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Kaio

 

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08 outubro 2016

From BH Nights to Post-Punk Party

(A ser concluído dia 10, 11 ou 12/10)

O encontro da ABCP em Belo Horizonte foi ótimo. Assisti a boas mesas-redondas, a AT de Pensamento Político Brasileiro teve várias apresentações interessantes (e o núcleo de pesquisa no IESP/UERJ do qual faço parte, o Beemote, compôs 1/3 dos trabalhos apresentados nessa área) e aproveitei bastante a cidade.
30/8 - peguei o mesmo avião do Charles Pessanha, editor da Dados. No ônibus que levava de Confins para BH, encontrei dois colegas do IESP, Evandro e Pedro, com quem fiquei batendo papo durante a viagem. Depois que cheguei na cidade, resolvi ir a pé até o prédio no qual ficava o quarto que eu tinha alugado. Por sorte, no caminho encontrei uma loja de CDs chamada Música Rara. Acabei comprando "Once Upon a Time", uma coletânea da primeira fase de Siouxsie and the Banshees. No coquetel de abertura, socializei tanto com meus amigos de IESP quanto com os da UnB, e acabei saindo com estes para um bar. Foi bom reencontrar Mateus (companheiro de Estudos Humanistas e Aliança pela Liberdade) Robert e Álvaro, eu saía bastante com eles em meados de 2010.

31/8 - De manhã teve a ótima mesa-redonda sobre Pensamento Político Brasileiro com o Christian (IESP), o Bernardo (USP) e Marcelo Jasmin (PUC-Rio). Em seguida teve a mesa dos 50 Anos da Dados, que contou com depoimentos do César Guimarães (IESP), que foi o primeiro editor da revista, e do Pessanha, editor da mesma há 40 anos. Acabei saindo mais cedo porque era o "impeachment day", e eu estava apreensivo com a manobra ridícula que o Lewandowski tinha feito - separar a votação da cassação da perda de direitos políticos. Uma colher de chá para a Dilma aos 45 do 2º tempo?
Enfim, depois fui almoçar com o pessoal do Beemote num restaurante a quilo perto do hotel do evento (o Ouro Minas). Comi bem (peixe, frango, carne...), e a sobremesa estava ótima (doce de leite, brigadeiro e pudim). Quando voltamos para o hotel, já tinha acontecido a votação da perda de mandato (61 x 20, yay!), e dava para ver a cara de tristeza da maioria dos alunos e professores que assistiam. Como eu perceberia ao longo do evento, a área de Ciência Política, como "Humanas" que se preze, é majoritariamente de esquerda.
Acabou que eu nem fiquei tão feliz com o impeachment, porque a colher de chá passou (42 x 36, ou seja, não deu 2/3).
Mais uma vez fui ao bar com meus amigos da UnB. Era dii

1º/9
Direitas - comentário sobre espantalho
Almoço com UnB
Apresentações do Paulo, Luiz e Marcelo
Stadt com UnB

2/9
Escrever trabalho até 14h
Apresentação do João e do Mateus
Minha apresentação
Spoleto
Jack - fail
Lord Pub - covers de Stones e Guns
A Autêntica - balada gay
Bar com música eletrônica

3/9
Música Rara - Beatles e Talking Heads
Viagem para Inhotim - trem no meio do caminho, galerias, rede
Viagem para BH - senhora goianiense
Viagem para Confins
Viagem para o Rio - South Park

8/9 - Artigo na Anima

15/9 - Abertura do ciclo do Sociofilo

19/9 - Palestra do Gumbrecht

20/9 - Apresentação na Abralic

21/9 - Simpósio sobre Goethe na Abralic

23/9 - Teoria Mimética na Abralic. Carol viaja para EUA

29/9 - Último debate do 1º turno

2/10 - Eleições - PT massacrado, infelizmente Freixo no 2º turno

3/10 - WGS. Abertura da Semana Discente

5/10 - 5 anos desde que passei no mestrado

6/10 - Trabalho, GT, Apresentação, Palestra sobre A Esquerda em Crise

8/10 - Post-Punk Party

30 agosto 2016

Viajando para ABCP em BH

Viajo daqui a pouco para Belo Horizonte para participar do 10º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política. Vou apresentar no AT de Pensamento Político Brasileiro um artigo (e futuro capítulo de tese) que trata das críticas de Merquior ao pensamento marxista. Para quem estiver na ABCP, minha apresentação será na sexta-feira (2/9), às 16h45, no Lobby do Espaço Niemeyer.

21 agosto 2016

Viagem a Brasília e Olimpíadas

(Post-rascunho, a ser editado quando eu voltar de Belo Horizonte)

Vôlei

Gino, FT
Shake, pastel,
Sebinho
Livraria da UnB
Chico
DCE 
IPOL
Mateus, Renato
Formatura, "Fora Temer", Nascimento
Beirute

Vôlei de praia

Denis
BCE
Chico
Sensei Temaki, AL
Los Baristas, Fernando
Sebinho
Jana, Daniel Briand, Livraria Cultura, Burger King

Futebol

31 julho 2016

11 Anos de Racio Símio - parte I

Hoje é aniversário de 11 anos do blog. Como passei boa parte do dia ocupado com outras tarefas (desde escrever resumo para um congresso até capturar dois Mew e pegar a 3ª insígnia em Pokémon Yellow), deixo para amanhã um post mais elaborado sobre este acontecimento.

10 julho 2016

Portugal vence a Eurocopa!



A seleção portuguesa entrou na Eurocopa 2016 em um grupo aparentemente fácil; imaginei que ficariam em 1º e enfrentariam a Bélgica (meu palpite pra 2ª do grupo E) já nas oitavas. Portugal, contudo, teve muito mais trabalho que o esperado, e empatou os três jogos; porém, o 3x3 contra a Hungria foi a melhor partida da 1ª fase da Euro, com grande atuação de Cristiano Ronaldo.
Decepcionado pelo desempenho irregular na 1ª fase, especulei que Portugal cairia para a Croácia nas oitavas. Não contava com o contra-ataque mortal que gerou o gol de Quaresma na prorrogação; mesmo finalizando menos, a equipe foi certeira quando surgiu uma oportunidade. Contra a Polônia acreditei que eles passariam, ainda que com dificuldades diante de uma seleção tão defensiva. Já não tinha tanta certeza que superariam País de Gales, que havia acabado de vencer a Bélgica, embora acreditasse que Cristiano Ronaldo poderia ser decisivo. E de fato foi, comandando a melhor performance portuguesa na Euro.
Pois bem, Portugal chegou à final aos trancos e barrancos, e enfrentaria uma empolgada França, que havia goleado a Islândia (a seleção mais carismática dessa edição da Euro) e derrotado a favorita Alemanha. Contava a favor dos portugueses a boa atuação contra Gales e a sobrevivência a duas prorrogações; sob o comando do técnico Fernando Santos (que, como se sabe, fez boas campanhas com a limitada Grécia), mostrou-se uma seleção bem no estilo Libertadores: o mau começo foi seguido de uma evolução na fase eliminatória. Lembrou muito campanhas heróicas como a do Cruzeiro em 1997, do San Lorenzo em 2014 e do River Plate em 2015.
A prova decisiva de que Portugal merecia o título veio de uma provação dolorosa: Cristiano Ronaldo machucou o joelho após dividida com Payet e, aos prantos, teve que ser substituído aos 20 minutos de jogo. A França vinha jogando melhor, então era plausível imaginar que, sem CR7 em campo, os portugueses sucumbiriam. Ledo engano: foi aí que Portugal cresceu na partida, e equilibrou as ações até o fim da prorrogação. Aliás, nela a equipe foi até superior, pois mostrava menos cansaço. A recompensa veio no belo gol de Éder, aos 3 minutos e meio do 2º tempo da prorrogação. Quem diria, quando ele entrou no lugar de Renato Sanches torci o nariz, pois o técnico estava tirando o “motorzinho” do time! Éder, no entanto, queimou a língua de mim e todos os demais desconfiados, pois entrou bem e conseguiu coroar uma boa jogada com um gol de fora da área, indefensável para Lloris. Nos minutos finais, foi emocionante ver o contundido CR7 "auxiliando" o técnico.
Portugal mostrou ser uma seleção raçuda, que cresce na dificuldade, tem força coletiva, um espírito copeiro e, enfim, não é tão dependente de seu melhor jogador. A epopéia lusitana na Eurocopa 2016 é um merecido prêmio para as duas grandes gerações de jogadores portugueses que disputaram cinco semifinais e duas finais nos últimos 16 anos: a de Figo e a de Cristiano Ronaldo.
Enquanto isso, a França, tal como tantas seleções candidatas ao título nessa Eurocopa (Espanha, Inglaterra, Bélgica, Alemanha) não correspondeu quando mais se esperava dela. Em vez de crescer após a saída de Cristiano Ronaldo, os franceses ficaram mais cautelosos. É verdade que deram muito trabalho para Rui Patrício e que Gignac meteu uma bola na trave faltando 90 segundos para o fim do tempo normal; porém, Les Bleus ainda assim ficaram abaixo do esperado. Talvez tenha faltado um líder em campo, tal como Platini em 84 ou Zidane em 98 e 2000. Deschamps não conseguiu montar uma equipe capaz de marcar por pressão; conseguiu-o contra a Alemanha, mas isso depois do 1x0 com gol de pênalti. Difícil é fazê-lo com 0x0 contra uma equipe defensivamente consistente como Portugal. Enfim, os franceses não repetiram o sucesso como anfitriões da Euro 1984 e da Copa do Mundo de 1998; é uma geração promissora, mas que ainda precisa de ajustes para ser a “próxima melhor seleção do mundo”, como Rafael Reis (colunista do UOL) profetizou em abril. Não sei, por exemplo, se eles venceriam a Itália (a propósito, um dos destaques da Euro) caso esta tivesse avançado à semifinal em vez da Alemanha.
Por fim, cabe notar que essa Euro foi marcada pela quebra de uma série de tabus: a Alemanha finalmente superou a Itália em um mata-mata (ainda que continue sem vencer a Azzurra no tempo normal); a França derrotou a Alemanha pela primeira vez numa partida eliminatória; e Portugal conseguiu sua primeira vitória sobre a França em competições oficiais.

