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Kaio

 

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13 julho 2014

E venceu a melhor


Ao contrário de 1954 e 1974, em que derrotou as seleções de futebol mais encantador, em 2014 a Alemanha conseguiu conciliar sua tradicional eficiência com o inovador futebol-arte e de organização tática trazido por Joachim Löw (desde seus tempos de assistente de Klinsmann, quando ele já era o cérebro da seleção alemã) e seu time de craques: o raçudo Schweinsteiger, os artilheiros Klose e Schürrle, o ótimo meia-atacante Müller, o goleiro-líbero Neuer, o capitão Lahm, o autor do gol do título, Mario Götze (foto), entre outros.
Desde 2005 a Alemanha demonstra uma evolução constante. Naquela Copa das Confederações e na Copa do Mundo de 2006, esbanjou ofensividade, e conseguiu o 3º lugar em ambas; na Euro 2008 cresceu ao longo da competição e chegou à final, perdida para uma ascendente Espanha; no Mundial de 2010, goleou Inglaterra e Argentina, mas novamente caiu diante da seleção espanhola, desta vez nas semifinais; na última Euro, passou invicta por um grupo da morte com Holanda, Dinamarca e Portugal, porém foi batida pelos gols do italiano Balotelli na semi.
Na Copa de 2014, os Nationaelf tiveram mais dificuldades para superar as africanas Gana (2x2) e Argélia (2x1, na prorrogação) do que para bater as européias Portugal (4x0) e França (1x0). Löw superou seu mestre Klinsmann na partida contra os EUA (1x0). A semifinal contra o Brasil (7x1) foi espetacular, embora o time só tenha precisado de 30 minutos para "demolir" seu adversário. Hoje, contra a Argentina, a seleção alemã encontrou uma adversária poderosa, que fez sua melhor exibição na Copa, após várias partidas em que venceu mas pouco encantou. Os argentinos perderam pelo menos três claras chances de gol (uma com Higuaín no 1º tempo, outra com Messi no 2º e a última com Palacio, já no tempo extra); o castigo tardou, mas não falhou: aos 8 minutos do 2º tempo da prorrogação, Götze, após lançamento certeiro de Schürrle, fez um golaço.
Este Mundial terminou com 171 gols, justamente o mesmo número da Copa de 1998, que foi ao lado desta a melhor dos últimos 40 anos. Na galeria das grandes edições do torneio, arrisco-me a dizer que ambas compõem um top 5 com 1954, 1958 e 1970. O Brasil pode ter decepcionado, mas outras seleções garantiram o alto nível desta Copa: além das finalistas, cabe citar Holanda, Colômbia, Bélgica, França, Costa Rica, Chile, México e Estados Unidos.
Que venha Rússia-2018!

