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05 fevereiro 2016

Uns dias em Brasília II

Daqui a pouco volto para Goiânia. Os quatro dias que fiquei em Brasília foram ótimos! Reencontrei vários amigos e comprei muitos livros. Conto mais quando chegar em casa.

01 fevereiro 2016

Uns dias em Brasília

Viajo hoje para Brasília, e ficarei lá até quinta-feira; é a primeira vez que vou para minha antiga cidade universitária desde Agosto de 2014, quando fui para o encontro da ABCP. É muito tempo longe do lugar onde passei 4 dos melhores anos da minha vida (2008-2011)!
Espero que consiga encontrar a maioria dos meus amigos da época de UnB, assim como visitar lugares da cidade que eu adoro, como o Sebinho, a Livraria Cultura e, é claro, a minha alma mater. Além disso, preciso de inspiração para escrever os capítulos da tese sobre Merquior, e nada melhor do que ir à cidade na qual ele foi professor e diplomata.

P.S.: Já faz um mês que prometi completar os posts de 31/12 e ainda não terminei... agora que terminei de ler Formalismo e Tradição Moderna vou tentar acabá-los.

31 dezembro 2015

2015, parte III: de Outubro a Dezembro

(Post incompleto; termino de escrever ano que vem, rs) 

New Order - disco novo é surpreendentemente bom
Colégio do Brasil - aulas com Portella
10 anos de Last.FM
Morrissey - show começou bem, foi estragado por "Ganglord" e "Meat is Murder", mas melhorou no final
Palmeiras - título emocionante da Copa do Brasil
Primavera dos Livros - comprei vários da É Realizações
Morar com Carolina - 30/11 e 4/12
Protesto - parecia ter mais gente, mas "flopou"
Lançamentos de livros: Martim, Das Booty, Alex, Gabriel (setembro)

2015, parte II: Augustus e Settembrini

(Post incompleto; termino de escrever ano que vem, rs)

Com alguns meses de atraso, enfim farei meu relato sobre os dois meses mais agitados do meu ano de 2015: Agosto e Setembro.

IV Fórum de Ciência Política
Apenas um dia depois que voltei das férias de Goiânia, "viajei" para Niterói para participar do FBCP, no qual eu apresentei um trabalho sobre os conceitos de guerra e técnica no pensamento político dos "modernistas reacionários" Ernst Jünger e Carl Schmitt. As sessões do GT de Teoria Política foram muito boas; gostei da apresentação do meu amigo Paulo, da palestra do Eduardo Jardim, da sessão em que o Christian foi debatedor e, por último mas não mesmo importante, da competente organização do GT pelos alunos da UFF, Rodrigo e Victor. O Fórum ainda contou com uma boa conferência de Renato Lessa. O semestre acadêmico não poderia ter começado melhor.

O Protesto em Copacabana
Em um dos vários momentos de instabilidade política em 2015, houve em 16 de Agosto o terceiro dos quatro protestos nacionais contra o governo Dilma Rousseff. Não quis participar dos dois primeiros, mas diante da catastrófica atuação do Planalto na economia, resolvi me manifestar. Mesmo assim, eu o fiz de uma forma leve, bem-humorada: confeccionei um cartaz com a frase "Pessimildo tinha razão" e duas fotos desse memorável personagem criado por João Santana para ridicularizar a oposição, mas que por ironia do destino se tornou um mascote dos críticos do governo.
A manifestação até que foi divertida; talvez devido ao clima festivo da praia de Copacabana, o ambiente não era pesado. Encontrei alguns amigos por lá, e almocei com eles no McDonald's.

Qualificação
Um dia depois do protesto houve a defesa do meu projeto de tese. Os comentários da banca foram importantes para o desenvolvimento da minha pesquisa; a partir deles percebi que precisava eliminar os últimos resquícios do meu tema anterior sobre Thomas Mann (mais especificamente o viés ético-biográfico, tentando ver Bildung em tudo).

I Seminário Interno de Pós-Graduação do IESP/UERJ
2/9 - O evento foi inaugurado com uma ótima (embora pessimista, rs) mesa-redonda com os professores César Guimarães e Maria Regina. 
3/9 - apresentei um trabalho sobre as continuidades e rupturas do conceito de cultura ao longo das diversas fases do pensamento social de José Guilherme Merquior. 

Aniversário de namoro
4/9 - 3 anos. Travessa. Cafeína. Livros - Bernard Cornwell e Formalismo e Tradição Moderna (Merquior).

I Seminário Internacional de Ciência Política
9/9 - Viagem para Porto Alegre, xis, Rage Against the Machine credenciamento, livraria, palestra do Stephane, Corinthians x Grêmio
UFRGS. Foi um ótimo evento, muito bem organizado e com várias palestras interessantes; destaque para a palestra de Brasilio Sallum Jr. (autor de "O Impeachment de Fernando Collor") sobre a crise política atual e para a mesa-redonda sobre democracia, política externa e economia com Octávio Amorim Neto, Carlos Milani e Márcio Pochmann (o qual, aliás, surpreendentemente mostrou certo desencantamento, lamentando erros políticos e econômicos do governo Lula).
Ao longo dos 3 dias fiz novos colegas (e de várias universidades: UnB, UFPE, UNIPAMPA e UFRGS) e passeei bastante; destaque para a festa na sexta à noite na Cidade Baixa, no pub Divina Comédia.
No dia 10 apresentei um ensaio contrastando os liberalismos de José Guilherme Merquior e Friedrich von Hayek. No GT em que o apresentei (o de Teoria Política e Pensamento Social Brasileiro), o debatedor e a platéia fizeram várias perguntas e comentários ao meu trabalho, e o debate foi bem produtivo
10/9 - Jeff Buckley, GT de Teoria, pessoal da UnB, UFPE, UNIPAMPA, Side Pub, show do Sapo Boi
11/9 - The Clash, mesa-redonda, GT de Instituições, pessoal da UnB, palestra do Sallum, mais xis, festa no pub Divina Comédia, na Cidade Baixa, com duas bandas cover - Fake Brothers e Celofanes

Homenagem a José Guilherme Merquior na ABL
17/9 - Instituto Liberal - Ortega, JGM; Livraria Cultura; IFCS - certificado; sebos - CDs e livro no Berinjela; ABL - socialização, João Cezar, Portella, documentário, Júlia.

Eleições para o DCE (UnB)
24-25/9 - "corujão"

2015, parte I: Os sete primeiros meses

(Post incompleto; termino de escrever ano que vem, rs)

A Mudança para o Catete/Flamengo
Após 3 anos morando em apartamentos de família (se bem que, no caso do segundo deles, em 2014 virou uma espécie de república, já que os donos se mudaram para o interior de SP), foi em 2015 que finalmente comecei a dividir um apartamento com um amigo. A partir de Fevereiro me mudei com um amigo, o Victor, para o bairro do Flamengo (mas em um prédio que fica do lado do Museu da República e da estação de metrô do Catete). Isso significou uma melhora notável no meu padrão de vida, pois passei a ter muito mais liberdade para organizar meu espaço e tempo. Meu quarto ganhou personalidade (finalmente pude organizar meus livros, CDs e games à vontade); posso usar a cozinha à vontade; Victor e eu freqüentemente chamamos nossos amigos para conversarmos e bebermos (e eles podem dormir na sala se ficar tarde para voltar para casa) etc. 


Lollapalooza 2015
Embora só tenha visto este Lolla pela televisão (não havia atrações que me empolgassem o bastante - como um Pixies ou New Order da vida - para aceitar pagar o caro ingresso do festival), ele me causou impressões o bastante para gerar este post.



