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17 maio 2016

Mais uma apresentação sobre Merquior em Curitiba

Há dois anos apresentei no 5º SNS&P, em Curitiba, "Da nostalgia crítica à apologia do progresso", meu primeiro artigo sobre José Guilherme Merquior​. Desde então escrevi outros sete (três sobre liberalismo, três sobre sociologia da cultura e um misto - a interpretação de Merquior sobre Rodó), dentre eles o que apresentei na última sexta (13/5) no VII Seminário Nacional Sociologia & Política​.
(A propósito, "Da nostalgia crítica à apologia do progresso", com alguns acréscimos, foi publicado na 4ª edição da revista Nabuco, em junho do ano passado)
Minha 3ª viagem para a capital paranaense foi ótima. O GT de Pensamento Social teve trabalhos e discussões interessantes; o debatedor do meu artigo sobre Formalismo e Tradição Moderna levantou questões pertinentes; a mesa-redonda sobre instituições e democracia na América Latina (que era a "faixa-título" do seminário) foi muito boa. Madruguei para acompanhar o final da votação do impeachment no Senado (felizmente minha expectativa foi correspondida, e a oposição conseguiu 55 votos já nesse pedido de afastamento). E, claro, comprei muitos livros (dois do Kolakowski: Horror Metafísico e A Presença do Mito; Fundamento da investigação literária, de Eduardo Portella; e A Arte de Ler, de Émile Faguet), CDs (Sam's Town, do Killers; a edição especial de Sleeping with Ghosts do Placebo, com um CD 2 com covers de bandas como Smiths e T. Rex; e Violator, do Depeche Mode) e DVDs (a saga das Doze Casas de Os Cavaleiros do Zodíaco e os mais de 40 clipes de Best of Bowie) nos melhores sebos da cidade, rs. Agradeço novamente a Anselmo​, Alisson e Anselmo Junior​ pela hospitalidade e apoio. =)

11 maio 2016

Congresso em Curitiba e impeachment

Daqui a pouco viajo para Curitiba, onde participarei do VII Seminário Nacional de Sociologia & Política. Na 6ªfeira apresentarei, no GT de Pensamento Social, um trabalho intitulado "Contra a rejeição esteticista do mundo: uma interpretação de Formalismo e Tradição Moderna, de José Guilherme Merquior". Eis o link do texto completo.

Hoje à noite tem votação do impeachment no Senado, e a presidente Dilma Rousseff pode ser afastada. Nem preciso dizer que estou ansioso pelo fim de mais um capítulo dessa "saga". Espero que haja pelo menos 54 votos a favor da admissibilidade do processo no Senado, pois este é justamente o número necessário de votos para cassar a presidente no julgamento final, daqui a alguns meses.
Acompanho vorazmente a crise política desde 2014, e por mais que seja um empolgante "seriado na vida real", cheio de reviravoltas, torço para que, depois do impeachment, as coisas se acalmem. O ajuste fiscal é mais do que urgente, e o governo Temer não deve vacilar em tomar as medidas necessárias para superar a depressão econômica. O desgaste da esquerda também me deixa otimista, pois desta forma não terão tanta força para barrar a recuperação política e econômica do país.

04 março 2016

San Andreas

Viajando para Santo André, para assistir ao exame de kendo da Carolina!

18 fevereiro 2016

Station to Station

(Escrevi isso às 1 PM, antes de dormir, o que talvez explique o tom meio dramático, rs)

Terminam as férias, mas não estou com uma sensação exatamente boa. Esses dois meses foram mais tumultuados do que eu esperava: a morte do David Bowie; meu irmão teve colite e ficou uma semana no hospital; a viagem de Caldas Novas foi marcada por "perrengues"; minha namorada pegou zika. Além disso, não cumpri quase nada do cronograma de estudos, e agora tenho 3 trabalhos para escrever em 1 mês.
Volto para o Rio com incertezas em relação à Bolsa FAPERJ Nota 10; devo aceitá-la, mas estou preocupado com os atrasos.
A situação política, econômica e até cultural do país continua a se deteriorar; nessas até dá vontade de flertar com uma visão de mundo à la Grande Hotel Abismo, mas sou otimista demais para chegar a esse ponto. O jeito é me concentrar nos livros e trabalhos finais para me esquecer do mundo exterior. É hora de reeditar 2013 (meu ano academicamente mais produtivo) para evitar uma apatia tal como a de 2006 (em que cheguei a ter uma "ressaca literária"). 
Creio que me aproximei mais da minha família, até pelas situações que passamos. É engraçado ver o Aderson entrando na puberdade; dá orgulho de ver o Fernando amadurecendo; é um alívio ver minha mãe mais feliz após tantos problemas na vida amorosa e financeira. A reforma da casa foi rápida e bem-sucedida; aliás, adorei meu novo quarto.
Estou com saudades da Carolina, e mal posso esperar para os importantes passos que daremos em nossa relação esse ano, a começar pelo fato de que será o primeiro ano inteiro em que moraremos juntos.
2016 começou estranho, mas confio que será um ano bem melhor do que os dois últimos.

12 fevereiro 2016

Uns dias em Brasília III

Agora que terminei de descansar (aliás, estava tão empolgado lendo a biografia do The Cure escrita por Jeff Apter - terminei em três dias! - que nem vi o Carnaval passar), é hora de contar como foi a viagem para Brasília.

1. Tudo começou no domingo (31/1). Eu tinha almoçado kibe na casa da minha vó Filó, e passei o início da tarde ouvindo meu LP duplo The Beatles 1967-1970. Quando cheguei em casa, minha mãe me disse que o Gino e o David haviam chamado eu e o Aderson para ir ao ITA Park. Como a entrada para o parque está muito cara (35 reais), não pretendia ir, mas aí lembrei que o Flamboyant é do lado do ITA. Sendo assim, aproveitei a carona e passei o resto da tarde de domingo no shopping. 
Primeiro fui à Fnac, onde comprei o álbum The Next Day (David Bowie) e a Placar especial do título do Palmeiras na Copa do Brasil. Depois fui à Saraiva, e levei dois livros da Saraiva de Bolso que estavam com 50% de desconto: Poesia (T. S. Eliot) e Seus Trinta Melhores Contos (Machado de Assis). Voltei à Fnac e por sorte estavam passando na TV da parte de música da loja o DVD 1 (The Beatles), com os clipes dos 27 singles deles que chegaram ao topo das paradas britânicas e americanas. Fiquei mais de uma hora lá vendo os clipes, e acabei levando mais 2 CDs, ambos do Fab-Four: A Hard Day's Night (eu só tinha o vinil, com o genial título Os Reis do Iê-iê-iê) e o White Album (eu já tinha um, adquirido logo no lançamento em 2009, mas a capinha dele veio amassada - shame on you, Saraiva!; além disso, eu amo tanto esse álbum duplo que não seria um problema deixar um em Goiânia e levar outro pro Rio).
Quando os meninos terminaram de ir em todos os brinquedos do ITA, fomos pra casa, mas não sem antes passar no Lifebox para comer uns hambúrgueres muito bons. Eu pedi um Chili Burguer e um milk shake de Ovomaltine + Leite Ninho, e ainda comi 2/3 do Life triplo que o Gino pediu e não conseguiu terminar, rs.
Antes de ir embora, o Gino me disse que iria para Brasília, e sugeriu que eu fosse junto, até por uma amiga nossa (Nathalia) também estaria na cidade. Fiquei em dúvida se deveria ir, afinal estava sem dinheiro vivo; mas, tinha saldo no cartão de crédito, e minha bolsa provavelmente cairia no dia 4 ou 5. Sendo assim, avisei o Gino que iria em torno da meia-noite. Apenas nove horas depois ele me buscou. Devo admitir que, por mais metódico que eu seja, costumo me divertir em situações improvisadas, imprevistas.

2. A viagem de Goiânia a Brasília foi ótima. Eu e o Gino ouvimos a coletânea dupla Best of Bowie no iTunes conectado ao som do carro dele, e fizemos uma espécie de "podcast", comentando cada uma das faixas que tocava.
Ao chegarmos na capital federal, buscamos a Nathalia e passamos a tarde e início da noite jogando Playstation 3; destaque para os jogos de luta, como Mortal Kombat e Marvel vs. Capcom. Também assistimos a alguns episódios de O Incrível Mundo de Gumball.