07 julho 2016

Final da Euro 2016: Portugal vs. França

1. Após quatro empates e uma vitória no finalzinho de uma prorrogação, enfim Portugal venceu um jogo no tempo normal, e não havia hora melhor para fazê-lo: na semifinal, diante de País de Gales. Os portugueses fizeram sua melhor partida na Euro até agora, e já no 1º tempo mostravam mais iniciativa que os galeses. Com menos de 5 minutos da 2ª etapa, Cristiano Ronaldo abriu o placar com uma cabeçada certeira após escanteio, e 3 minutos deu um passe involuntário para o segundo gol, de Nani. É preciso lembrar, contudo, que a seleção portuguesa caiu no chaveamento mais fácil, e daquelas 8 seleções apenas a Bélgica era tecnicamente superior; porém, os belgas caíram para País de Gales, que na semi mostraram que não estavam à altura de Portugal. (Além disso, dos desfalques, Ramsey fez mais falta do que Pepe) Isso não tira o mérito dos lusitanos, que cresceram ao longo da competição, já possuem outros talentos além de CR7 (Renato Sanches está fazendo uma ótima Euro, e Nani e Quaresma vêm jogando bem) e fizeram uma saga de “seleção forte que passa apenas em 3º na primeira fase, mas que se redime no mata-mata e avança à final” que lembra a da Argentina na Copa de 90 ou a Itália em 94. O problema é que ambas perderam a decisão para seleções que estavam jogando melhor, então Portugal terá que se superar ainda mais para poder conseguir o título sobre a...



2. ... França, que fez uma partida sensacional contra a Alemanha e conseguiu não só quebrar um tabu (nunca vencera os alemães em partidas eliminatórias), como também manter outro (possui um ótimo retrospecto como anfitriã). No 1º tempo parecia que ia dar Alemanha; a seleção treinada por Joachim Löw exibiu enorme domínio tático sobre a França, que ficou acuada e parecia estar jogando por uma bola. E ela veio justamente no último lance da 1ª etapa: um pênalti idiota cometido por Schweinsteiger. Pela 2ª partida seguida os alemães colocaram tudo a perder por uma mão na bola dentro da pequena área; a diferença é que agora o jogo estava 0x0, pois os alemães desperdiçaram as ótimas chances que criaram nos primeiros 45 minutos. Griezmann bateu muito bem, fez 1x0 e deixou a França empolgada e a Alemanha nervosa para o 2º tempo. A partir daí os franceses atacaram mais, resistiram melhor à tática alemã e marcaram o 2º pressionando a defesa alemã, que cometeu mais um erro bobo e a bola sobrou para Pogba driblar e chutar, Neuer defender mal e Griezmann acertar o rebote. Este atacante do Atlético Madrid agora é o virtual artilheiro da Euro, com 6 gols; só poderá ser superado se CR7 ou Nani fizerem um “hat-trick” na final. A Alemanha pode ter vencido a “final antecipada” contra a Itália, mas não vai à final “de facto” porque ficou abalada com o gol no fim do 1º tempo e perdeu justamente seu maior trunfo: a frieza. Já a França jogou como quem quer ser campeã; a desconfiança da torcida em relação ao trabalho de Deschamps (p.ex., a não convocação de Benzema), tal como o ceticismo em relação a Aimé Jacquet na Copa de 98, pode estar sendo respondido (e superado) em campo. Agora que alcançaram o topo da cadeia alimentar, i.e., do chaveamento mais difícil da competição (Espanha < Itália < Alemanha < França), Les Bleus são os favoritos para levar a Euro 2016.
P.S.: Além do título inédito, Portugal também joga por uma revanche, pois perderam para a França em três semifinais: nas Eurocopas de 84 (3x2, na prorrogação) e 2000 (2x1, na morte súbita) e na Copa do Mundo de 2006 (1x0).

03 julho 2016

Flashback da Copa de 98 seguido de análise das quartas da Euro 2016

As quartas-de-final da Copa do Mundo de 1998 (uma das melhores de todos os tempos), realizada na França, tiveram quatro partidas espetaculares. Em 3 de Julho: França x Itália fizeram uma final antecipada, com várias chances de gol (p.ex., Baggio quase fez um na morte súbita), e o confronto só foi resolvido nos pênaltis (4x3 pros anfitriões); em um jogo cheio de reviravoltas, o Brasil superou a Dinamarca por 3 a 2, com grande atuação de Rivaldo. No dia 4: Holanda x Argentina mantiveram o empate em 1x1 até o último minuto, quando logo após a expulsão de Ortega (que deu uma cabeçada em Van der Sar), um belíssimo cruzamento chegou nos pés de Bergkamp, que fez o golaço da vitória; uma envelhecida Alemanha foi surpreendida e tomou de 3x0 da Croácia, que foi a sensação daquela Copa.
Faço essa breve digressão porque mais uma vez as quartas de um torneio de futebol na França tiveram os anfitriões passando, desta vez com direito a goleada (França 5x2 Islândia); uma relativa surpresa (País de Gales 3x1 Bélgica); e um duelo tático que terminou nos pênaltis (Alemanha 1x1 [6x5] Itália). O único jogo dessas quartas da Eurocopa de 2016 que não foi marcante foi Portugal 1x1 [5x3] Polônia, ainda que o 1º tempo tenha sido bom. Enfim, vamos à análise dos jogos:
1. Comecemos pela vitória portuguesa. Levar um gol logo aos 2 minutos, marcado (enfim!) por Lewandowski, fez Portugal sair da zona de conforto: em vez de ficar na defensiva, como fizeram contra a Croácia, foram obrigados a procurar o gol. A Polônia tentou se fechar, mas Renato Sanches furou o bloqueio com um belo chute de fora da área. A partir daí o jogo não teve grandes emoções, e os pênaltis foram inevitáveis. Os lusitanos acertaram todas as cobranças e avançaram para a semifinal, mesmo com 5 empates no tempo normal (ainda que a vitória na prorrogação nas oitavas conte como 3 pontos para a pontuação do torneio). O técnico Fernando Santos, que levou a Grécia às quartas da Euro 2012 e às oitavas da Copa 2014 com campanhas irregulares e vitórias por placar mínimo, parece ter ensinado a seleção portuguesa a jogar nesse estilo pragmático.
2. País de Gales, pelo contrário, chega à fase semifinal com uma campanha convincente. A vitória de virada contra a Bélgica foi marcada por uma ótima atuação da seleção galesa, a qual se revelou menos dependente de Bale do que em jogos anteriores. A equipe marcou bem os belgas, soube reagir depois de tomar um gol logo aos 13 minutos, empatou ainda no 1º tempo, segurou nova pressão no início do 2º, virou com uma grande jogada de Robson-Kanu e não correu grandes riscos antes de chegar ao 3º gol. Os belgas pareciam ter empolgado naquela goleada aplicada na Hungria, mas mais uma vez amarelaram num duelo decisivo. O elenco é muito bom no papel, mas ainda não rende tudo o que pode; talvez seja a hora de trocar de técnico. Faltou atitude aos belgas, que recuaram depois de conseguir 1x0 e atraíram Gales para o ataque; quando era a vez de eles fazerem o mesmo, com a virada galesa, criaram poucas chances (a melhor foi uma cabeçada de Fellaini). A Bélgica tem mais 2 anos até a Copa de 2018 para tentar provar que não é uma seleção melhor no PES/FIFA do que na vida real.



3. Alemanha x Itália, como bem notou PVC, foi um jogo marcado pelo equilíbrio tático. A Alemanha precisou abrir mão do 4-2-3-1 e da ofensividade para jogar de forma mais parecida com a Itália, isto é, com 3-5-2 e um toque de bola cauteloso, talvez por medo de os italianos, na menor brecha, repetirem o que fizeram contra belgas e espanhóis. Aos 20 minutos do 2º tempo, contudo, a Alemanha conseguiu encaixar uma boa jogada e abriu o placar. Foi o que bastava para a Itália "acordar" e se arriscar mais; foi recompensada por um pênalti bobo cometido por Boateng, bem convertido por Bonucci. A partida seguiu nesse embate mais cerebral do que emocionante na prorrogação, mas o que ninguém poderia imaginar é que a equiparação de forças chegaria ao ponto de exigir 18 cobranças de pênalti até que um vencedor saísse. A Itália chegou a ter três "match points" (3x2, 4x3 e 5x4), mas a Alemanha empatou todos e conseguiu virar na 9ª rodada, quando Darmian errou e Hector não. Pode-se dizer que foi uma vitória de Neuer (que pegou 2 pênaltis) contra Buffon (que agarrou apenas 1, embora tenha acertado o lado em quase todas as cobranças). Após um jogo tão equilibrado ("final antecipada", para repetir a expressão do 1º parágrafo), a Alemanha sai fortalecida; se 1998 for repetido, então o triunfo nos pênaltis nas quartas é um passo decisivo rumo ao título. A Itália se despede da Eurocopa de forma honrosa; o 5º lugar foi acima das expectativas, afinal a Azzurra bateu as favoritas Bélgica e Espanha, mostrou muita garra, entrosamento e tática (a ponto de os alemães precisarem imitá-los para poder vencê-los). Buffon sai da competição tendo levado apenas um gol nas 4 partidas que disputou. Torço para que ele possa encerrar sua gloriosa carreira na Copa de 2018.
4. A França enfim jogou tudo o que sabe na Euro, e resolveu a partida contra a Islândia no 1º tempo, com 4 gols. Destaque para Pogba, Griezmann e até Giroud. Na etapa complementar, os franceses diminuíram o ritmo, e os islandeses não se renderam e conseguiram marcar 2 vezes (sim, a defesa francesa continua com problemas, e a Alemanha pode explorar bem isso). A equipe mais carismática da Eurocopa dá adeus, mas sem vexame; perdeu para uma seleção superior, e sua atitude no 2º tempo foi exemplar. Quanto aos donos da casa, eles recuperaram a confiança da torcida e farão agora um jogo dificílimo contra a Alemanha, que nunca perdeu para a França em jogos eliminatórios - venceu nas Copas de 82, 86 e 2014 (a única derrota foi em uma disputa de 3º lugar em 1958, e ainda por cima com goleiro reserva). Já que os germânicos enfim superaram os italianos num mata-mata, será que os franceses, que têm bom retrospecto jogando como anfitriões (vide Euro 84 e Copa de 98), poderão fazer o mesmo?

