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Kaio

 

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01 agosto 2014

The Best of Racio Símio: 2009-2014

Após pesquisa e análise cuidadosas, escolhi os seguintes posts para compor o disco 2 dessa coletânea de Racio Símio.

16. Is it too late? (1º/3/2009): talvez o último texto no "espírito virjão" que dominou os primeiros anos do blog. Resolvi fatiar minha personalidade em seis facetas: sóbrio, estóico, assexuado, indie, nerd e cult; porém, já aponto para a necessidade de fazer menos "overanalyzing" e ter mais atitude. Não por acaso, há neste post um tom profético, como se eu estivesse conscientemente diante de uma nova etapa na minha vida. De fato foi, mas não do jeito que eu esperava.
Quote: "19 d.M., vulgo 2009, é mesmo 'O' ano decisivo para mim. É consenso que preciso largar velhos hábitos e ter uma nova postura diante da realidade."
17. They've found a new way (8/3/2009): sem dúvidas, uma das melhores resenhas sobre música que escrevi até hoje. Seguindo a hipótese de que este seria um álbum conceitual, resolvi interpretar as letras e o sequenciamento das faixas. De fato constatei que Tonight é um disco inteligente, criativo e, em canções como "Lucid Dreams", tem até tonalidades épicas. Fiquei feliz quando vários amigos me disseram ter começado a gostar do álbum - que, à primeira audição, de fato soa estranho - graças ao meu texto.
Quote: "Arrisco-me a dizer que é possível que 'Tonight' venha a ter a mesma importância de 'Unknown Pleasures' (Joy Division, 1979) teve para os anos 80 ou do álbum homônimo dos Stone Roses (1989) para a década passada."
18. Eterno Retorno ou Uma Segunda Chance? (13/11/2009): resolvi não postar neste top 30 nenhum texto que trate diretamente de meus dois fracassos amorosos em 2009, sendo um platônico e o outro um relacionamento concreto; quem tiver curiosidade (e saco para aguentar tanto melodrama!) pode procurá-los no arquivo do blog. Escolhi este porque simbolizou a época em que comecei a sair do pântano emocional em que me afoguei durante a maior parte do ano. Além disso, é o quarto de uma série de cinco posts escritos usando personagens fictícios, que inclusive são os mesmos do meu romance inacabado. Um psicanalista poderia me acusar de estar operando uma "sublimação", rs.
Quote: "Pode-se dizer que ganhei uma segunda chance. Reconquistei minha liberdade, e agora posso utilizá-la para fazer escolhas melhores do que as que fiz anteriormente."
19. Listen Up! (31/12/2009): encerrar um ano de forma digna é o primeiro passo para começar bem o ano seguinte. Após um bom mês de Dezembro e faltando três dias para embarcar naquelas que seriam as melhores férias de verão do meu período universitário, escrevi este texto, que faz um apanhado dos destaques musicais de 2009, das bandas mais relevantes da década de 2000 e também daquelas que conheci (ou passei a ouvir mais) naquele ano.  
Quote: "PJ Harvey consegue colocar amargura, sarcasmo, sensualidade, fúria e desejo de vingança em suas canções de uma forma idiossincrática."
20. Auf Achse, Karamazov - parte 2 (30/3/2010): escolhi este post não tanto por critérios estilísticos, mas sim pelo que ele representa: uma fase bastante feliz de minha vida. Relatei três eventos: o show do Franz Ferdinand em Brasília, no qual fui com meus amigos da "caravana indie de POL"; a 1ª reunião "oficial" do Grupo de Estudos Humanistas, o projeto de extensão que tanto marcou a 2ª metade da minha graduação; e, minha primeira discotecagem, justamente no aniversário do filho do Renato Russo. 
Quote: "Em meio a uma UnB contaminada por militantes, picaretas e todos os problemas típicos da 'universidade pública e gratuita brasileira', nada como organizar um projeto que pretende ler, estudar e debater obras importantes."
21. Cinco Anos! - parte 2 (4/8/2010): de certa maneira, este post é uma continuação de "Is it too late?". Analisei as "caixinhas" da minha vida social: Party Boy, Humanitas, Clube dos Aleatórios, Viva a República e Aufklärung. O saldo é positivo ("estou menos enclausurado no meu mundo imaginário e mais aberto ao mundo"), embora já se prenuncie minha ruptura com o PET/POL.
Quote: "juro que não estou sendo auto-indulgente fazendo essa 'listinha'. É apenas para refletir se meus últimos meses valeram a pena e/ou se estou em uma tendência 'inercial' ou 'em ebulição'."
22. Um fim de semana em São Paulo - O Sábado Sociável / Um fim de semana em São Paulo - O Domingo Solitário (29 e 30/11/2010): dois posts que valem por um, como se fossem faixas sem intervalo à la "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" / "With A Little Help From My Friends" ou "The Happiest Day of Our Lives" / "Another Brick In The Wall Part 2". O primeiro deles é um relato do primeiro dia de minha viagem para São Paulo, no qual fui na Galeria do Rock e - iniciando uma tradição que se repetiria nos anos seguintes - no Planeta Terra; o segundo deles conta as aventuras por que passei para voltar para o hotel e como foi o histórico show do Paul McCartney.
Quote: "quando já estava no 'bus', eis que percebo que havia esquecido a minha carteira! Voltei, só que não conseguia encontrar o prédio em que estavam os meninos. Procuro na bolsa, e descubro que havia esquecido outra coisa: o celular!"
23. O difícil caminho da sabedoria (30/4/2011): os anos se passam e começo a escrever menos no blog; felizmente, isso também significou filtrar melhor os meus escritos. Um bom exemplo é este ensaio; nele tento encontrar meu caminho em meio aos dois gurus que muito me influenciavam naquela época: Ayn Rand e Olavo de Carvalho. Critico um através do outro, e tento elaborar uma síntese a partir das idéias libertárias/individualistas e conservadoras/tradicionalistas.
Quote: "O importante é nunca perder o ânimo e a inquietação intelectual, mesmo diante de tantas adversidades que a Academia – e a própria sociedade – coloca(m)."
24. Formação universal > Especialização (12/8/2011): inspirado pelo excelente romance Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister (Goethe), refleti sobre duas alternativas pedagógicas: a especialização, que é atualmente a forma dominante, e a formação humanística e generalista, que perdeu muito espaço, ainda que nos últimos anos tenha timidamente voltado a angariar seguidores e divulgadores. Recorri à minha graduação na UnB como estudo de caso, pois no início do curso eu pensava em fazer uma grade bem "economicista", mas ao longo dos semestre resolvi diversificar os campos de estudo e acabei fazendo disciplinas em Filosofia, História, Letras e Sociologia.
Quote: "Soa-me como a mais amarga das derrotas e desistências quando alguém que é um polímata (...) resigna-se a um ofício específico."
25. Ansiedade, Euforia, Reflexão (9/10/2011): após viajar pela 1ª vez para o Rio de Janeiro em Setembro para fazer a prova e a entrevista da seleção de mestrado, eis que veio a boa nova: fui aprovado! Resolvi fazer um post no estilo "passado/presente/futuro", e contei sobre como estava nervoso pelo resultado, como o comemorei e, por fim, como isso abriu as portas para aquele que seria um dos melhores meses da minha vida.
Quote: "enquanto eu estava enfrentando a líder do 4º ginásio de 'Pokémon Black', a Lizie (...) me liga às 22:43 para dizer que eu poderia 'adiantar o porre', pois tinha passado!"
26. Jesus walking on the water (18/2/2012): nas férias que antecederam minha mudança para o Rio de Janeiro, li vários livros, e três deles (Pais e Filhos, de Turguêniev; Os Demônios, de Dostoiévski; e Crítica e Profecia, de Pondé) contribuíram para uma importante mudança em minha visão de mundo: aproximei-me do cristianismo. Ao longo de 2012 minha empolgação com o ideário cristão arrefeceu, mas este ensaio marcou o início daquela que por enquanto é a última guinada ideológica pela qual passei: de libertário-individualista para liberal-conservador (em política me inclino pela prudência teórica e a moderação prática; meu conservadorismo é mais no âmbito cultural e estético, tal como o Lukács e sua ojeriza dos modernistas, rs).
Quote: "Ainda me falta uma experiência de fé, epifania para acreditar em Deus, mas do ponto-de-vista filosófico e racional já admito essa 'hipótese'."
27. Phoenix (13/8/2012): novamente pulei outro desastre na minha vida amorosa para o momento em que a poeira começou a baixar. No 2º semestre de 2012 finalmente quebrei uma sina que me acompanhava desde 1997: dois anos bons seguidos de um ano turbulento, complicado. Foi assim em 2000, 2003, 2006, 2009 e estava acontecendo novamente nos seis primeiros meses daquele ano. Meu "renascimento" teve entre seus pilares o encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, em Gramado (aliás, eis outro padrão, desta vez positivo: toda ABCP marca um bom momento em minha vida - em 2008 formei meu núcleo duro de amigos na UnB, e em 2010 fiz novas amizades e decidi que faria mestrado no IESP/UERJ, graças a uma ótima palestra do professor Jasmin; falando nisso, semana que vem irei pela 4ª vez ao encontro dos cientistas políticos, que desta vez será em Brasília e eu finalmente apresentarei uma comunicação oral! Será no AT de Pensamento Político Brasileiro, sobre o liberalismo social de Merquior); porém, o acontecimento principal retratado neste post foi o início de meu relacionamento com a Carolina!
Quote: "Ela é gente-boa e nerd; estuda Arquitetura, gosta de rock clássico, Sandman, filmes 'mindfuck' (tipo Réquiem Para um Sonho) e RPGs."
28. Thursday I'm in love: The Cure no Rio (12/4/2013): e pensar que foi preciso um inusitado taxista fã de pós-punk para me convencer a ignorar o preço alto do ingresso e ir ao show do The Cure... Nem preciso dizer que valeu muito a pena, pois a apresentação de Robert Smith, Simon Gallup e cia. durou três horas e quarenta músicas, a maioria delas belíssimas.
Quote: "Cure foi a minha trilha sonora em 2006, um ano de crise seguida de redenção. Ver e ouvir ao vivo músicas que tanto me marcaram foi uma experiência inesquecível."
29. Vanishing Point (13/11/2013): por incrível que pareça, quanto mais velho, mais ansioso eu me tornei. Se eu estava bastante aflito com o resultado do vestibular e da seleção do mestrado, em relação aos processos seletivos do doutorado de História (PUC) e de Sociologia (IESP/UERJ) a pressão psicológica a que me submeti conseguiu ser ainda maior. Este post é um retrato de um momento que deveria ser de alívio (afinal, eu havia terminado minha dissertação, já estava com a defesa marcada e tinha acabado de voltar do Planeta Terra, onde eu e a Carol tínhamos assistido ao show do Blur), mas acabou sendo oportunidade para eu externalizar minhas preocupações. Este foi um texto que tomou um rumo diferente do que eu planejava; relembrar a apresentação do New Order de 2006 acabou sendo um pretexto para indiretamente confessar minha ansiedade.
Quote: "Acho que, no fundo, o motivo deste post auto-reflexivo é minha insegurança diante das duas seleções de doutorado que terei nas próximas semanas."
30. Reflexões sobre o desfecho de How I Met Your Mother (1º/4/2014): embora Seinfeld seja minha sitcom favorita, How I Met Your Mother foi aquela que mais se entrelaçou com minhas experiências pessoais: "Estava tentando ser menos parecido com o Ted e mais com o Barney. Acabei virando Marshall." Não por acaso assisti ao último episódio de forma cerimonial: quase ao vivo (isto é, assim que ele caiu no Torrent, rs), com minha namorada e três amigos. Gostei muito do plot twist no final, ao contrário de inúmeros fãs da série. Fiquei tão empolgado com o debate que resolvi explanar os motivos pelos quais eu concordava com o polêmico desfecho de HIMYM.
Quote: "Nossa vida é muito curta para ficarmos eternamente atormentados pelo passado, assombrados pelas lembranças de bons tempos que não voltam mais. Sendo assim, vale a pena arriscar; mesmo que dê errado, é melhor tentar do que não fazê-lo e passar o resto dos dias em amargo arrependimento." 

