocandy), 9 do My Bloody Valentine (representante mais expressivo, além de bons singles e um ótimo debut, seu
2º LP, Loveless, é uma obra-prima dos anos 90), 8 do Cocteau Twins (símbolo da transição do post-punk para uma sonoridade mais etérea) e 8 do Slowdive (a mais 'fofa' das cinco, usa guitarras não muito distorcidas, preferindo uma atmosfera mais calma).
Shoegaze, na minha opinião, é o melhor tipo de rock para embalar sonhos e deixar o ouvinte viajado e tranqüilo. Tanto que, durante a parte do Slowdive, eu já estava sonolento e dormi durante ela, acordando minutos depois para desligar o PC, quando já passava de 2 da manhã.
Eis uma printscreen que eu tirei do meu PC enquanto estava na discotecagem. Note que eu mudei a cor de fundo do meu MSN para um vermelho-vinho, cor bem, hã, etérea.


12 dezembro 2006

Crazy Beat

Resolvi fazer uma discotecagem pra mim mesmo, com as 5 bandas mais dançantes da face da Terra, na minha opinião. Tocou das 22h50 às 1h00.

Ceremony / Everything's Gone Green / Blue Monday / Ecstasy / Temptation / The Perfect Kiss / Bizarre Love Triangle (New Order)

One More Time / Aerodynamic / Digital Love / Harder, Better, Faster, Stronger / Crescendolls / Short Circuit / Da Funk / Robot Rock (Daft Punk)

[Bônus track - Daft Punk Is Playing In My House - LCD Soundsystem]

Crazy Beat / Song 2 / There's No Other Way / B.L.U.R.E.M.I. / Girls & Boys (Blur)

I Wanna Be Adored / She Bangs The Drums / I Am The Resurrection / Fools Gold (Stone Roses)

Do You Want To / Tell Her Tonight / Take Out / The Dark Of The Matinée / Darts Of Pleasure / Outsiders (Franz Ferdinand)

Dancei bastante, e só tomei um copo de Coca-Cola e comi apenas 4 bolachas de chocolate, o que significa que eu estava feliz naturalmente. Yay! =D

10 dezembro 2006

Speak out

...
Hum, não ando com muita criatividade para escrever um post. Pelo menos agora. Acho que vou escrever um outro pela madrugada. É a melhor hora do dia para postar.
...
Ah, momento cultural. Vou falar de dois livros, cada um à sua maneira, repletos de fluxo de consciência, afinal, I'm lovin' it.

Terminei de ler "Hell" [ontem].
O livro é um romance (em parte) auto-biográfico de uma jovem francesa, Lolita Pille, de pseudônimo Hell, que aos 18 anos leva uma vida junkie, completamente hedonista, regada a sexo, drogas, consumismo e álcool.
A obra, em certos trechos, é bem melancólica. A autora, mesmo que indiretamente, expressa a cada momento as contradições de sua vida, ora criticando, ora exaltando seu lifestyle extravagante e inconseqüente.
Ela, já nas duas primeiras páginas do livro, sintetiza como é a sua, hã, auto-estima: "Eu sou uma putinha, daquelas mais insuportáveis, da pior espécie. (...) Meu credo: seja bela e consumista."
Gostei bastante de "Hell", justamente porque o livro representar quase que o completo oposto de mim. É uma das coisas que eu mais gosto na literatura - ficar por dentro das experiências de vida e da personalidade de seres humanos bem diferentes de Kaio. Não me refiro apenas ao fato de que a protagonista do romance é rica e junkie, mas também em outros pontos, como posturas filosóficas, já que ela é completamente pessimista, materialista e niilista.
A coisa mais notável na obra é a maneira quase 'vomitada' de ela escrever, seguindo uma forte tendência entre escritores jovens que resolvem 'dissecar' os podres da juventude da década de 2000. Soa pedante em certos momentos, principalmente quando ela se faz de entendida a respeito de Baudelaire e "A Dama das Camélias", mas isso acaba sendo um ponto positivo, pois a simples tentativa de dar algum respaldo intelectual à vida fútil desses adolescentes e pós-adolescentes já demonstra que a alienação não é total. Se bem que os franceses são cultos quase que por natureza, no Brasil os riquinhos não são bem assim, hehe, mas, enfim, diferenças culturais à parte, "Hell" é uma representação assaz realista de como vive essa 'casta social', e agrada aos tipos de leitores mais diversos.