27 junho 2016

Chile bicampeão da América e Euro avança às quartas

1. A final da Copa América de 2016 teve o mesmo desfecho de 2015: mais uma vez o Chile levou o jogo para os pênaltis, e mais uma vez venceu. O bicampeonato chileno é a prova de que a equipe montada por Sampaoli continua forte e coesa, e há muito mérito do técnico Pizzi em conservar e até aprimorar características desta seleção (p.ex., ficou mais ofensiva). Além disso, o meia Vidal, o atacante Vargas e o goleiro Bravo estão entre os melhores jogadores da competição. Nas duas primeiras partidas (derrota para a Argentina por 2x1 e vitória suada contra a Bolívia pelo mesmo placar) eu ainda duvidava que o Chile chegaria sequer à semifinal, pois acreditava que ainda estavam em transição pós-Sampaoli e iriam perder nas quartas para o México, que vinha de uma vitória empolgante contra o Uruguai. Pois os chilenos não só aplicaram uma goleada histórica nos mexicanos, como também bateram os colombianos na semi e superaram os argentinos, favoritos ao título. O Chile pode, enfim, ser considerado uma potência do futebol mundial.
2. A Argentina é tri-vice (ou hepta, se considerarmos as sete finais perdidas desde 1995). O enredo das três derrotas em final desde 2014 guarda várias coincidências, pois pela 3ª vez: Higuaín perdeu um gol feito no 1º tempo; a Argentina jogou melhor no tempo normal, mas perdeu fôlego na prorrogação; a Albiceleste passou a final sem fazer gols; e Messi mostrou sua desolação no desfecho. Das três derrotas creio que esta foi a mais dolorosa, pois a Argentina vinha fazendo uma Copa América impecável: estreou bem contra o Chile e goleou Panamá, Bolívia, Venezuela e até os donos da casa, EUA. Nos primeiros minutos da final parecia que iria vencer. O que se seguiu pouco depois do gol perdido de Higuaín, porém, foi uma derrota psicológica para o Chile, que crescia em moral à medida que o jogo avançava; tanto é que a expulsão do chileno Díaz foi quase imediatamente seguida pela do argentino Rojo, e a Albiceleste em vários momentos parecia ter mais receio de tomar um gol do que coragem de se arriscar a fazer um. A punição pelo nervosismo veio nos pênaltis, com um chocante pênalti à la Baggio de Messi e a defesa de Bravo na cobrança de Biglia. Embora tenha uma de suas melhores gerações de jogadores (não só Messi, mas também Agüero, Higuaín, Romero, Di María etc.), a Argentina continua seu doloroso tabu de títulos. Resta saber se, no Mundial de 2018, caso avancem à final, manterão o equilíbrio emocional para enfim acabar com essa incômoda tradição de vice-campeonatos.
3. A Eurocopa melhorou seu nível técnico nas oitavas-de-final e avança para as quartas com tudo o que eu esperava: jogos decididos na prorrogação (Portugal 1x0 Croácia) ou nos pênaltis (Polônia 5x4 Suíça), goleadas (Bélgica 4x0 Hungria), viradas (França 2x1 Irlanda) e até uma zebra (Islândia 2x1 Inglaterra). A média de gols subiu para 2 cravados, mas ainda pode melhorar para pelo menos superar os 2,06 gols por jogo de 1996.
4. O duelo Itália 2x0 Espanha foi um jogaço, embora, ao contrário do que eu previa, não tenha precisado ir além dos 90 minutos, pois a Itália, tal como havia feito contra a Bélgica (e tantas outras vezes, rs), resolveu o jogo no primeiro tempo, agüentou a pressão e marcou o segundo nos acréscimos. No início da partida a Azzurra anulou taticamente a Espanha, que viu seu “tiki-taka” ruir diante da intensidade italiana, que não cedeu a posse de bola aos espanhóis e mostrou muito mais eficiência no ataque. Após várias defesas de David de Gea, os italianos enfim marcaram com Chiellini, no rebote de uma falta cobrada por Éder. No 2º tempo, a Espanha abriu mão do “tiki-taka” para jogar na base da velocidade e do “chuveirinho”, mas foi parada pela boa marcação italiana e pela segurança de Buffon. Nos acréscimos, o castigo final: em contra-ataque certeiro, a bola sobrou para mais um voleio de Pellè. A Itália vem empolgada para a partida contra a Alemanha, que venceu fácil a Eslováquia (3x0, mas poderia ter sido mais se o goleiro Kozáčik não tivesse feito tantas defesas), tem um elenco melhor (Kroos, Özil, Müller...) e um técnico que faz ótimo uso do esquema tático 4-2-3-1. Há, porém, um tabu em jogo: os alemães nunca venceram os italianos em Eurocopas ou Copas do Mundo. Em Copas perderam por 4x3 em um jogo lendário (1970), 3x1 em uma final (1982) e por 2x0 na prorrogação, jogando em casa (2006); a última eliminação foi o 2x1 regido por Balotelli, na semifinal da Euro 2012. Creio que a Alemanha é favorita, mas vou torcer muito por um triunfo da Azzurra!


5. País de Gales venceu a Irlanda do Norte por 1x0 e é a única equipe britânica viva na competição, pois a Inglaterra foi surpreendida pela Islândia. Após saírem na frente com um gol de pênalti de Rooney, os ingleses levaram a virada logo aos 17 minutos de jogo e não conseguiram empatar. Faltou garra, e o técnico deveria ter colocado Rashford antes, pois em 5 minutos ele jogou muito mais que Sturridge, Harry Kane, Rooney etc. A seleção islandesa já é a sensação desta edição da Euro, não só pelo futebol empolgante que vem mostrando, mas também por sua torcida sensacional. Na próxima fase vão encarar a França. Os donos da casa sofreram para reverter o placar contra os irlandeses, que saíram na frente logo aos 2 minutos, de pênalti. Griezmann foi o herói do dia, ao empatar e virar o jogo entre os 13 e 16 minutos do 2º tempo. França x Islândia certamente será um belo duelo, tanto pelo futebol quanto pelas torcidas.
6. A Croácia fez uma ótima primeira fase, mas caiu nas oitavas para Portugal. O jogo foi chato nos primeiros 90 minutos, tanto pela retranca portuguesa quanto pelas falhas croatas nos passes e finalizações. A prorrogação, contudo, foi eletrizante, e no mesmo lance em que a Croácia quase marcou, os portugueses puxaram um contra-ataque: Renato Sanches correu, tocou para Cristiano Ronaldo, que chutou, o goleiro defendeu, e Quaresma estava sozinho para o rebote. Portugal fará com a Polônia um duelo de equipes defensivas, mas que são mortais no contra-ataque e contam com jogadores que podem desequilibrar (Cristiano Ronaldo vs. Lewandowski).
7. A Bélgica continua crescendo na competição, e goleou a Hungria, enfim com uma grande atuação de Hazard. Se repetirem esse alto nível contra País de Gales, devem superar a também ascendente seleção de Bale e avançar para as semifinais.

24 junho 2016

Rumo à final da Copa América e às oitavas da Eurocopa

A Copa América já tem os finalistas definidos e a Eurocopa avança às oitavas-de-final. Eis algumas observações sobre as equipes classificadas:
1) A Argentina vai à sua terceira final em três anos. A Albiceleste venceu com facilidade a seleção dos EUA por 4x0, com mais uma boa atuação de Messi (que fez um golaço de falta) e Higuaín (que fez 2 gols pela segunda partida consecutiva). A performance argentina foi tão dominante que os americanos sequer conseguiram dar um chute a gol! O lado negativo é a ausência de Lavezzi na final, após um tombo bizarro no qual machucou o cotovelo. Creio, contudo, que ele pode ser substituído por Agüero ou Lamela. A decisão da Copa América 2016 contra o Chile será uma revanche da final de 2015, na qual os argentinos perderam nos pênaltis justamente para os chilenos.
2) A seleção do Chile cresceu ao longo da competição, e nessa semifinal precisou de apenas 10 minutos para resolver o jogo contra a Colômbia. Embora tenha feito “apenas” dois gols (se bem que o 7x0 contra o México seria dificilmente repetido, até porque Pekerman não fez táticas suicidas como Osorio), o Chile manteve as virtudes do jogo anterior, como a velocidade e a intensidade. A seleção chilena também terá um desfalque para a final: Pedro Pablo Hernández, que foi prensado por dois jogadores colombianos e contundiu o joelho. Em compensação, Vidal, suspenso do jogo de ontem, estará de volta.
3) A última rodada da primeira fase da Euro teve altos e baixos. Por um lado o grupo F proporcionou 9 gols em 2 jogos: o eletrizante Hungria 3x3 Portugal, um duelo entre Cristiano Ronaldo e as falhas da defesa lusitana; e Islândia 2x1 Áustria, que teve gol nos acréscimos e uma comemoração estilo viking da torcida islandesa. Por outro, nos grupos A, C e E os jogos terminaram todos em 1x0 ou 0x0. Pode-se culpar o sistema de classificação, pois como avançam 16 de 24 equipes (ou seja, 2/3 delas) é possível que um time avance simplesmente empatando todos os jogos (Portugal) ou vencendo apenas um deles (Irlanda do Norte). Também se pode creditar essa escassez de gols ao desgaste típico de fim de temporada. Outro fator são as táticas defensivas das seleções menores. Enfim, bola para frente, afinal amanhã começa o mata-mata e certamente a média de gols subirá dos pífios 1,92 gols por jogo. Mal posso esperar pelas viradas, goleadas, prorrogações, decisões de pênalti etc. que as oitavas, quartas, semis e final nos reservam.
4) As duas chaves ficaram bem desequilibradas. O primeiro finalista sairá dos confrontos entre Suíça x Polônia, Croácia x Portugal, País de Gales x Irlanda do Norte e Hungria x Bélgica. Nenhuma dessas seleções já foi campeã da Eurocopa, embora entre elas haja três possíveis surpresas do torneio (Croácia, Gales e – após ela avançar no grupo empatada em pontos com a Alemanha, tive que dar o braço a torcer – Polônia) e uma seleção que precisa provar que é mais do que uma queridinha da crítica (Bélgica). Suíça, Portugal e Hungria correm por fora, e a Irlanda do Norte deve cair no duelo entre países cujas populações votaram diferente no referendo pela saída do Reino Unido da União Européia (em País de Gales o “leave” venceu, na Irlanda do Norte o “remain”). Cristiano Ronaldo que se cuide, pois a Croácia vem empolgada após vencer os espanhóis de virada.