31 julho 2014

The Best of Racio Símio: 2005-2008

790 posts e 9 anos depois, cá estou eu ainda escrevendo em Racio Símio, o blog que me acompanha desde que eu tinha uma década e meia de vida. Ele desempenhou um enorme papel no meu amadurecimento, afinal foi um espaço que funcionou como diário, divã, oficina literária, divulgação e crítica cultural, ensaios e tentativas filosóficas...
Foi aqui que compartilhei empolgações, frustrações, dúvidas, idéias, relatos de viagem. O momento mais "aborrecente" da minha adolescência (2005-06) foi retratado neste blog; já o período seguinte (2007-08) foi marcado pela transição do ensino médio para a universidade, assim como por uma voracidade em relação aos livros e uma leve expansão da minha vida social; 2009 foi um ano difícil, marcado por uma paixão não-correspondida e, semanas depois, pelo início do meu 1º namoro (que acabaria 5 meses depois); os anos de 2010 e 11 foram muito bons, com destaque para minha evolução acadêmica; em 2012 me mudei para o Rio de Janeiro, tive um namoro que durou apenas 2 meses e comecei outro que, felizmente, continua até hoje; ano passado postei pouco por estar muito ocupado com minha dissertação e com a seleção de doutorado; em 2014 voltei a ter mais estabilidade, e recentemente entrei de cabeça no espírito da Copa do Mundo (vide os 7 últimos posts).
Acredito que dá para encontrar um telos, delinear uma Bildung na minha trajetória nestes nove anos. Minhas convicções fundamentais pouco mudaram; tornei-me mais moderado e menos utópico e misantrópico, mas em geral vejo mais continuidades do que rupturas entre o Kaio de 15 anos de idade e o que sou hoje.
Resolvi "me" homenagear e selecionar 30 (isso mesmo, 30) posts importantes que escrevi em Racio Símio. Alguns escolhi porque considero bem escritos, inteligentes; outros têm valor sentimental; há até alguns que me causam certo constrangimento quando releio, mas eles simbolizam, ainda que pelo negativo, o amadurecimento de seu autor.

Vamos, portanto, ao disco 1 do Best Of! Como não poderia deixar de ser, as "faixas" foram escolhidas em ordem cronológica.
1. Até que enfim... (31/7/2005): a estréia de Racio Símio não poderia ser mais constrangedora e embaraçosa. Um texto nervoso, raivoso, que captura Kaio em pleno chilique de adolescente. Não surpreendentemente, ele reviu várias de suas posições categóricas pouco tempo depois.
Quote: "Só escrevo por escrever, por não ter nada a fazer e ninguém para conversar."
2. Dissidência (28/8/2005): apenas um mês após declarar a plenos pulmões seu socialismo, este que vos fala inicia seu processo de desligamento da esquerda. Os delírios megalomaníacos continuam, mas já se nota a influência da crítica anti-totalitária de George Orwell e a forte impressão deixada pelas reflexões existenciais de Crime e Castigo.
Quote: "Eu não quero ser outro intelectual de butique que vive destilando belas idéias, mas fica trancafiado em seu apartamento, bebendo vinho e se considero superior em relação às proles."
3. My Parklife (26/12/2005): no fim do ano, em meio a uma chácara na qual minha preguiça de socializar chegou a patamares estratosféricos, um livro me salva: On The Road, de Jack Kerouac. Nos próximos meses, este será um dos escritores que mais lerei. Há um tom desencantado, prenunciando como será 2006, o meu ano "gótico".
Quote: "Apenas quero encontrar pessoas com quem eu tenha prazer de ter a companhia. Viver no underground, ouvindo meus discos de Rock alternativo, lendo Nietzsche e conversando com meus amigos. E só."
4. Meia-idade na adolescência (13/2/2006): um dos melhores textos que escrevi naquela época. Um retrato do nerd solitário quando jovem. Sim, há muita arrogância, auto-suficiência e intransigência, mas também há sinceridade e potencial para ser lapidado.
 