Também concluí a leitura "A Hora da Estrela". [Na terça passada]
"Quem se indaga é incompleto". Sem dúvidas, Clarice. Sem dúvidas.
A escritora usou e abusou do 'spread of consciousness'. É como se ela fosse totalmente espontânea na hora de escrever, expelindo cada pensamento, cada idéia que viesse à mente.
É, no mínimo, impressionante a maneira como o livro é conduzido. Antes do enredo propriamente dito, há um momento absolutamente idiossincrático, que prende o leitor ao criar uma forte expectativa por cada nova página.
Macabéa é retratada da maneira mais humilhante possível, como se fosse uma obsessão do narrador tentar torná-la insignificante e insossa, apenas uma pobre nordestina pobre, assim como tantos outros milhões no Brasil. Tal problema social é exposto sem panfletarismos, mas apenas com sinceridade, subjetividade e densidade psicológica violenta.
É assustador o jeito como a autora reflete a respeito do assunto 'morte'. Quando terminei de ler "A Hora da Estrela", me senti completamente arrebatado. Haja perplexidade para encarar as várias 'explosões', as epifanias que a obra arremessa na cara do leitor.
Interessante notar as 'generalizações não-genéricas'. O Suicide dizia "We're all Frankies" em "Frankie Teardrop", uma aterrorizante música sobre um homem comum que, desesperado, mata esposa, filhos e a si mesmo. Clarice parece querer dizer "Somos todos Macabéas". Ou não. Cabe ao leitor interpretar a real intenção da obra. Quanto ao futuro.

Momento pseudo-cult: tanto o primeiro disco do Suicide quanto "A Hora da Estrela" são de 1977, o início prematuro dos anos 80, já com seu fardo de década sombria.

08 dezembro 2006

O apogeu da social democracia tupiniquim

Apesar do nome que contém duas coisas que não são vistas no Brasil (democracia de fato e preocupação com a área social), o ideário social democrata saiu vitorioso após as eleições desse ano. Tanto PT quanto PSDB se encaixam nele, sendo que este foi o que elegeu mais governadores e lidera a oposição e aquele é o partido do presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva. O país está à mercê dessa bipolarização, que ainda não trouxe vantagens reais.
Lula, aliás, é um neopopulista por excelência, com uma carreira política atípica, mas que só reforça o mito messiânico criado sobre ele, que foi determinante para que o povo nordestino se identificasse com ele. Os seus 4 primeiros anos de governo foram medianos, com acertos (estabilidade econômica, ótima política externa e real melhora de alguns indicadores sociais) e erros (gastos públicos excessivos, crescimento econômico travado e corrupção escancarada). De certa maneira, Lula é nacionalista no âmbito econômico, e faz coro à centro-esquerda que critica as privatizações e prefere um modelo de Estado gerenciador e planejador. Ele, porém, não está tão próximo do discurso radical de Hugo Chávez, Evo Morales e outras lideranças esquerdistas da América Latina, afinal, a gestão petista vem agradando muito a classe alta. Lula foi até irônico sobre isso em um debate presidencial: "Engraçado, Alckmin, que os banqueiros votam em você, mas ganham dinheiro de mim".
Geraldo foi um símbolo nefasto do discurso tecnocrata que os tucanos tentaram decolar nessa eleição. Apesar de posar de bom moço e administrador sério, foi prejudicado por sua completa falta de carisma e de propostas que realmente o diferenciassem de Lula, e ainda precisou do apoio explícito da Veja e da Globo para conseguir ir para o segundo turno, no qual foi muito mal em todos os debates graças ao seu discurso frio e repetitivo, e garantindo-lhe uma derrota esmagadora, com cerca de 39% dos votos, menos do que ele havia obtido no 1º turno (41,6%).
PT e PSDB, portanto, são dois partidos com base na classe média, mas que, mesmo assim, insistem em se distinguirem, em se colocarem como "ricos x pobres". Petistas dizem que são 'brasileiros que não desistem nunca'. Tucanos se consideram 'éticos, sérios e honestos'. É pura retórica, ambos são farinha do mesmo saco. Eles não têm projetos para o progresso do país, mas apenas para se manterem no poder.
Como social democratas, ambos têm pequenas diferenças em suas atuações, mas em comum, são partidos que aumentam ou mantém os impostos nas alturas, que não fizeram nada para combater o funcionalismo público pelego e a burocracia excessiva do Estado brasileiro (pelo contrário, só aumentaram o número de cargos, inclusive ministérios) e usam e abusam de programas assistencialistas emergenciais, que não passam de "administração de crises", visto que não são amplos e ambiciosos o suficiente para resolver os problemas sócio-econômicos do Brasil, resumindo-se a 'remediá-los'.
E como fica a questão ideológica nesse contexto? Uma bagunça, obviamente. A direita entrou em decadência nos anos 90, após o fracasso de seu projeto neoliberal, que foi demonizado pelos (pretensos) intelectuais e formadores de opinião; além do mais, FHC não soube aplicá-lo direito, apesar de algumas medidas importantíssimas, como as privatizações da Telebras e da Vale do Rio Doce, além da quebra do monopólio da Petrobras.
Os direitistas têm uma retórica boa para discutir na Internet, mas na 'vida real', seus discursos são pouco acessíveis e persuasivos para as massas. Os conservadores viraram artigos de museu, e os liberais não enxergam as diferenças entre a economia e cultura brasileira em relação à européia, sempre usada como referência por eles.
A esquerda, honrando sua tradição, está dividida. Há a ala mais realista, que apóia o governo Lula e aprendeu a ser pragmática e conivente com a corrupção; temos também os idealistas, que ficaram parados no tempo e ainda acham que radicalismo resolve tudo. O P-SOL é um bom exemplo disso, expondo o idéario arcaico que ainda contamina os socialistas do século 21.
Em suma, o Brasil continua sendo um caso ímpar na política mundial. Infelizmente, no mau sentido. A situação pode não parecer tão alarmante no momento (até porque o povo brasileiro já se acostumou com o fiasco que é nosso país em vários aspectos), mas o futuro promete ser insustentável se tantas reformas, tanto no público quanto no privado, não forem feitas. Desde o indivíduo até o Estado, a mentalidade da nação como um todo precisa de mais bom senso e menos cinismo.