3. Acordei bem cedo na terça-feira, para ver o resultado das primárias republicanas em Iowa. Fiquei feliz com o ótimo desempenho de Rubio (23%) e com a derrota de Trump para Ted Cruz (27 x 24%). Passei algumas horas lendo análises do pleito, até que o Gino acordou e me deu carona para a UnB. Ao longo daquela manhã visitei vários lugares: a cantina em que eu tomava meu café da manhã barato (três biscoitos de queijo mais chá mate 500 ml), a Livraria da UnB (onde comprei, com ótimos descontos, três livros: Da Distensão à Abertura: as Eleições de 1982, organizado por David Fleischer; Vico e Herder, de Isaiah Berlin; e Miguel Reale na UnB) a Biblioteca Central, a Livraria do Chico, os prédios novos da FACE e do IPOL (enquanto o procurava, tive uma agradável nostalgia das férias de 2010 ao ouvir "Marquee Moon" do Television no meu celular), a FA e o Postinho, onde almocei no Subway. Encontrei o Gino e os amigos dele depois do almoço, e após usar um pouco o computador no laboratório deles (com direito a assistir a alguns clipes do The Cure), eles me deixaram na rodoviária, onde peguei metrô para o Park Shopping. Subi até o CasaPark, local em que combinei de me encontrar com a Janaína para assistir ao filme do Snoopy & Charlie Brown. Achei-o muito bom! Souberam preservar os elementos clássicos (por exemplo, o "loserismo" de Charlie Brown, a obsessão de Schroeder por Beethoven, a chatice da Lucy, os delírios de Snoopy, o jeito machão de Patty Pimentinha etc.) mas dando um tom mais infantil e descontraído.
Depois do filme eu e a Jana passamos umas três horas na Livraria Cultura, trocando várias dicas de livros, filmes e CDs. Acabei levando um DVD triplo do Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste, O Fantástico Sr. Raposo e Viagem a Darjeeling), o livro O Peso da Responsabilidade (Tony Judt) e o CD Oracular Spectacular (MGMT). 
À noite fomos para o Park Shopping; comprei um lanche no Dunkin' Donuts (aliás, muito bom o shake deles!) e a Jana, no Outback. Depois fomos a uma festa no clube da 904 Sul no qual geralmente ocorre a Play; passaram alguns curta-metragens (inclusive um bem macabro envolvendo o Eduardo Campos; foi feito antes da morte dele, e fazia críticas à desigualdade social e à transformação de Recife em canteiro de obras para a Copa) e tocaram umas músicas meio eletrônicas, meio lounge. Conversamos com uns amigos dela, e depois fomos com eles para o Piauí. Após um dia tão longo e proveitoso, só cheguei no apartamento do Gino em torno das 2 da manhã.

4. Também acordei cedo na quarta, mas desta vez para o Fernando e o Renato me buscarem para tomarmos café da manhã na Savassi da 307 Norte. Depois fomos a um sebo lá perto que não conhecíamos (nele descolei o 1º volume das famosas traduções de Carlos Alberto Nunes para os Diálogos de Platão) para o apartamento do Fernando (aliás, muito legal a biblioteca dele) e almoçamos frango à parmegiana no Gratinado. Foi muito passar boa parte do dia conversando com os dois. À tarde fomos para o Sebinho;Fernando estava vendo uns livros para o sebo, mas houve dois que achei interessantes e ele me deu: Vidas Paralelas - Alexandre e César (Plutarco) e The Dark Side of the Moon: os bastidores da obra-prima do Pink Floyd (John Harris). Pouco depois o Mateus apareceu, e nós quatro batemos um longo papo no café do Sebinho. Aliás, acabei não comprando nenhum livro lá; fiquei meio decepcionado com o acervo, já foi bem melhor. Acho que eles estão se voltando tanto para o café (que, obviamente, é mais lucrativo) que deixaram os livros de lado...
À noite tive a ótima notícia de que fui selecionado para receber a Bolsa Nota 10 da FAPERJ, pois fui o aluno do doutorado de Sociologia do IESP que tirou as melhores notas no ano passado. Mesmo que a FAPERJ esteja em crise e os atrasos para a bolsa cair sejam constantes, acho que vale a pena, pois ela é maior que a minha bolsa do CNPq, além de contar para o currículo.

5. Quinta de manhã fiquei no apartamento, mas à tarde fui novamente à Universidade de Brasília. Passei na banca de revistas do Gilson, e comprei o Tratado sobre a Tolerância (Voltaire) da coleção Grandes Nomes do Pensamento (Folha). Fui novamente à Livraria do Chico, e tive uma longa e interessante conversa com ele; aproveitei para comprar O Liberalismo Moderno (Ubiratan Borges de Macedo). Em seguida subi para a 409 Norte, cuja comercial é repleta de sebos. Ao contrário do decepcionante Sebinho, o COPE me surpreendeu; achei muitos bons livros por lá, e acabei levando a 1ª edição da Dicta & Contradicta (era a última que me faltava para completar a coleção) e Filosofia Política Contemporânea (coletânea de artigos sobre Hayek, Leo Strauss, Voegelin etc. organizada por Crespigny e Minogue). Fui aos outros, mas não achei nada de interessante (ou barato). Começou uma chuva de verão, então corri para debaixo de um bloco para esperá-la passar; quando ela parou, peguei um ônibus L2 - W3 Norte para voltar para o apartamento do Gino, pois tinha combinado de sair com a Janaína e depois com o Luiz Fernando. A Jana me buscou em torno das 19h e fomos ao Bar do Quinto; foi mais um bom papo, regado a comes e bebes de qualidade. Ela me deixou no prédio às 22h, e eu fiquei esperando o Luti para irmos ao Velvet Pub, mas ele teve uma crise de enxaqueca e não pôde sair de casa; que pena, mas tomara que eu consiga encontrá-lo na próxima vez que for a Brasília.

6. Sexta-feira chegou, e era hora de voltar para casa. A viagem de volta foi bem legal; peguei carona com uma doutoranda em Matemática, e no banco de trás veio um cara que trabalha na UNESCO. Na metade do caminho paramos no Sabor Goiano, onde cumpri mais uma tradição: comi o delicioso enroladinho de queijo com cobertura de coco e leite condensado que eles fazem lá.
Quando cheguei em casa, deparei-me com os 5 CDs que eu havia comprado pela Livraria Cultura e pelo MercadoLivre e chegaram enquanto eu estava em Brasília: Blackstar e Station to Station (David Bowie), Isn't Anything (My Bloody Valentine), Gorillaz e Demon Days (Gorillaz).
Enfim, foi uma ótima estadia em Brasília! Prometo não ficar outros 18 meses sem visitar minha saudosa cidade universitária, rs. 

05 fevereiro 2016

Uns dias em Brasília II

Daqui a pouco volto para Goiânia. Os quatro dias que fiquei em Brasília foram ótimos! Reencontrei vários amigos e comprei muitos livros. Conto mais quando chegar em casa.

01 fevereiro 2016

Uns dias em Brasília

Viajo hoje para Brasília, e ficarei lá até quinta-feira; é a primeira vez que vou para minha antiga cidade universitária desde Agosto de 2014, quando fui para o encontro da ABCP. É muito tempo longe do lugar onde passei 4 dos melhores anos da minha vida (2008-2011)!
Espero que consiga encontrar a maioria dos meus amigos da época de UnB, assim como visitar lugares da cidade que eu adoro, como o Sebinho, a Livraria Cultura e, é claro, a minha alma mater. Além disso, preciso de inspiração para escrever os capítulos da tese sobre Merquior, e nada melhor do que ir à cidade na qual ele foi professor e diplomata.

P.S.: Já faz um mês que prometi completar os posts de 31/12 e ainda não terminei... agora que terminei de ler Formalismo e Tradição Moderna vou tentar acabá-los.

31 dezembro 2015

2015, parte III: de Outubro a Dezembro

(Post incompleto; termino de escrever ano que vem, rs) 

New Order - disco novo é surpreendentemente bom
Colégio do Brasil - aulas com Portella
10 anos de Last.FM
Morrissey - show começou bem, foi estragado por "Ganglord" e "Meat is Murder", mas melhorou no final
Palmeiras - título emocionante da Copa do Brasil
Primavera dos Livros - comprei vários da É Realizações
Morar com Carolina - 30/11 (decisão) e 4/12 (mudança)
Protesto - parecia ter mais gente, mas "flopou"
Lançamentos de livros: Martim, Das Booty, Alex, Gabriel (setembro)

2015, parte II: Augustus e Settembrini

(Post concluído em 17/2/16)

Com alguns meses de atraso, enfim farei meu relato sobre os dois meses mais agitados do meu ano de 2015: Agosto e Setembro.

IV Fórum de Ciência Política
Apenas um dia depois que voltei das férias de Goiânia, "viajei" para Niterói para participar do FBCP, no qual eu apresentei um trabalho sobre os conceitos de guerra e técnica no pensamento político dos "modernistas reacionários" Ernst Jünger e Carl Schmitt. Apesar de a debatedora claramente não ter lido meu trabalho (e nem dos demais apresentadores daquela sessão), as perguntas que ela e a platéia fizeram geraram um bom debate.
As sessões do GT de Teoria Política foram muito boas; gostei da apresentação do meu amigo Paulo, da palestra do Eduardo Jardim, da sessão em que o Christian foi debatedor e, por último mas não mesmo importante, da competente organização do GT pelos alunos da UFF, Rodrigo e Victor. O Fórum ainda contou com uma boa conferência de Renato Lessa. O semestre acadêmico não poderia ter começado melhor!