Quote: "Com quinze anos, não há quase nada a se fazer. É o ponto médio da adolescência."
5. Soy loco por ti, América? (15/2/2006): uma divertida e contundente análise política da América Latina; foi até publicada no Correio Classe, jornal de minha escola. Fazia poucas semanas desde que eu havia saído do armário ideológico e me assumido de direita. Daí se explica meu tom impiedoso com os caudilhos de esquerda que dominavam (e, em vários casos, ainda dominam) a política de nosso sub-continente.
Quote: "Talvez os latino-americanos não querem ainda embarcar na pós-modernidade e na globalização, e é sinal dessa obsolência a vitória de políticos populistas e nacionalistas/socialistas. (...) O atraso permanente da região é evidente, ela sempre está um passo atrás do resto do mundo."
6. Violently happy? (6/3/2006): um post angustiado, escrito após um fim de semana de altos e baixos. Mesmo assim (ou talvez justamente por isso), foi um dos comentados da história do blog, rs. Surpreendi-me ao reler a forte auto-crítica do trecho a seguir.
Quote: "Do nada, tive a idéia de reler uns posts antigos do meu blog. E fiquei perplexo - como os meus textos eram horríveis. Não do ponto de vista gramatical ou de concordância, mas sim no conteúdo: egomania, paixões cegas, imbecilidades, surtos de arrogância, promessas não cumpridas. Me senti triste. Tanto que nem consegui dormir."
7. Happy birthday to me (29/6/2006): eis um auto-balanço. O Kaio de 16 anos conta um pouco do que passou desde que fez 15. Eu era bastante duro comigo mesmo; por exemplo, eu me chamava de "velho rabugento" e "imaturo e inconseqüente".
Quote: "Crio problemas imaginários para compensar a frustração de que não tem nada de errado comigo nem ou na minha vida."
8. Let's go out and have some fun! (15/11/2006): para sair da fossa após uma paixão internética não-correspondida, nada como viajar pela 1ª vez para São Paulo e assistir a uma de minhas bandas favoritas naquela que viria a ser sua última turnê com Peter Hook. A apresentação do New Order foi incrível, e me animou a ponto de agir como um divisor de águas, iniciando uma "nova ordem": dali em diante passei a diminuir minha atitude negativa diante do mundo e de mim mesmo.
Quote: "Acabou! 1h35 do show que, por muitos anos, será o melhor momento da minha vida. O sorriso estampado no meu rosto após o fim do concerto era a prova disso."
9. Tonight I think I'll walk alone (26/11/2006): antes da redenção, uma recaída. Este post retrata o ápice da minha misantropia. Embora eu reclame das "centenas de pessoas homogêneas e patéticas", na verdade quem foi patético fui eu, sentado e "austistando" numa escada do Centro Cultural Oscar Niemeyer.
Quote: "Espero que a semana que está por se iniciar compense isso, e se aproveite do fato que eu ando feliz apesar da falta de momentos felizes. Uma contradição entre o homem e seu meio."
10. Let there be love (7/3/2007): uma das minhas redações preferidas. Usei uma menina do colégio por quem eu tinha uma "crush" (porém, nunca cheguei a me apaixonar para valer por ela) como musa inspiradora e resolvi fazer uma metáfora amorosa a partir de Platão e Aristóteles. Meses depois, quando comecei a escreveu meu romance (até hoje inacabado, diga-se de passagem), César e Penélope reaparecem como protagonistas, embora a garota tenha mudado de nome (Júlia).
Quote: "Penélope estava silenciosa, mas, mentalmente, a operar uma série de raciocínios e conclusões a respeito do que o professor dizia. Enquanto isso, César falava constantemente, pois aprendia a matéria comentando e participando da aula, sempre com uma oratória vibrante."
11. A dilatação da espera (1º/7/2007): outra boa redação que escrevi naquela época. A influência dos Fragmentos de um discurso amoroso (Roland Barthes), livro que meu professor de Redação havia me recomendado e emprestado, é notória. 
Quote: "Se há alguma coisa da Física Moderna que se pode aplicar aos relacionamentos, estamos falando da dilatação do tempo."
12. Blue, azul, bleu, freedom, liberdade, liberté (13/7/2007): post escrito de madrugada, em meio à ansiedade pelo resultado do vestibular da UnB; poucas horas depois, descobri que, mesmo tendo feito a prova como treineiro, eu tinha passado. Em um raro momento cinéfilo, resenhei três filmes de uma só vez: "Politicamente Incorreto" ("Bulworth"), "Barbarella" e "A Liberdade é Azul".
Quote: "'Você é o que quiser'. Talvez seja esta uma das mensagens que o filme passa. Ou não."
13. A Entropia da Liberdade (6/8/2007): um texto longo, pretensioso e com ares de "filosofia da história". Usei metáforas da Química para justificar minha crença em um futuro anarco-libertário. Hoje em dia obviamente não compartilho dessa ingenuidade ideológica, mas valeu como ensaio, como experiência de pensamento.
Quote: "Não me surpreenderia se chegássemos ao fim do Século XXI regidos por um protótipo de anarquismo."
14. Politics go so good with... UnB! (21/2/2008): depois de passar novamente no vestibular (e, desta vez, já com o ensino médio concluído, podendo de fato me matricular na universidade), a euforia foi tanta que resolvi glorificar meu método de estudo. Texto bobo, mas tem valor histórico.
Quote: "O importante é que a tática kaionista deu certo, e poderá servir como exemplo para as gerações futuras. O plano de dominação global está prestes a ser aplicado! [Risada diabólica]"
15. A Magia da Montanha (8/7/2008): esta resenha foi o ponto de partida para aquele que seria o meu objeto de estudo desde então: os aspectos filosóficos e ideológicos da literatura de Thomas Mann. Li as últimas 500 páginas de A Montanha Mágica em apenas 7 dias, de tão empolgado que estava com os debates entre Settembrini e Naphta e com a tumultuada formação moral e estética de Hans Castorp.
Quote: "Se Castorp é Weimar, Settembrini é a voz do cânone ocidental pregando paz, harmonia, valores republicanos e liberalismo, enquanto Naphta encarna os radicalismos que ganhavam mais e mais terreno naquela época: nacionalistas, socialistas e anarquistas."

Amanhã postarei o disco 2!

30 julho 2014

Titãs e Bon Jovi

Ontem comprei Cross Road: The Best of Bon Jovi e Titãs 84 94 Um, dois CDs de bandas que iniciaram meu gosto por rock aos seis anos de idade.
Resolvi contar a minha história com ambos os conjuntos.


Lembro-me até hoje de 1º de Maio de 1996, o dia em que comprei no Bazar Paulistinha do Flamboyant o meu 1º CD (ok, no ano anterior ganhei um do Sandy & Junior de aniversário - aliás, o melhor da fase infantil deles, rs; é o que tem "Splish Splash" e "Tô Ligado Em Você" -, e minha mãe me deu a trilha sonora dos Cavaleiros do Zodíaco... mas, o 1º que comprei mesmo foi): Domingo, dos Titãs. Eu tinha ouvido a faixa-título pela primeira vez no domingo dia 28/4, numa festa na chácara de um amigo da minha mãe. Adorei logo de cara esta canção, e até hoje acho que é uma das melhores dos Titãs. Ao longo do álbum há outras boas músicas: "Eu não aguento", "Eu não vou dizer nada (além do que estou dizendo)", "Vámonos", "Qualquer negócio"... No ano seguinte, veio o pomposo Acústico, que só aumentou minha admiração por esta banda paulista; entre 1997 e 99 comprei ou ganhei vários discos deles:
- Titãs 84 94 Dois, a antologia do lado mais punk da banda; 
- Cabeça Dinossauro, a primeira obra-prima, já que todas as faixas são acima da média - inclusive as obscuras "A Face do Destruidor" e "Dívidas"; 
- Jesus não tem dentes no país dos banguelas, que tem "Diversão", minha canção favorita dos Titãs; 
- Titãs 84 94 Um, que compila a faceta mais eclética da banda, passando pelo pop-rock, o reggae e a eletrônica; 
- Volume Dois, o qual considero o primeiro disco fraco dos Titãs - só se salvam as regravações de "Sonífera Ilha", "Miséria" e "Senhor Delegado / Eu não aguento";
- Televisão, repleto de letras bizarras e nonsense, com destaque para "Dona Nenê", "Autonomia" e a própria faixa-título;
- Õ Blésq Blom, a segunda obra-prima, com o passar dos anos se tornou meu predileto devido às suas letras metalingüísticas e seus arranjos experimentais, flertando com música regional ("Introdução" e "Vinheta Final por Mauro e Quitéria"), rap ("O Camelo e o Dromedário") country rock ("32 Dentes"), funk ("Miséria"), eletrônica ("Deus e o Diabo") etc.
A banda decepcionou em seus discos de estúdio da década passada (A melhor banda de todos os tempos da última semana, Como estão vocês? e Sacos Plásticos), logo não senti vontade de tê-los. Em 2011, comprei no Sebinho de Brasília um dos CDs que ainda não tinha: Tudo ao mesmo tempo agora. No início deste ano finalmente adquiri o lendário Titanomaquia.
Curiosamente, só fui assistir a um show dos Titãs aos 18 anos de idade, em 2008, quando já estava morando em Brasília. Aliás, foi uma apresentação em dose dupla, pois eles estavam fazendo uma turnê junto com os Paralamas do Sucesso. Voltei a vê-los ao vivo em 2012, no Rio de Janeiro; o primeiro dos shows foi na mini-turnê Cabeça Dinossauro, e o segundo foi a comemorativa de 30 anos da banda, contando como convidados especiais os ex-titânicos Arnaldo Antunes e Charles Gavin.
2014 foi o ano do retorno à boa forma do ex-octeto que atualmente é quarteto: Nheengatu surpreendeu a todos ao resgatar a sonoridade agressiva que marcou álbuns como Titanomaquia e Tudo ao mesmo tempo agora e o tom politizado de Cabeça Dinossauro e Jesus não tem dentes no país dos banguelas. Fiz uma resenha do disco; leiam aqui.
P.S.: O último post do meu defunto blog Sofisma Burlesco foi uma análise da discografia titânica.