10 julho 2014

Alemanha x Argentina, pela 7ª vez em Copas


A final da Copa do Mundo será entre Alemanha e Argentina, um dos maiores clássicos do futebol mundial. Já se enfrentaram em seis Copas, com quatro triunfos dos alemães (1958, 1990 [final], 2006 e 2010), um empate (1966) e uma vitória argentina (1986 [final]).
Em uma Copa repleta de "plot twists", eis que o Brasil está fora da final, na qual estará sua maior rival regional. Um enredo digno de tragédia grega - ou de comédia de humor negro, rs.
Eis o que tenho a dizer sobre os finalistas:
Alemanha: após uma vitória espetacular sobre o Brasil, os germânicos chegam à final com muita moral para conseguirem o título que essa geração de Lahm, Müller, Schweinsteiger e cia. tanto merece. O jogo de ontem mostrou da forma mais clara possível o contraste entre a organização e eficiência da seleção alemã e o despreparo (tático, técnico e emocional) da seleção brasileira. Após quase ter sido eliminada pelo Chile e se redimido contra a Colômbia, a equipe do Brasil foi "castigada" pelas falhas de posicionamento, pela falta de treinos táticos (a preparação para os jogos dessa Copa foi tão escassa quanto em Weggis-2006) e pelas más atuações da maior parte do elenco. A Alemanha ainda foi piedosa e diminuiu o ritmo depois do 5x0 aos 29 minutos do 1º tempo, mas bastou Schürrle entrar para aumentar a goleada. O 4-2-3-1 alemão, com notável preenchimento do meio-campo, continua sendo o melhor uso dessa formação tática, ao contrário da versão "kitsch" adotada pelo Brasil (que, neste setor do campo, apresentou muitos buracos). Enfim, após o "jogo-treino" de ontem, os alemães precisam manter a frieza e a altivez para, quem sabe, persistirem em sua reputação recente de "carrascos" da Argentina (4x2 nos pênaltis em 2006 e 4x0 no tempo normal na Copa passada).
Argentina: chegou à final com um desempenho pouco vistoso - todas as vitórias foram por um gol de diferença e só venceram a Holanda nos pênaltis após uma partida morna, com poucas chances de gol. Porém, esta semifinal mostrou um outro lado da Albiceleste: os problemas no setor defensivo - tão alarmantes, p.ex., no jogo contra a Nigéria - parecem ter sido resolvidos. A despeito do ofensivo esquema 4-3-3, a equipe não ofereceu espaços para a Holanda (e nem para a Bélgica, nas quartas de final). Mascherano parou Robben e Romero foi um goleiro confiável no tempo normal e heróico nos pênaltis. Lionel Messi terá a grande chance de conseguir aquilo que falta para ser considerado um craque à altura de Pelé: vencer uma Copa do Mundo. Seu desempenho nesse Mundial vem sendo irregular, mas na final ele pode desencantar. Sem Di María, seu jogador mais criativo, a Argentina terá que contar com essas duas armas - a defesa e Messi - para superar a Alemanha e conquistar um feito de enorme valor simbólico: um tricampeonato em pleno Maracanã.

P.S. - Holanda: Van Gaal fez péssimas substituições (preferiu colocar volantes ao invés do meia-atacante Depay e deixou o goleiro Krul de fora da decisão de pênaltis), a equipe holandesa jogou mal no tempo normal e prorrogação e houve a decisão equivocada de deixar o Vlaar bater pênalti. Pelo visto a Holanda precisa mesmo se reinventar; nem o estilo mais pragmático e menos futebol-arte que adotaram nesta Copa e na de 2010 (com o técnico van Marwijk) foi o bastante para que eles parassem de "morrer na praia".
P.S. 2 - Brasil: Leiam este texto do ImpedimentoEnfim, seriedade à parte, acho que daqui a alguns dias todos estaremos rindo do que aconteceu anteontem; afinal, nada mais coerente com a "Copa da zoeira" do que esse 7x1, rs. Nem esse fiasco me tira da convicção de que esta vem sendo uma das melhores Copas de todos os tempos.
P.S. 3 - "Copa das Copas?": O nível técnico desta edição é altíssimo; das que vi desde criança, a única tão boa quanto esta foi a de 1998 (em que, além da França, outras 5 ou 6 seleções tinham futebol para serem campeãs). Das mais antigas que já vi pelos vídeos oficiais ou pelo YouTube, diria que as únicas tão emocionantes quanto esta foram as de 1954, 1958 e 1970.  A 1ª fase da Copa de 2014 foi espetacular, tanto pelas zebras (Espanha 1x5 Holanda, Itália 0x1 Costa Rica...) quanto pelas partidas cheias de gols e viradas. As oitavas de final foram marcadas por boas prorrogações. As quartas de final tiveram partidas com menos gols, porém foram mais técnicas e táticas. A goleada da Alemanha entrou para a história; a classificação da Argentina para a final foi uma reviravolta cruel para os ufanistas; e, ainda teremos dois jogos que podem ser incríveis.