07 dezembro 2006

About Jack Kerouac

Fluxo de consciência - eis um termo que pode, pelo menos em parte, explicar o que faz da obra de Kerouac tão fascinante. Outros escritores como Clarice Lispector fazem uso dessa "técnica", mas nenhum soube utilizá-la com tanta energia e criatividade como esse americano intranqüilo.
Em 1922, nascia em Massachusetts o porta-voz da nova juventude que surgia no século XX. Durante os anos 40, ele, antes um jogador de futebol americano na faculdade, resolveu dar um novo sentido à sua existência: viajar pelos EUA, tendo compromisso apenas com uma coisa - a liberdade.
Após quase uma década inteira explorando cada canto do underground de seu país, ele resolveu começar a escrever livros para relatar todas as experiências de vida que teve durante o período. As jazz sessions, as garotas, as bebedeiras, uma temporada no México, os bicos e trabalhos temporários, as experiências com drogas, o sexo desregrado, os sauraus... Um dos primeiros deles foi "On The Road", escrito em apenas 19 dias, no ano de 1951. Jack usou doses cavalares de benzedrina para compor de maneira ininterrupta a obra.
Porém, publicá-la não seria tão fácil. Vários editores, mesmo com as revisões que o autor fez através dos anos, incompreenderam o valor de On The Road e recusaram-se em publicá-la, até que, em 57, a Viking Press resolveu lançá-lo, mas editou e limou mais de 100 páginas do escrito original. Isso, no entanto, não diminuiu o valor do livro, que foi um fenômeno comercial quando foi lançado. Os críticos ficaram divididos - os que não gostaram tacharam o livro de 'subliteratura'; os que apreciaram criaram verdadeiros chavões sobre On The Road, como 'bíblia da geração beat'.
E o que viria a ser essa geração beat? É uma maneira de denominar os artistas e intelectuais que iniciaram uma verdadeira ruptura cultural na metade do século XX, com livros que influenciaram todos os jovens dali em diante a não temerem em ser libertários e adotar um estilo de vida alternativo. Allen Ginsberg ("Uivo"), William Burroughs ("O Almoço Nu") e Charles Bukowski ("Misto-Quente", "Notas de um Velho Safado") são exemplos de escritores beatniks que, assim como Kerouac, marcaram os novos tempos da cultura ocidental.
On The Road não foi a única grande obra do escritor, mas foi a única que fez sucesso na época de seu lançamento. Os demais livros foram menosprezados, mas, em retrospectiva, vários críticos literários consideram-os no mesmo patamar da 'obra-prima' de Jack. Bons exemplos disso são "Visions of Cody", "Os Subterrâneos" (talvez os dois livros que expressem melhor a prosa espontânea adotada por ele), "Tristessa" (uma melancólica história, baseada em fatos reais, sobre uma prostituta descendente de indígenas que Jack conheceu na Cidade do México) e "Os Vagabundos Iluminados" (recheado de referências ao budismo, é de fato o mais zen dos livros de Kerouac).