Minha história com Bon Jovi é menos detalhada, mas nem por isso menos marcante. Em 1995 ouvi - e amei à primeira audição - "Always". No ano seguinte, em meados de Junho, fui com meu pai nas Lojas Americanas na esperança de encontrar "o CD da capa legal" (leia-se: These Days), mas só achei a coletânea Cross Road. Meio frustrado, resolvi levá-lo mesmo assim, afinal entre suas faixas havia "Always". Ouvindo-o no carro, mudei de opinião quando fui logo de cara bombardeado por dois clássicos: "Livin' on a Prayer" e "Keep the Faith". Meu pai gostava de "You give love a bad name", e passei a gostar também. No dia seguinte, um sábado de manhã, descobri entre suas faixas aquela que é até hoje uma das minhas prediletas: "Lay your hands on me", um legítimo arena rock. 
Dias depois, na minha festa de aniversário de 6 anos (na qual, aliás, ganhei uma guitarra de minha mãe - sim, já novinho eu era bem roqueiro!), meu padrinho me presenteou com o These Days. Que disco fantástico! É provavelmente o melhor do Bon Jovi, com destaques para "Hey God", "Something for the pain", "This ain't a love song" e a faixa-título. Na viagem que minha família fez em Julho daquele ano para Cabo Frio (RJ) e depois Guarapari (ES), meus pais já não deviam mais aguentar Bon Jovi de tanto que eu colocava este CD para tocar, hehe.
Anos depois, estava assistindo a um programa de clipes com meu amigo Gino e vimos o novo single da banda, "It's my life". Caramba,  após quase cinco anos de hiato o Bon Jovi estava de volta com uma música jovial, moderninha e perfeita para capturar novos fãs (aliás, o Gino foi um deles)! Infelizmente os discos seguintes não repetiram este alto nível; cada vez mais cresceu em mim a convicção de que Bon Jovi alcançou seu ápice na primeira metade dos anos 90 (com os discos Keep the Faith e These Days e os singles "Always" e "Someday I'll be on Saturday night"), manteve o fôlego em Crush e depois disso fizeram apenas uma ou outra boa canção ("Everyday", "Have a nice day", "Lost Highway").
De toda forma, Cross Road e These Days continuam a ser CDs que ainda ouço bastante. Até os "recomprei" (a propósito, o TD eu adquiri no Rio, ano passado), pois os discos que eu tinha estavam bastante arranhados.

Sou bastante nostálgico, principalmente em música. Meu gosto musical continua a respeitar seus quatro principais pilares: os pioneiros - Titãs e Bon Jovi (1996); a primeira banda cujas letras mereciam ser lidas e refletidas - Legião Urbana (2000); a maior banda de todos os tempos, cuja discografia é por si só uma enciclopédia do rock - Beatles (2003); e, por fim, a tríade que me iniciou no rock alternativo - Pixies, Smiths e Joy Division (2005).

13 julho 2014

E venceu a melhor


Ao contrário de 1954 e 1974, em que derrotou as seleções de futebol mais encantador, em 2014 a Alemanha conseguiu conciliar sua tradicional eficiência com o inovador futebol-arte e de organização tática trazido por Joachim Löw (desde seus tempos de assistente de Klinsmann, quando ele já era o cérebro da seleção alemã) e seu time de craques: o raçudo Schweinsteiger, os artilheiros Klose e Schürrle, o ótimo meia-atacante Müller, o goleiro-líbero Neuer, o capitão Lahm, o autor do gol do título, Mario Götze (foto), entre outros.
Desde 2005 a Alemanha demonstra uma evolução constante. Naquela Copa das Confederações e na Copa do Mundo de 2006, esbanjou ofensividade, e conseguiu o 3º lugar em ambas; na Euro 2008 cresceu ao longo da competição e chegou à final, perdida para uma ascendente Espanha; no Mundial de 2010, goleou Inglaterra e Argentina, mas novamente caiu diante da seleção espanhola, desta vez nas semifinais; na última Euro, passou invicta por um grupo da morte com Holanda, Dinamarca e Portugal, porém foi batida pelos gols do italiano Balotelli na semi.
Na Copa de 2014, os Nationaelf tiveram mais dificuldades para superar as africanas Gana (2x2) e Argélia (2x1, na prorrogação) do que para bater as européias Portugal (4x0) e França (1x0). Löw superou seu mestre Klinsmann na partida contra os EUA (1x0). A semifinal contra o Brasil (7x1) foi espetacular, embora o time só tenha precisado de 30 minutos para "demolir" seu adversário. Hoje, contra a Argentina, a seleção alemã encontrou uma adversária poderosa, que fez sua melhor exibição na Copa, após várias partidas em que venceu mas pouco encantou. Os argentinos perderam pelo menos três claras chances de gol (uma com Higuaín no 1º tempo, outra com Messi no 2º e a última com Palacio, já no tempo extra); o castigo tardou, mas não falhou: aos 8 minutos do 2º tempo da prorrogação, Götze, após lançamento certeiro de Schürrle, fez um golaço.
Este Mundial terminou com 171 gols, justamente o mesmo número da Copa de 1998, que foi ao lado desta a melhor dos últimos 40 anos. Na galeria das grandes edições do torneio, arrisco-me a dizer que ambas compõem um top 5 com 1954, 1958 e 1970. O Brasil pode ter decepcionado, mas outras seleções garantiram o alto nível desta Copa: além das finalistas, cabe citar Holanda, Colômbia, Bélgica, França, Costa Rica, Chile, México e Estados Unidos.
Que venha Rússia-2018!

10 julho 2014

Alemanha x Argentina, pela 7ª vez em Copas


A final da Copa do Mundo será entre Alemanha e Argentina, um dos maiores clássicos do futebol mundial. Já se enfrentaram em seis Copas, com quatro triunfos dos alemães (1958, 1990 [final], 2006 e 2010), um empate (1966) e uma vitória argentina (1986 [final]).
Em uma Copa repleta de "plot twists", eis que o Brasil está fora da final, na qual estará sua maior rival regional. Um enredo digno de tragédia grega - ou de comédia de humor negro, rs.
Eis o que tenho a dizer sobre os finalistas:
Alemanha: após uma vitória espetacular sobre o Brasil, os germânicos chegam à final com muita moral para conseguirem o título que essa geração de Lahm, Müller, Schweinsteiger e cia. tanto merece. O jogo de ontem mostrou da forma mais clara possível o contraste entre a organização e eficiência da seleção alemã e o despreparo (tático, técnico e emocional) da seleção brasileira. Após quase ter sido eliminada pelo Chile e se redimido contra a Colômbia, a equipe do Brasil foi "castigada" pelas falhas de posicionamento, pela falta de treinos táticos (a preparação para os jogos dessa Copa foi tão escassa quanto em Weggis-2006) e pelas más atuações da maior parte do elenco. A Alemanha ainda foi piedosa e diminuiu o ritmo depois do 5x0 aos 29 minutos do 1º tempo, mas bastou Schürrle entrar para aumentar a goleada. O 4-2-3-1 alemão, com notável preenchimento do meio-campo, continua sendo o melhor uso dessa formação tática, ao contrário da versão "kitsch" adotada pelo Brasil (que, neste setor do campo, apresentou muitos buracos). Enfim, após o "jogo-treino" de ontem, os alemães precisam manter a frieza e a altivez para, quem sabe, persistirem em sua reputação recente de "carrascos" da Argentina (4x2 nos pênaltis em 2006 e 4x0 no tempo normal na Copa passada).
Argentina: chegou à final com um desempenho pouco vistoso - todas as vitórias foram por um gol de diferença e só venceram a Holanda nos pênaltis após uma partida morna, com poucas chances de gol. Porém, esta semifinal mostrou um outro lado da Albiceleste: os problemas no setor defensivo - tão alarmantes, p.ex., no jogo contra a Nigéria - parecem ter sido resolvidos. A despeito do ofensivo esquema 4-3-3, a equipe não ofereceu espaços para a Holanda (e nem para a Bélgica, nas quartas de final). Mascherano parou Robben e Romero foi um goleiro confiável no tempo normal e heróico nos pênaltis. Lionel Messi terá a grande chance de conseguir aquilo que falta para ser considerado um craque à altura de Pelé: vencer uma Copa do Mundo. Seu desempenho nesse Mundial vem sendo irregular, mas na final ele pode desencantar. Sem Di María, seu jogador mais criativo, a Argentina terá que contar com essas duas armas - a defesa e Messi - para superar a Alemanha e conquistar um feito de enorme valor simbólico: um tricampeonato em pleno Maracanã.