06 julho 2014

Os semifinalistas

As quartas de final foram menos eletrizantes do que as oitavas, mas houve dois bons jogos (Brasil 2x1 Colômbia e, principalmente, Holanda 0x0 [4x3] Costa Rica) que mantiveram o alto nível dessa Copa do Mundo. E os quatro semifinalistas são:
- Brasil: a seleção se redimiu da má impressão do confronto contra o Chile e jogou bem contra a Colômbia, principalmente no 1º tempo. Destaque para a dupla de zaga Thiago Silva e David Luiz, tanto pela segurança que forneceram à nossa defesa quanto pelos gols (aliás, o de David Luiz foi uma belíssima cobrança de falta). Infelizmente o Brasil terá dois desfalques para o próximo jogo: o capitão Thiago Silva levou o 2º amarelo e está suspenso, devendo ser substituído por Dante; Neymar fraturou um osso da vértebra e está fora da Copa, encerrando prematuramente um Mundial que poderia consagrá-lo como melhor jogador do mundo. Só resta esperar que Dante entre bem (o fato de jogar no alemão Bayern de Munique ajuda) e que a ausência de Neymar cause um "efeito 1962" - Copa em que Pelé se machucou e foi substituído à altura por Amarildo - para levantar a seleção na semifinal. 
- Alemanha: Löw colocou Lahm na lateral, arrumou o posicionamento da defesa e colheu os frutos. A seleção alemã, após fazer um gol logo no início, segurou a França, mas de um jeito que eu gosto - ao invés de retrancar, ela controlou a posse de bola e continuou buscando o 2º gol (e quase o fez várias vezes). Anulada taticamente, a equipe francesa ainda foi prejudicada pela lentidão do técnico Deschamps, que só resolveu fazer substituições faltando 20 minutos para o fim do jogo. A eficiente Nationalelf tem grandes chances de vencer o Brasil - e grandes motivações, afinal deseja uma revanche da final de 2002 e não quer amargurar a 3ª derrota consecutiva em semifinais.
- Argentina: o jogo contra a Bélgica foi morno, e em parte a culpa foi do prematuro gol (aliás, belo gol) de Higuaín. Num autêntico "estilo Libertadores", a Argentina requentou a partida, adotando uma postura mais defensiva. Os belgas não conseguiram desenvolver seu estilo de jogo, e criaram poucas chances de empatar; os argentinos chegaram mais perto do gol com Higuaín (travessão) e Messi (defesa de Courtois). Porém, há um segundo motivo para a queda de qualidade do jogo: a contusão de Di María logo no 1º tempo. Eis outro grande jogador que ficará ausente no restante da Copa. O técnico Sabella acertou hoje com seu 4-4-2 ao invés do 4-3-3, mas precisará pensar numa boa maneira de substituir Di María contra a...
- Holanda: protagonizou o melhor jogo das quartas contra a surpreendente Costa Rica. Tentou o gol de diversas maneiras, mas esbarrou no goleiro Navas, na trave e, principalmente, no impedimento: foram 13! Se não ficassem tanto na "banheira", talvez os holandeses tivessem decidido o jogo no tempo regulamentar. Os costa-riquenhos atacaram pouco e se defenderam bem (não por acaso, terminaram sua participação com apenas 5 gols marcados e 2 sofridos), e foi preciso um lance de mestre para que o técnico Van Gaal levasse os Oranjes à vitória, já nos pênaltis. No último minuto, entrou o goleiro reserva Tim Krul (foto), que acertou o lado das cinco penalidades cobradas pela Costa Rica e pegou duas delas. Foi uma tática de futsal aplicada ao futebol de campo; genial! Também gostei da formação adotada hoje (3-4-3) e dos sempre assustadores contra-ataques da seleção holandesa. O jogo contra a Argentina promete ser incrível, tal como foram os confrontos anteriores entre ambas (Holanda 4x0 em 1974, Argentina 3x1 em 78 e Holanda 2x1 em 98).