O Protesto em Copacabana
Em um ano marcado pela instabilidade política (não preciso entrar em detalhes, creio que vocês já devem estar até saturados do assunto), houve em 16 de Agosto o terceiro dos quatro grandes protestos nacionais contra o governo Dilma Rousseff. Não quis participar dos dois primeiros (embora tenha acompanhado o de 15 de Março pelo Globo News), mas diante da catastrófica atuação do Planalto na economia (desde a sabotagem ao ministro Levy até a relutância em admitir o rombo nas contas públicas em nome da "nova matriz econômica"), resolvi me manifestar. Mesmo assim, eu o fiz de uma forma leve, bem-humorada: confeccionei um cartaz com a frase "Pessimildo tinha razão" e duas fotos desse memorável personagem criado por João Santana para ridicularizar a oposição, mas que por ironia do destino se tornou um mascote dos críticos do governo.
A manifestação até que foi divertida, talvez devido ao clima descontraído da praia de Copacabana; mesmo com os discursos raivosos contra Dilma e o PT, o ambiente não era pesado. Acho que agora também existe uma "direita festiva" no Brasil; a estetização da política não é mais monopólio da esquerda, rs. Encontrei alguns amigos por lá, e depois do protesto almocei com eles no McDonald's.




Qualificação
Um dia depois do protesto houve a defesa do meu projeto de tese. Os comentários da banca foram importantes para o desenvolvimento da minha pesquisa; a partir deles percebi que precisava eliminar os últimos resquícios do meu tema anterior sobre Thomas Mann (mais especificamente o viés ético-biográfico, tentando ver Bildung em tudo).
Além disso, foi valiosa a observação do professor Benzaquen de que preciso ser menos sintético e mais analítico; isto é, minha pesquisa ganhará mais se eu me concentrar em poucas obras e temas ao invés de fazer grandes panoramas (algo que o próprio recorte biográfico me levaria a operar).

I Seminário Interno de Pós-Graduação do IESP/UERJ
O evento foi inaugurado em 2 de Setembro com uma ótima (embora pessimista, rs) mesa-redonda com os professores César Guimarães e Maria Regina sobre a política externa brasileira e a crise da Grécia e da UE.
No dia seguinte apresentei um trabalho sobre as continuidades e rupturas do conceito de cultura ao longo das diversas fases do pensamento social de José Guilherme Merquior. O debate foi bom; felizmente o debatedor conhece a obra de Merquior, e fez observações pertinentes. 

Aniversário de namoro
No dia 4 de Setembro eu e a Carolina comemoramos três anos de namoro. Passamos a tarde na Livraria Travessa e depois fomos ao Cafeína do Praia Shopping. Nós nos presenteamos com livros: eu dei a ela o oitavo volume das Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell e ela comprou para mim Formalismo e Tradição Moderna (Merquior), o qual tinha sido lançado justamente naquela semana.

I Seminário Internacional de Ciência Política
A partir de uma sugestão do Alex Catharino, em Julho escrevi um artigo para a revista Mises comparando as perspectivas liberais de José Guilherme Merquior e Friedrich von Hayek. Terminei-o justamente nos primeiros dias de minhas férias em Goiânia. Gostei muito de escrevê-lo, então aproveitei para enviar o resumo para um congresso de Ciência Política que haveria em Porto Alegre, e felizmente ele foi aprovado. 
9/9: viajei para a capital do Rio Grande do Sul. Mal deixei minhas malas no quarto e fui almoçar um xis; depois, ao som de Rage Against the Machine (uma banda que me remete à politização da juventude gaúcha), peguei um ônibus para o campus da UFRGS. Após fazer o credenciamento, fiquei passeando pela universidade, já que minha apresentação seria apenas no dia seguinte e a palestra de abertura, à noite. Após ler o capítulo sobre o kitsch de Formalismo e Tradição Moderna, fiquei um bom tempo na livraria, onde comprei dois mangás dos Cavaleiros do Zodíaco (na época eu estava revendo a Batalha das Doze Casas quase todo dia, enquanto tomava café da manhã) e uma coletânea do Pink Floyd, A Foot in the Door (gostei muito da seleção: "See Emily Play", 5 faixas do Dark Side of the Moon, 4 do The Wall, 3 do Wish You Were Here e uma faixa de cada um dos três últimos discos, dentre elas "High Hopes"). 
Em torno das 19h houve a cerimônia de abertura do Seminário. Após uma surpreendente apresentação de coral (cantaram "Can't Buy Me Love", dos Beatles; Mendelssohn; Haydn; Vinicius de Moraes e Baden Powell; e Luis Coronel), assisti à conferência do professor Stéphane Monclaire, um irreverente brasilianista. Após brincar que crise é uma "coisa linda" para ciência política, ele apresentou um olhar estrangeiro (mas bem informado) sobre a crise política atual no Brasil. Gostei da análise conceitual e o olhar sobre a influência da mídia na política. Depois da palestra voltei para o quarto em que fiquei hospedado; antes de dormir assisti ao jogo Corinthians 1x1 Grêmio (infelizmente os corintianos empataram, e com isso deram um importante passo rumo ao título nacional) e soube que o Palmeiras tinha perdido por 1 a 0 do Internacional.
10/9: Acordei cedo e, com fones do celular plugados no álbum Grace (Jeff Buckley), peguei o ônibus para a UFRGS. Pela manhã fui assistir ao GT de Teoria Política e Pensamento Social Brasileiro. Foi uma sessão inteira sobre democracia; gostei muito das apresentações e debates, que foram desde as abordagens mais normativas até estudos de caso sobre as democracias latino-americanas. 
Na hora do almoço e antes da sessão vespertina do GT fiz novos colegas: alguns eram da UFPE (uma garota que fez uma boa apresentação sobre os problemas do "neo-constitucionalismo" da Venezuela chavista) e da UNIPAMPA (um rapaz que, aliás, faz parte da ala "left-lib" dos Estudantes pela Liberdade, mas a maioria deles(as) era da UnB.
À tarde apresentei, também no GT de Teoria, o ensaio sobre Merquior e Hayek. O debatedor e a platéia fizeram várias perguntas e comentários ao meu trabalho, e o debate foi bem produtivo. Deu para perceber que estavam interessados em compreender melhor o liberalismo social, afinal, como busquei demonstrar no artigo, ele apresenta diferenças (e vantagens) interessantes em relação aos liberalismos conservador e libertário. 
Side Pub, show do Sapo Boi
11/9: Comecei o terceiro dia do I SICP ouvindo no celular o primeiro e homônimo disco do The Clash. Às 9 da manhã assisti à mesa-redonda sobre democracia, política externa e economia com Octávio Amorim Neto (sobre democracia), Carlos Milani (política externa) e Márcio Pochmann (economia). Este, aliás, surpreendentemente mostrou certo desencantamento, lamentando erros políticos e econômicos do governo Lula. Fiz uma pergunta ao Pochmann (aos 2:08:18 de vídeo abaixo), questionando-o se a política econômica do governo Dilma não havia sido irresponsável. A resposta dele (2:14:21) oscilou entre o cinismo (ao defender que o BNDES tem que dar, sim, dinheiro pra grandes empresas) e o vitimismo (a crise internacional teria obrigado o governo a ser protecionista):

Depois do almoço, assisti com meus novos colegas de UnB ao GT de Instituições Políticas. É engraçado notar a diferença epistemológica entre o pessoal dos estudos quantitativos e empíricos em relação à área da Teoria; porém, não guardo nenhum ressentimento "humanista" em relação a eles, só não é o tipo de abordagem que eu prefiro. De toda forma, o trabalho do colega de UnB que apresentou no GT de Instituições tinha um viés mais qualitativo (aliás, ele é orientando da Rebecca, que adota o institucionalismo histórico para estudar movimentos sociais), então a apresentação dele foi de longe a melhor, inclusive no número de perguntas da platéia.
À noite eu e uma das mestrandas da UnB vimos a palestra do Brasilio Sallum Jr. (autor do ótimo livro O Impeachment de Fernando Collor, que inclusive comprei durante o evento e li quase inteiro até dezembro). 
Mais tarde nos encontramos com o resto do pessoal na Cidade Baixa, onde jantamos xis (é sério, eu amo esse prato típico gaúcho!) e depois fomos a festa no pub Divina Comédia, na qual tocaram duas bandas cover: Fake Brothers (que investiu em indie rock, com um repertório que incluiu Hives, Killers, Muse, MGMT, Two Door Cinema Club etc.) e Celofanes (especializado em pop rock dos anos 90, com covers de Spice Girls, Green Day, Raimundos...). 
Outro destaque da ótima festa foi que, após passar anos tentando descobrir o nome e artista de "um jazz contemporâneo, anos 90; a introdução tem um teclado e a estrofe tem um sax" (descrição que fiz dela no Facebook depois de ouvi-la no BBB), ela tocou lá; corri pra perguntar para o DJ o nome e artista dela, e descobri: é "Cantaloop (Flip Fantasia"), um sample que o US3 fez de "Cantaloupe Island", de Herbie Hancock! 