5) O segundo finalista sairá de um chaveamento que concentra cinco equipes que já foram campeãs européias e/ou mundiais: Itália, Espanha, França, Alemanha e Inglaterra. Itália x Espanha é o confronto mais aguardado das oitavas-de-final, afinal pode ser a revanche da Azzurra pelas derrotas para os espanhóis nas Eurocopas de 2008 e 2012. Aposto na Itália, mas a partida deve ser emocionante, talvez com prorrogação e pênaltis. A França, ainda sem ter feito um grande jogo, enfrentará uma Irlanda com vontade de se vingar do toque de mão de Henry que os tirou da Copa de 2010. A Alemanha fez uma primeira fase pragmática e precisa vencer bem a limitada Eslováquia para chegar empolgada nas quartas, quando fará um jogo duríssimo contra italianos ou espanhóis. Por fim, os islandeses entram como azarões contra a Inglaterra, outra nação britânica cuja atuação é cercada de expectativas depois do resultado do referendo – aliás, foi muito simbólico isso ter acontecido justamente durante uma Eurocopa, torneio-símbolo da integração do Velho Continente.

20 junho 2016

Muitos gols na Copa América e muito equilíbrio na Euro


Com o fim das quartas-de-final da Copa América e o início da 3ª rodada da 1ª fase da Euro, hora de fazer mais um balanço:
1) A seleção dos Estados Unidos aprendeu com a derrota para a Colômbia e cresceu na competição. A vitória sobre o Equador foi justa, mesmo com o sufoco nos minutos finais. Klinsmann mostrou mais uma vez que é um técnico carismático e que preza pela ofensividade. Os EUA provavelmente perderão para a Argentina na semi, mas já podem sair orgulhosos dessa Copa América Centenário.
2) Falando na albiceleste, Messi e Higuaín lideraram a contundente vitória por 4 a 1 sobre a Venezuela. Apesar de mais uma ótima partida dos venezuelanos (que foram sensação do torneio; lembrem-se da vitória sobre Uruguai e o empate vendido caro com o México), os argentinos mostraram sua superioridade, que pode ser resumida no fato de que, no lance imediatamente seguinte ao gol venezuelano, a Argentina fez o seu 4º. É a favorita ao título, mas deve ficar de olho no...


3) ... Chile, que também reagiu após um revés na estréia (aliás, para uma Argentina sem Messi). Após passar apuros contra a Bolívia, goleou o Panamá e, principalmente, o México. O 7x0 reproduziu a imensa superioridade da equipe treinada por Pizzi, calando aqueles (como eu) que desconfiavam do Chile pós-Sampaoli. O técnico conseguiu achar uma boa tática de marcação por pressão (o que anulou a velocidade mexicana) e o elenco resolveu jogar tudo que sabe, alguns até melhor do que nos clubes: Vargas fez 4 gols e se tornou o artilheiro provisório da competição, com 6. Foi um destino muito cruel para a equipe mexicana, que tinha até começado bem a competição contra Uruguai e Jamaica, mas já havia dado um pequeno indício de seus limites no empate com a Venezuela; mesmo assim, nada que pudesse antecipar essa goleada.
4) Quem enfrentará os chilenos na semifinal é a Colômbia, que, diante de um Peru retrancado, precisou dos pênaltis para avançar no torneio. Ainda bem, pois a equipe de James e cia. certamente fará um grande confronto com o Chile; ambas equipes são bem ofensivas e estão jogando, ao lado da Argentina, o melhor futebol sul-americano dos últimos 3 anos.
5) Vamos à Eurocopa. Apenas o grupo A já fechou seus jogos, com França e Suíça se classificando com 7 e 5 pontos, respectivamente. O empate em 0x0 não foi ruim de assistir, especialmente no 1º tempo, com ótimas chances de gol dos dois lados. A Romênia, após uma estréia promissora, decepcionou nos dois jogos seguintes, e está eliminada. A Albânia venceu, mas acho difícil ela avançar como um dos quatro melhores terceiros com apenas 3 pontos.
6) A Itália fez um jogo pouco empolgante com a Suécia, mas precisou de apenas um lance de genialidade do brasileiro naturalizado italiano Éder para vencer a partida. Continua como uma das quatro favoritas ao título, ao lado da Espanha (que desencantou contra a Turquia e parece ter recuperado os bons momentos do "tiki-taka", embora ainda precisemos vê-lo ser testado por seleções mais fortes), da Alemanha (que empatou sem gols contra a Polônia, mas deve vencer a Irlanda do Norte na última rodada) e da anfitriã França.
7) Inglaterra 2x1 País do Gales foi um jogo sensacional, e mostrou uma bem-vinda reação dos ingleses. Aliás, o grupo B é um dos mais equilibrados, e as duas seleções britânicas devem avançar junto com a Eslováquia, que fez um 1º tempo excelente contra a Rússia, dando-se ao luxo de sofrer no 2º, após o gol de honra russo.
8) Outra equipe que se redimiu foi a Bélgica, que depois que a Irlanda "percebeu" que não podia simplesmente empatar e resolveu ir ao ataque, precisou de uns poucos contra-ataques em velocidade para fechar a partida em 3x0. Agora os belgas farão uma partida decisiva contra os suecos, os quais precisam desesperadamente da vitória.
9) A Croácia foi atrapalhada pela própria torcida, e uma vitória quase garantida foi transformada em empate; o nervosismo da equipe após a situação dos sinalizadores foi evidenciado no pênalti bobo que a equipe cometeu. De toda forma, Espanha x Croácia deve ser um dos melhores jogos da 3ª rodada.
10) Por fim, cabe lamentar mais um fiasco da seleção de Portugal, com direito a pênalti perdido de Cristiano Ronaldo. Após dois empates, os portugueses precisarão dar a voltar por cima contra uma empolgada Hungria, que está praticamente assegurada nas oitavas após um empate nos últimos minutos contra a Islândia, que decidirá sua vaga contra a Aústria na última rodada. O grupo F é outro no qual todas as 4 seleções têm chances de avançar.
P.S.) A média de gols da Euro está baixíssima, só 1,85 por partida. Embora eu adore competições nesse modelo de 24 seleções e 4 melhores terceiros (afinal "bagunça" o chaveamento nas oitavas e gerou uma das melhores Copas, a de 94), é preciso reconhecer que ele favorece a procrastinação, pois uma equipe pode sair com empate(s) nos primeiros jogos e só precisar vencer no último. Espero que a "fome de gols" apareça nessa 3ª rodada (até porque tem muito grupo indefinido, como o B e o F) e, mais ainda, na fase mata-mata.

13 junho 2016

Um balanço dos primeiros dias de Copa América e Euro

Agora que já se acumularam vários jogos importantes em ambas competições, creio que posso fazer alguns comentários sobre a Copa América e a Eurocopa:
1) A eliminação precoce do Brasil foi mais do que merecida. O gol de mão do Ruidíaz foi ilegal, claro, mas o time brasileiro não jogou bem tanto antes quanto depois do gol; foi apático, pouco criativo e sem proposta tática. Parecia satisfeito em carregar o empate em 0x0 até o fim, e felizmente foi punido por tal covardia. Se depois desse fiasco o Dunga não for demitido, o Brasil corre sério risco de fracassar também na Olimpíada e de não se classificar para a Copa de 2018.


2) A Itália confirmou sua sadomasoquista tradição: fazer 1x0, recuar e passar muito sufoco do time adversário só para, no finalzinho, aproveitar um deslize para operar um contra-ataque mortal e fazer 2x0. Já foi assim, p.ex., contra a República Tcheca e a Alemanha na Copa de 2006 - a qual, diga-se de passagem, a Azzurra ganhou. Desta vez a vítima foi a superestimada seleção belga, que subiu muitas posições no ranking FIFA vencendo adversários fáceis ou medianos em eliminatórias, mas que ainda não ganhou de uma seleção de ponta em jogos oficiais - vide a derrota para a Argentina na Copa de 2014. Os belgas, contudo, podem quebrar essa escrita nessa Euro, caso aprendam lições com essa derrota para os italianos. Estes, por sua vez, podem chegar longe na competição, não só pela tradição, mas também porque o técnico Antonio Conte deixará a equipe assim que acabar o torneio para assumir o Chelsea. Como ele não tem nada a perder, pode fazer o mesmo que Van Gaal na Holanda de 2014 e formar um grupo coeso e forte a despeito das críticas da imprensa local.
3) A Argentina já havia estreado bem contra o Chile (o qual, aliás, anda em decadência desde que Sampaoli saiu), mas a entrada de Messi no 2º tempo contra o Panamá - saldo: 3 gols dele e passe para o de Agüero - mostrou como a albiceleste evolui com ele em campo. Com Brasil e Uruguai (outra decepção; perdeu de forma vergonhosa para a Venezuela) fora da Copa América, os hermanos estão cada vez mais cotados para ganhar o torneio e encerrar o jejum de títulos desde 93. Agora só vejo duas seleções que poderiam pará-los: o México (pelo bom time que Osorio montou e pelo apoio maciço da torcida) e a Colômbia (que continua jogando bem, mesmo que Pekerman de vez em quando tome medidas equivocadas - a última foi colocar os reservas contra Costa Rica e perder o jogo e a liderança do grupo A).
4) A França passou sufoco na estréia, e precisou contar com um chute sensacional de Payet para derrotar a Romênia. Mesmo assim, continua entre as quatro favoritas da Eurocopa, ao lado de Alemanha (que estreou bem - destaque para o belo contra-ataque que terminou em gol de Schweinsteiger), Itália e Espanha (que, mesmo ainda longe de sua melhor forma, ainda é uma seleção forte).
5) A Inglaterra, não surpreendentemente, decepcionou na estréia, tomando gol no finalzinho em uma jogada, aliás, típica dos ingleses: o "chuveirinho" na pequena área. Já fazem 20 anos desde a última vez que eles foram para uma semifinal, e se não evoluírem ao longo da Euro 2016, esse tabu deve continuar. Outro tabu da Inglaterra que precisará ser batido caso avancem para o mata-mata: decisões de pênalti. Eles perderam 6 das 7 que já disputaram em Copas do Mundo e Eurocopas.
6) Candidatas a surpresas da Euro (considerando que o grupo F ainda não jogou): Croácia, Romênia e País de Gales.