02 julho 2014

Analisando as seleções classificadas para as quartas de final

Após uma incrível etapa de oitavas-de-final (com direito a 5 prorrogações e 2 decisões de pênalti!), farei uma análise das oito seleções classificadas para as quartas-de-final da Copa do Mundo:
- Brasil: passou um sufoco tremendo para superar o Chile; jogou mal durante a maior parte do jogo, principalmente no 2º tempo regulamentar. Em um dia de má atuações de Neymar, Oscar e cia. (a exceção foi Hulk, talvez para compensar o seu erro no gol chileno), Júlio César incorporou o espírito de Marcos e Taffarel e salvou o dia: ele foi incrível na decisão de pênaltis, quando pegou dois e "defendeu com os olhos" um que foi parar na trave. Para além da má atuação brasileira, não se pode minimizar os méritos do Chile, que mostrou notável disciplina tática e anulou o meio-campo e o ataque brasileiros durante boa parte da partida. Espero que o susto das oitavas permita ao Brasil crescer na competição e mostrar uma boa atuação em seu duelo com a...
- Colômbia: por enquanto, é a seleção mais consistente e de futebol mais bonito. Passou fácil pelo Uruguai, e tem em Cuadrado e James Rodriguez seus destaques individuais. O técnico Pekerman aprendeu com seus erros comandando a Argentina em 2006 e vai lutar para, desta vez, conseguir avançar às semifinais. Cabe lembrar que, há dois anos, ainda sob o comando de Mano Menezes, o Brasil empatou em 1x1 com a Colômbia em um amistoso.
- França: teve mais trabalho que o esperado para vencer a Nigéria, pois a seleção africana foi bastante ofensiva (principalmente no 1º tempo) e também porque o ataque francês esbarrou várias vezes em Enyeama. Porém, o goleiro nigeriano foi de herói a vilão, já que o 1º gol francês surgiu de uma saída dele à la "caça de borboletas". Os franceses estão crescendo na competição e farão um jogo sem favoritos contra a...
- Alemanha: mais uma seleção campeão que passou apuros nas oitavas. A Argélia atuou com muita garra e proporcionou um dos melhores jogos da Copa. O goleiro M'Bolhi fez inúmeras defesas, e só na prorrogação os alemães conseguiram marcar seus gols. Deixar Neuer de líbero (foto) pode não ser uma boa idéia contra os contra-ataques que chegam a Benzema, então acho que Löw precisa fazer umas correções táticas; p.ex., deixar Lahm de lateral ao invés de volante.


- Holanda: após sua 3ª virada em 4 jogos, os holandeses provaram que são mesmo o Vasco da Europa: tanto por serem "o time da virada" (essa contra o México foi digna de um Palmeiras 3x4 Vasco) quanto pela "síndrome do vice-campeonato" (aliás, minha atual candidata a vice, independentemente de quem será o campeão, é a Holanda, rs). Mais uma vez a seleção comandada por Van Gaal precisou levar um gol para acordar no jogo, mas continua tendo problemas para propor, ditar o ritmo da partida quando está 0x0. Mesmo assim, deve vencer a...
- Costa Rica: após uma ótima 1ª fase, os costa-riquenhos parecem ter chegado ao seu limite no extenuante duelo contra a Grécia. Acho que o gol de empate que levaram no finalzinho foi o preço a se pagar por terem achado que 1x0 era o bastante; aliás, o México foi até mais castigado ainda por essa atitude. Precisam recuperar aquela atuação veloz contra o Uruguai para terem alguma chance contra Holanda e se tornarem a "semifinalista zebra" (à la Bulgária, Croácia e Turquia) desta Copa.
- Argentina: eu já esperava que o jogo dela contra a Suíça seria duro; a sorte dos argentinos é que seus adversários se contentaram com uma tática defensiva (e um goleiro sólido como Benaglio), pois a defesa da Albiceleste dificilmente resistiria a bons contra-ataques. Messi mais uma vez resolveu a partida em uma única jogada, desta vez passando a bola para Di María, que fez sua melhor partida na Copa até agora. A Argentina agora vai buscar sua 1ª semifinal em 24 anos diante da...
- Bélgica: outra seleção que não chega entre as quatro primeiras há muito tempo (desde a Copa de 86). Marc Wilmots provavelmente tem o melhor banco de reservas dentre as 8 classificadas, pois a Bélgica testou vários jogadores em suas 4 vitórias e eles foram decisivos em partidas diferentes. Desta vez o herói foi Lukaku, que finalmente desencantou nessa Copa. O goleiro Tim Howard deve ter feito umas vinte defesas, sinal de que os belgas foram ofensivos e tomaram a iniciativa durante toda a partida (exceto no 2º tempo da prorrogação, quando os americanos diminuíram para 2x1 e buscaram bravamente a virada, mesmo estando fisicamente esgotados - aliás, menção honrosa para a seleção dos EUA; Klinsmann foi um dos melhores técnicos dessa Copa). Argentina x Bélgica será um jogo interessante, pois ambas seleções gostam de controlar a posse de bola e atacar.