P.S. - Holanda: Van Gaal fez péssimas substituições (preferiu colocar volantes ao invés do meia-atacante Depay e deixou o goleiro Krul de fora da decisão de pênaltis), a equipe holandesa jogou mal no tempo normal e prorrogação e houve a decisão equivocada de deixar o Vlaar bater pênalti. Pelo visto a Holanda precisa mesmo se reinventar; nem o estilo mais pragmático e menos futebol-arte que adotaram nesta Copa e na de 2010 (com o técnico van Marwijk) foi o bastante para que eles parassem de "morrer na praia".
P.S. 2 - Brasil: Leiam este texto do ImpedimentoEnfim, seriedade à parte, acho que daqui a alguns dias todos estaremos rindo do que aconteceu anteontem; afinal, nada mais coerente com a "Copa da zoeira" do que esse 7x1, rs. Nem esse fiasco me tira da convicção de que esta vem sendo uma das melhores Copas de todos os tempos.
P.S. 3 - "Copa das Copas?": O nível técnico desta edição é altíssimo; das que vi desde criança, a única tão boa quanto esta foi a de 1998 (em que, além da França, outras 5 ou 6 seleções tinham futebol para serem campeãs). Das mais antigas que já vi pelos vídeos oficiais ou pelo YouTube, diria que as únicas tão emocionantes quanto esta foram as de 1954, 1958 e 1970.  A 1ª fase da Copa de 2014 foi espetacular, tanto pelas zebras (Espanha 1x5 Holanda, Itália 0x1 Costa Rica...) quanto pelas partidas cheias de gols e viradas. As oitavas de final foram marcadas por boas prorrogações. As quartas de final tiveram partidas com menos gols, porém foram mais técnicas e táticas. A goleada da Alemanha entrou para a história; a classificação da Argentina para a final foi uma reviravolta cruel para os ufanistas; e, ainda teremos dois jogos que podem ser incríveis.

06 julho 2014

Os semifinalistas

As quartas de final foram menos eletrizantes do que as oitavas, mas houve dois bons jogos (Brasil 2x1 Colômbia e, principalmente, Holanda 0x0 [4x3] Costa Rica) que mantiveram o alto nível dessa Copa do Mundo. E os quatro semifinalistas são:
- Brasil: a seleção se redimiu da má impressão do confronto contra o Chile e jogou bem contra a Colômbia, principalmente no 1º tempo. Destaque para a dupla de zaga Thiago Silva e David Luiz, tanto pela segurança que forneceram à nossa defesa quanto pelos gols (aliás, o de David Luiz foi uma belíssima cobrança de falta). Infelizmente o Brasil terá dois desfalques para o próximo jogo: o capitão Thiago Silva levou o 2º amarelo e está suspenso, devendo ser substituído por Dante; Neymar fraturou um osso da vértebra e está fora da Copa, encerrando prematuramente um Mundial que poderia consagrá-lo como melhor jogador do mundo. Só resta esperar que Dante entre bem (o fato de jogar no alemão Bayern de Munique ajuda) e que a ausência de Neymar cause um "efeito 1962" - Copa em que Pelé se machucou e foi substituído à altura por Amarildo - para levantar a seleção na semifinal. 
- Alemanha: Löw colocou Lahm na lateral, arrumou o posicionamento da defesa e colheu os frutos. A seleção alemã, após fazer um gol logo no início, segurou a França, mas de um jeito que eu gosto - ao invés de retrancar, ela controlou a posse de bola e continuou buscando o 2º gol (e quase o fez várias vezes). Anulada taticamente, a equipe francesa ainda foi prejudicada pela lentidão do técnico Deschamps, que só resolveu fazer substituições faltando 20 minutos para o fim do jogo. A eficiente Nationalelf tem grandes chances de vencer o Brasil - e grandes motivações, afinal deseja uma revanche da final de 2002 e não quer amargurar a 3ª derrota consecutiva em semifinais.
- Argentina: o jogo contra a Bélgica foi morno, e em parte a culpa foi do prematuro gol (aliás, belo gol) de Higuaín. Num autêntico "estilo Libertadores", a Argentina requentou a partida, adotando uma postura mais defensiva. Os belgas não conseguiram desenvolver seu estilo de jogo, e criaram poucas chances de empatar; os argentinos chegaram mais perto do gol com Higuaín (travessão) e Messi (defesa de Courtois). Porém, há um segundo motivo para a queda de qualidade do jogo: a contusão de Di María logo no 1º tempo. Eis outro grande jogador que ficará ausente no restante da Copa. O técnico Sabella acertou hoje com seu 4-4-2 ao invés do 4-3-3, mas precisará pensar numa boa maneira de substituir Di María contra a...
- Holanda: protagonizou o melhor jogo das quartas contra a surpreendente Costa Rica. Tentou o gol de diversas maneiras, mas esbarrou no goleiro Navas, na trave e, principalmente, no impedimento: foram 13! Se não ficassem tanto na "banheira", talvez os holandeses tivessem decidido o jogo no tempo regulamentar. Os costa-riquenhos atacaram pouco e se defenderam bem (não por acaso, terminaram sua participação com apenas 5 gols marcados e 2 sofridos), e foi preciso um lance de mestre para que o técnico Van Gaal levasse os Oranjes à vitória, já nos pênaltis. No último minuto, entrou o goleiro reserva Tim Krul (foto), que acertou o lado das cinco penalidades cobradas pela Costa Rica e pegou duas delas. Foi uma tática de futsal aplicada ao futebol de campo; genial! Também gostei da formação adotada hoje (3-4-3) e dos sempre assustadores contra-ataques da seleção holandesa. O jogo contra a Argentina promete ser incrível, tal como foram os confrontos anteriores entre ambas (Holanda 4x0 em 1974, Argentina 3x1 em 78 e Holanda 2x1 em 98).


02 julho 2014

Analisando as seleções classificadas para as quartas de final

Após uma incrível etapa de oitavas-de-final (com direito a 5 prorrogações e 2 decisões de pênalti!), farei uma análise das oito seleções classificadas para as quartas-de-final da Copa do Mundo:
- Brasil: passou um sufoco tremendo para superar o Chile; jogou mal durante a maior parte do jogo, principalmente no 2º tempo regulamentar. Em um dia de má atuações de Neymar, Oscar e cia. (a exceção foi Hulk, talvez para compensar o seu erro no gol chileno), Júlio César incorporou o espírito de Marcos e Taffarel e salvou o dia: ele foi incrível na decisão de pênaltis, quando pegou dois e "defendeu com os olhos" um que foi parar na trave. Para além da má atuação brasileira, não se pode minimizar os méritos do Chile, que mostrou notável disciplina tática e anulou o meio-campo e o ataque brasileiros durante boa parte da partida. Espero que o susto das oitavas permita ao Brasil crescer na competição e mostrar uma boa atuação em seu duelo com a...
- Colômbia: por enquanto, é a seleção mais consistente e de futebol mais bonito. Passou fácil pelo Uruguai, e tem em Cuadrado e James Rodriguez seus destaques individuais. O técnico Pekerman aprendeu com seus erros comandando a Argentina em 2006 e vai lutar para, desta vez, conseguir avançar às semifinais. Cabe lembrar que, há dois anos, ainda sob o comando de Mano Menezes, o Brasil empatou em 1x1 com a Colômbia em um amistoso.
- França: teve mais trabalho que o esperado para vencer a Nigéria, pois a seleção africana foi bastante ofensiva (principalmente no 1º tempo) e também porque o ataque francês esbarrou várias vezes em Enyeama. Porém, o goleiro nigeriano foi de herói a vilão, já que o 1º gol francês surgiu de uma saída dele à la "caça de borboletas". Os franceses estão crescendo na competição e farão um jogo sem favoritos contra a...
- Alemanha: mais uma seleção campeão que passou apuros nas oitavas. A Argélia atuou com muita garra e proporcionou um dos melhores jogos da Copa. O goleiro M'Bolhi fez inúmeras defesas, e só na prorrogação os alemães conseguiram marcar seus gols. Deixar Neuer de líbero (foto) pode não ser uma boa idéia contra os contra-ataques que chegam a Benzema, então acho que Löw precisa fazer umas correções táticas; p.ex., deixar Lahm de lateral ao invés de volante.


- Holanda: após sua 3ª virada em 4 jogos, os holandeses provaram que são mesmo o Vasco da Europa: tanto por serem "o time da virada" (essa contra o México foi digna de um Palmeiras 3x4 Vasco) quanto pela "síndrome do vice-campeonato" (aliás, minha atual candidata a vice, independentemente de quem será o campeão, é a Holanda, rs). Mais uma vez a seleção comandada por Van Gaal precisou levar um gol para acordar no jogo, mas continua tendo problemas para propor, ditar o ritmo da partida quando está 0x0. Mesmo assim, deve vencer a...
- Costa Rica: após uma ótima 1ª fase, os costa-riquenhos parecem ter chegado ao seu limite no extenuante duelo contra a Grécia. Acho que o gol de empate que levaram no finalzinho foi o preço a se pagar por terem achado que 1x0 era o bastante; aliás, o México foi até mais castigado ainda por essa atitude. Precisam recuperar aquela atuação veloz contra o Uruguai para terem alguma chance contra Holanda e se tornarem a "semifinalista zebra" (à la Bulgária, Croácia e Turquia) desta Copa.
- Argentina: eu já esperava que o jogo dela contra a Suíça seria duro; a sorte dos argentinos é que seus adversários se contentaram com uma tática defensiva (e um goleiro sólido como Benaglio), pois a defesa da Albiceleste dificilmente resistiria a bons contra-ataques. Messi mais uma vez resolveu a partida em uma única jogada, desta vez passando a bola para Di María, que fez sua melhor partida na Copa até agora. A Argentina agora vai buscar sua 1ª semifinal em 24 anos diante da...
- Bélgica: outra seleção que não chega entre as quatro primeiras há muito tempo (desde a Copa de 86). Marc Wilmots provavelmente tem o melhor banco de reservas dentre as 8 classificadas, pois a Bélgica testou vários jogadores em suas 4 vitórias e eles foram decisivos em partidas diferentes. Desta vez o herói foi Lukaku, que finalmente desencantou nessa Copa. O goleiro Tim Howard deve ter feito umas vinte defesas, sinal de que os belgas foram ofensivos e tomaram a iniciativa durante toda a partida (exceto no 2º tempo da prorrogação, quando os americanos diminuíram para 2x1 e buscaram bravamente a virada, mesmo estando fisicamente esgotados - aliás, menção honrosa para a seleção dos EUA; Klinsmann foi um dos melhores técnicos dessa Copa). Argentina x Bélgica será um jogo interessante, pois ambas seleções gostam de controlar a posse de bola e atacar.