Palmeiras na final do Campeonato Paulista
Acompanhei religiosamente a saga do Verdão neste ano, desde a pré-temporada até o desfecho na Copa do Brasil. O destaque do 1º semestre foi a boa campanha no Paulistão, com direito a  vitórias sobre São Paulo (por 3x0, com direito a golaço do meio-campo de Robinho) e Corinthians (nos pênaltis, em pleno Itaquerão, graças ao incrível goleiro Fernando Prass). Infelizmente o Palmeiras perdeu a final para o Santos, também nos pênaltis; sofri bastante assistindo a esse jogo, pois o título esteve bastante próximo. Eu teria que esperar mais sete meses para ver meu time fazer valer as inúmeras contratações e sair do jejum de títulos ...



Blur lança álbum após 12 anos
A melhor banda britânica dos anos 90, após muita expectativa dos fãs (ainda mais depois das turnês mundiais de 2009 e 2012-13 e do single "Under the Westway"), anunciou em Fevereiro que, dentro de dois meses, seria lançado The Magic Whip, o primeiro disco desde Think Tank (2003), sendo que o último com a formação completa havia sido 13, de 1999.
Os clipes que iam sendo divulgados a conta-gotas foram me agradando, principalmente os de "Go Out" (com seu baixo potente e estilo dançante e hipnótico, algo como uma "Girls & Boys" versão Hong Kong) e de "Lonesome Street" (uma das mais cativantes melodias da história da banda). 

Comprei o disco na semana de lançamento e gostei muito de todas as demais faixas, principalmente de “New World Towers” (notável como Albarn e cia. conseguem combinar bem crítica social com introspecção), “I Broadcast” (que remete à urgência e ao bom humor de certas canções dos discos de 1993-95) e “Ong Ong” (extremamente viciante, passei dias com o refrão dela grudado na minha cabeça - ainda mais depois que lançaram um clipe divertidíssimo).
Enfim, The Magic Whip é um álbum que melhora a cada audição; não é uma obra-prima como Modern Life is Rubbish (a brilhante reação da banda ao grunge e à americanização da cultura britânica), Parklife (o disco que definiu uma geração) ou Blur (o meu favorito, pois tem letras mais intimistas e sonoridade bem eclética), mas está no mesmo patamar dos ótimos The Great Escape, 13 e Think Tank. Não ouvi muitos discos novos em 2015, mas dos que escutei posso dizer que The Magic Whip foi meu preferido.

Greve nas federais, confusão na UERJ
Tive que interromper durante duas semanas meu curso de Sociologia Geral para os calouros da turma noturna de Filosofia devido à ameaça de greve na UERJ. Fiz o possível para manter as aulas, mas depois que houve quebradeira num confronto entre estudantes e policiais no dia 11 de Maio, não tive outra opção senão adiá-las. 
Apesar de tudo, gostei muito de lecionar para essa turma; foi a melhor para quem já dei aula, junto com a de Psicologia no 2º semestre de 2013. Destaque para as aulas sobre Marx, Merquior e Gusmão, que renderam bons debates.

Mudança de tema
Falando em José Guilherme Merquior, no dia 5 de Maio decidi que iria fazer minha tese de doutorado sobre ele ao invés de Thomas Mann. O estopim foi uma conversa que tive com os meus "companheiros" de Beemote, principalmente o Christian e o Paulo.

XTC, a minha banda de 2015
Eu já gostava desta bandas desde 2008, mas passei a ouvi-la bem mais depois que comprei vários CDs deles na Livraria Cultura e no Mercado Livre - a coletânea dupla Fossil Fuel (1996), a obra-prima Skylarking (1986), o ambicioso English Settlement (1982), o réquiem Apple Venus, vol. 1 (1999), o eletrizante Drums and Wires (1979) e a antologia do Dukes of Stratosphear (1987).
Sobre Skylarking, fiz até um post no Facebook:
"Numa linhagem de álbuns conceituais com melodias pop e letras inteligentes que vai dos Beatles (Sgt. Pepper's) e Kinks (Village Green Preservation Society, Arthur, Lola) até o Blur (Modern Life, Parklife, Great Escape), existe uma banda não tão famosa quanto estas três, mas que gravou alguns dos melhores álbuns dos anos 80: o XTC. Um deles é Skylarking, que apresenta um ciclo de vida e morte, dia e noite, amor e solidão, contendo canções geniais como "The Meeting Place", "That's Really Super, Super, Supergirl", "1000 Umbrellas", "Big Day" e "Dear God"."
A propósito, Dear God foi um pretexto para um pequeno texto que publiquei no blog em meados de Maio.

Franz Ferdinand + Sparks
O que acontece quando a melhor banda de art rock da década passada se une a uma das melhores bandas de art rock da grande safra dos anos 70? Um dos melhores discos do ano, é claro! O supergrupo FFS (um acrônimo de Franz Ferdinand e Sparks) lançou um álbum homônimo que se destaca não só pelas canções criativas, mas também pelos clipes debochados, como o de "Piss Off", algo do tipo "Mortal Kombat meets Ninja Rangers on drugs".
Comprei o disco assim que foi lançado no Brasil, em Julho. Ele é mesmo sensacional; juntou os trunfos dos escoceses (as melodias grudentas, o vocal de Kapranos, o tom debochado e o ritmo dançante) com os pontos fortes do duo americano (os títulos criativos, as letras inteligentes e a sonoridade bem anos 70). 
Entre as melhores faixas estão "Johnny Delusional", "Call Girl", "Piss Off", "Sõ Desu Ne" e "Collaborations Don't Work", cuja letra é de uma metalinguagem hilária:
"Mozart didn't need a little Haydn to chart
Warhol didn't need to ask De Kooning 'bout art
Frank Lloyd Wright always ate à la carte
Wish I'd been that smart"

Copa América, Mundial Sub-20 e Copa do Mundo Feminina
Entre Junho e Julho respirei futebol; além da ascensão do Palmeiras no Brasileirão (depois que Marcelo Oliveira se tornou técnico da equipe, foram 6 vitórias em 7 jogos; chegamos a ficar em 3º lugar, a 2 pontos do Corinthians e 4 do Atlético!), assisti assiduamente aos jogos das seleções brasileiras na Copa América, no Mundial Sub-20 e na Copa do Mundo feminina. 
Na primeiras delas a seleção treinada por Dunga jogou tão mal que torci para ela perder para o Paraguai nas quartas; aliás, pelo visto sou pé-quente em "contra-torcida"; vide as Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014, quando também "azarei" o Brasil, rs.
No Sub-20 o escrete canarinho fez uma boa campanha, com direito a duas vitórias nos pênaltis contra as fortes seleções do Uruguai e de Portugal. Na final, contudo, a equipe não foi páreo para a forte defesa e os contra-ataques mortais da Sérvia. De toda forma, o saldo foi positivo, e jogadores como Gabriel Jesus saíram bem cotados.

Aniversário surpresa
Eu queria fazer uma festa de aniversário com meus amigos no apartamento, porém achava melhor fazer no dia 30, uma terça-feira, ao invés do dia oficial, 29, uma segunda. Sem que eu soubesse, a Carolina adicionou todos os amigos que estavam no evento do FB que criei e combinou com eles de fazer uma festa surpresa; nas palavras dela, "roubou meus convidados".

Artigo na Nabuco

Cabaret
Convidado pela Camila, assisti a um show do Cabaret semana passada com ela, Victor, Leo, Caio e Cristiano. Foi uma performance incrível! Márvio (que também é editor de esportes d'O Globo) é um vocalista muito carismático e irreverente, e o resto da banda demonstrou muita técnica e feeling - nem sei dizer se curti mais o baixo, a bateria ou as guitarras!
Assim que acabou o show comprei "A Paixão Segundo Cabaret", o álbum mais recente deles, que é um disco conceitual sobre as fases de uma paixão. 