27 junho 2014

Os 16 classificados para as oitavas de final

48 jogos e 136 gols depois (média de 2,83 por partida), acabou a 1ª fase da Copa do Mundo de 2014. Dentre os 16 classificados para as oitavas, há muitas surpresas. Quem, antes do início do Mundial, esperaria ver Costa Rica, Nigéria, Argélia e Grécia classificadas? Alguém imaginava ver as européias Itália, Espanha, Portugal, Bósnia e Rússia já eliminadas? 
Eis os confrontos que eu esperava para essas oitavas: Brasil x Chile (sim, eu achava que eles iam passar, mas eliminando a Holanda), Colômbia x Uruguai (acertei x2), Espanha x México, Itália x Costa do Marfim, França x Bósnia, Alemanha x Rússia, Argentina x Suíça (acertei x3) e Bélgica x Portugal.
Farei uma breve análise das 16 equipes classificadas:
- Brasil: teve mais trabalho que o esperado contra croatas e mexicanos, mas conseguiu passar em 1º no seu grupo. Neymar vem se revelando um jogador decisivo nas horas difíceis. Felipão é um técnico "copeiro" (que o digam Criciúma, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro, Portugal e o próprio Brasil), então tenho boas expectativas quanto à nossa seleção.
- México: vem fazendo uma campanha surpreendente. Herrera consertou a tradicionalmente fraca defesa mexicana, que nessa 1ª fase só levou um gol.
- Holanda: arrasadora contra a Espanha e competente contra Austrália e Chile. Van Gaal vem se redimindo do fiasco da eliminação nas Eliminatórias de 2002, e pode tranqüilamente levar os holandeses às semifinais.

Na foto, um dos muitos lances impressionantes dessa Copa - o vôo do "superman" Van Persie.