27 junho 2014

Os 16 classificados para as oitavas de final

48 jogos e 136 gols depois (média de 2,83 por partida), acabou a 1ª fase da Copa do Mundo de 2014. Dentre os 16 classificados para as oitavas, há muitas surpresas. Quem, antes do início do Mundial, esperaria ver Costa Rica, Nigéria, Argélia e Grécia classificadas? Alguém imaginava ver as européias Itália, Espanha, Portugal, Bósnia e Rússia já eliminadas? 
Eis os confrontos que eu esperava para essas oitavas: Brasil x Chile (sim, eu achava que eles iam passar, mas eliminando a Holanda), Colômbia x Uruguai (acertei x2), Espanha x México, Itália x Costa do Marfim, França x Bósnia, Alemanha x Rússia, Argentina x Suíça (acertei x3) e Bélgica x Portugal.
Farei uma breve análise das 16 equipes classificadas:
- Brasil: teve mais trabalho que o esperado contra croatas e mexicanos, mas conseguiu passar em 1º no seu grupo. Neymar vem se revelando um jogador decisivo nas horas difíceis. Felipão é um técnico "copeiro" (que o digam Criciúma, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro, Portugal e o próprio Brasil), então tenho boas expectativas quanto à nossa seleção.
- México: vem fazendo uma campanha surpreendente. Herrera consertou a tradicionalmente fraca defesa mexicana, que nessa 1ª fase só levou um gol.
- Holanda: arrasadora contra a Espanha e competente contra Austrália e Chile. Van Gaal vem se redimindo do fiasco da eliminação nas Eliminatórias de 2002, e pode tranqüilamente levar os holandeses às semifinais.

Na foto, um dos muitos lances impressionantes dessa Copa - o vôo do "superman" Van Persie.

- Chile: a equipe que joga nos meus esquemas táticos favoritos (3-4-3 e 4-3-3) destronou a seleção espanhola, e conta com sua melhor geração para tentar se livrar da freguesia contra o Brasil.
- Colômbia: finalmente conseguiu corresponder às expectativas, e saiu invicta de seus 3 primeiros jogos. Forte candidata a chegar pelo menos às quartas-de-final.
- Uruguai: após uma estréia desastrosa, conseguiu uma classificação heróica contra Inglaterra e Itália. Porém, não contará com Suárez, expulso após reincidir no seu distúrbio vampiresco. Talvez a Celeste se fortaleça na dificuldade, mas o histórico recente me deixa cético de que conseguirão ir longe sem seu artilheiro.
- Costa Rica: roubou da Bélgica o status de sensação da Copa. Vitórias convincentes contra uruguaios e italianos mostram que os costa-riquenhos evoluíram em relação à geração que caiu na 1ª fase em 2002 e 2006. É favorita contra a...
- Grécia: estreou mal, mas se recuperou contra Japão e Costa do Marfim, com direito a gol no último minuto. Se mantiver a postura ofensiva do jogo contra os marfinenses, quem sabe não consegue surpreender?
- França: já disse em outra ocasião que os franceses historicamente oscilam entre uma Copa boa e outra ruim (a única exceção foi na década de 80, quando a geração de Platini chegou a duas semifinais consecutivas). Deschamps vem se mostrando um ótimo técnico, e Benzema é o destaque de uma seleção que deve chegar às quartas e, quem sabe, até mais longe.
- Nigéria: passar da 1ª fase já é mais do que os nigerianos pretendiam nesse Mundial (afinal essa geração está focada mesmo em 2018). De toda forma, serviu para redimir o fiasco de 2010. Podem aprontar para cima dos franceses se repetirem a boa atuação contra a Argentina.
- Alemanha: foi bem contra os EUA e Portugal, mas contra Gana sua defesa deu sustos. Esta geração de Schweinsteiger, Müller, Lahm etc. está merecendo um título há tempos, mas bate na trave desde 2006; embora se possa definir a seleção alemã de Löw como "futebol arte mas pipoqueiro" (como diria meu amigo Nauê), ela prima pela regularidade - algo que falta, por exemplo, em Itália e França. Sendo assim, continua sendo uma das maiores candidatas a vencer a Copa.
- Argélia: vai enfrentar os alemães querendo se vingar do "jogo de compadres" em 1982 e também repetir o 2x1 que aplicaram na seleção germânica de então. É outra africana que foi mais longe do que se esperava (ao contrário das mais cotadas Gana e Costa do Marfim), então pode sair no lucro se simplesmente vender caro a derrota para a Mannschaft.
- Argentina: venceu mas não convenceu na primeira fase. Messi foi decisivo nas três partidas, mas parece até que ele está num "fogo amigo" contra a frágil defesa argentina. Por enquanto o placar está 4x3, mas a partir do mata-mata a Albiceleste não pode se dar a esse luxo. Sendo assim, no próximo jogo é preciso que Higuaín, Di María e os demais melhorem seu desempenho.
- Suíça: por enquanto correspondeu às expectativas - ganhou no sufoco contra o Equador, perdeu para a França (embora a goleada não fosse prevista) e se redimiu contra Honduras, com grande atuação do baixinho Shaqiri. Assim como os argentinos, seu ponto fraco é o setor defensivo (algo inimaginável nas duas últimas Copas, nas quais levaram 1 gol em 7 jogos). Portanto, pode ser uma partida com muitos gols.
- Bélgica: outra equipe que saiu com 9 pontos da 1ª fase, mas ainda não apresentou um futebol encantador. Ainda são melhores no PES/FIFA do que na vida real, rs. (Aliás, meu irmão Aderson joga muito bem com eles) Os belgas têm grandes chances de ficar entre os 8 primeiros, mas para isso precisam superar o futebol-força dos...
- Estados Unidos: ao contrário do approach ofensivo de quando era técnico de seu país (2004-06), Klinsmann agora prima por um estilo mais focado no aspecto físico do que no tático. Esta abordagem "play hard" deu certo contra os ganenses e quase garantiu a vitória contra os portugueses, mas pode não ser o bastante contra seleções mais talentosas. Acredito que o jogo contra a Bélgica deve parar na prorrogação ou mesmo nos pênaltis.

Jürgen Klinsmann e Joachim Löw. Na primeira fase, o pupilo venceu o mestre (Alemanha 1x0 EUA). Agora ambos estão nas oitavas.

24 junho 2014

A última rodada dos grupos C e D

Esta Copa está tão alucinante que até o grupo C, considerado o mais fraco (pois nenhuma de suas seleções conseguiu ir além das oitavas-de-final em Copas anteriores), teve uma última rodada de grandes emoções.
1. A Colômbia está jogando tão bem que, mesmo com o time reserva, ganhou por 4 a 1 do Japão. A seleção treinada por Pekerman está, por enquanto, fazendo tudo aquilo que se esperava da geração 1990-98 do futebol colombiano (Valderrama, Rincón, Asprilla etc.). O time conta com jogadores talentosos como Cuadrado, Gutiérrez, James Rodriguez (que fez um golaço hoje) - e, claro, o "Armeration", rs. Creio que a Colômbia tem grandes chances de superar o Uruguai e chegar pela 1ª vez às quartas-de-final. Seria um presente à enorme torcida que veio ao Brasil.
2. Nunca subestime a Grécia. Eis uma dura lição aprendida por França, República Tcheca e Portugal na Euro 2004, pela Rússia na Euro 2012 e, no jogo de hoje, pela Costa do Marfim. Desta vez, no entanto, o que se viu não foi a famigerada retranca grega, mas sim uma equipe bastante ofensiva, que mandou várias bolas na trave, obrigou Barry a fazer defesas e tentou a vitória até o último minuto, quando foi recompensada com um pênalti. Os marfinenses jogaram pelo empate, mas cometeram erros defensivos inadmissíveis para uma equipe que se propõe a ficar fechada na defesa; o 1º gol grego nasceu de um passe errado na zaga da seleção africana. Não sei se substituir Drogba e Gervinho após o empate foi uma boa idéia, ainda mais considerando a pressão grega. 
Enfim, a Costa do Marfim perdeu sua melhor chance de ir às oitavas, e sua melhor geração de jogadores, que foi a três Copas consecutivas, se despede melancolicamente. Quanto à Grécia, jogará - ainda como azarão - contra a Costa Rica na mais inusitada partida de oitavas desta Copa do Mundo.