Fomos embora em torno das 5 da manhã,  em cima da hora para eu pegar minhas coisas no quarto e ir direto para o aeroporto. Por sorte o taxista que me levou da festa me passou o telefone, então meia hora depois ele me buscou para eu pegar meu vôo.
Enfim, foi mais uma excelente estadia em Porto Alegre; o Seminário Internacional de Ciência Política foi um ótimo evento, muito bem organizado.

Homenagem a José Guilherme Merquior na ABL
17/9 - Instituto Liberal - Ortega, JGM; Livraria Cultura; IFCS - certificado; sebos - CDs e livro no Berinjela; 
ABL - socialização, João Cezar, Portella, documentário.

Eleições para o DCE (UnB)
24-25/9 - "corujão". 60% dos votos válidos.

2015, parte I: Os sete primeiros meses

(Post concluído em 16/2/16)

A Mudança para o Catete/Flamengo
Após 3 anos morando em apartamentos de família (se bem que, no caso do segundo deles, em 2014 virou uma espécie de república, já que os donos se mudaram para o interior de SP), foi em 2015 que finalmente comecei a dividir um apartamento com um amigo. A partir de Fevereiro me mudei com um amigo, o Victor, para o bairro do Flamengo (mas em um prédio que fica do lado do Museu da República e da estação de metrô do Catete). Isso significou uma melhora notável no meu padrão de vida, pois passei a ter muito mais liberdade para organizar meu espaço e tempo. Meu quarto ganhou personalidade (finalmente pude organizar meus livros, CDs e games à vontade); posso usar a cozinha à vontade; Victor e eu freqüentemente chamamos nossos amigos para conversarmos e bebermos (e eles podem dormir na sala se ficar tarde para voltar para casa) etc. 

Lollapalooza 2015
Embora só tenha visto este Lolla pela televisão (não havia atrações que me empolgassem o bastante, como um Pixies ou um New Order, para eu aceitar pagar o caro ingresso do festival), ele me causou impressões o bastante para gerar este post. Destaque para o show dos Smashing Pumpkins, bem melhor do que aquele em que fui no Planeta Terra de 2010.

Palmeiras na final do Campeonato Paulista
Acompanhei religiosamente a saga do Verdão neste ano, desde a pré-temporada até o desfecho na Copa do Brasil. O destaque do 1º semestre foi a boa campanha no Paulistão, com vitórias sobre São Paulo (por 3x0, com direito a golaço do meio-campo de Robinho) e Corinthians (nos pênaltis, em pleno Itaquerão, graças ao incrível goleiro Fernando Prass). Infelizmente o Palmeiras perdeu a final para o Santos, também nos pênaltis; sofri bastante assistindo a esse jogo, pois o título esteve bastante próximo. Eu teria que esperar mais sete meses para ver meu time fazer valer as inúmeras contratações e sair do jejum de títulos ...

Blur lança álbum após 12 anos
A melhor banda britânica dos anos 90, após muita expectativa dos fãs (ainda mais depois das turnês mundiais de 2009 e 2012-13 e do single "Under the Westway"), anunciou em Fevereiro que, dentro de dois meses, seria lançado The Magic Whip, o primeiro disco desde Think Tank (2003), sendo que o último com a formação completa havia sido 13, de 1999.
Os clipes que iam sendo divulgados a conta-gotas foram me agradando, principalmente os de "Go Out" (com seu baixo potente e estilo dançante e hipnótico, algo como uma "Girls & Boys" versão Hong Kong) e de "Lonesome Street" (uma das mais cativantes melodias da história da banda). 
Comprei o disco na semana de lançamento e gostei muito de todas as demais faixas, principalmente de “New World Towers” (notável como Albarn e cia. conseguem combinar bem crítica social com introspecção), “I Broadcast” (que remete à urgência e ao bom humor de certas canções dos discos de 1993-95) e “Ong Ong” (extremamente viciante, passei dias com o refrão dela grudado na minha cabeça - ainda mais depois que lançaram um clipe divertidíssimo).
Enfim, The Magic Whip é um álbum que melhora a cada audição; não é uma obra-prima como Modern Life is Rubbish (a brilhante reação da banda ao grunge e à americanização da cultura britânica), Parklife (o disco que definiu uma geração) ou Blur (o meu favorito, pois tem letras mais intimistas e sonoridade bem eclética), mas está no mesmo patamar dos ótimos The Great Escape, 13 e Think Tank. Não ouvi muitos discos novos em 2015, mas dos que escutei posso dizer que The Magic Whip foi meu preferido.

Greve nas federais, confusão na UERJ
Tive que interromper durante duas semanas meu curso de Sociologia Geral para os calouros da turma noturna de Filosofia devido à ameaça de greve na UERJ. Fiz o possível para manter as aulas, mas depois que houve quebradeira num confronto entre estudantes e policiais no dia 11 de Maio, não tive outra opção senão adiá-las. Apesar de tudo, gostei muito de lecionar para essa turma; foi a melhor para quem já dei aula, junto com a de Psicologia no 2º semestre de 2013. Destaque para as aulas sobre Marx, Merquior e Gusmão, que renderam bons debates.
Na mesma época começou uma greve nas federais (dentre elas a UFRJ e a UFF) que duraria quatro meses. Diante de um contexto de crise e ajuste fiscal, aquela paralisação não fazia o menor sentido para mim, pois não traria aumento de salários, não teria impacto político (afinal, a universidade, cada vez mais encastelada em relação às demais esferas sociais, não é um "serviço essencial", portanto há pouca pressão externa em prol da greve) e o pior, prejudicaria os estudantes de graduação, ainda mais os que moram em outras cidades. Expressei minha angústia com esse quadro neste post.


Mudança de tema
Falando em José Guilherme Merquior, no dia 5 de Maio tomei uma importante decisão: iria fazer minha tese de doutorado sobre ele ao invés de Thomas Mann. O estopim foi uma conversa que tive com os meus "companheiros" de Beemote: o professor Christian e o doutorando Paulo.

XTC, a minha banda de 2015
Eu já gostava desta bandas desde 2008, mas passei a ouvi-la bem mais depois que comprei vários CDs deles na Livraria Cultura e no Mercado Livre - a coletânea dupla Fossil Fuel (1996), a obra-prima Skylarking (1986), o ambicioso English Settlement (1982), o réquiem Apple Venus, vol. 1 (1999), o eletrizante Drums and Wires (1979) e a antologia do Dukes of Stratosphear (1987).
Sobre Skylarking, fiz até um post no Facebook:
"Numa linhagem de álbuns conceituais com melodias pop e letras inteligentes que vai dos Beatles (Sgt. Pepper's) e Kinks (Village Green Preservation Society, Arthur, Lola) até o Blur (Modern Life, Parklife, Great Escape), existe uma banda não tão famosa quanto estas três, mas que gravou alguns dos melhores álbuns dos anos 80: o XTC. Um deles é Skylarking, que apresenta um ciclo de vida e morte, dia e noite, amor e solidão, contendo canções geniais como "The Meeting Place", "That's Really Super, Super, Supergirl", "1000 Umbrellas", "Big Day" e "Dear God"."
A propósito, Dear God foi um pretexto para um pequeno texto que publiquei no blog em meados de Maio.