17 maio 2016

Mais uma apresentação sobre Merquior em Curitiba

Há dois anos apresentei no 5º SNS&P, em Curitiba, "Da nostalgia crítica à apologia do progresso", meu primeiro artigo sobre José Guilherme Merquior​. Desde então escrevi outros sete (três sobre liberalismo, três sobre sociologia da cultura e um misto - a interpretação de Merquior sobre Rodó), dentre eles o que apresentei na última sexta (13/5) no VII Seminário Nacional Sociologia & Política​.
(A propósito, "Da nostalgia crítica à apologia do progresso", com alguns acréscimos, foi publicado na 4ª edição da revista Nabuco, em junho do ano passado)
Minha 3ª viagem para a capital paranaense foi ótima. O GT de Pensamento Social teve trabalhos e discussões interessantes; o debatedor do meu artigo sobre Formalismo e Tradição Moderna levantou questões pertinentes; a mesa-redonda sobre instituições e democracia na América Latina (que era a "faixa-título" do seminário) foi muito boa. Madruguei para acompanhar o final da votação do impeachment no Senado (felizmente minha expectativa foi correspondida, e a oposição conseguiu 55 votos já nesse pedido de afastamento). E, claro, comprei muitos livros (dois do Kolakowski: Horror Metafísico e A Presença do Mito; Fundamento da investigação literária, de Eduardo Portella; e A Arte de Ler, de Émile Faguet), CDs (Sam's Town, do Killers; a edição especial de Sleeping with Ghosts do Placebo, com um CD 2 com covers de bandas como Smiths e T. Rex; e Violator, do Depeche Mode) e DVDs (a saga das Doze Casas de Os Cavaleiros do Zodíaco e os mais de 40 clipes de Best of Bowie) nos melhores sebos da cidade, rs. Agradeço novamente a Anselmo​, Alisson e Anselmo Junior​ pela hospitalidade e apoio. =)

11 maio 2016

Congresso em Curitiba e impeachment

Daqui a pouco viajo para Curitiba, onde participarei do VII Seminário Nacional de Sociologia & Política. Na 6ªfeira apresentarei, no GT de Pensamento Social, um trabalho intitulado "Contra a rejeição esteticista do mundo: uma interpretação de Formalismo e Tradição Moderna, de José Guilherme Merquior". Eis o link do texto completo.

Hoje à noite tem votação do impeachment no Senado, e a presidente Dilma Rousseff pode ser afastada. Nem preciso dizer que estou ansioso pelo fim de mais um capítulo dessa "saga". Espero que haja pelo menos 54 votos a favor da admissibilidade do processo no Senado, pois este é justamente o número necessário de votos para cassar a presidente no julgamento final, daqui a alguns meses.
Acompanho vorazmente a crise política desde 2014, e por mais que seja um empolgante "seriado na vida real", cheio de reviravoltas, torço para que, depois do impeachment, as coisas se acalmem. O ajuste fiscal é mais do que urgente, e o governo Temer não deve vacilar em tomar as medidas necessárias para superar a depressão econômica. O desgaste da esquerda também me deixa otimista, pois desta forma não terão tanta força para barrar a recuperação política e econômica do país.

04 março 2016

San Andreas

Viajando para Santo André, para assistir ao exame de kendo da Carolina!

18 fevereiro 2016

Station to Station

(Escrevi isso às 1 PM, antes de dormir, o que talvez explique o tom meio dramático, rs)

Terminam as férias, mas não estou com uma sensação exatamente boa. Esses dois meses foram mais tumultuados do que eu esperava: a morte do David Bowie; meu irmão teve colite e ficou uma semana no hospital; a viagem de Caldas Novas foi marcada por "perrengues"; minha namorada pegou zika. Além disso, não cumpri quase nada do cronograma de estudos, e agora tenho 3 trabalhos para escrever em 1 mês.
Volto para o Rio com incertezas em relação à Bolsa FAPERJ Nota 10; devo aceitá-la, mas estou preocupado com os atrasos.
A situação política, econômica e até cultural do país continua a se deteriorar; nessas até dá vontade de flertar com uma visão de mundo à la Grande Hotel Abismo, mas sou otimista demais para chegar a esse ponto. O jeito é me concentrar nos livros e trabalhos finais para me esquecer do mundo exterior. É hora de reeditar 2013 (meu ano academicamente mais produtivo) para evitar uma apatia tal como a de 2006 (em que cheguei a ter uma "ressaca literária"). 
Creio que me aproximei mais da minha família, até pelas situações que passamos. É engraçado ver o Aderson entrando na puberdade; dá orgulho de ver o Fernando amadurecendo; é um alívio ver minha mãe mais feliz após tantos problemas na vida amorosa e financeira. A reforma da casa foi rápida e bem-sucedida; aliás, adorei meu novo quarto.
Estou com saudades da Carolina, e mal posso esperar para os importantes passos que daremos em nossa relação esse ano, a começar pelo fato de que será o primeiro ano inteiro em que moraremos juntos.
2016 começou estranho, mas confio que será um ano bem melhor do que os dois últimos.

12 fevereiro 2016

Uns dias em Brasília III

Agora que terminei de descansar (aliás, estava tão empolgado lendo a biografia do The Cure escrita por Jeff Apter - terminei em três dias! - que nem vi o Carnaval passar), é hora de contar como foi a viagem para Brasília.

1. Tudo começou no domingo (31/1). Eu tinha almoçado kibe na casa da minha vó Filó, e passei o início da tarde ouvindo meu LP duplo The Beatles 1967-1970. Quando cheguei em casa, minha mãe me disse que o Gino e o David haviam chamado eu e o Aderson para ir ao ITA Park. Como a entrada para o parque está muito cara (35 reais), não pretendia ir, mas aí lembrei que o Flamboyant é do lado do ITA. Sendo assim, aproveitei a carona e passei o resto da tarde de domingo no shopping. 
Primeiro fui à Fnac, onde comprei o álbum The Next Day (David Bowie) e a Placar especial do título do Palmeiras na Copa do Brasil. Depois fui à Saraiva, e levei dois livros da Saraiva de Bolso que estavam com 50% de desconto: Poesia (T. S. Eliot) e Seus Trinta Melhores Contos (Machado de Assis). Voltei à Fnac e por sorte estavam passando na TV da parte de música da loja o DVD 1 (The Beatles), com os clipes dos 27 singles deles que chegaram ao topo das paradas britânicas e americanas. Fiquei mais de uma hora lá vendo os clipes, e acabei levando mais 2 CDs, ambos do Fab-Four: A Hard Day's Night (eu só tinha o vinil, com o genial título Os Reis do Iê-iê-iê) e o White Album (eu já tinha um, adquirido logo no lançamento em 2009, mas a capinha dele veio amassada - shame on you, Saraiva!; além disso, eu amo tanto esse álbum duplo que não seria um problema deixar um em Goiânia e levar outro pro Rio).
Quando os meninos terminaram de ir em todos os brinquedos do ITA, fomos pra casa, mas não sem antes passar no Lifebox para comer uns hambúrgueres muito bons. Eu pedi um Chili Burguer e um milk shake de Ovomaltine + Leite Ninho, e ainda comi 2/3 do Life triplo que o Gino pediu e não conseguiu terminar, rs.
Antes de ir embora, o Gino me disse que iria para Brasília, e sugeriu que eu fosse junto, até por uma amiga nossa (Nathalia) também estaria na cidade. Fiquei em dúvida se deveria ir, afinal estava sem dinheiro vivo; mas, tinha saldo no cartão de crédito, e minha bolsa provavelmente cairia no dia 4 ou 5. Sendo assim, avisei o Gino que iria em torno da meia-noite. Apenas nove horas depois ele me buscou. Devo admitir que, por mais metódico que eu seja, costumo me divertir em situações improvisadas, imprevistas.

2. A viagem de Goiânia a Brasília foi ótima. Eu e o Gino ouvimos a coletânea dupla Best of Bowie no iTunes conectado ao som do carro dele, e fizemos uma espécie de "podcast", comentando cada uma das faixas que tocava.
Ao chegarmos na capital federal, buscamos a Nathalia e passamos a tarde e início da noite jogando Playstation 3; destaque para os jogos de luta, como Mortal Kombat e Marvel vs. Capcom. Também assistimos a alguns episódios de O Incrível Mundo de Gumball.