- Chile: a equipe que joga nos meus esquemas táticos favoritos (3-4-3 e 4-3-3) destronou a seleção espanhola, e conta com sua melhor geração para tentar se livrar da freguesia contra o Brasil.
- Colômbia: finalmente conseguiu corresponder às expectativas, e saiu invicta de seus 3 primeiros jogos. Forte candidata a chegar pelo menos às quartas-de-final.
- Uruguai: após uma estréia desastrosa, conseguiu uma classificação heróica contra Inglaterra e Itália. Porém, não contará com Suárez, expulso após reincidir no seu distúrbio vampiresco. Talvez a Celeste se fortaleça na dificuldade, mas o histórico recente me deixa cético de que conseguirão ir longe sem seu artilheiro.
- Costa Rica: roubou da Bélgica o status de sensação da Copa. Vitórias convincentes contra uruguaios e italianos mostram que os costa-riquenhos evoluíram em relação à geração que caiu na 1ª fase em 2002 e 2006. É favorita contra a...
- Grécia: estreou mal, mas se recuperou contra Japão e Costa do Marfim, com direito a gol no último minuto. Se mantiver a postura ofensiva do jogo contra os marfinenses, quem sabe não consegue surpreender?
- França: já disse em outra ocasião que os franceses historicamente oscilam entre uma Copa boa e outra ruim (a única exceção foi na década de 80, quando a geração de Platini chegou a duas semifinais consecutivas). Deschamps vem se mostrando um ótimo técnico, e Benzema é o destaque de uma seleção que deve chegar às quartas e, quem sabe, até mais longe.
- Nigéria: passar da 1ª fase já é mais do que os nigerianos pretendiam nesse Mundial (afinal essa geração está focada mesmo em 2018). De toda forma, serviu para redimir o fiasco de 2010. Podem aprontar para cima dos franceses se repetirem a boa atuação contra a Argentina.
- Alemanha: foi bem contra os EUA e Portugal, mas contra Gana sua defesa deu sustos. Esta geração de Schweinsteiger, Müller, Lahm etc. está merecendo um título há tempos, mas bate na trave desde 2006; embora se possa definir a seleção alemã de Löw como "futebol arte mas pipoqueiro" (como diria meu amigo Nauê), ela prima pela regularidade - algo que falta, por exemplo, em Itália e França. Sendo assim, continua sendo uma das maiores candidatas a vencer a Copa.
- Argélia: vai enfrentar os alemães querendo se vingar do "jogo de compadres" em 1982 e também repetir o 2x1 que aplicaram na seleção germânica de então. É outra africana que foi mais longe do que se esperava (ao contrário das mais cotadas Gana e Costa do Marfim), então pode sair no lucro se simplesmente vender caro a derrota para a Mannschaft.
- Argentina: venceu mas não convenceu na primeira fase. Messi foi decisivo nas três partidas, mas parece até que ele está num "fogo amigo" contra a frágil defesa argentina. Por enquanto o placar está 4x3, mas a partir do mata-mata a Albiceleste não pode se dar a esse luxo. Sendo assim, no próximo jogo é preciso que Higuaín, Di María e os demais melhorem seu desempenho.
- Suíça: por enquanto correspondeu às expectativas - ganhou no sufoco contra o Equador, perdeu para a França (embora a goleada não fosse prevista) e se redimiu contra Honduras, com grande atuação do baixinho Shaqiri. Assim como os argentinos, seu ponto fraco é o setor defensivo (algo inimaginável nas duas últimas Copas, nas quais levaram 1 gol em 7 jogos). Portanto, pode ser uma partida com muitos gols.
- Bélgica: outra equipe que saiu com 9 pontos da 1ª fase, mas ainda não apresentou um futebol encantador. Ainda são melhores no PES/FIFA do que na vida real, rs. (Aliás, meu irmão Aderson joga muito bem com eles) Os belgas têm grandes chances de ficar entre os 8 primeiros, mas para isso precisam superar o futebol-força dos...
- Estados Unidos: ao contrário do approach ofensivo de quando era técnico de seu país (2004-06), Klinsmann agora prima por um estilo mais focado no aspecto físico do que no tático. Esta abordagem "play hard" deu certo contra os ganenses e quase garantiu a vitória contra os portugueses, mas pode não ser o bastante contra seleções mais talentosas. Acredito que o jogo contra a Bélgica deve parar na prorrogação ou mesmo nos pênaltis.

Jürgen Klinsmann e Joachim Löw. Na primeira fase, o pupilo venceu o mestre (Alemanha 1x0 EUA). Agora ambos estão nas oitavas.