22 dezembro 2015

De Santos Dumont a Santa Genoveva

Daqui a pouco viajo para Goiânia, onde vou passar minhas férias com a família. 
2015, mesmo que tenha sido um ano ruim para o Brasil e o mundo, ainda guardou bons momentos para mim: comecei a dividir um apartamento com um amigo (e, a partir de Dezembro, a dividir o meu quarto com minha namorada); fiz ótimas matérias no IESP, UERJ, Colégio do Brasil e PUC; viajei para Porto Alegre para participar de um congresso (aliás, não acabarei o ano sem contar como foi lá!); comprei muitos, muitos livros e CDs (meu guarda-roupas já está lotado, rs); comemorei o título do Palmeiras na Copa do Brasil; mudei de tema (Mann -> Merquior), e estou bastante animado com a pesquisa; fui pela 2ª vez a um show do Morrissey (relato no próximo post!); fui a dois protestos pró-impeachment com meu cartaz do Pessimildo; publiquei um artigo na revista Nabuco etc.
Espero aproveitar as férias para adiantar ao máximo meus trabalhos finais de disciplina (até como forma de compensar a procrastinação que marcou meu 2015 acadêmico, rs), ler bastante e, é claro, jogar muito videogame com meus irmãos!

20 novembro 2015

"Domingo", o disco subestimado dos Titãs


Já contei a história de como comecei a ouvir Titãs em um post do ano passado. Hoje vou analisar o primeiro CD deles que comprei, mais precisamente em 1º de Maio de 1996: Domingo, que foi lançado em Novembro de 1995. 
Obs.: Não consegui encontrar a data exata do lançamento, mas imagino que tenha sido em 20/11, pois foi uma segunda-feira e no dia seguinte a Folha de S. Paulo fez uma resenha do álbum.


Após a turnê de Titanomaquia (1993), o disco mais pesado dos Titãs - suas canções oscilam entre o grunge e o metal -, a banda entrou em recesso. Os integrantes desenvolveram projetos solo, criaram um selo independente (Banguela, que lançou bandas como Raimundos e Mundo Livre S/A) e um deles até lançou um romance (Bellini e a Esfinge, de Toni Bellott0). Em meio a boatos de que o conjunto estaria acabando - reforçados pelo lançamento da coletânea dupla Titãs 84 94 -, os Titãs se reuniram em Abril de 1995 para começar a trabalhar em seu 8º álbum de estúdio. 
Após quatro meses de pré-produção, a banda foi para o estúdio ser novamente produzida por Jack Endino, responsável por Bleach (Nirvana) e pelo próprio Titanomaquia. Endino sugeriu que a banda voltasse a tocar canções pop com arranjos roqueiros, ao invés da sonoridade suja dos dois álbuns anteriores (Tudo Ao Mesmo Tempo Agora, de 1991, e Titanomaquia): "Quando começamos a discutir sobre a gravação de 'Domingo', eu disse a eles: 'há sempre boas músicas de pop e rock em seus álbuns. Vocês não são uma banda de heavy metal, e sim uma banda de rock com boas músicas. Vamos fazer um disco de rock sólido que todos possam curtir. Vamos tentar algo diferente, mas tendo a certeza de que será bom'. Eles já estavam pensando a mesma coisa." 
Outro motivo para essa guinada sonora foi que o interesse dos Titãs por um rock mais pesado já havia se exaurido - não só pela turnê anterior, em que chegaram a excursionar com o Sepultura, mas também porque Sérgio Britto e Branco Mello lançaram um projeto paralelo chamado Kleiderman, marcado por canções rápidas e agressivas.
Domingo de fato é um retorno às origens; seus refrões e riffs grudentos estão mais próximos de Titãs (1984) e Televisão (1985) do que dos álbuns mais pesados da banda, como Cabeça Dinossauro (1986). Outro ponto de referência foi Õ Blésq Blom (1989), até então o disco mais eclético da banda (e, na minha opinião, o melhor); em Domingo foi incluída uma letra de Mauro e Quitéria, adaptada por Sérgio Britto em "Rock Americano". Britto, aliás, foi o principal compositor deste álbum: ele assina 12 das 14 faixas (sendo que duas são adaptações: "Um Copo de Pinga" e "Rock Americano"); as únicas exceções são o cover "Eu Não Aguento" (da banda Tiroteio) e "O Caroço da Cabeça", composta por Nando Reis, Marcelo Fromer e o paralama Herbert Vianna.

Vamos a uma análise faixa-a-faixa:
1. Eu Não Aguento: o início da canção, assim como seu clipe, fazem uma homenagem aos Secos e Molhados. Em seguida o arranjo fica mais pesado, mas com um refrão pegajoso. Colocar essa faixa para abrir Domingo foi uma boa idéia, pois é uma transição do peso de Titanomaquia para o pop rock que predomina neste CD de 95. A participação de Sérgio Boneka no final é um momento divertido.
2. Domingo: a faixa-título é a mais viciante deste álbum. A letra é uma irreverente crítica do tédio que predomina neste dia da semana, com direito a alusões ao Programa Silvio Santos e ao comércio fechado. O riff é inesquecível, um dos melhores da história da banda. Destaque também para os vocais de Paulo Miklos. 
"É dia de descanso / Nem precisava tanto (...) Domingo eu quero ver o domingo acabar"
3. Tudo O Que Você Quiser: canção pop com letra romântica, mas acelerada o bastante para não destoar do resto do álbum. Recebeu alguns remixes no relançamento de Domingo em 1996, mas nenhum tão bom quanto a original, que aliás nem é uma das melhores do disco.
4. Rock Americano: parece uma continuação de "Miséria", canção de Õ Blésq Blom que tinha trechos de canções de Mauro e Quitéria. A letra é nonsense, mas gosto do ritmo: repare na linha de baixo, nas viradas da bateria e nos solos de guitarra.
5. Tudo Em Dia: única parceria com o ex-titã Arnaldo Antunes, contém uma sutil crítica social ao padrão de vida da classe média brasileira de meados da década de 90, cheia de contas para pagar, burocracias para resolver e anseios por prazeres mundanos. 
"Vou jantar na melhor churrascaria / Vou pedalar domingo na ciclovia (...) Vou ter CIC, eleitor, reservista, RG / Automóvel, TV / Crediário, poupança, carnê / Tudo em dia"
6. Vámonos: uma das canções mais divertidas e irreverentes já escritas pelos Titãs. A letra em espanhol é repleta de palavrões e deboches. Se há algum alvo, possivelmente é o olhar dos gringos em relação às bandas latino-americanas. O riff é ensolarado, e a "bridge" é deliciosa. 
"No les gusta mi color / No les gusta como hablo (...) Si nos tratan como putas / Si nos tratan como perros / Vamos, vamos, vámonos"
7. Eu Não Vou Dizer Nada (Além Do Que Estou Dizendo): eis uma das grandes letras de Domingo. Há vasta metalinguagem, com referência a canções antigas da banda; nesse sentido, "Eu Não Vou Dizer Nada" é uma herdeira de "Nem Sempre Se Pode Ser Deus" e uma precursora de "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana". Destaque para a participação do paralama João Barone como segunda bateria. 
"Eu não vou falar de flores / E nem da televisão / Eu não vou falar de nada / E isso é só o que basta / Pra fazer esta canção"
8. O Caroço da Cabeça: a única faixa cantada por Nando Reis tem um tom meio reflexivo, meio otimista que é típico de suas composições. Mais uma participação especial: o solo é de Herbert Vianna! 
"E os ossos serão nossas sementes sob o chão / E dos ossos as novas sementes que virão"
9. Ridi Pagliaccio: assim como "Vámonos", temos aqui outra música em língua estrangeira e com letras e arranjos descontraídos; a propósito, gostei do sax de Paulo Miklos. Branco canta em italiano versos hilários como: 
"Ridi - non c'é diferenza /  Ridi - a me non me importa / Ridi - co munque é lo stesso (...) É meglio che sia cosi / Ridi di piu, ridi di piu / Figurati!"
10. Qualquer Negócio: outra letra inteligentíssima. Um retrato ácido do tom apelativo das propagandas comerciais que circulavam na TV brasileira em meio à euforia econômica pós-Plano Real; ridiculariza-se até a febre dos importados ("Os Cavaleiros do Zodíaco estão aqui"). Um trecho macabro de "Qualquer Negócio" é quando se "noticia" a morte, prisão, desaparecimento ou seqüestro de cada um dos titãs (inclusive Arnaldo Antunes!); pode ser uma alusão direta ao episódio da prisão de Toni e Arnaldo em 85, mas também um comentário geral sobre a cobertura sensacionalista da imprensa sobre as celebridades.
"Dinheiro é bom, dinheiro é bom até assim / Ainda é muito bom mesmo quando é ruim / Se você não provou, um dia ainda vai provar / É fácil dizer, difícil é acreditar / E quem é que quer ver as coisas como realmente são?"
11. Brasileiro: outra ponte sonora com Titanomaquia (inclusive conta com as participações de Andreas Kisser e Igor Cavalera, integrantes do Sepultura) mas com versos lacônicos que descrevem a "brasilidade". 
"Fale português / Troque de canal (...) Pule o carnaval (...) Jogue futebol / Queime sua pele / Debaixo do sol"
12. Um Copo de Pinga: vinheta que deve ter sido colocada pelas sessões descontraídas em que surgiu. De toda forma, temos aqui a saga de um cachaceiro.
"No sábado eu amanheço bebendo / No domingo minha mãe disse meu filho pára de beber / Essa sina eu vou cumprir até morrer"
13. Turnê: canção autobiográfica, alude às cansativas excursões a que a banda era submetida - principalmente entre 1987 e 90, sob a batuta do empresário Manoel Poladian; aliás, ele voltou a agenciar os Titãs na turnê de Domingo, e faria a banda chegar a fazer mais de 100 shows por ano na época do Acústico (1997). 
"Um dia cospem na minha cara / Um dia beijam a minha mão / Meia hora pra dormir / Isso é tudo o que me dão"
14. Uns Iguais Aos Outros: eis uma letra politizada, relembrando os tempos de Cabeça Dinossauro e Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas (1987). A parceria de Miklos e Britto nos vocais remete a "Miséria" e "Deus e o Diabo", duas ótimas canções de Õ Blésq Blom. Um dos pontos fortes desta faixa é a bateria de Charles Gavin. O apelo humanitário de seus versos, em um mundo eternamente marcado pela guerra e pela intolerância, nunca perde a atualidade. 
"Todos os homens são iguais / Brancos, pretos e orientais / São todos iguais no fundo, no fundo / As mulheres são os pretos do mundo (...) Gays, lésbicas, homossexuais / Todos os homens são iguais"