3. Acordei bem cedo na terça-feira, para ver o resultado das primárias republicanas em Iowa. Fiquei feliz com o ótimo desempenho de Rubio (23%) e com a derrota de Trump para Ted Cruz (27 x 24%). Passei algumas horas lendo análises do pleito, até que o Gino acordou e me deu carona para a UnB. Ao longo daquela manhã visitei vários lugares: a cantina em que eu tomava meu café da manhã barato (três biscoitos de queijo mais chá mate 500 ml), a Livraria da UnB (onde comprei, com ótimos descontos, três livros: Da Distensão à Abertura: as Eleições de 1982, organizado por David Fleischer; Vico e Herder, de Isaiah Berlin; e Miguel Reale na UnB) a Biblioteca Central, a Livraria do Chico, os prédios novos da FACE e do IPOL (enquanto o procurava, tive uma agradável nostalgia das férias de 2010 ao ouvir "Marquee Moon" do Television no meu celular), a FA e o Postinho, onde almocei no Subway. Encontrei o Gino e os amigos dele depois do almoço, e após usar um pouco o computador no laboratório deles (com direito a assistir a alguns clipes do The Cure), eles me deixaram na rodoviária, onde peguei metrô para o Park Shopping. Subi até o CasaPark, local em que combinei de me encontrar com a Janaína para assistir ao filme do Snoopy & Charlie Brown. Achei-o muito bom! Souberam preservar os elementos clássicos (por exemplo, o "loserismo" de Charlie Brown, a obsessão de Schroeder por Beethoven, a chatice da Lucy, os delírios de Snoopy, o jeito machão de Patty Pimentinha etc.) mas dando um tom mais infantil e descontraído.
Depois do filme eu e a Jana passamos umas três horas na Livraria Cultura, trocando várias dicas de livros, filmes e CDs. Acabei levando um DVD triplo do Wes Anderson (O Grande Hotel Budapeste, O Fantástico Sr. Raposo e Viagem a Darjeeling), o livro O Peso da Responsabilidade (Tony Judt) e o CD Oracular Spectacular (MGMT). 
À noite fomos para o Park Shopping; comprei um lanche no Dunkin' Donuts (aliás, muito bom o shake deles!) e a Jana, no Outback. Depois fomos a uma festa no clube da 904 Sul no qual geralmente ocorre a Play; passaram alguns curta-metragens (inclusive um bem macabro envolvendo o Eduardo Campos; foi feito antes da morte dele, e fazia críticas à desigualdade social e à transformação de Recife em canteiro de obras para a Copa) e tocaram umas músicas meio eletrônicas, meio lounge. Conversamos com uns amigos dela, e depois fomos com eles para o Piauí. Após um dia tão longo e proveitoso, só cheguei no apartamento do Gino em torno das 2 da manhã.

4. Também acordei cedo na quarta, mas desta vez para o Fernando e o Renato me buscarem para tomarmos café da manhã na Savassi da 307 Norte. Depois fomos a um sebo lá perto que não conhecíamos (nele descolei o 1º volume das famosas traduções de Carlos Alberto Nunes para os Diálogos de Platão) para o apartamento do Fernando (aliás, muito legal a biblioteca dele) e almoçamos frango à parmegiana no Gratinado. Foi muito passar boa parte do dia conversando com os dois. À tarde fomos para o Sebinho;Fernando estava vendo uns livros para o sebo, mas houve dois que achei interessantes e ele me deu: Vidas Paralelas - Alexandre e César (Plutarco) e The Dark Side of the Moon: os bastidores da obra-prima do Pink Floyd (John Harris). Pouco depois o Mateus apareceu, e nós quatro batemos um longo papo no café do Sebinho. Aliás, acabei não comprando nenhum livro lá; fiquei meio decepcionado com o acervo, já foi bem melhor. Acho que eles estão se voltando tanto para o café (que, obviamente, é mais lucrativo) que deixaram os livros de lado...
À noite tive a ótima notícia de que fui selecionado para receber a Bolsa Nota 10 da FAPERJ, pois fui o aluno do doutorado de Sociologia do IESP que tirou as melhores notas no ano passado. Mesmo que a FAPERJ esteja em crise e os atrasos para a bolsa cair sejam constantes, acho que vale a pena, pois ela é maior que a minha bolsa do CNPq, além de contar para o currículo.

5. Quinta de manhã fiquei no apartamento, mas à tarde fui novamente à Universidade de Brasília. Passei na banca de revistas do Gilson, e comprei o Tratado sobre a Tolerância (Voltaire) da coleção Grandes Nomes do Pensamento (Folha). Fui novamente à Livraria do Chico, e tive uma longa e interessante conversa com ele; aproveitei para comprar O Liberalismo Moderno (Ubiratan Borges de Macedo). Em seguida subi para a 409 Norte, cuja comercial é repleta de sebos. Ao contrário do decepcionante Sebinho, o COPE me surpreendeu; achei muitos bons livros por lá, e acabei levando a 1ª edição da Dicta & Contradicta (era a última que me faltava para completar a coleção) e Filosofia Política Contemporânea (coletânea de artigos sobre Hayek, Leo Strauss, Voegelin etc. organizada por Crespigny e Minogue). Fui aos outros, mas não achei nada de interessante (ou barato). Começou uma chuva de verão, então corri para debaixo de um bloco para esperá-la passar; quando ela parou, peguei um ônibus L2 - W3 Norte para voltar para o apartamento do Gino, pois tinha combinado de sair com a Janaína e depois com o Luiz Fernando. A Jana me buscou em torno das 19h e fomos ao Bar do Quinto; foi mais um bom papo, regado a comes e bebes de qualidade. Ela me deixou no prédio às 22h, e eu fiquei esperando o Luti para irmos ao Velvet Pub, mas ele teve uma crise de enxaqueca e não pôde sair de casa; que pena, mas tomara que eu consiga encontrá-lo na próxima vez que for a Brasília.

6. Sexta-feira chegou, e era hora de voltar para casa. A viagem de volta foi bem legal; peguei carona com uma doutoranda em Matemática, e no banco de trás veio um cara que trabalha na UNESCO. Na metade do caminho paramos no Sabor Goiano, onde cumpri mais uma tradição: comi o delicioso enroladinho de queijo com cobertura de coco e leite condensado que eles fazem lá.
Quando cheguei em casa, deparei-me com os 5 CDs que eu havia comprado pela Livraria Cultura e pelo MercadoLivre e chegaram enquanto eu estava em Brasília: Blackstar e Station to Station (David Bowie), Isn't Anything (My Bloody Valentine), Gorillaz e Demon Days (Gorillaz).
Enfim, foi uma ótima estadia em Brasília! Prometo não ficar outros 18 meses sem visitar minha saudosa cidade universitária, rs. 

05 fevereiro 2016

Uns dias em Brasília II

Daqui a pouco volto para Goiânia. Os quatro dias que fiquei em Brasília foram ótimos! Reencontrei vários amigos e comprei muitos livros. Conto mais quando chegar em casa.

01 fevereiro 2016

Uns dias em Brasília

Viajo hoje para Brasília, e ficarei lá até quinta-feira; é a primeira vez que vou para minha antiga cidade universitária desde Agosto de 2014, quando fui para o encontro da ABCP. É muito tempo longe do lugar onde passei 4 dos melhores anos da minha vida (2008-2011)!
Espero que consiga encontrar a maioria dos meus amigos da época de UnB, assim como visitar lugares da cidade que eu adoro, como o Sebinho, a Livraria Cultura e, é claro, a minha alma mater. Além disso, preciso de inspiração para escrever os capítulos da tese sobre Merquior, e nada melhor do que ir à cidade na qual ele foi professor e diplomata.

P.S.: Já faz um mês que prometi completar os posts de 31/12 e ainda não terminei... agora que terminei de ler Formalismo e Tradição Moderna vou tentar acabá-los.

31 dezembro 2015

2015, parte III: de Outubro a Dezembro

(Post incompleto; termino de escrever ano que vem, rs) 

New Order - disco novo é surpreendentemente bom
Colégio do Brasil - aulas com Portella
10 anos de Last.FM
Morrissey - show começou bem, foi estragado por "Ganglord" e "Meat is Murder", mas melhorou no final
Palmeiras - título emocionante da Copa do Brasil
Primavera dos Livros - comprei vários da É Realizações
Morar com Carolina - 30/11 (decisão) e 4/12 (mudança)
Protesto - parecia ter mais gente, mas "flopou"
Lançamentos de livros: Martim, Das Booty, Alex, Gabriel (setembro)

2015, parte II: Augustus e Settembrini

(Post concluído em 17/2/16)

Com alguns meses de atraso, enfim farei meu relato sobre os dois meses mais agitados do meu ano de 2015: Agosto e Setembro.

IV Fórum de Ciência Política
Apenas um dia depois que voltei das férias de Goiânia, "viajei" para Niterói para participar do FBCP, no qual eu apresentei um trabalho sobre os conceitos de guerra e técnica no pensamento político dos "modernistas reacionários" Ernst Jünger e Carl Schmitt. Apesar de a debatedora claramente não ter lido meu trabalho (e nem dos demais apresentadores daquela sessão), as perguntas que ela e a platéia fizeram geraram um bom debate.
As sessões do GT de Teoria Política foram muito boas; gostei da apresentação do meu amigo Paulo, da palestra do Eduardo Jardim, da sessão em que o Christian foi debatedor e, por último mas não mesmo importante, da competente organização do GT pelos alunos da UFF, Rodrigo e Victor. O Fórum ainda contou com uma boa conferência de Renato Lessa. O semestre acadêmico não poderia ter começado melhor!

O Protesto em Copacabana
Em um ano marcado pela instabilidade política (não preciso entrar em detalhes, creio que vocês já devem estar até saturados do assunto), houve em 16 de Agosto o terceiro dos quatro grandes protestos nacionais contra o governo Dilma Rousseff. Não quis participar dos dois primeiros (embora tenha acompanhado o de 15 de Março pelo Globo News), mas diante da catastrófica atuação do Planalto na economia (desde a sabotagem ao ministro Levy até a relutância em admitir o rombo nas contas públicas em nome da "nova matriz econômica"), resolvi me manifestar. Mesmo assim, eu o fiz de uma forma leve, bem-humorada: confeccionei um cartaz com a frase "Pessimildo tinha razão" e duas fotos desse memorável personagem criado por João Santana para ridicularizar a oposição, mas que por ironia do destino se tornou um mascote dos críticos do governo.
A manifestação até que foi divertida, talvez devido ao clima descontraído da praia de Copacabana; mesmo com os discursos raivosos contra Dilma e o PT, o ambiente não era pesado. Acho que agora também existe uma "direita festiva" no Brasil; a estetização da política não é mais monopólio da esquerda, rs. Encontrei alguns amigos por lá, e depois do protesto almocei com eles no McDonald's.