Sobre o Grupo D:
1. Não assisti à partida entre Costa Rica e Inglaterra, mas parece que nem os próprios jogadores das duas seleções estavam muito interessados no jogo. Terminou em 0x0, resultado que garantiu aos costa-riquenhos uma surpreendente liderança do "grupo da morte" e aos ingleses a sua pior Copa de todos os tempos, com duas derrotas e este empate.


2. No primeiro tempo, a Itália até foi razoável, controlando a posse de bola e ditando o jogo, mas já demonstrava que sua postura era cautelosa e retranqueira; jogava pelo empate sem gols. Por sua vez, o Uruguai tentou alguns contra-ataques, mas estava longe de ter a proatividade da Grécia; parecia apenas torcer por um lance de bola parada. Tudo mudou no 2º tempo: primeiro com a substituição de Balotelli (que já havia levado cartão amarelo; Prandelli pode ter temido que o centroavante, com seu jeito destemperado, acabasse sendo expulso), e principalmente com a expulsão de Marchisio. Ambas baixas deixaram a Itália ainda mais defensiva, e o Uruguai finalmente tomou coragem e se lançou o ataque. Aos 34 minutos, Suárez (foto) covardemente morde o zagueiro Chiellini, que mesmo mostrando o machucado foi ignorado pelo juiz. Segundos depois, sai o gol da vitória uruguaia, feito de costas por Godín. 
Mais uma vez a Celeste venceu pela raça, mas essa classificação foi manchada pela atitude de Suárez (que já havia tido dois "episódios de mordida", um no Ajax e outro no Liverpool); a FIFA no mínimo deveria suspendê-lo da próxima partida. Quanto à Azzurra, é uma pena que o projeto de Prandelli fracassou, pois eu estava gostando dele como técnico. Talvez seu pecado nesta partida tenha sido justamente a inconsistência tática: a equipe não se decidiu entre o tradicional "catenaccio" e a ofensividade, e o fato de o técnico ter usado três formações diferentes nas três partidas explicita essa indefinição. Espero que a Itália consiga se renovar diante do fato de que não contará mais com os lendários Buffon e Pirlo, talvez os únicos que se salvaram nessa campanha medíocre.

22 junho 2014

Do 5º ao 10º dia da Copa

SEGUNDA
§ 1 - Assisti à partida entre Alemanha e Portugal no Botafogo Praia Shopping. A superioridade alemã foi até maior do que eu cogitava, embora a seleção portuguesa tenha "contribuído" para isso graças às falhas de sua defesa (ex.: no 4º gol, o goleiro praticamente entregou a bola nos pés de Müller). A expulsão de Pepe foi justa, afinal ele mostrou conduta anti-desportiva ao dar uma cabeçada em um adversário sobre o qual havia acabado de cometer falta. Cristiano Ronaldo decepcionou, e nem cobrando falta conseguiu fazer um gol; Portugal pagou pelo risco de depender muito das atuações dele; basta lembrar que Cristiano fez todos os gols na repescagem contra a Suécia.
§ 2 - Não farei maiores comentários sobre Irã 0x0 Nigéria, até porque só vi o 1º tempo e o final do 2º; estava em reunião do Sociofilo. Porém, aquilo que assisti foi o bastante para endossar a opinião geral de que foi o pior jogo da Copa até agora. Duas equipes limitadas e que cometeram muitos erros no ataque. A Nigéria se esforçou mais, mas a melhor chance de gol foi iraniana.
§ 3 - A seleção americana precisou de apenas 30 segundos para abrir o placar. Dali em diante foram 80 minutos de pressão de Gana, e quando finalmente conseguiram empatar, os EUA reagiram prontamente e, em um escanteio, fizeram 2x1. Klinsmann montou uma boa equipe, e pode dar trabalho para Portugal e Alemanha nos próximos jogos.


TERÇA
§ 1 - A Bélgica, para surpresa de todos que apostam nela como a possível Croácia '98 dessa Copa, começou perdendo para a Argélia. Os belgas só conseguiram virar o jogo depois da entrada de Fellaini. O gol de Mertens, em que pese a falha de marcação dos argelinos, foi bonito.
§ 2 - O Brasil teve boas chances de gol contra o México, mas a atuação espetacular de Ochoa parou o ataque brasileiro. A seleção comandada por Felipão não jogou tudo o que pode, mas creio que o treinador precisa fazer algumas mudanças no time; p.ex., trocar Paulinho por Hernanes e Hulk (ou Fred) por Willian. Eu já imaginava que os mexicanos iam jogar pelo empate, e eles conseguiram lograr com sua postura mais defensiva - e ainda obrigaram Júlio César a fazer alguma defesas no 2º tempo.
§ 3 - Rússia e Coréia do Sul fizeram uma partida mediana; o empate foi justo. Destaque para o frango do goleiro Akinfeev - pelo frango em si e pela emoção que deu à partida, já que os russos correram atrás do empate.



QUARTA
§ 1 - A julgar pelas partidas Holanda 3x2 Austrália e Espanha 0x2 Chile, é melhor o Brasil pegar nas oitavas a Holanda do que o Chile. Os chilenos têm uma defesa melhor do que a dos holandeses - os quais tiveram muitas dificuldades para superar os australianos, na medida em que estes não deram muito espaço para os contra-ataques rápidos de Robben e cia. Vale destacar o golaço de Cahill, que conseguiu a notável marca de fazer 5 gols pela Austrália em três Copas.


Porém, se o Brasil quer mesmo ser hexa, não tem como "escolher" adversário. Nosso caminho no mata-mata será o mais difícil dos últimos tempos, e não me surpreenderia se caíssemos já nas oitavas.
Quanto à Espanha, creio que a teoria do envelhecimento continua válida; mas, no jogo de hoje, o técnico Del Bosque mexeu mal no time: estar perdendo por 2x0 e demorar para colocar mais um atacante foi fatal. Além do mais, o estilo de jogo lento da seleção espanhola não é propenso a virar partidas, mas sim manter uma vantagem já estabelecida.
Não se pode, é claro, minimizar o mérito do Chile, que se defendeu muito bem, foi eficiente no ataque e anulou taticamente a Espanha. Sampaoli, que já havia sido sensação na Universidad de Chile, conseguiu aperfeiçoar o estilo de Bielsa - esta seleção é bem melhor que a de 2010.
§ 2 - Os croatas jogaram muito bem contra Camarões, e a goleada por 4 a 0 foi merecida. Mandzukic fez 2 gols e mostrou que sua presença no jogo contra o Brasil poderia ter complicado bastante as coisas para nossa seleção. Os camaroneses bateram cabeça (literalmente) e seu futebol-força está longe de encantar. A eliminação precoce é merecida.



QUINTA
§ 1 - A primeira partida do dia já começou emocionante nos hinos, com a torcida colombiana cantando alto e um jogador marfinense chorando. Após uma primeira etapa com muita correria, a Colômbia venceu a Costa do Marfim em um 2º tempo eletrizante. A velocidade nos contra-ataques se mostrou decisiva no segundo gol, feito por Quintero. Desta vez a presença de Drogba não motivou uma virada marfinense, mas nos minutos finais sua seleção quase empatou o jogo. 
§ 2 - A vitória uruguaia foi mais do que justa; a Celeste mostrou muito mais raça que o England Team. Luis Suárez, após recuperação milagrosa, foi um monstro nessa partida, e fez os 2 gols do Uruguai. Os ingleses perderam muitas chances de gol porque insistem em um único tipo de jogada: o cruzamento na área ("chuveirinho"). Não por acaso, o gol saiu justamente de uma outra abordagem - contra-ataque rápido e toque certeiro para Rooney finalmente fazer seu 1º gol numa Copa. Com muita posse de bola e pouca eficiência, a Inglaterra está praticamente eliminada do Mundial. Já diria Antero Greco: "O campeonato inglês é espetacular. Os ingleses no futebol sempre foram bem medianos."