Devido ao sucesso de Domingo, que em poucos meses superou as vendas de Titanomaquia, o álbum foi relançado em 1996, com 4 faixas-bônus: os já mencionados remixes de "Tudo O Que Você Quiser", além de "Pela Paz" (canção escrita em 1985, mas só lançada uma década depois; a propósito, recentemente ela foi relançada como 1º single de Nheengatu Ao Vivo) e do remix eletro-acústico (!) de "Eu Não Vou Dizer Nada" (produzido por Liminha, retomando a parceria vitoriosa dos anos 80 e preparando o terreno para o Acústico, que também seria produzido pelo ex-baixista dos Mutantes).

Com tudo que descrevi acima, fica difícil acreditar, mas Domingo é um dos álbuns menos badalados dos Titãs. Embora não seja uma obra-prima como a trilogia Cabeça - Jesus - Õ Blésq Blom, a meu ver ele está bem acima de discos como A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana (2001), Como Estão Vocês (2003) e Sacos Plásticos (2009), e no mesmo patamar do recente Nheengatu (2014) - eis a minha resenha dele - e de Televisão, Tudo Ao Mesmo Tempo Agora e Titanomaquia. Ao contrário destes três últimos, que após uma má recepção inicial (Televisão, devido à produção irregular de Lulu Santos e sua falta de direcionamento estético; os outros dois, pelas letras escatológicas e sonoridade pesada) cresceram na opinião dos fãs ao longo dos anos - veja, por exemplo, essa boa análise de Cleber Facchi no Miojo Indie -, Domingo continua sendo visto como um patinho feio da discografia titânica, um "álbum de ocasião". 
Tal opinião negativa é compartilhada até por um titã: na época do lançamento deste disco, Sérgio Britto chegou a desmerecê-lo em uma entrevista, dizendo que a falta de comprometimento de alguns integrantes (em particular Nando Reis, que estava divulgando seu disco solo 12 de Janeiro) prejudicou o resultado final; como afirmei acima, Britto foi o principal compositor de Domingo, o que, segundo o livro A Vida Até Parece Uma Festa (Hérica Marmo e Luiz André Alzer), o levou a lutar pelo fim da assinatura coletiva das canções (isto é, simplesmente como "Titãs") que havia prevalecido nos dois álbuns anteriores. 
Jack Endino é um dos poucos que saiu em defesa do disco: "É o álbum dos Titãs que mais gosto e ainda guardo ótimas memórias de todo o processo de trabalho."
Minha opinião, contudo, é que, em seu ecletismo e sensibilidade pop rock, Domingo é sim um ótimo álbum. Há boas letras (principalmente "Qualquer Negócio", "Eu Não Vou Dizer Nada" e "Tudo em Dia"), melodias cativantes (em particular as de "Eu Não Aguento", "Domingo" e "Vámonos") e ligações interessantes com trabalhos anteriores da banda (p.ex., "Rock Americano"). 20 anos depois, é um disco que merece ser redescoberto.

05 novembro 2015

Remember the Fifth of November

Hoje não resisti e fiz mais compras: 
1) o livro A Alma e as Formas (Lukács), um dos clássicos da Kulturkritik no século passado. Possui ensaios belíssimos, como o sobre Kierkegaard;
2) Mutantes (1969) e Mutantes e seus Cometas no País do Baurets (1972), os dois CDs dos Mutantes em sua formação original que me faltavam (na verdade acabei comprando três; renovei meu Jardim Elétrico [1971], já que eu tinha a edição de 92); eu já tinha, além desses três, Os Mutantes (1968) e o meu favorito, A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado (1970).
[Em off: acabei de levar um susto porque a faixa "Dom Quixote" travou num trecho; mas, limpei o CD e está tudo ok. Ufa!]
Para quem duvida que a remasterização de 2006 dos CDs dos Mutantes ficou melhor que a de 1992, eu digo: a diferença é nítida. Vale a pena. O baixo de "Top Top", por exemplo, fica bem mais poderoso. Foi a mesma sensação que tive ao ouvir o remaster 2009 dos Beatles.


Agora terminou a temporada de gastos com livros e CDs. Vou fazer que nem no mês passado: passar vários dias escrevendo em casa para não sair muito, rs.

P.S.: Ah, hoje é aniversário do meu melhor amigo, o Gino. Parabéns! =)

04 novembro 2015

Do Leblon ao Centro

Deixo para contar no próximo post as coisas que fiz em Agosto e Setembro. Também fica para a próxima contar do show dos Los Hermanos (e do Pato Fu) em que fui de última hora, no domingo passado.
Vou contar como foram meus dois últimos dias, para resgatar uma tradição do blog, quebrando assim a "hegemonia" das retrospectivas mensais que eu andava fazendo por aqui. Resisti à tentação de fazer tweets, pois sinto que preciso escrever mais, não posso me restringir à concisão do Twitter.

Ontem fui à Travessa do Leblon para o lançamento de A Poeira da Glória (Martim Vasques da Cunha). O bate-papo com o autor foi muito bom; gostei de ver que ele usou Mario Vieira de Mello como inspiração teórica (inclusive para sua análise sobre Machado de Assis), e o capítulo do livro dele sobre José Guilherme Merquior ("O Príncipe dos Sonâmbulos", pp. 548-560) é controverso (ele questiona o excessivo racionalismo de Merquior), mas instigante. A palestra me permitiu entender melhor o pano de fundo das críticas dele ao José Guilherme e ao Machado. Depois da noite de autógrafos, Alex, Flávio, Martim, eu e os demais fomos para o pub Escondido, em Copacabana. A conversa se prolongou até uma da manhã.
Antes do lançamento fiquei mais de uma hora na livraria procurando CDs e livros. Acabei comprando, além de A Poeira da Glória, uma coletânea dupla do R.E.M. (Part Lies, Part Heart, Part Truth, Part Garbage: 1982–2011) que eu queria adquirir há tempos, mas estava esperando achar em um preço razoável.