Qualificação
Um dia depois do protesto houve a defesa do meu projeto de tese. Os comentários da banca foram importantes para o desenvolvimento da minha pesquisa; a partir deles percebi que precisava eliminar os últimos resquícios do meu tema anterior sobre Thomas Mann (mais especificamente o viés ético-biográfico, tentando ver Bildung em tudo).
Além disso, foi valiosa a observação do professor Benzaquen de que preciso ser menos sintético e mais analítico; isto é, minha pesquisa ganhará mais se eu me concentrar em poucas obras e temas ao invés de fazer grandes panoramas (algo que o próprio recorte biográfico me levaria a operar).

I Seminário Interno de Pós-Graduação do IESP/UERJ
O evento foi inaugurado em 2 de Setembro com uma ótima (embora pessimista, rs) mesa-redonda com os professores César Guimarães e Maria Regina sobre a política externa brasileira e a crise da Grécia e da UE.
No dia seguinte apresentei um trabalho sobre as continuidades e rupturas do conceito de cultura ao longo das diversas fases do pensamento social de José Guilherme Merquior. O debate foi bom; felizmente o debatedor conhece a obra de Merquior, e fez observações pertinentes. 

Aniversário de namoro
No dia 4 de Setembro eu e a Carolina comemoramos três anos de namoro. Passamos a tarde na Livraria Travessa e depois fomos ao Cafeína do Praia Shopping. Nós nos presenteamos com livros: eu dei a ela o oitavo volume das Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell e ela comprou para mim Formalismo e Tradição Moderna (Merquior), o qual tinha sido lançado justamente naquela semana.

I Seminário Internacional de Ciência Política
A partir de uma sugestão do Alex Catharino, em Julho escrevi um artigo para a revista Mises comparando as perspectivas liberais de José Guilherme Merquior e Friedrich von Hayek. Terminei-o justamente nos primeiros dias de minhas férias em Goiânia. Gostei muito de escrevê-lo, então aproveitei para enviar o resumo para um congresso de Ciência Política que haveria em Porto Alegre, e felizmente ele foi aprovado. 
9/9: viajei para a capital do Rio Grande do Sul. Mal deixei minhas malas no quarto e fui almoçar um xis; depois, ao som de Rage Against the Machine (uma banda que me remete à politização da juventude gaúcha), peguei um ônibus para o campus da UFRGS. Após fazer o credenciamento, fiquei passeando pela universidade, já que minha apresentação seria apenas no dia seguinte e a palestra de abertura, à noite. Após ler o capítulo sobre o kitsch de Formalismo e Tradição Moderna, fiquei um bom tempo na livraria, onde comprei dois mangás dos Cavaleiros do Zodíaco (na época eu estava revendo a Batalha das Doze Casas quase todo dia, enquanto tomava café da manhã) e uma coletânea do Pink Floyd, A Foot in the Door (gostei muito da seleção: "See Emily Play", 5 faixas do Dark Side of the Moon, 4 do The Wall, 3 do Wish You Were Here e uma faixa de cada um dos três últimos discos, dentre elas "High Hopes"). 
Em torno das 19h houve a cerimônia de abertura do Seminário. Após uma surpreendente apresentação de coral (cantaram "Can't Buy Me Love", dos Beatles; Mendelssohn; Haydn; Vinicius de Moraes e Baden Powell; e Luis Coronel), assisti à conferência do professor Stéphane Monclaire, um irreverente brasilianista. Após brincar que crise é uma "coisa linda" para ciência política, ele apresentou um olhar estrangeiro (mas bem informado) sobre a crise política atual no Brasil. Gostei da análise conceitual e o olhar sobre a influência da mídia na política. Depois da palestra voltei para o quarto em que fiquei hospedado; antes de dormir assisti ao jogo Corinthians 1x1 Grêmio (infelizmente os corintianos empataram, e com isso deram um importante passo rumo ao título nacional) e soube que o Palmeiras tinha perdido por 1 a 0 do Internacional.
10/9: Acordei cedo e, com fones do celular plugados no álbum Grace (Jeff Buckley), peguei o ônibus para a UFRGS. Pela manhã fui assistir ao GT de Teoria Política e Pensamento Social Brasileiro. Foi uma sessão inteira sobre democracia; gostei muito das apresentações e debates, que foram desde as abordagens mais normativas até estudos de caso sobre as democracias latino-americanas. 
Na hora do almoço e antes da sessão vespertina do GT fiz novos colegas: alguns eram da UFPE (uma garota que fez uma boa apresentação sobre os problemas do "neo-constitucionalismo" da Venezuela chavista) e da UNIPAMPA (um rapaz que, aliás, faz parte da ala "left-lib" dos Estudantes pela Liberdade, mas a maioria deles(as) era da UnB.
À tarde apresentei, também no GT de Teoria, o ensaio sobre Merquior e Hayek. O debatedor e a platéia fizeram várias perguntas e comentários ao meu trabalho, e o debate foi bem produtivo. Deu para perceber que estavam interessados em compreender melhor o liberalismo social, afinal, como busquei demonstrar no artigo, ele apresenta diferenças (e vantagens) interessantes em relação aos liberalismos conservador e libertário. 
Side Pub, show do Sapo Boi
11/9: Comecei o terceiro dia do I SICP ouvindo no celular o primeiro e homônimo disco do The Clash. Às 9 da manhã assisti à mesa-redonda sobre democracia, política externa e economia com Octávio Amorim Neto (sobre democracia), Carlos Milani (política externa) e Márcio Pochmann (economia). Este, aliás, surpreendentemente mostrou certo desencantamento, lamentando erros políticos e econômicos do governo Lula. Fiz uma pergunta ao Pochmann (aos 2:08:18 de vídeo abaixo), questionando-o se a política econômica do governo Dilma não havia sido irresponsável. A resposta dele (2:14:21) oscilou entre o cinismo (ao defender que o BNDES tem que dar, sim, dinheiro pra grandes empresas) e o vitimismo (a crise internacional teria obrigado o governo a ser protecionista):

Depois do almoço, assisti com meus novos colegas de UnB ao GT de Instituições Políticas. É engraçado notar a diferença epistemológica entre o pessoal dos estudos quantitativos e empíricos em relação à área da Teoria; porém, não guardo nenhum ressentimento "humanista" em relação a eles, só não é o tipo de abordagem que eu prefiro. De toda forma, o trabalho do colega de UnB que apresentou no GT de Instituições tinha um viés mais qualitativo (aliás, ele é orientando da Rebecca, que adota o institucionalismo histórico para estudar movimentos sociais), então a apresentação dele foi de longe a melhor, inclusive no número de perguntas da platéia.
À noite eu e uma das mestrandas da UnB vimos a palestra do Brasilio Sallum Jr. (autor do ótimo livro O Impeachment de Fernando Collor, que inclusive comprei durante o evento e li quase inteiro até dezembro). 
Mais tarde nos encontramos com o resto do pessoal na Cidade Baixa, onde jantamos xis (é sério, eu amo esse prato típico gaúcho!) e depois fomos a festa no pub Divina Comédia, na qual tocaram duas bandas cover: Fake Brothers (que investiu em indie rock, com um repertório que incluiu Hives, Killers, Muse, MGMT, Two Door Cinema Club etc.) e Celofanes (especializado em pop rock dos anos 90, com covers de Spice Girls, Green Day, Raimundos...). 
Outro destaque da ótima festa foi que, após passar anos tentando descobrir o nome e artista de "um jazz contemporâneo, anos 90; a introdução tem um teclado e a estrofe tem um sax" (descrição que fiz dela no Facebook depois de ouvi-la no BBB), ela tocou lá; corri pra perguntar para o DJ o nome e artista dela, e descobri: é "Cantaloop (Flip Fantasia"), um sample que o US3 fez de "Cantaloupe Island", de Herbie Hancock! 



Fomos embora em torno das 5 da manhã,  em cima da hora para eu pegar minhas coisas no quarto e ir direto para o aeroporto. Por sorte o taxista que me levou da festa me passou o telefone, então meia hora depois ele me buscou para eu pegar meu vôo.
Enfim, foi mais uma excelente estadia em Porto Alegre; o Seminário Internacional de Ciência Política foi um ótimo evento, muito bem organizado.

Homenagem a José Guilherme Merquior na ABL
17/9 - Instituto Liberal - Ortega, JGM; Livraria Cultura; IFCS - certificado; sebos - CDs e livro no Berinjela; 
ABL - socialização, João Cezar, Portella, documentário.

Eleições para o DCE (UnB)
24-25/9 - "corujão". 60% dos votos válidos.

2015, parte I: Os sete primeiros meses

(Post concluído em 16/2/16)

A Mudança para o Catete/Flamengo
Após 3 anos morando em apartamentos de família (se bem que, no caso do segundo deles, em 2014 virou uma espécie de república, já que os donos se mudaram para o interior de SP), foi em 2015 que finalmente comecei a dividir um apartamento com um amigo. A partir de Fevereiro me mudei com um amigo, o Victor, para o bairro do Flamengo (mas em um prédio que fica do lado do Museu da República e da estação de metrô do Catete). Isso significou uma melhora notável no meu padrão de vida, pois passei a ter muito mais liberdade para organizar meu espaço e tempo. Meu quarto ganhou personalidade (finalmente pude organizar meus livros, CDs e games à vontade); posso usar a cozinha à vontade; Victor e eu freqüentemente chamamos nossos amigos para conversarmos e bebermos (e eles podem dormir na sala se ficar tarde para voltar para casa) etc. 

Lollapalooza 2015
Embora só tenha visto este Lolla pela televisão (não havia atrações que me empolgassem o bastante, como um Pixies ou um New Order, para eu aceitar pagar o caro ingresso do festival), ele me causou impressões o bastante para gerar este post. Destaque para o show dos Smashing Pumpkins, bem melhor do que aquele em que fui no Planeta Terra de 2010.