Franz Ferdinand + Sparks
O que acontece quando a melhor banda de art rock da década passada se une a uma das melhores bandas de art rock da grande safra dos anos 70? Um dos melhores discos do ano, é claro! O supergrupo FFS (um acrônimo de Franz Ferdinand e Sparks) lançou um álbum homônimo que se destaca não só pelas canções criativas, mas também pelos clipes debochados, como o de "Piss Off", algo do tipo "Mortal Kombat meets Ninja Rangers on drugs".
Comprei o disco assim que foi lançado no Brasil, em Julho. Ele é mesmo sensacional; juntou os trunfos dos escoceses (as melodias grudentas, o vocal de Kapranos, o tom debochado e o ritmo dançante) com os pontos fortes do duo americano (os títulos criativos, as letras inteligentes e a sonoridade bem anos 70). 
Entre as melhores faixas estão "Johnny Delusional", "Call Girl", "Piss Off", "Sõ Desu Ne" e "Collaborations Don't Work", cuja letra é de uma metalinguagem hilária:
"Mozart didn't need a little Haydn to chart
Warhol didn't need to ask De Kooning 'bout art
Frank Lloyd Wright always ate à la carte
Wish I'd been that smart"

Copa América, Mundial Sub-20 e Copa do Mundo Feminina
Entre Junho e Julho respirei futebol; além da ascensão do Palmeiras no Brasileirão (depois que Marcelo Oliveira se tornou técnico da equipe, foram 6 vitórias em 7 jogos; chegamos a ficar em 3º lugar, a 2 pontos do Corinthians e 4 do Atlético!), assisti assiduamente aos jogos das seleções brasileiras na Copa América, no Mundial Sub-20 e na Copa do Mundo feminina. 
Na primeiras delas a seleção treinada por Dunga jogou tão mal (principalmente na derrota contra a Colômbia, marcada pelo papelão de Neymar) que torci para ela perder para o Paraguai nas quartas - o que de fato aconteceu, mais uma vez nos pênaltis, tal como na Copa América de 2011. Pelo visto sou pé-quente em "contra-torcida"; vide as Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014, quando também "azarei" o Brasil, rs.
No Sub-20 o escrete canarinho fez uma boa campanha, com direito a duas vitórias nos pênaltis contra as fortes seleções do Uruguai e de Portugal. Na final, contudo, a equipe não foi páreo para a forte defesa e os contra-ataques mortais da Sérvia, e perdeu por 2x1 no finalzinho da prorrogação. De toda forma, o saldo foi positivo, e jogadores como Gabriel Jesus saíram bem cotados.
Já a seleção feminina decepcionou, caindo nas oitavas-de-final para a Austrália. Marta fez sua pior Copa do Mundo. Felizmente o fiasco na competição serviu de lição para a equipe treinada por Vadão, pois um mês depois as meninas levaram o ouro no Pan com uma goleada de 4x0 sobre a Colômbia.

Aniversário surpresa
Eu queria fazer uma festa de aniversário com meus amigos no apartamento, porém achava melhor fazer no dia 30 de Junho, uma terça-feira, ao invés do dia oficial, 29, uma segunda. Sem que eu soubesse, a Carolina adicionou todos os amigos que estavam no evento do Facebook que criei e combinou com eles de fazer uma festa surpresa; nas palavras dela, "roubou meus convidados"!
Quando cheguei no apartamento e notei que a porta estava destrancada, já ia dar uma bronca na Carol, quando vi um balão e... "Surpresa!" Vários amigos meus vieram, e a noite foi ótima. Comemos e conversamos bastante enquanto assistíamos ao jogo Chile 2x1 Peru.

Artigo na Nabuco
Ainda sobre Merquior, coincidiu de eu decidir estudá-lo a fundo justamente quando o ensaio sobre ele que submeti à revista Nabuco foi aprovado para publicação na 4ª edição, lançada no início de Julho.
A versão inicial do mesmo foi um artigo que escrevi para o 5º Seminário Nacional de Sociologia e Política, realizado na UFPR em Maio de 2014. De certa maneira ele é o "esqueleto" para a minha tese de doutorado.
Fiquei feliz com a boa recepção que "José Guilherme Merquior: da nostalgia crítica à apologia do progresso" teve; meses depois, até o Martim Vasques da Cunha me disse que gostou do ensaio.

Cabaret
Convidado pela Camila, assisti a um show do Cabaret semana passada com ela, Victor, Leo, Caio e Cristiano. Foi uma performance incrível! Márvio (que também é editor de esportes d'O Globo) é um vocalista muito carismático e irreverente, e o resto da banda demonstrou muita técnica e feeling - nem sei dizer se curti mais o baixo, a bateria ou as guitarras!
Assim que acabou o show comprei A Paixão Segundo Cabaret, o álbum mais recente deles, que é um disco conceitual sobre as fases de uma paixão. 

22 dezembro 2015

De Santos Dumont a Santa Genoveva

Daqui a pouco viajo para Goiânia, onde vou passar minhas férias com a família. 
2015, mesmo que tenha sido um ano ruim para o Brasil e o mundo, ainda guardou bons momentos para mim: comecei a dividir um apartamento com um amigo (e, a partir de Dezembro, a dividir o meu quarto com minha namorada); fiz ótimas matérias no IESP, UERJ, Colégio do Brasil e PUC; viajei para Porto Alegre para participar de um congresso (aliás, não acabarei o ano sem contar como foi lá!); comprei muitos, muitos livros e CDs (meu guarda-roupas já está lotado, rs); comemorei o título do Palmeiras na Copa do Brasil; mudei de tema (Mann -> Merquior), e estou bastante animado com a pesquisa; fui pela 2ª vez a um show do Morrissey (relato no próximo post!); fui a dois protestos pró-impeachment com meu cartaz do Pessimildo; publiquei um artigo na revista Nabuco etc.
Espero aproveitar as férias para adiantar ao máximo meus trabalhos finais de disciplina (até como forma de compensar a procrastinação que marcou meu 2015 acadêmico, rs), ler bastante e, é claro, jogar muito videogame com meus irmãos!

20 novembro 2015

"Domingo", o disco subestimado dos Titãs


Já contei a história de como comecei a ouvir Titãs em um post do ano passado. Hoje vou analisar o primeiro CD deles que comprei, mais precisamente em 1º de Maio de 1996: Domingo, que foi lançado em Novembro de 1995. 
Obs.: Não consegui encontrar a data exata do lançamento, mas imagino que tenha sido em 20/11, pois foi uma segunda-feira e no dia seguinte a Folha de S. Paulo fez uma resenha do álbum.


Após a turnê de Titanomaquia (1993), o disco mais pesado dos Titãs - suas canções oscilam entre o grunge e o metal -, a banda entrou em recesso. Os integrantes desenvolveram projetos solo, criaram um selo independente (Banguela, que lançou bandas como Raimundos e Mundo Livre S/A) e um deles até lançou um romance (Bellini e a Esfinge, de Toni Bellott0). Em meio a boatos de que o conjunto estaria acabando - reforçados pelo lançamento da coletânea dupla Titãs 84 94 -, os Titãs se reuniram em Abril de 1995 para começar a trabalhar em seu 8º álbum de estúdio. 
Após quatro meses de pré-produção, a banda foi para o estúdio ser novamente produzida por Jack Endino, responsável por Bleach (Nirvana) e pelo próprio Titanomaquia. Endino sugeriu que a banda voltasse a tocar canções pop com arranjos roqueiros, ao invés da sonoridade suja dos dois álbuns anteriores (Tudo Ao Mesmo Tempo Agora, de 1991, e Titanomaquia): "Quando começamos a discutir sobre a gravação de 'Domingo', eu disse a eles: 'há sempre boas músicas de pop e rock em seus álbuns. Vocês não são uma banda de heavy metal, e sim uma banda de rock com boas músicas. Vamos fazer um disco de rock sólido que todos possam curtir. Vamos tentar algo diferente, mas tendo a certeza de que será bom'. Eles já estavam pensando a mesma coisa." 
Outro motivo para essa guinada sonora foi que o interesse dos Titãs por um rock mais pesado já havia se exaurido - não só pela turnê anterior, em que chegaram a excursionar com o Sepultura, mas também porque Sérgio Britto e Branco Mello lançaram um projeto paralelo chamado Kleiderman, marcado por canções rápidas e agressivas.
Domingo de fato é um retorno às origens; seus refrões e riffs grudentos estão mais próximos de Titãs (1984) e Televisão (1985) do que dos álbuns mais pesados da banda, como Cabeça Dinossauro (1986). Outro ponto de referência foi Õ Blésq Blom (1989), até então o disco mais eclético da banda (e, na minha opinião, o melhor); em Domingo foi incluída uma letra de Mauro e Quitéria, adaptada por Sérgio Britto em "Rock Americano". Britto, aliás, foi o principal compositor deste álbum: ele assina 12 das 14 faixas (sendo que duas são adaptações: "Um Copo de Pinga" e "Rock Americano"); as únicas exceções são o cover "Eu Não Aguento" (da banda Tiroteio) e "O Caroço da Cabeça", composta por Nando Reis, Marcelo Fromer e o paralama Herbert Vianna.