Confira a seguir a influência dos beatniks nos principais movimentos culturais do século XX:
- ROCK AND ROLL: herdeiro do blues e do jazz, a sua batida acelerada e vibrante é uma demonstração perfeita do estilo de vida dos envolvidos com o rock. Porra-louquice é pouco. Além disso, há dois bons exemplos de como o dito 'rock clássico' tem raízes kerouacianas - Bob Dylan, após ler "On The Road", fugiu de casa, e Jim Morrison resolveu fundar o The Doors.
- HIPPIES: a exaltação da liberdade absoluta serviu de pano pra manga para o movimento hippie. A vida pouco (ou nada) materialista e bastante coletivista também teve suas origens no final dos anos 40, mas só foi disseminada entre a juventude na década de 1960, e rompeu com boa parte da moral da época. Não só o amor livre, mas também o sexo livre e o uso irresponsável de drogas, também têm nos hippies uma forte expressão.
- PUNK: na metade dos anos 70, a juventude, movida pelo tédio e o desejo de arrebentar com a estrutura vigente, desencadearia no punk, que foi uma reviravolta não apenas no rock n' roll, mas na cultura como um todo. "Do it yourself", essas eram as palavras de ordem. E os beatniks esteve bem presentes aqui, como uma influência literária para um movimento tão niilista quanto o punk. Isso foi mais visível na vertente americana do movimento, menos politizada e mais despojada que a britânica.
- PÓS-PUNK: desiludida, a geração dos anos 80 foi caracterizada pela melancolia e a desesperança em relação ao futuro. A ala intelectualizada do punk, então, operou uma mudança de direção na música e na literatura, expondo o "lado sombrio" dos envolvidos com o underground. A sonoridade densa das bandas de rock dessa época (que, inclusive, influenciariam mais tarde a música eletrônica moderna) expunha uma espécie de filosofia de vida dessa década - "Dançar é a cura para a tristeza".

O próprio fim da vida de Kerouac, aliás, é análoga ao pós-punk. A guinada ideológica para a direita, o desencanto com a juventude, o pessimismo no desfecho de suas obras, as drogas como válvula de escape, uma busca maior pelo espiritual, a alienação voluntária à televisão... ele morreu em 1969, vítima da cirrose hepática.

Kerouac continua importante para a cultura mundial quatro década após a sua morte? Certamente, pois ele foi um dos mais brilhantes e importantes escritores da literatura dos EUA no século passado. É possível afirmar que os mochileiros têm nele uma espécie de inspiração, principalmente os que viajaram pelos Estados Unidos e México.
No Brasil, felizmente, a L&PM Pocket, editora especializada em livros de bolso, já traduziu e publicou, nos últimos anos seis livros do autor, com preços acessíveis aos possíveis interessados:
- On The Road: Pé Na Estrada (R$ 19,50)
- O Livro dos Sonhos (R$ 17,50)
- Os Vagabundos Iluminados (R$ 17,00)
- Viajante Solitário (R$ 16,00)
- Os Subterrâneos (R$ 12,00)
- Tristessa (R$ 6,00)

03 dezembro 2006

Fine Time

... Fiz 94 das 150 questões do PAS. Fui cauteloso, não resolvi me arriscar nas que eu não tinha certeza, especialmente nas de Exatas...
... Sonhos estranhos, again, dessa vez envolvendo não só beijos com garotas misteriosas, mas também flertes que dão certo e eu tomando a iniciativa. Whoa, espero que seja premonição, porque a menina do sonho gostava de britpop e era adorável, hehe...
... Viciado em várias bandas ao mesmo tempo. Em especial, My Bloody Valentine, Oasis, New Order, Pavement, Suede e Blur. Aberto, no entanto, a procurar novos estilos musicais para sair um pouco do rock...
... A última semana de aulas começará amanhã. Oba, vou poder ler vários livros com esse ócio mascarado...
... Enjoei de Coca-Cola, mas ando mais viciado em chocolate do que nunca. O consumo de cafeína fica na mesma desse jeito, hehe...
... Preciso de fluxo de consciência, urgentemente, para poder escrever duas matérias para a próxima edição do jornalzinho do meu colégio - uma sobre Jack Kerouac e sua influência na (contra) cultura e outra sobre New Order...
... Reencontrar um amigo meu da 8ª série na saída da escola na qual fiz o PAS me fez ter um breve 'momento nostalgia'. Ai, que saudade dos tempos em que eu era inocente e tolinho, e defendia a esquerda e o socialismo. Bons tempos aqueles da minha infância ideológica, eu era menos amargo...