§ 3 - O Japão foi frustrante (e irritante) no empate sem gols com a Grécia. Mesmo com um jogador a mais, a equipe perdeu chances incríveis de gol. Um amigo meu observou que o problema da equipe japonesa não é exatamente tático ou técnico, mas de mentalidade:  faltou confiança, garra, "vontade de ganhar". O mesmo problema já havia ocorrido no jogo contra a Costa do Marfim, quando a entrada de Drogba foi o bastante para a equipe entrar em pane e levar a virada. Infelizmente os japoneses não conseguem repetir o bom Mundial que fizeram em 2010 (e 2002); a campanha desse ano tende a ficar mais parecida com a de 2006, ainda mais se no próximo  jogo levarem 2 ou mais gols da Colômbia.

SEXTA E SÁBADO
Dos seis jogos, cinco terminaram com resultados surpreendentes (o único previsível foi Equador 2x1 Honduras). Vamos à análise dessas partidas emocionantes:
§ 1 - Costa Rica repetiu a façanha de 1990 (quando se classificou após eliminar Escócia e Suécia e perder bravamente para o Brasil), só que dessa vez em um grupo dificílimo, com 3 campeões mundiais. A vitória contra o Uruguai já havia mostrado a habilidade costa-riquenha em operar contra-ataques rápidos; desta vez a vítima foi uma decepcionante Itália, que jogou de forma lenta e nervosa. Nem parecia a mesma Azzurra vice-campeã européia em 2012, 3ª na Copa das Confederações do ano passado e que há apenas uma semana havia vencido a Inglaterra jogando bem. O que me consola é que a Itália cresce na dificuldade. É por isso que o jogo contra o Uruguai será épico: duas equipes com vocação para fênix.
§ 2 - A França surpreendeu com uma goleada sobre a Suíça. Para quem esperava uma retranca do eterno país neutro, o que se viu foram (muitas) falhas defensivas, devidamente aproveitadas por Benzema e cia. Os franceses historicamente alternam uma Copa boa e outra ruim - campeões em 98, eliminados na 1ª fase em 2002, vice em 2006, outro fiasco em 2010 e, desta vez, podem novamente chegar longe. Parabéns para o técnico Deschamps, que por enquanto conseguiu suprir a ausência de Ribéry.
§ 3 - Os argentinos tiveram muito trabalho para vencer os iranianos por um mísero 1x0, graças ao gol salvador de Lionel "Robben" Messi. Confesso que cheguei a torcer para o Irã, pois eles mostraram muita raça e chegaram perto de abrir o placar. A Argentina ainda está abaixo do esperado, e seu "quarteto mágico" (Di María, Messi, Higuaín e Agüero) ainda não jogou o belo futebol que costuma mostrar no futebol europeu. O técnico Sabella demorou muito para fazer substituições (e ainda deixou um apático Gago em campo), e essa lentidão pode custar caro em um jogo de mata-mata.
§ 4 - Assisti ao jogo Alemanha vs. Gana no avião da Azul que me levou do Rio para Goiânia. Que grande partida, hein? Desta vez os alemães não encontraram uma defesa tão esburacada como a portuguesa, e por isso demoraram para abrir o placar - e, quando conseguiram, levaram o empate apenas três minutos depois. Para piorar, sua zaga cometeu um deslize que permitiu a virada pelos pés de Gyan. Foi então que Löw mostrou a celeridade que faltou no técnico hermano: Schweinsteiger e Klose (foto) entraram, e este marcou seu 15º gol em Copas, empatando com Ronaldo como o maior artilheiro da história do torneio. Gana ganhou sobrevida no Mundial, mas depende de uma vitória lusitana sobre os americanos para chegar à última rodada com chances reais (e não apenas matemáticas/remotas) de conseguir a 2ª vaga. Quanto à Alemanha, mais um favorito tropeça, deixando claro que essa Copa não está fácil para os europeus.


§ 5 - Quem diria que a Nigéria, após protagonizar o pior jogo da Copa 2014 contra o Irã, renasceria contra a Bósnia? Pois é, aposto que o bolão de muita gente não contava com essa zebra, rs. A seleção de Džeko foi eliminada por uma equipe aguerrida, que resistiu bravamente; o ataque bósnio também não colaborou, e teve até uma bisonha furada de bola aos 44 do 2º tempo. Os nigerianos estão praticamente classificados, e só precisam de um empate contra a Argentina ou, o que é mais provável, que os iranianos não vençam os bósnios por uma boa diferença de gols.

Sempre que possível estou fazendo a cobertura dos jogos da Copa do Mundo pelo meu Twitter.

15 junho 2014

Os quatro primeiros dias da Copa 2014

§ 1 - Gostei de Brasil x Croácia; o jogo foi equilibrado e por vezes tenso. Ao lado de Alemanha 4x2 Costa Rica (2006), foi a melhor abertura de Copa dos últimos 30 anos. Errei meu bolão (apostei que seria 1x0 para o Brasil), mas não contava com a astúcia de Marcelo e a eficiência da dupla Oscar-Neymar. Fiquei feliz em ver a capacidade de reação da equipe (ponto em que as seleções de Dunga e Parreira pecaram nas duas últimas Copas) e o poder ofensivo do esquema 4-2-3-1 adotado por Felipão. Porém, estou preocupado com nossa defesa, que principalmente no lado direito deixou muitos espaços para a Croácia contra-atacar. Além disso, o centroavante Fred deixou a desejar, embora tenha sido "decisivo" ao cavar um pênalti na malandragem, rs.
§ 2 - México 1x0 Camarões foi uma partida marcada pela chuva forte e pelos erros de arbitragem, mas nem o gramado molhado nem os 2 gols injustamente anulados impediram os mexicanos - que foram melhores em campo - de saírem com os 3 pontos.
§ 3 - Que massacre da Holanda sobre a Espanha, hein? Nem o mais entusiasta torcedor da Laranja Mecânica poderia imaginar que este jogo terminaria 5 a 1! Foi uma vitória sonora que mudou completamente o cenário do Grupo B - e do possível cruzamento do Brasil nas oitavas. Agora podemos enfrentar ou uma Espanha vingativa, querendo se redimir do 3x0 do ano passado e da má impressão da goleada de hoje, ou um Chile embalado por eliminar os atuais campeões do mundo já na 1ª fase.
§ 4 - Falando neles, os chilenos começaram o jogo contra a Austrália de forma arrasadora, com dois gols (um deles do mago Valdívia!) em menos de 15 minutos. A equipe comandada pelo "bielsiano" Sampaoli, no entanto, diminuiu o ritmo depois do segundo gol, permitindo aos australianos crescerem no jogo e quase empatarem o placar. Nos últimos instantes, contudo, o reserva Beausejor fez o terceiro e confirmou o triunfo da seleção chilena.


§ 5 - Colômbia mostrou força a despeito da ausência de Falcao García, e superou a Grécia por um contundente 3 a 0. Destaque para a sensacional comemoração do "Armeration", rs.


§ 6 - O Uruguai decepcionou. Eu e o Nauê concluímos que a Celeste é uma seleção que passa pelo mesmo problema da Espanha: envelhecida, sem renovação em relação à última Copa. Costa Rica fez por merecer a virada, ainda mais depois que, mesmo já ganhando por 2x1, o técnico colocou mais um atacante.
§ 7 - A Azzurra, minha seleção favorita desde os tempos de FIFA 98 e Euro 2000, combinou a ofensividade implantada por Prandelli (e executada por Balotelli, que na foto abaixo deu uma zoada nos ingleses) com 40 minutos de "catenaccio" depois que a equipe fez o 2º gol. O maestro Pirlo - que quase fez um gol de falta no finalzinho - regeu um time que acertou mais de 90% dos passes. A Inglaterra não teve como reagir, ainda mais com a péssima pontaria de Rooney. 


§ 8 O Japão começou bem, com um belo gol de Honda; gostei do jogo veloz do time. Porém, só foi Drogba entrar que a Costa do Marfim reagiu e, em menos de 5 minutos, virou o placar. Zaccheroni precisa arrumar a defesa nipônica para tentar conseguir a vitória nos próximos jogos.
§ 9 Você percebe que uma Copa do Mundo está boa quando até a Suíça não termina um jogo em 0x0. Após uma falha de marcação que permitiu o 1º gol equatoriano, os suíços ficaram mais ofensivos e foram recompensados com o gol da vitória no último minuto de jogo.
§ 10 A França se impôs sobre o jogo sujo de Honduras, num jogo cheio de polêmicas. A arbitragem de Sandro Ricci foi correta nos dois lances controversos: de fato Palacios merecia ser expulso (pela pisada em Pogba e pela cotovelada no pênalti), e de fato a bola entrou - ainda que milimetricamente - no lance do 2º gol. 
§ 11 Por fim, no Maracanã os argentinos jogaram mal, mas saíram com a vitória. Foi preciso a torcida xingar Messi para que o baixinho "acordasse" e fizesse um golaço, com direito a deixar seus marcadores trombando! A Bósnia precisa melhorar a precisão nos passes, mas fez uma partida melhor que o esperado. 


P.S.: A média de gols dessa Copa por enquanto está excelente: 3,36 (37 em 11 jogos). É a melhor desde a Copa de 1958.

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