24 junho 2014

A última rodada dos grupos C e D

Esta Copa está tão alucinante que até o grupo C, considerado o mais fraco (pois nenhuma de suas seleções conseguiu ir além das oitavas-de-final em Copas anteriores), teve uma última rodada de grandes emoções.
1. A Colômbia está jogando tão bem que, mesmo com o time reserva, ganhou por 4 a 1 do Japão. A seleção treinada por Pekerman está, por enquanto, fazendo tudo aquilo que se esperava da geração 1990-98 do futebol colombiano (Valderrama, Rincón, Asprilla etc.). O time conta com jogadores talentosos como Cuadrado, Gutiérrez, James Rodriguez (que fez um golaço hoje) - e, claro, o "Armeration", rs. Creio que a Colômbia tem grandes chances de superar o Uruguai e chegar pela 1ª vez às quartas-de-final. Seria um presente à enorme torcida que veio ao Brasil.
2. Nunca subestime a Grécia. Eis uma dura lição aprendida por França, República Tcheca e Portugal na Euro 2004, pela Rússia na Euro 2012 e, no jogo de hoje, pela Costa do Marfim. Desta vez, no entanto, o que se viu não foi a famigerada retranca grega, mas sim uma equipe bastante ofensiva, que mandou várias bolas na trave, obrigou Barry a fazer defesas e tentou a vitória até o último minuto, quando foi recompensada com um pênalti. Os marfinenses jogaram pelo empate, mas cometeram erros defensivos inadmissíveis para uma equipe que se propõe a ficar fechada na defesa; o 1º gol grego nasceu de um passe errado na zaga da seleção africana. Não sei se substituir Drogba e Gervinho após o empate foi uma boa idéia, ainda mais considerando a pressão grega. 
Enfim, a Costa do Marfim perdeu sua melhor chance de ir às oitavas, e sua melhor geração de jogadores, que foi a três Copas consecutivas, se despede melancolicamente. Quanto à Grécia, jogará - ainda como azarão - contra a Costa Rica na mais inusitada partida de oitavas desta Copa do Mundo.

Sobre o Grupo D:
1. Não assisti à partida entre Costa Rica e Inglaterra, mas parece que nem os próprios jogadores das duas seleções estavam muito interessados no jogo. Terminou em 0x0, resultado que garantiu aos costa-riquenhos uma surpreendente liderança do "grupo da morte" e aos ingleses a sua pior Copa de todos os tempos, com duas derrotas e este empate.


2. No primeiro tempo, a Itália até foi razoável, controlando a posse de bola e ditando o jogo, mas já demonstrava que sua postura era cautelosa e retranqueira; jogava pelo empate sem gols. Por sua vez, o Uruguai tentou alguns contra-ataques, mas estava longe de ter a proatividade da Grécia; parecia apenas torcer por um lance de bola parada. Tudo mudou no 2º tempo: primeiro com a substituição de Balotelli (que já havia levado cartão amarelo; Prandelli pode ter temido que o centroavante, com seu jeito destemperado, acabasse sendo expulso), e principalmente com a expulsão de Marchisio. Ambas baixas deixaram a Itália ainda mais defensiva, e o Uruguai finalmente tomou coragem e se lançou o ataque. Aos 34 minutos, Suárez (foto) covardemente morde o zagueiro Chiellini, que mesmo mostrando o machucado foi ignorado pelo juiz. Segundos depois, sai o gol da vitória uruguaia, feito de costas por Godín. 
Mais uma vez a Celeste venceu pela raça, mas essa classificação foi manchada pela atitude de Suárez (que já havia tido dois "episódios de mordida", um no Ajax e outro no Liverpool); a FIFA no mínimo deveria suspendê-lo da próxima partida. Quanto à Azzurra, é uma pena que o projeto de Prandelli fracassou, pois eu estava gostando dele como técnico. Talvez seu pecado nesta partida tenha sido justamente a inconsistência tática: a equipe não se decidiu entre o tradicional "catenaccio" e a ofensividade, e o fato de o técnico ter usado três formações diferentes nas três partidas explicita essa indefinição. Espero que a Itália consiga se renovar diante do fato de que não contará mais com os lendários Buffon e Pirlo, talvez os únicos que se salvaram nessa campanha medíocre.