02 dezembro 2006

Don't roll with it

Sobre a coletânea nova do Oasis - eu achei a tracklist injusta.
Poxa, disco duplo, mas só 9 músicas de cada lado?
E o pior, NENHUMA faixa do Be Here Now? Cadê Stand By Me, All Around The World, D'You Know What I Mean e Don't Go Away, só citando os 4 singles (todos eles tendo entrado no top 5 das paradas britânicas)?
Também senti a falta de outros clássicos de outros álbuns, como Married With Children, Roll With It, Stop Crying Your Heart Out, Little By Little e Let There Be Love.
Parece que foi o Noel que escolheu as 18 faixas. O próprio Liam reclamou da ausência do Be Here Now. E com razão. Ele pode até não ser o melhor álbum da banda, até porque Definitely Maybe e (What's The Story) Morning Glory? são difíceis de serem superados, mas mesmo assim, é um disco muito bom, recheado de clássicos, apesar de ter sido muito menosprezado em 1997 pela crítica.
Acho que Stop The Clocks privilegia demais o Oasis de 94 e 95 (fase representada por 14 músicas) e ignora a história da banda de 96 pra frente (apenas 4). Compensa muito mais comprar os 2 primeiros álbuns da banda mais o Masterplan, sai só um pouco mais caro (em torno de 58) que a coletânea, que vai custar uns 41 reais.

disco I: 1. Rock 'N' Roll Star, 2. Some Might Say, 3. Talk Tonight, 4. Lyla, 5. The Importance Of Being Idle, 6. Wonderwall, 7. Slide Away, 8. Cigarettes & Alcohol, 9. The Masterplan.
disco II: 1. Live Forever, 2. Acquiesce, 3. Supersonic, 4. Half The World Away, 5. Go Let It Out, 6. Songbird, 7. Morning Glory, 8. Champagne Supernova, 9. Don't Look Back In Anger.

Rivalidades à parte, mas o Best Of do Blur ficou bem melhor que o do Oasis. Mesmo tendo "perdido" a batalha com a banda dos irmãos Gallagher, eles souberam escolher bem melhor as músicas de sua antologia:
1. Beetlebum, 2. Song 2, 3. There's No Other Way, 4. The Universal, 5. Coffee & TV, 6. Parklife, 7. End Of A Century, 8. No Distance Left To Run, 9. Tender, 10. Coffee & TV, 11. Charmless Man, 12. She's So High, 13. Country House, 14. To The End, 15. On Your Own, 16. This Is A Low, 17. For Tomorrow, 18. Music Is My Radar.

Não que The Best Of Blur não tenha cometido injustiças. Pelo contrário, cometeu algumas. Do debut Leisure, Sing poderia ter entrado (quem já assistiu a Trainspotting sabe o que eu estou falando). Modern Life Is Rubbish só foi representado por For Tomorrow, que, de fato, é a melhor do álbum, mas eu não me incomodaria se Chemical World, Sunday Sunday ou Advert também marcassem presença.
Parklife foi representado maciçamente (5 faixas), mas eu tiraria To The End para colocar Tracy Jacks. Quanto ao The Great Escape, bem, It Could Be You (minha favorita do Blur) é uma que eu adoraria ouvir na coletânea. Best Days, uma das melhores baladas do Blur, também ficaria legal. Do Blur (1997), senti falta de M.O.R., Country Sad Ballad Man e Chinese Bombs. E 13 ficou de bom tamanho, as três escolhidas são realmente as mais cool dele.
The Best Of é de 2000, mas se fosse feita em 2006, acho que, do Think Tank, poderiam entrar alguma dessas três: Ambulance, Out Of Time e Crazy Beat.
Mesmo com todos esses 'poréns', é inegável que o Blur soube selecionar muito bem as 18 faixas. Todos os LPs da banda foram representados, lição para o Oasis, que subestimou a si mesmo.

Nem vou comentar sobre o 18 Singles, do U2, coletânea essa extremamente reducionista e oportunista. Me recuso a comentar a ausência de I Will Follow, Gloria, Seconds, 40, The Unforgettable Fire, Angel Of Harlem, Stay, Bullet The Blue Sky, Even Better Than The Real Thing, Staring At The Sun, All Because Of You e Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me...