Hoje de manhã fui à UERJ entregar um formulário no departamento de Extensão, e depois peguei um metrô até a Cinelândia. A "comeback reunion" do laboratório de História e Literatura, que aconteceria às 16h no IFCS (obs.: o autor que leremos neste novo ciclo é Lionel Trilling!), foi o pretexto para que eu fizesse minha excursão mensal pelos sebos e livrarias do Centro. Comecei pela Livraria Cultura, onde comprei o novo disco do New Order (Music Complete) e o primeiro livro do Martim (Crise e Utopia: o dilema de Thomas More) - dei sorte, pois era o último exemplar na loja.
Depois de almoçar no Bob's, fui ao sebo Berinjela, e saí de lá com o CD Brighten the Corners (Pavement) - que tem a minha favorita deles, "Shady Lane" - e o livro Figuras da Inteligência Brasileira (Miguel Reale) - cujo capítulo final é sobre o Merquior. 
A loja ao lado do Berinjela é a tradicional Livraria da Vinci; comprei duas edições da revista Dicta & Contradicta (a 4ª e a 6ª; a propósito, eu já tinha a 2ª, a 3ª, a 8ª e a 9ª) e uma edição em espanhol do ótimo livro Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário (Carlos Rangel); aliás, estou pensando em levá-lo para a próxima aula de Pensamento Social Latino-Americano e perguntar ao professor se ele conhece e/ou o que ele acha do Rangel...
O prédio do IFCS é contíguo às duas lojas do sebo Letra Viva. Ao contrário da última vez em que fui lá, quando comprei A Astúcia da Mímese (Merquior) e 4 CDs (coletâneas de Talking Heads, Ira! e Green Day e o Acústico MTV de Cássia Eller), hoje levei só dois discos: a trilha sonora de 24 Hour Party People (eu já tinha esse álbum, mas havia um defeito no CD quando tocava "She's Lost Control") e Isopor (Pato Fu), que tem uma das minhas prediletas (e, já antecipando o relato do show, foi a que eu mais dancei nele): "Made in Japan".
Por fim, fui ao IFCS e li um pouco, mas depois de estranhar que ninguém do laboratório chegava, fui à secretaria e descobri com uma colega que a reunião havia sido cancelada de última hora... Bom, essa notícia só não foi tão frustrante porque pelo menos o passeio pelas livrarias e sebos valeu a pena!

31 outubro 2015

Estudos, temas para futuro post e música

Passei a semana inteira fichando, lendo e escrevendo um ensaio sobre Lukács e Merquior que vou apresentar mês que vem no GT de Teoria e Pensamento Social da Jornada PPGSA, um congresso de Sociologia que haverá no IFCS/UFRJ. Procrastinei muito (muito mesmo!), mas ontem à noite finalmente veio a inspiração e fiquei orgulhoso do resultado. Assim que eu o apresentar vou colocar o link aqui no blog e no meu Academia.edu.
Ainda tenho um trabalho de disciplina para terminar, sobre Ariel (Rodó) e a crítica que Merquior faz do arielismo. Assim que eu acabá-lo, vou escrever junto com um amigo um artigo sobre Ernest Gellner, provavelmente sobre as relações que ele vê entre marxismo e pós-modernismo.
Embora Outubro tenha sido um mês menos agitado, Agosto e Setembro foram o oposto disso. Ainda preciso escrever no blog sobre o Fórum de Ciência Política na UFF, minha qualificação, as matérias que peguei esse semestre, o divertido protesto contra o governo em Copacabana em agosto, o aniversário de 3 anos de namoro com a Carolina, a viagem para Porto Alegre no mês passado (foi ótima!), o Seminário Interno do IESP/UERJ, o documentário sobre José Guilherme Merquior na ABL, as eleições para o DCE na UnB (que acompanhei à distância, mas com a empolgação de sempre)... Enfim, o próximo post será caprichado!
P.S.: Anteontem completaram-se 10 anos da minha conta no Last.FM. Foi um bom pretexto para fazer um novo mix no 8tracks, com canções das 30 bandas que mais ouvi nessa década.

09 setembro 2015

De volta a Porto Alegre

Pela 5ª vez viajarei para a capital gaúcha; desta vez, para apresentar um trabalho sobre o pensamento político de Hayek e Merquior no I Seminário Internacional de Ciência Política.
O mês de agosto foi bem atribulado: viagem de volta ao Rio, apresentação sobre Jünger e Schmitt no IV Fórum Brasileiro de Ciência Política, entrega de trabalhos, qualificação do projeto de tese (falarei mais sobre ele no próximo post), protesto contra a Dilma e o PT em Copacabana (levei um cartaz: "Pessimildo tinha razão", rs), eleição para representante discente no IESP (como havia poucos candidatos fui eleito sem precisar fazer campanha)...
Setembro começou com uma apresentação sobre O conceito de cultura no pensamento social de José Guilherme Merquior no I Seminário Interno dos estudantes do IESP/UERJ e meu aniversário de 3 anos de namoro com a Carolina. Nos presenteamos com chocolates (comprei vários para a Carol na Kopenhagen) e livros (eu dei a ela o 8º volume das Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell, e ela me presentou com Formalismo e Tradição Moderna, do Merquior).
Enfim, daqui a pouco pego meu vôo para Porto Alegre. Tomara que seja mais uma boa estadia na capital gaúcha!

02 agosto 2015

10 anos de Racio Símio - parte 2

Com um dia de atraso, completo hoje a retrospectiva "biobibliográfica" de Racio Símio.

Antes, uma recapitulação: nos cinco anos em que mais escrevi no blog (afinal 2/3 d0s 803 posts foram escritos entre 2005 e 2009), o tom dos posts era predominantemente intimista. Racio Símio era meu diário, mas também o lugar em que eu "filosofava", expunha minha agonia e meu êxtase e discutia de forma bastante impressionista sobre literatura, música e cultura pop.
A partir de 2010 o blog começou a mudar um pouco. Comecei, por exemplo, a postar fichamentos e resumos das reuniões do projeto de extensão que criei naquele ano, o grupo Estudos Humanistas (GEH). A quantidade de postagens caiu, mas felizmente a qualidade subiu: os textos, quando vinham, eram mais elaborados. Mesmo os "desabafos" não tinham aquela puerilidade tão recorrente nos posts de 2005 e 2006. Sinal de amadurecimento, mas também de adaptação do blog a uma fase da minha vida em que eu não era mais tão solitário (e misantrópico): primeiro em Brasília com os amigos da UnB (principalmente os dos Estudos Humanistas) e depois no Rio com minha namorada e os amigos liberais e os do IESP, eu passei a ter com quem compartilhar meus pensamentos, dúvidas, angústias e idéias aleatórias. Sendo assim, não precisava mais ficar "falando sozinho" (ou para um público anônimo e difuso) aqui no blog. Não quero dizer com isso que passei a valorizá-lo menos; apenas me tornei mais seletivo com os conteúdos que postava aqui.
Prossigamos, portanto, com a jornada da obra e do autor.