Palmeiras na final do Campeonato Paulista
Acompanhei religiosamente a saga do Verdão neste ano, desde a pré-temporada até o desfecho na Copa do Brasil. O destaque do 1º semestre foi a boa campanha no Paulistão, com vitórias sobre São Paulo (por 3x0, com direito a golaço do meio-campo de Robinho) e Corinthians (nos pênaltis, em pleno Itaquerão, graças ao incrível goleiro Fernando Prass). Infelizmente o Palmeiras perdeu a final para o Santos, também nos pênaltis; sofri bastante assistindo a esse jogo, pois o título esteve bastante próximo. Eu teria que esperar mais sete meses para ver meu time fazer valer as inúmeras contratações e sair do jejum de títulos ...

Blur lança álbum após 12 anos
A melhor banda britânica dos anos 90, após muita expectativa dos fãs (ainda mais depois das turnês mundiais de 2009 e 2012-13 e do single "Under the Westway"), anunciou em Fevereiro que, dentro de dois meses, seria lançado The Magic Whip, o primeiro disco desde Think Tank (2003), sendo que o último com a formação completa havia sido 13, de 1999.
Os clipes que iam sendo divulgados a conta-gotas foram me agradando, principalmente os de "Go Out" (com seu baixo potente e estilo dançante e hipnótico, algo como uma "Girls & Boys" versão Hong Kong) e de "Lonesome Street" (uma das mais cativantes melodias da história da banda). 
Comprei o disco na semana de lançamento e gostei muito de todas as demais faixas, principalmente de “New World Towers” (notável como Albarn e cia. conseguem combinar bem crítica social com introspecção), “I Broadcast” (que remete à urgência e ao bom humor de certas canções dos discos de 1993-95) e “Ong Ong” (extremamente viciante, passei dias com o refrão dela grudado na minha cabeça - ainda mais depois que lançaram um clipe divertidíssimo).
Enfim, The Magic Whip é um álbum que melhora a cada audição; não é uma obra-prima como Modern Life is Rubbish (a brilhante reação da banda ao grunge e à americanização da cultura britânica), Parklife (o disco que definiu uma geração) ou Blur (o meu favorito, pois tem letras mais intimistas e sonoridade bem eclética), mas está no mesmo patamar dos ótimos The Great Escape, 13 e Think Tank. Não ouvi muitos discos novos em 2015, mas dos que escutei posso dizer que The Magic Whip foi meu preferido.

Greve nas federais, confusão na UERJ
Tive que interromper durante duas semanas meu curso de Sociologia Geral para os calouros da turma noturna de Filosofia devido à ameaça de greve na UERJ. Fiz o possível para manter as aulas, mas depois que houve quebradeira num confronto entre estudantes e policiais no dia 11 de Maio, não tive outra opção senão adiá-las. Apesar de tudo, gostei muito de lecionar para essa turma; foi a melhor para quem já dei aula, junto com a de Psicologia no 2º semestre de 2013. Destaque para as aulas sobre Marx, Merquior e Gusmão, que renderam bons debates.
Na mesma época começou uma greve nas federais (dentre elas a UFRJ e a UFF) que duraria quatro meses. Diante de um contexto de crise e ajuste fiscal, aquela paralisação não fazia o menor sentido para mim, pois não traria aumento de salários, não teria impacto político (afinal, a universidade, cada vez mais encastelada em relação às demais esferas sociais, não é um "serviço essencial", portanto há pouca pressão externa em prol da greve) e o pior, prejudicaria os estudantes de graduação, ainda mais os que moram em outras cidades. Expressei minha angústia com esse quadro neste post.


Mudança de tema
Falando em José Guilherme Merquior, no dia 5 de Maio tomei uma importante decisão: iria fazer minha tese de doutorado sobre ele ao invés de Thomas Mann. O estopim foi uma conversa que tive com os meus "companheiros" de Beemote: o professor Christian e o doutorando Paulo.

XTC, a minha banda de 2015
Eu já gostava desta bandas desde 2008, mas passei a ouvi-la bem mais depois que comprei vários CDs deles na Livraria Cultura e no Mercado Livre - a coletânea dupla Fossil Fuel (1996), a obra-prima Skylarking (1986), o ambicioso English Settlement (1982), o réquiem Apple Venus, vol. 1 (1999), o eletrizante Drums and Wires (1979) e a antologia do Dukes of Stratosphear (1987).
Sobre Skylarking, fiz até um post no Facebook:
"Numa linhagem de álbuns conceituais com melodias pop e letras inteligentes que vai dos Beatles (Sgt. Pepper's) e Kinks (Village Green Preservation Society, Arthur, Lola) até o Blur (Modern Life, Parklife, Great Escape), existe uma banda não tão famosa quanto estas três, mas que gravou alguns dos melhores álbuns dos anos 80: o XTC. Um deles é Skylarking, que apresenta um ciclo de vida e morte, dia e noite, amor e solidão, contendo canções geniais como "The Meeting Place", "That's Really Super, Super, Supergirl", "1000 Umbrellas", "Big Day" e "Dear God"."
A propósito, Dear God foi um pretexto para um pequeno texto que publiquei no blog em meados de Maio.

Franz Ferdinand + Sparks
O que acontece quando a melhor banda de art rock da década passada se une a uma das melhores bandas de art rock da grande safra dos anos 70? Um dos melhores discos do ano, é claro! O supergrupo FFS (um acrônimo de Franz Ferdinand e Sparks) lançou um álbum homônimo que se destaca não só pelas canções criativas, mas também pelos clipes debochados, como o de "Piss Off", algo do tipo "Mortal Kombat meets Ninja Rangers on drugs".
Comprei o disco assim que foi lançado no Brasil, em Julho. Ele é mesmo sensacional; juntou os trunfos dos escoceses (as melodias grudentas, o vocal de Kapranos, o tom debochado e o ritmo dançante) com os pontos fortes do duo americano (os títulos criativos, as letras inteligentes e a sonoridade bem anos 70). 
Entre as melhores faixas estão "Johnny Delusional", "Call Girl", "Piss Off", "Sõ Desu Ne" e "Collaborations Don't Work", cuja letra é de uma metalinguagem hilária:
"Mozart didn't need a little Haydn to chart
Warhol didn't need to ask De Kooning 'bout art
Frank Lloyd Wright always ate à la carte
Wish I'd been that smart"

Copa América, Mundial Sub-20 e Copa do Mundo Feminina
Entre Junho e Julho respirei futebol; além da ascensão do Palmeiras no Brasileirão (depois que Marcelo Oliveira se tornou técnico da equipe, foram 6 vitórias em 7 jogos; chegamos a ficar em 3º lugar, a 2 pontos do Corinthians e 4 do Atlético!), assisti assiduamente aos jogos das seleções brasileiras na Copa América, no Mundial Sub-20 e na Copa do Mundo feminina. 
Na primeiras delas a seleção treinada por Dunga jogou tão mal (principalmente na derrota contra a Colômbia, marcada pelo papelão de Neymar) que torci para ela perder para o Paraguai nas quartas - o que de fato aconteceu, mais uma vez nos pênaltis, tal como na Copa América de 2011. Pelo visto sou pé-quente em "contra-torcida"; vide as Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014, quando também "azarei" o Brasil, rs.
No Sub-20 o escrete canarinho fez uma boa campanha, com direito a duas vitórias nos pênaltis contra as fortes seleções do Uruguai e de Portugal. Na final, contudo, a equipe não foi páreo para a forte defesa e os contra-ataques mortais da Sérvia, e perdeu por 2x1 no finalzinho da prorrogação. De toda forma, o saldo foi positivo, e jogadores como Gabriel Jesus saíram bem cotados.
Já a seleção feminina decepcionou, caindo nas oitavas-de-final para a Austrália. Marta fez sua pior Copa do Mundo. Felizmente o fiasco na competição serviu de lição para a equipe treinada por Vadão, pois um mês depois as meninas levaram o ouro no Pan com uma goleada de 4x0 sobre a Colômbia.

Aniversário surpresa
Eu queria fazer uma festa de aniversário com meus amigos no apartamento, porém achava melhor fazer no dia 30 de Junho, uma terça-feira, ao invés do dia oficial, 29, uma segunda. Sem que eu soubesse, a Carolina adicionou todos os amigos que estavam no evento do Facebook que criei e combinou com eles de fazer uma festa surpresa; nas palavras dela, "roubou meus convidados"!
Quando cheguei no apartamento e notei que a porta estava destrancada, já ia dar uma bronca na Carol, quando vi um balão e... "Surpresa!" Vários amigos meus vieram, e a noite foi ótima. Comemos e conversamos bastante enquanto assistíamos ao jogo Chile 2x1 Peru.

Artigo na Nabuco
Ainda sobre Merquior, coincidiu de eu decidir estudá-lo a fundo justamente quando o ensaio sobre ele que submeti à revista Nabuco foi aprovado para publicação na 4ª edição, lançada no início de Julho.
A versão inicial do mesmo foi um artigo que escrevi para o 5º Seminário Nacional de Sociologia e Política, realizado na UFPR em Maio de 2014. De certa maneira ele é o "esqueleto" para a minha tese de doutorado.
Fiquei feliz com a boa recepção que "José Guilherme Merquior: da nostalgia crítica à apologia do progresso" teve; meses depois, até o Martim Vasques da Cunha me disse que gostou do ensaio.

Cabaret
Convidado pela Camila, assisti a um show do Cabaret semana passada com ela, Victor, Leo, Caio e Cristiano. Foi uma performance incrível! Márvio (que também é editor de esportes d'O Globo) é um vocalista muito carismático e irreverente, e o resto da banda demonstrou muita técnica e feeling - nem sei dizer se curti mais o baixo, a bateria ou as guitarras!
Assim que acabou o show comprei A Paixão Segundo Cabaret, o álbum mais recente deles, que é um disco conceitual sobre as fases de uma paixão.