Vamos a uma análise faixa-a-faixa:
1. Eu Não Aguento: o início da canção, assim como seu clipe, fazem uma homenagem aos Secos e Molhados. Em seguida o arranjo fica mais pesado, mas com um refrão pegajoso. Colocar essa faixa para abrir Domingo foi uma boa idéia, pois é uma transição do peso de Titanomaquia para o pop rock que predomina neste CD de 95. A participação de Sérgio Boneka no final é um momento divertido.
2. Domingo: a faixa-título é a mais viciante deste álbum. A letra é uma irreverente crítica do tédio que predomina neste dia da semana, com direito a alusões ao Programa Silvio Santos e ao comércio fechado. O riff é inesquecível, um dos melhores da história da banda. Destaque também para os vocais de Paulo Miklos. 
"É dia de descanso / Nem precisava tanto (...) Domingo eu quero ver o domingo acabar"
3. Tudo O Que Você Quiser: canção pop com letra romântica, mas acelerada o bastante para não destoar do resto do álbum. Recebeu alguns remixes no relançamento de Domingo em 1996, mas nenhum tão bom quanto a original, que aliás nem é uma das melhores do disco.
4. Rock Americano: parece uma continuação de "Miséria", canção de Õ Blésq Blom que tinha trechos de canções de Mauro e Quitéria. A letra é nonsense, mas gosto do ritmo: repare na linha de baixo, nas viradas da bateria e nos solos de guitarra.
5. Tudo Em Dia: única parceria com o ex-titã Arnaldo Antunes, contém uma sutil crítica social ao padrão de vida da classe média brasileira de meados da década de 90, cheia de contas para pagar, burocracias para resolver e anseios por prazeres mundanos. 
"Vou jantar na melhor churrascaria / Vou pedalar domingo na ciclovia (...) Vou ter CIC, eleitor, reservista, RG / Automóvel, TV / Crediário, poupança, carnê / Tudo em dia"
6. Vámonos: uma das canções mais divertidas e irreverentes já escritas pelos Titãs. A letra em espanhol é repleta de palavrões e deboches. Se há algum alvo, possivelmente é o olhar dos gringos em relação às bandas latino-americanas. O riff é ensolarado, e a "bridge" é deliciosa. 
"No les gusta mi color / No les gusta como hablo (...) Si nos tratan como putas / Si nos tratan como perros / Vamos, vamos, vámonos"
7. Eu Não Vou Dizer Nada (Além Do Que Estou Dizendo): eis uma das grandes letras de Domingo. Há vasta metalinguagem, com referência a canções antigas da banda; nesse sentido, "Eu Não Vou Dizer Nada" é uma herdeira de "Nem Sempre Se Pode Ser Deus" e uma precursora de "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana". Destaque para a participação do paralama João Barone como segunda bateria. 
"Eu não vou falar de flores / E nem da televisão / Eu não vou falar de nada / E isso é só o que basta / Pra fazer esta canção"
8. O Caroço da Cabeça: a única faixa cantada por Nando Reis tem um tom meio reflexivo, meio otimista que é típico de suas composições. Mais uma participação especial: o solo é de Herbert Vianna! 
"E os ossos serão nossas sementes sob o chão / E dos ossos as novas sementes que virão"
9. Ridi Pagliaccio: assim como "Vámonos", temos aqui outra música em língua estrangeira e com letras e arranjos descontraídos; a propósito, gostei do sax de Paulo Miklos. Branco canta em italiano versos hilários como: 
"Ridi - non c'é diferenza /  Ridi - a me non me importa / Ridi - co munque é lo stesso (...) É meglio che sia cosi / Ridi di piu, ridi di piu / Figurati!"
10. Qualquer Negócio: outra letra inteligentíssima. Um retrato ácido do tom apelativo das propagandas comerciais que circulavam na TV brasileira em meio à euforia econômica pós-Plano Real; ridiculariza-se até a febre dos importados ("Os Cavaleiros do Zodíaco estão aqui"). Um trecho macabro de "Qualquer Negócio" é quando se "noticia" a morte, prisão, desaparecimento ou seqüestro de cada um dos titãs (inclusive Arnaldo Antunes!); pode ser uma alusão direta ao episódio da prisão de Toni e Arnaldo em 85, mas também um comentário geral sobre a cobertura sensacionalista da imprensa sobre as celebridades.
"Dinheiro é bom, dinheiro é bom até assim / Ainda é muito bom mesmo quando é ruim / Se você não provou, um dia ainda vai provar / É fácil dizer, difícil é acreditar / E quem é que quer ver as coisas como realmente são?"
11. Brasileiro: outra ponte sonora com Titanomaquia (inclusive conta com as participações de Andreas Kisser e Igor Cavalera, integrantes do Sepultura) mas com versos lacônicos que descrevem a "brasilidade". 
"Fale português / Troque de canal (...) Pule o carnaval (...) Jogue futebol / Queime sua pele / Debaixo do sol"
12. Um Copo de Pinga: vinheta que deve ter sido colocada pelas sessões descontraídas em que surgiu. De toda forma, temos aqui a saga de um cachaceiro.
"No sábado eu amanheço bebendo / No domingo minha mãe disse meu filho pára de beber / Essa sina eu vou cumprir até morrer"
13. Turnê: canção autobiográfica, alude às cansativas excursões a que a banda era submetida - principalmente entre 1987 e 90, sob a batuta do empresário Manoel Poladian; aliás, ele voltou a agenciar os Titãs na turnê de Domingo, e faria a banda chegar a fazer mais de 100 shows por ano na época do Acústico (1997). 
"Um dia cospem na minha cara / Um dia beijam a minha mão / Meia hora pra dormir / Isso é tudo o que me dão"
14. Uns Iguais Aos Outros: eis uma letra politizada, relembrando os tempos de Cabeça Dinossauro e Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas (1987). A parceria de Miklos e Britto nos vocais remete a "Miséria" e "Deus e o Diabo", duas ótimas canções de Õ Blésq Blom. Um dos pontos fortes desta faixa é a bateria de Charles Gavin. O apelo humanitário de seus versos, em um mundo eternamente marcado pela guerra e pela intolerância, nunca perde a atualidade. 
"Todos os homens são iguais / Brancos, pretos e orientais / São todos iguais no fundo, no fundo / As mulheres são os pretos do mundo (...) Gays, lésbicas, homossexuais / Todos os homens são iguais"

Devido ao sucesso de Domingo, que em poucos meses superou as vendas de Titanomaquia, o álbum foi relançado em 1996, com 4 faixas-bônus: os já mencionados remixes de "Tudo O Que Você Quiser", além de "Pela Paz" (canção escrita em 1985, mas só lançada uma década depois; a propósito, recentemente ela foi relançada como 1º single de Nheengatu Ao Vivo) e do remix eletro-acústico (!) de "Eu Não Vou Dizer Nada" (produzido por Liminha, retomando a parceria vitoriosa dos anos 80 e preparando o terreno para o Acústico, que também seria produzido pelo ex-baixista dos Mutantes).

Com tudo que descrevi acima, fica difícil acreditar, mas Domingo é um dos álbuns menos badalados dos Titãs. Embora não seja uma obra-prima como a trilogia Cabeça - Jesus - Õ Blésq Blom, a meu ver ele está bem acima de discos como A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana (2001), Como Estão Vocês (2003) e Sacos Plásticos (2009), e no mesmo patamar do recente Nheengatu (2014) - eis a minha resenha dele - e de Televisão, Tudo Ao Mesmo Tempo Agora e Titanomaquia. Ao contrário destes três últimos, que após uma má recepção inicial (Televisão, devido à produção irregular de Lulu Santos e sua falta de direcionamento estético; os outros dois, pelas letras escatológicas e sonoridade pesada) cresceram na opinião dos fãs ao longo dos anos - veja, por exemplo, essa boa análise de Cleber Facchi no Miojo Indie -, Domingo continua sendo visto como um patinho feio da discografia titânica, um "álbum de ocasião". 
Tal opinião negativa é compartilhada até por um titã: na época do lançamento deste disco, Sérgio Britto chegou a desmerecê-lo em uma entrevista, dizendo que a falta de comprometimento de alguns integrantes (em particular Nando Reis, que estava divulgando seu disco solo 12 de Janeiro) prejudicou o resultado final; como afirmei acima, Britto foi o principal compositor de Domingo, o que, segundo o livro A Vida Até Parece Uma Festa (Hérica Marmo e Luiz André Alzer), o levou a lutar pelo fim da assinatura coletiva das canções (isto é, simplesmente como "Titãs") que havia prevalecido nos dois álbuns anteriores. 
Jack Endino é um dos poucos que saiu em defesa do disco: "É o álbum dos Titãs que mais gosto e ainda guardo ótimas memórias de todo o processo de trabalho."
Minha opinião, contudo, é que, em seu ecletismo e sensibilidade pop rock, Domingo é sim um ótimo álbum. Há boas letras (principalmente "Qualquer Negócio", "Eu Não Vou Dizer Nada" e "Tudo em Dia"), melodias cativantes (em particular as de "Eu Não Aguento", "Domingo" e "Vámonos") e ligações interessantes com trabalhos anteriores da banda (p.ex., "Rock Americano"). 20 anos depois, é um disco que merece ser redescoberto.

05 novembro 2015

Remember the Fifth of November

Hoje não resisti e fiz mais compras: 
1) o livro A Alma e as Formas (Lukács), um dos clássicos da Kulturkritik no século passado. Possui ensaios belíssimos, como o sobre Kierkegaard;
2) Mutantes (1969) e Mutantes e seus Cometas no País do Baurets (1972), os dois CDs dos Mutantes em sua formação original que me faltavam (na verdade acabei comprando três; renovei meu Jardim Elétrico [1971], já que eu tinha a edição de 92); eu já tinha, além desses três, Os Mutantes (1968) e o meu favorito, A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970).
[Em off: acabei de levar um susto porque a faixa "Dom Quixote" travou num trecho; mas, limpei o CD e está tudo ok. Ufa!]
Para quem duvida que a remasterização de 2006 dos CDs dos Mutantes ficou melhor que a de 1992, eu digo: a diferença é nítida. Vale a pena. O baixo de "Top Top", por exemplo, fica bem mais poderoso. Foi a mesma sensação que tive ao ouvir o remaster 2009 dos Beatles.