Em 2010 tive as melhores férias de verão dos quatro anos que morei em Brasília (e uma das melhores da minha vida). Durante dois meses minha rotina semanal consistia basicamente em ter aulas de Crítica Literária de manhã e Francês de tarde (além de reuniões semanais do PET-POL); no tempo livre, comecei a sair para mais festas (chegou-se a um ponto em que eu era o "conselheiro de baladas" dos meus amigos, rs) e, como já foi dito acima, me reunia com o pessoal do GEH. Alguns posts representativos daquele ano excelente são: The Kaio's Vida NoturnaAuf Achse, Karamazov - parte 2, Cinco anos! - parte 2, Days of Our Lives e 2010 is over. Ah, e foi naquelas férias que assisti pela 1ª vez a Neon Genesis Evangelion, o meu anime favorito (ao lado de Os Cavaleiros do Zodíaco). Em Janeiro escrevi um post com minhas impressões imediatas, e meses depois, já pelos Estudos Humanistas, fizemos uma reunião sobre EVA. Ambas anotações seriam a base para um artigo acadêmico que eu escreveria dois anos depois. 2010 foi um dos anos mais politizados da minha vida: participei ativamente do movimento anti-greve estudantil e representei a Aliança pela Liberdade no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Também foi um ano bem musical: discotequei em algumas festas, conheci bandas novas (obs.: embora o "essencial" do meu gosto musical tenha sido formado em 2005, de vez em quando ele expande um pouco - ainda que mais horizontalmente do que verticalmente, rs) e em Novembro tive um fim de semana incrível em São Paulo, no qual fui pela 1ª vez ao festival Planeta Terra e assisti a um show de Paul McCartneyPor fim, embora tenha sido em 2009 que defini o tema da minha monografia (os debates político-ideológicos no romance A Montanha Mágica, de Thomas Mann), foi no ano seguinte que escrevi meu primeiro artigo sobre este livro; eis uma versão preliminar dele.
2011 manteve as "good vibrations" do ano anterior, embora com um adendo significativo: era meu último ano de UnB. Dando prosseguimento a algo que eu já fizera no 2º/2010 (quando cursei Introdução à Teoria da Literatura e Evolução das Idéias Econômicas e Sociais) peguei várias matérias em outros departamentos (História das Idéias - aliás, eis meu ensaio final para uma inusitada disciplina sobre a Geração Beat e a contracultura -, Estética, Teoria da História, Filosofia da Arte etc.) para aproveitar ao máximo meus últimos meses de graduação; eis um relato singelo sobre esse objetivo. Nesse sentido, também escrevi um texto refletindo sobre a importância de uma formação generalista. O projeto Estudos Humanistas seguiu adiante, e além de colóquios, grupos de estudos e atividades em escolas de ensino médio organizamos várias palestras, dentre elas uma dos professores Kramer e Paim sobre o Liberalismo que lotou o auditório Joaquim Nabuco. Por uma ironia do destino (ou predestinação), estou estudando atualmente o autor homenageado naquela conferência: José Guilherme Merquior... Os meses de Setembro e Outubro (em dois posts) foram os melhores daquele ano, concentrando os maiores e melhores acontecimentos: a viagem ao Rio de Janeiro para a seleção de mestrado do IESP/UERJ; a aprovação nesta seleção; as várias (e ótimas) festas em que fui; as novas amizades; a vitória da Aliança pela Liberdade nas eleições de DCE; e, por fim, a defesa da monografia sobre A Montanha Mágica. No início de Novembro ainda fui a mais um ótimo Planeta Terra.
2012 tinha tudo para dar errado. Não só por motivos concretos (afinal eu estava me mudando para o Rio de Janeiro e iria morar num quarto de uma pseudo-república, dividindo o apartamento com uma família - e sem poder usar a cozinha!), mas também por razões "místicas" (eu tinha uma teoria de que dois anos empolgantes eram seguidos por um ano difícil, complicado - ex.: 2004 e 2005 bons, 2006 ruim, 2007 e 2008 bons, 2009 ruim, 2010 e 2011 bons...). Durante o 1º semestre a escrita estava se mantendo: após uma aproximação do cristianismo, entrei em uma crise de fé; tive dificuldades financeiras, principalmente em Maio e Junho; durante dois meses e meio estive em um namoro à distância que foi bastante turbulento; não conseguia encontrar um orientador no IESP (e os dois melhores professores estavam de saída para a PUC); após um início promissor, comecei a me distanciar um pouco da maioria dos meus colegas de turma. Eu estava me sentindo num abismo. As férias daquele ano, contudo, começaram a quebrar a "maldição": o Politeia 2012 foi talvez a melhor edição desse "RPG legislativo" da qual participei; até a festa de encerramento foi muito boa. No dia 10 de Agosto, na última balada na qual fui antes da volta às aulas, conheci a minha namorada. Consegui um orientador. Mudei um pouco de posição político-ideológica: deixei de ser libertário e me tornei um liberal-conservador. Entrei em uma fase academicamente bem prolífica, com direito a um artigo sobre a questão do niilismo segundo meus dois romancistas favoritos. Fui a uma edição do Planeta Terra na qual tocou Suede, uma das minhas bandas prediletas. Em Novembro viajei com a Carolina para Petrópolis e fomos a um show dos Titãs (aliás, ela virou minha companheira de shows, pois antes mesmo de "oficializarmos" o namoro assistimos a uma performance da Plebe Rude).
2013 foi marcado pela ansiedade em relação à seleção de doutorado - dentre outros motivos, porque ela determinaria minha permanência no Rio de Janeiro. Mesmo assim, foi um ano bem produtivo do ponto de vista acadêmico (escrevi e publiquei vários artigos), e "turístico" (viajei pelo Brasil inteiro para ir a congressos em cidades como Porto Alegre e Curitiba), além de ótimo na vida afetiva (o namoro com a Carol só melhorava com o tempo). Estava, contudo, tão atribulado com a dissertação de mestrado que, tal como em 2009 (mas por motivos bem diferentes, é claro), fiquei três meses sem escrever no blog. Dentre as principais contribuições estão: uma lembrança do show do New Order que acabou se tornando um retrato de minha angústia pré-seleções de doutorado; a longa e inesquecível performance do The Cure no Rio; meu relato do tão aguardado show do Blur no Planeta Terra; e, é claro, a tradicional retrospectiva de fim de ano.
2014 foi um ano mais complicado. Após um início tranqüilo, com direito a textos sobre o seriado Freaks and Geeks e o último episódio de How I Met Your Mother, percebi que era bem pesado fazer dois doutorados (Sociologia no IESP e História ns PUC) ao mesmo tempo; essa dupla jornada me deixou bem cansado, principalmente no 2º semestre. No fim do ano acabei trancando (na verdade, pedindo afastamento) o da PUC. Atualizei pouco o blog, e mesmo o post de 31/12 foi bem sucinto; além disso, há dois posts inacabados que mostram como eu não consegui me organizar bem para escrever aqui: um relato do Lollapalooza e um roteiro de temáticas relativas aos meses de Agosto e Setembro sobre as quais eu iria escrever. O único momento do ano em que publiquei bastante foi entre Junho e Julho, graças à espetacular Copa do Mundo: eis todas as análises que fiz da "Copa das Copas". Em compensação, não escrevi nada aqui sobre as eleições presidenciais; em compensação, postei freneticamente no meu Twitter durante aqueles dramáticos três meses.
Em 2015, após três anos morando em quartos e repúblicas, finalmente comecei a dividir apartamento com um amigo, no Catete/Flamengo. Essa "estabilidade imobiliária" me ajudou em vários âmbitos da minha vida: estudos, alimentação, entretenimento (p.ex., estou ouvindo mais CDs), namoro (inclusive porque agora moro mais perto da Carolina - dá até para ir a pé até Botafogo!) etc. Escrevi pouco em Racio Símio; na escassa produção deste ano, os destaques são um post consternado com a decadência das universidades brasileiras, um de aniversário falando sobre minha "evolução" nos últimos 5 anos e três posts de temática musical: um sobre Pavement, outro sobre o Lollapalooza 2015 - que, desta vez, acompanhei pela TV - e, por fim, um mais reflexivo sobre XTC.

À guisa de conclusão, espero que este blog sobreviva pelo menos mais dez anos para que eu possa escrever outra retrospectiva como essa. Foi muito prazeroso relembrar tantas estórias!

31 julho 2015

10 anos de Racio Símio - parte 1

Hoje completa-se uma década desde que comecei este blog.
Embora eu não esteja atualizando-o tanto nos últimos três anos quanto na "era de ouro" (2005-2008) ou mesmo na "renascença" dele (2010-2012), ele ainda é uma parte muito importante da minha vida. Sempre que quero escrever um texto muito longo para ser um tweet ou muito pessoal para ser postado no Facebook, o Racio Símio sempre aparece como uma válvula de escape. Para homenageá-lo, então, nada melhor do que escrever sobre ele!

Já em seus primeiros meses o que eu publicava aqui refletia o meu amadurecimento (tanto emocional quanto intelectual). Se o primeiro post era pura revolta adolescente, não demorou muito para que eu começasse a escrever textos dos quais ainda me orgulho, como Comunidade, identidade, estabilidade (que inclusive foi publicado no mês seguinte no Correio Classe, jornal do meu colégio) e Tell me, how do I feel! ("overanalyzing" a canção Blue Monday), e outros que são bem auto-reflexivos, como This is the end... of the month e My Parklife
Passei por várias transformações entre Julho de 2005 e Janeiro de 2006: ampliei consideravelmente meu gosto musical (comecei a ouvir The Smiths, Joy Division, Sonic Youth, My Bloody Valentine etc.) e literário (descobri Dostoiévski, Kerouac, Nietzsche...); mudei de posição ideológica (de um "socialista democrático" me tornei um libertário que, após certa hesitação, se assumiu "de direita"); tive uma paixão-relâmpago (durou apenas três semanas e não foi correspondida, mas para quem já se considerava quase um assexuado, foi um progresso); fiz vários novos amigos na escola, após um 1º semestre em que fiquei meio isolado; passei a me interessar mais por cinema e filosofia.
2006, contudo, veio a ser um ano psicologicamente bem difícil; minhas angústias adolescentes chegaram ao paroxismo, patenteado em textos como Meia-idade na adolescênciaViolently happy?, DeslocadoO Kaio é um idiota e Desordem. Em Maio criei Sofisma Burlesco, um blog secundário que seria sobre música; mas, ele acabou adotando um tom bem intimista e com isso virando uma extensão de Racio Símio, então abandonei-o e voltei para a matriz. A Copa do Mundo foi um intervalo na melancolia que dominou meu humor aquele ano (um dos sintomas desse mal-estar é que as bandas que mais ouvi naquele ano provavelmente foram Joy Division e The Cure); aliás, o título da Itália, seleção que admiro desde criança, não poderia ter vindo em melhor hora. Pouco depois, contudo, uma nova paixão - desta vez por uma garota que eu nem conhecia pessoalmente, mas só pela internet - em meados de Outubro combinou-se com uma transição ideológica mal resolvida (é como aquele crente que, após uma empolgação inicial, entra em crise de fé e começa a ter que provar para si mesmo que está no rumo certo) para gerar textos como Problemas ideológicos (em duas partes) e Sartre, ó Sartre... o mundo não é mais o mesmo. Tive alguns delírios megalomaníacos, como quando criei minha corrente filosófica, o Anfisismo. Nos últimos dois meses daquele ano, meu humor melhorou (além de muita "auto-análise", minha viagem para São Paulo para ver o New Order provavelmente ajudou nisso), e uma transição para uma etapa melhor da minha vida se iniciava.
2007 foi um ano excelente, algo que percebi já naquela época - vide textos como Six Different Ways, Uma carta na garrafa e Dois anos de Racio Símio. Comecei a escrever um romance (ainda possuo um blog no qual coloco rascunhos dele), mas até hoje não o terminei. No mais, li muitos livros (os melhores foram: Política, Aristóteles; A Ciência como Vocação e A Política como Vocação, Max Weber; O Idiota, Dostoiévski; Uma Casa no Fim do Mundo, Michael Cunningham; e O Caminho da Servidão, Hayek), passei no vestibular, minha escrita se aprimorou (as redações semanais no colégio acabaram sendo um bom treino para isso) e nos últimos meses, em meio às específicas para o vestibular da UnB, comecei a me preparar psicologicamente para o me aguardava a partir do decisivo ano seguinte (vide O ano que (ainda) não acabou).
Em 2008, já morando em Brasília, comecei minha graduação em Ciência Política. Pela segunda vez em três anos (afinal mudei de escola do ensino fundamental para o médio), tive que renovar meu círculo social, e a tarefa foi mais fácil do que eu esperava: consegui me enturmar bem com os veteranos do meu curso e os colegas de outros departamentos que conheci nas disciplinas externas; a propósito, eis um resumo dos meus primeiros meses de UnB. Minha adesão ideológica ao libertarianismo chegou ao ápice; li muito Hayek, Mises, Friedman, Ayn Rand etc. Um momento decisivo para minha "formação" naquele ano foi a viagem para a ANPOCS - mas, só fui fazer um relato sobre ela meses depois, em Fevereiro de 2009. Em mais um ano de muitas leituras, finalmente terminei A Montanha Mágica (meu romance favorito até hoje) e fiz um trabalho para a inesquecível disciplina Escrita e Sociedade na América Latina comparando dois dos melhores livros que li naquela época: Ulisses e Grande Sertão: Veredas.
O ano seguinte, entretanto, foi uma espécie de ressaca dos ótimos dois anos anteriores - ou, olhando por outra perspectiva, foi o início turbulento de uma nova fase. Tive uma nova paixão unilateral de curta duração e, apenas poucas semanas depois, houve meu primeiro beijo e começou meu primeiro relacionamento amoroso. Com uma vida afetiva tão movimentada e pouco tempo para refletir sobre tantos acontecimentos, inevitavelmente atualizei bem menos o blog em 2009. Quando o namoro acabou, no fim de Outubro, voltei a escrever bastante em Racio Símio; do final daquele ano os melhores textos são o conto Insatisfação Crônica (dividido em três posts), a retrospectiva Down By The Water e o musical Listen Up!.

Bom, por hoje é só. Amanhã farei um balanço do blog (e de seu autor) de 2010 a 2015.

05 julho 2015

Saudades da Seleção de 2002


Assistir a este compacto dos 18 gols que o Brasil fez na Copa de 2002 me fez ter uma baita saudade do que já foi um dia a Seleção Brasileira. A seleção jogou muito naquela Copa: o Felipão montou um 3-5-2 surpreendentemente ofensivo; o trio Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo teve atuações brilhantes e marcou muitos gols; São Marcos foi um goleiro confiável; havia figuras carismáticas como Vampeta; a vibração no banco de reservas a cada gol era palpável; e, pasmem, até o zagueiro Edmílson fazia golaço! Enfim, era um time tão bom que Romário foi esnobado na convocação - e não fez falta.


Eu torcia com gosto para a Seleção até 2005, ano em que comemorei meu aniversário com uma goleada de 4x1 do Brasil sobre a Argentina na final da Copa das Confederações.
Na Copa do Mundo de 2006, contudo, senti que algo estava errado: aquele "oba-oba" todo no pré-Copa, somado às atuações fracas na 1ª fase (mesmo vencendo todos os jogos), me deixaram desanimado, e impatrioticamente torci pra França nos eliminar e a Itália ganhar aquela Copa. Fui pé-quente, mas mal sabia que naquele 1º de Julho de 2006 começava um período sombrio para a seleção brasileira.
Dunga virou técnico, e contava com um único tipo de jogada (o contra-ataque) para vencer seleções ofensivas como Argentina e Chile - mas penava para equipes retranqueiras como Bolívia e Venezuela. Em 2010 não titubeei e novamente torci contra a Seleção; aliás, quase apanhei dos meus amigos quando a Holanda nos eliminou naquela Copa, rs.
As coisas pioraram mais ainda com o mediano Mano Menezes no comando da seleção brasileira, e perdemos uma Olímpiada em que éramos favoritos absolutos quase que por culpa exclusiva deste técnico.
Luiz Felipe Scolari voltou, e durante a Copa das Confederações de 2013 a seleção até me empolgou (principalmente na final contra a Espanha), mas infelizmente o torneio em que ele e o time fizeram tudo certo não era Copa "pra valer"... um ano se passou, e assim como em 2006, talvez o excesso de confiança tenha impedido que a equipe se preparasse direito. Resultado: a Copa de 2014 viu uma seleção brasileira marcada por desequilíbrio tático, descontrole emocional e más atuações de vários jogadores. Um dia antes do jogo contra a Alemanha tive uma epifania sobre isso e resolvi que apoiaria os germânicos; óbvio que não esperava uma goleada, mas talvez aquele 7x1 tenha sido necessário para expor de forma visceral o estadio calamitoso em que dirigentes, técnicos e jogadores deixaram a nossa Seleção.
Dunga strikes back, para desgosto meu e de todos que desprezam o "pragmatismo", o "futebol de resultados". Felizmente desta vez ele não ganhou uma Copa América, o que talvez aumente a chance de não continuar como técnico até a Copa de 2018. Torço para que até lá seja contratado algum técnico com perfil mais ofensivo, que faça escalações melhores e que tente resgatar pelo menos metade da magia da seleção nessa época áurea, mas não tão distante. Diante da crise da CBF (e do futebol brasileiro em geral, que vive uma entressafra), talvez isso seja pedir demais.