Agora terminou a temporada de gastos com livros e CDs. Vou fazer que nem no mês passado: passar vários dias escrevendo em casa para não sair muito, rs.

P.S.: Ah, hoje é aniversário do meu melhor amigo, o Gino. Parabéns! =)

04 novembro 2015

Do Leblon ao Centro

Deixo para contar no próximo post as coisas que fiz em Agosto e Setembro. Também fica para a próxima contar do show dos Los Hermanos (e do Pato Fu) em que fui de última hora, no domingo passado.
Vou contar como foram meus dois últimos dias, para resgatar uma tradição do blog, quebrando assim a "hegemonia" das retrospectivas mensais que eu andava fazendo por aqui. Resisti à tentação de fazer tweets, pois sinto que preciso escrever mais, não posso me restringir à concisão do Twitter.

Ontem fui à Travessa do Leblon para o lançamento de A Poeira da Glória (Martim Vasques da Cunha). O bate-papo com o autor foi muito bom; gostei de ver que ele usou Mario Vieira de Mello como inspiração teórica (inclusive para sua análise sobre Machado de Assis), e o capítulo do livro dele sobre José Guilherme Merquior ("O Príncipe dos Sonâmbulos", pp. 548-560) é controverso (ele questiona o excessivo racionalismo de Merquior), mas instigante. A palestra me permitiu entender melhor o pano de fundo das críticas dele ao José Guilherme e ao Machado. Depois da noite de autógrafos, Alex, Flávio, Martim, eu e os demais fomos para o pub Escondido, em Copacabana. A conversa se prolongou até uma da manhã.
Antes do lançamento fiquei mais de uma hora na livraria procurando CDs e livros. Acabei comprando, além de A Poeira da Glória, uma coletânea dupla do R.E.M. (Part Lies, Part Heart, Part Truth, Part Garbage: 1982–2011) que eu queria adquirir há tempos, mas estava esperando achar em um preço razoável.

Hoje de manhã fui à UERJ entregar um formulário no departamento de Extensão, e depois peguei um metrô até a Cinelândia. A "comeback reunion" do laboratório de História e Literatura, que aconteceria às 16h no IFCS (obs.: o autor que leremos neste novo ciclo é Lionel Trilling!), foi o pretexto para que eu fizesse minha excursão mensal pelos sebos e livrarias do Centro. Comecei pela Livraria Cultura, onde comprei o novo disco do New Order (Music Complete) e o primeiro livro do Martim (Crise e Utopia: o dilema de Thomas More) - dei sorte, pois era o último exemplar na loja.
Depois de almoçar no Bob's, fui ao sebo Berinjela, e saí de lá com o CD Brighten the Corners (Pavement) - que tem a minha favorita deles, "Shady Lane" - e o livro Figuras da Inteligência Brasileira (Miguel Reale) - cujo capítulo final é sobre o Merquior. 
A loja ao lado do Berinjela é a tradicional Livraria da Vinci; comprei duas edições da revista Dicta & Contradicta (a 4ª e a 6ª; a propósito, eu já tinha a 2ª, a 3ª, a 8ª e a 9ª) e uma edição em espanhol do ótimo livro Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário (Carlos Rangel); aliás, estou pensando em levá-lo para a próxima aula de Pensamento Social Latino-Americano e perguntar ao professor se ele conhece e/ou o que ele acha do Rangel...
O prédio do IFCS é contíguo às duas lojas do sebo Letra Viva. Ao contrário da última vez em que fui lá, quando comprei A Astúcia da Mímese (Merquior) e 4 CDs (coletâneas de Talking Heads, Ira! e Green Day e o Acústico MTV de Cássia Eller), hoje levei só dois discos: a trilha sonora de 24 Hour Party People (eu já tinha esse álbum, mas havia um defeito no CD quando tocava "She's Lost Control") e Isopor (Pato Fu), que tem uma das minhas prediletas (e, já antecipando o relato do show, foi a que eu mais dancei nele): "Made in Japan".
Por fim, fui ao IFCS e li um pouco, mas depois de estranhar que ninguém do laboratório chegava, fui à secretaria e descobri com uma colega que a reunião havia sido cancelada de última hora... Bom, essa notícia só não foi tão frustrante porque pelo menos o passeio pelas livrarias e sebos valeu a pena!

31 outubro 2015

Estudos, temas para futuro post e música

Passei a semana inteira fichando, lendo e escrevendo um ensaio sobre Lukács e Merquior que vou apresentar mês que vem no GT de Teoria e Pensamento Social da Jornada PPGSA, um congresso de Sociologia que haverá no IFCS/UFRJ. Procrastinei muito (muito mesmo!), mas ontem à noite finalmente veio a inspiração e fiquei orgulhoso do resultado. Assim que eu o apresentar vou colocar o link aqui no blog e no meu Academia.edu.
Ainda tenho um trabalho de disciplina para terminar, sobre Ariel (Rodó) e a crítica que Merquior faz do arielismo. Assim que eu acabá-lo, vou escrever junto com um amigo um artigo sobre Ernest Gellner, provavelmente sobre as relações que ele vê entre marxismo e pós-modernismo.
Embora Outubro tenha sido um mês menos agitado, Agosto e Setembro foram o oposto disso. Ainda preciso escrever no blog sobre o Fórum de Ciência Política na UFF, minha qualificação, as matérias que peguei esse semestre, o divertido protesto contra o governo em Copacabana em agosto, o aniversário de 3 anos de namoro com a Carolina, a viagem para Porto Alegre no mês passado (foi ótima!), o Seminário Interno do IESP/UERJ, o documentário sobre José Guilherme Merquior na ABL, as eleições para o DCE na UnB (que acompanhei à distância, mas com a empolgação de sempre)... Enfim, o próximo post será caprichado!
P.S.: Anteontem completaram-se 10 anos da minha conta no Last.FM. Foi um bom pretexto para fazer um novo mix no 8tracks, com canções das 30 bandas que mais ouvi nessa década.

09 setembro 2015

De volta a Porto Alegre

Pela 5ª vez viajarei para a capital gaúcha; desta vez, para apresentar um trabalho sobre o pensamento político de Hayek e Merquior no I Seminário Internacional de Ciência Política.
O mês de agosto foi bem atribulado: viagem de volta ao Rio, apresentação sobre Jünger e Schmitt no IV Fórum Brasileiro de Ciência Política, entrega de trabalhos, qualificação do projeto de tese (falarei mais sobre ele no próximo post), protesto contra a Dilma e o PT em Copacabana (levei um cartaz: "Pessimildo tinha razão", rs), eleição para representante discente no IESP (como havia poucos candidatos fui eleito sem precisar fazer campanha)...
Setembro começou com uma apresentação sobre O conceito de cultura no pensamento social de José Guilherme Merquior no I Seminário Interno dos estudantes do IESP/UERJ e meu aniversário de 3 anos de namoro com a Carolina. Nos presenteamos com chocolates (comprei vários para a Carol na Kopenhagen) e livros (eu dei a ela o 8º volume das Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell, e ela me presentou com Formalismo e Tradição Moderna, do Merquior).
Enfim, daqui a pouco pego meu vôo para Porto Alegre. Tomara que seja mais uma boa estadia na capital gaúcha!

02 agosto 2015

10 anos de Racio Símio - parte 2

Com um dia de atraso, completo hoje a retrospectiva "biobibliográfica" de Racio Símio.

Antes, uma recapitulação: nos cinco anos em que mais escrevi no blog (afinal 2/3 d0s 803 posts foram escritos entre 2005 e 2009), o tom dos posts era predominantemente intimista. Racio Símio era meu diário, mas também o lugar em que eu "filosofava", expunha minha agonia e meu êxtase e discutia de forma bastante impressionista sobre literatura, música e cultura pop.
A partir de 2010 o blog começou a mudar um pouco. Comecei, por exemplo, a postar fichamentos e resumos das reuniões do projeto de extensão que criei naquele ano, o grupo Estudos Humanistas (GEH). A quantidade de postagens caiu, mas felizmente a qualidade subiu: os textos, quando vinham, eram mais elaborados. Mesmo os "desabafos" não tinham aquela puerilidade tão recorrente nos posts de 2005 e 2006. Sinal de amadurecimento, mas também de adaptação do blog a uma fase da minha vida em que eu não era mais tão solitário (e misantrópico): primeiro em Brasília com os amigos da UnB (principalmente os dos Estudos Humanistas) e depois no Rio com minha namorada e os amigos liberais e os do IESP, eu passei a ter com quem compartilhar meus pensamentos, dúvidas, angústias e idéias aleatórias. Sendo assim, não precisava mais ficar "falando sozinho" (ou para um público anônimo e difuso) aqui no blog. Não quero dizer com isso que passei a valorizá-lo menos; apenas me tornei mais seletivo com os conteúdos que postava aqui.
Prossigamos, portanto, com a jornada da obra e do autor.