29 junho 2015

Meu XXV Aniversário

Hoje completo 25 anos. 
Gosto muito quando completo idades que são números redondos, pois elas têm cara de marcos cronológicos. Quando completei 10 anos entrei na pré-adolescência, decidi que queria ser jornalista (em perspectiva vejo isso como uma adesão ao Lado Humanas da Força, rs) e tive minha primeira paixão; aos 15 estava no ápice da adolescência, tive minha segunda paixão, mudei de visão política e moldei grande parte do meu gosto cultural (principalmente o musical); e na época do meu 20º adversário estava no meu melhor ano de UnB e comecei a deslocar minhas "preocupações existenciais" da política para a formação humanística.
O que posso dizer, então, do último quinqüênio?
1. Avancei algumas etapas em minha trajetória acadêmica. No meu último ano e meio de UnB dediquei-me ao projeto Estudos Humanistas e à escrita da monografia sobre Bildung e  Liberdade em A Montanha Mágica (Thomas Mann). Em setembro de 2011 viajei para o Rio de Janeiro para fazer a seleção de mestrado do IESP/UERJ, e no início de outubro veio o resultado positivo. Mudei-me cinco meses depois para o Rio, onde continuei minha pesquisa sobre Mann (desta vez sobre o romance Doutor Fausto). Após um 2013 intenso, no qual fui em vários congressos e publiquei vários artigos, concluí minha dissertação sobre A Crise da Bildung em Doutor Fausto em outubro e a defendi no 18 do mês seguinte. Dias depois fui aprovado em duas seleções de doutorado: em Sociologia no próprio IESP e em História Social da Cultura na PUC-Rio. Decidi fazer ambos, mas como a carga de disciplinas estava bem pesada (sem falar na perspectiva de escrever duas teses ao mesmo tempo, rs), no fim de 2014 pedi afastamento do doutorado da PUC para me dedicar durante dois anos exclusivamente ao do IESP. Este ano tomei uma decisão acadêmica muito importante: fazer a minha tese em Sociologia sobre José Guilherme Merquior ao invés de Thomas Mann (cuja pesquisa retomarei quando acabar o afastamento da PUC, em 2017). Estou bastante empolgado com essa mudança temática, afinal Merquior tem uma trajetória inspiradora, e eu o vejo como um role model por sua capacidade de abordar - e com densidade - tantas áreas temáticas (crítica literária, sociologia, teoria política, antropologia...).
2. Na vida amorosa, após passar dois anos solteiro, em 2012 comecei um namoro à distância que durou dois meses e meio, e após me recompor emocionalmente nas férias que passei em Goiânia e Brasília em Julho daquele ano, voltei para o Rio achando que iniciaria um novo ciclo de solteirice. Felizmente eu me enganei, pois logo na primeira festa em que fui na volta ao Rio conheci minha namorada, a Carolina. Pedi-a em namoro no dia 4 de Setembro, no mesmo banquinho de lanchonete Fornalha no qual passamos a manhã depois da festa daquele 10 de agosto. Os últimos 3 anos vêm sendo muito felizes nesse "departamento" da minha vida, rs. Viajamos para vários lugares (Petrópolis, Saquarema, São Paulo...); nos presenteamos com CDs ou livros nos aniversários de namoro/dia dos namorados/aniversários um do outro, sempre com dedicatórias muito bonitinhas... enfim, vou parar, senão este post vai ficar muito piegas, rs.
3. Na esfera política, mudei um pouco. Não foi uma mudança tão radical como a que ocorreu quando eu tinha 15 anos (quando fui da esquerda para a direita - ou, sendo mais específico, de um "socialista democrático" para um libertário), mas sim um amadurecimento. Deixei de ser um libertário meio utópico para me tornar um liberal-conservador de perfil cético. Na "práxis", participei do movimento estudantil pela Aliança pela Liberdade; fui vice-presidente, representante discente no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da UnB e, quando fomos eleitos para o DCE numa vitória histórica em outubro de 2011, fui coordenador de integração estudantil. Depois que me formei continuei ativo na Aliança, como "geronte" (sim, temos um conselho de anciãos, haha). Fico orgulhoso de ver o tanto que a AL cresceu nos últimos quatro anos. E pensar que nos primórdios mal enchíamos uma mesa de sorveteria, rs.
4. No âmbito musical não houve grandes alterações; o essencial do meu gosto foi formado mesmo em 2005-2010. Nos últimos cinco anos, contudo, incorporei algumas bandas a meu cânone: Engenheiros do Hawaii, Teenage Fanclub, of Montreal, Marina & the Diamonds etc. Outras que eu já gostava bastante subiram bastante na minha preferência: Suede e XTC, por exemplo. Fui a festivais e shows muito bons nesse quinqüênio: Porão do Rock 2010 (She Wants Revenge e Pato Fu), Vaca Amarela (Velhas Virgens), Planeta Terra (nas quatro vezes em que fui assisti a bandas como Pavement, Smashing Pumpkins, Interpol, The Strokes, Suede e Blur), Paul McCartney, Bad Religion, Fatboy Slim, Morrissey, Titãs (três vezes), Nada Surf, Franz Ferdinand, Plebe Rude, The Cure, Lollapalooza 2014 (no qual vi, dentre outros, Johnny Marr, Pixies e New Order) e Echo & the Bunnymen. Depois que ganhei um toca-CDs da Carol no Natal de 2013, comecei a comprar os discos que sempre sonhei em ter. Em 2015, aliás, ampliei bastante minha coleção graças ao sebo Baratos da Ribeiro e ao MercadoLivre; a propósito, me dei de aniversário uns 12 CDs (aproveitando uma leva inacreditável que chegou no Baratos), hehe!
5. Por fim, nos "assuntos gerais", posso destacar: a gradual adaptação ao Rio de Janeiro, após quatro anos morando em Brasília; a crescente frustração com a seleção brasileira (mais uma vez não torci por ela numa Copa, embora tenha me sentido um pouco "culpado" depois que a Alemanha para quem torci ganhou daquela forma); o título da Copa do Brasil seguido de rebaixamento do Palmeiras em 2012; os períodos de jogatina desenfreada (o último deles foi entre Setembro do ano passado e Janeiro deste ano, no qual cheguei a zerar três versões de Pokémon ao mesmo tempo); a paixão por Neon Genesis Evangelion, que me levou até a escrever um artigo acadêmico sobre este anime/mangá; os vários bons seriados que assisti (How I Met Your Mother, Community, Freaks and Geeks, Skins, Californication, Girls...). Ah, para fechar, eis os cinco melhores livros que li nos últimos cinco anos: Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister (Goethe), Doutor Fausto (Mann), O Mundo como Vontade e Representação (Schopenhauer), Os Demônios (Dostoiévski) e Saudades do Carnaval (Merquior).

P.S.: Coincidentemente, este post de aniversário é justamente o 800º do blog! Parabéns para mim e para ele!