Em 2010 tive as melhores férias de verão dos quatro anos que morei em Brasília (e uma das melhores da minha vida). Durante dois meses minha rotina semanal consistia basicamente em ter aulas de Crítica Literária de manhã e Francês de tarde (além de reuniões semanais do PET-POL); no tempo livre, comecei a sair para mais festas (chegou-se a um ponto em que eu era o "conselheiro de baladas" dos meus amigos, rs) e, como já foi dito acima, me reunia com o pessoal do GEH. Alguns posts representativos daquele ano excelente são: The Kaio's Vida NoturnaAuf Achse, Karamazov - parte 2, Cinco anos! - parte 2, Days of Our Lives e 2010 is over. Ah, e foi naquelas férias que assisti pela 1ª vez a Neon Genesis Evangelion, o meu anime favorito (ao lado de Os Cavaleiros do Zodíaco). Em Janeiro escrevi um post com minhas impressões imediatas, e meses depois, já pelos Estudos Humanistas, fizemos uma reunião sobre EVA. Ambas anotações seriam a base para um artigo acadêmico que eu escreveria dois anos depois. 2010 foi um dos anos mais politizados da minha vida: participei ativamente do movimento anti-greve estudantil e representei a Aliança pela Liberdade no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Também foi um ano bem musical: discotequei em algumas festas, conheci bandas novas (obs.: embora o "essencial" do meu gosto musical tenha sido formado em 2005, de vez em quando ele expande um pouco - ainda que mais horizontalmente do que verticalmente, rs) e em Novembro tive um fim de semana incrível em São Paulo, no qual fui pela 1ª vez ao festival Planeta Terra e assisti a um show de Paul McCartneyPor fim, embora tenha sido em 2009 que defini o tema da minha monografia (os debates político-ideológicos no romance A Montanha Mágica, de Thomas Mann), foi no ano seguinte que escrevi meu primeiro artigo sobre este livro; eis uma versão preliminar dele.
2011 manteve as "good vibrations" do ano anterior, embora com um adendo significativo: era meu último ano de UnB. Dando prosseguimento a algo que eu já fizera no 2º/2010 (quando cursei Introdução à Teoria da Literatura e Evolução das Idéias Econômicas e Sociais) peguei várias matérias em outros departamentos (História das Idéias - aliás, eis meu ensaio final para uma inusitada disciplina sobre a Geração Beat e a contracultura -, Estética, Teoria da História, Filosofia da Arte etc.) para aproveitar ao máximo meus últimos meses de graduação; eis um relato singelo sobre esse objetivo. Nesse sentido, também escrevi um texto refletindo sobre a importância de uma formação generalista. O projeto Estudos Humanistas seguiu adiante, e além de colóquios, grupos de estudos e atividades em escolas de ensino médio organizamos várias palestras, dentre elas uma dos professores Kramer e Paim sobre o Liberalismo que lotou o auditório Joaquim Nabuco. Por uma ironia do destino (ou predestinação), estou estudando atualmente o autor homenageado naquela conferência: José Guilherme Merquior... Os meses de Setembro e Outubro (em dois posts) foram os melhores daquele ano, concentrando os maiores e melhores acontecimentos: a viagem ao Rio de Janeiro para a seleção de mestrado do IESP/UERJ; a aprovação nesta seleção; as várias (e ótimas) festas em que fui; as novas amizades; a vitória da Aliança pela Liberdade nas eleições de DCE; e, por fim, a defesa da monografia sobre A Montanha Mágica. No início de Novembro ainda fui a mais um ótimo Planeta Terra.
2012 tinha tudo para dar errado. Não só por motivos concretos (afinal eu estava me mudando para o Rio de Janeiro e iria morar num quarto de uma pseudo-república, dividindo o apartamento com uma família - e sem poder usar a cozinha!), mas também por razões "místicas" (eu tinha uma teoria de que dois anos empolgantes eram seguidos por um ano difícil, complicado - ex.: 2004 e 2005 bons, 2006 ruim, 2007 e 2008 bons, 2009 ruim, 2010 e 2011 bons...). Durante o 1º semestre a escrita estava se mantendo: após uma aproximação do cristianismo, entrei em uma crise de fé; tive dificuldades financeiras, principalmente em Maio e Junho; durante dois meses e meio estive em um namoro à distância que foi bastante turbulento; não conseguia encontrar um orientador no IESP (e os dois melhores professores estavam de saída para a PUC); após um início promissor, comecei a me distanciar um pouco da maioria dos meus colegas de turma. Eu estava me sentindo num abismo. As férias daquele ano, contudo, começaram a quebrar a "maldição": o Politeia 2012 foi talvez a melhor edição desse "RPG legislativo" da qual participei; até a festa de encerramento foi muito boa. No dia 10 de Agosto, na última balada na qual fui antes da volta às aulas, conheci a minha namorada. Consegui um orientador. Mudei um pouco de posição político-ideológica: deixei de ser libertário e me tornei um liberal-conservador. Entrei em uma fase academicamente bem prolífica, com direito a um artigo sobre a questão do niilismo segundo meus dois romancistas favoritos. Fui a uma edição do Planeta Terra na qual tocou Suede, uma das minhas bandas prediletas. Em Novembro viajei com a Carolina para Petrópolis e fomos a um show dos Titãs (aliás, ela virou minha companheira de shows, pois antes mesmo de "oficializarmos" o namoro assistimos a uma performance da Plebe Rude).
2013 foi marcado pela ansiedade em relação à seleção de doutorado - dentre outros motivos, porque ela determinaria minha permanência no Rio de Janeiro. Mesmo assim, foi um ano bem produtivo do ponto de vista acadêmico (escrevi e publiquei vários artigos), e "turístico" (viajei pelo Brasil inteiro para ir a congressos em cidades como Porto Alegre e Curitiba), além de ótimo na vida afetiva (o namoro com a Carol só melhorava com o tempo). Estava, contudo, tão atribulado com a dissertação de mestrado que, tal como em 2009 (mas por motivos bem diferentes, é claro), fiquei três meses sem escrever no blog. Dentre as principais contribuições estão: uma lembrança do show do New Order que acabou se tornando um retrato de minha angústia pré-seleções de doutorado; a longa e inesquecível performance do The Cure no Rio; meu relato do tão aguardado show do Blur no Planeta Terra; e, é claro, a tradicional retrospectiva de fim de ano.
2014 foi um ano mais complicado. Após um início tranqüilo, com direito a textos sobre o seriado Freaks and Geeks e o último episódio de How I Met Your Mother, percebi que era bem pesado fazer dois doutorados (Sociologia no IESP e História ns PUC) ao mesmo tempo; essa dupla jornada me deixou bem cansado, principalmente no 2º semestre. No fim do ano acabei trancando (na verdade, pedindo afastamento) o da PUC. Atualizei pouco o blog, e mesmo o post de 31/12 foi bem sucinto; além disso, há dois posts inacabados que mostram como eu não consegui me organizar bem para escrever aqui: um relato do Lollapalooza e um roteiro de temáticas relativas aos meses de Agosto e Setembro sobre as quais eu iria escrever. O único momento do ano em que publiquei bastante foi entre Junho e Julho, graças à espetacular Copa do Mundo: eis todas as análises que fiz da "Copa das Copas". Em compensação, não escrevi nada aqui sobre as eleições presidenciais; em compensação, postei freneticamente no meu Twitter durante aqueles dramáticos três meses.
Em 2015, após três anos morando em quartos e repúblicas, finalmente comecei a dividir apartamento com um amigo, no Catete/Flamengo. Essa "estabilidade imobiliária" me ajudou em vários âmbitos da minha vida: estudos, alimentação, entretenimento (p.ex., estou ouvindo mais CDs), namoro (inclusive porque agora moro mais perto da Carolina - dá até para ir a pé até Botafogo!) etc. Escrevi pouco em Racio Símio; na escassa produção deste ano, os destaques são um post consternado com a decadência das universidades brasileiras, um de aniversário falando sobre minha "evolução" nos últimos 5 anos e três posts de temática musical: um sobre Pavement, outro sobre o Lollapalooza 2015 - que, desta vez, acompanhei pela TV - e, por fim, um mais reflexivo sobre XTC.

À guisa de conclusão, espero que este blog sobreviva pelo menos mais dez anos para que eu possa escrever outra retrospectiva como essa. Foi muito prazeroso relembrar tantas estórias!