22 junho 2014

Do 5º ao 10º dia da Copa

SEGUNDA
§ 1 - Assisti à partida entre Alemanha e Portugal no Botafogo Praia Shopping. A superioridade alemã foi até maior do que eu cogitava, embora a seleção portuguesa tenha "contribuído" para isso graças às falhas de sua defesa (ex.: no 4º gol, o goleiro praticamente entregou a bola nos pés de Müller). A expulsão de Pepe foi justa, afinal ele mostrou conduta anti-desportiva ao dar uma cabeçada em um adversário sobre o qual havia acabado de cometer falta. Cristiano Ronaldo decepcionou, e nem cobrando falta conseguiu fazer um gol; Portugal pagou pelo risco de depender muito das atuações dele; basta lembrar que Cristiano fez todos os gols na repescagem contra a Suécia.
§ 2 - Não farei maiores comentários sobre Irã 0x0 Nigéria, até porque só vi o 1º tempo e o final do 2º; estava em reunião do Sociofilo. Porém, aquilo que assisti foi o bastante para endossar a opinião geral de que foi o pior jogo da Copa até agora. Duas equipes limitadas e que cometeram muitos erros no ataque. A Nigéria se esforçou mais, mas a melhor chance de gol foi iraniana.
§ 3 - A seleção americana precisou de apenas 30 segundos para abrir o placar. Dali em diante foram 80 minutos de pressão de Gana, e quando finalmente conseguiram empatar, os EUA reagiram prontamente e, em um escanteio, fizeram 2x1. Klinsmann montou uma boa equipe, e pode dar trabalho para Portugal e Alemanha nos próximos jogos.


TERÇA
§ 1 - A Bélgica, para surpresa de todos que apostam nela como a possível Croácia '98 dessa Copa, começou perdendo para a Argélia. Os belgas só conseguiram virar o jogo depois da entrada de Fellaini. O gol de Mertens, em que pese a falha de marcação dos argelinos, foi bonito.
§ 2 - O Brasil teve boas chances de gol contra o México, mas a atuação espetacular de Ochoa parou o ataque brasileiro. A seleção comandada por Felipão não jogou tudo o que pode, mas creio que o treinador precisa fazer algumas mudanças no time; p.ex., trocar Paulinho por Hernanes e Hulk (ou Fred) por Willian. Eu já imaginava que os mexicanos iam jogar pelo empate, e eles conseguiram lograr com sua postura mais defensiva - e ainda obrigaram Júlio César a fazer alguma defesas no 2º tempo.
§ 3 - Rússia e Coréia do Sul fizeram uma partida mediana; o empate foi justo. Destaque para o frango do goleiro Akinfeev - pelo frango em si e pela emoção que deu à partida, já que os russos correram atrás do empate.



QUARTA
§ 1 - A julgar pelas partidas Holanda 3x2 Austrália e Espanha 0x2 Chile, é melhor o Brasil pegar nas oitavas a Holanda do que o Chile. Os chilenos têm uma defesa melhor do que a dos holandeses - os quais tiveram muitas dificuldades para superar os australianos, na medida em que estes não deram muito espaço para os contra-ataques rápidos de Robben e cia. Vale destacar o golaço de Cahill, que conseguiu a notável marca de fazer 5 gols pela Austrália em três Copas.


Porém, se o Brasil quer mesmo ser hexa, não tem como "escolher" adversário. Nosso caminho no mata-mata será o mais difícil dos últimos tempos, e não me surpreenderia se caíssemos já nas oitavas.
Quanto à Espanha, creio que a teoria do envelhecimento continua válida; mas, no jogo de hoje, o técnico Del Bosque mexeu mal no time: estar perdendo por 2x0 e demorar para colocar mais um atacante foi fatal. Além do mais, o estilo de jogo lento da seleção espanhola não é propenso a virar partidas, mas sim manter uma vantagem já estabelecida.
Não se pode, é claro, minimizar o mérito do Chile, que se defendeu muito bem, foi eficiente no ataque e anulou taticamente a Espanha. Sampaoli, que já havia sido sensação na Universidad de Chile, conseguiu aperfeiçoar o estilo de Bielsa - esta seleção é bem melhor que a de 2010.
§ 2 - Os croatas jogaram muito bem contra Camarões, e a goleada por 4 a 0 foi merecida. Mandzukic fez 2 gols e mostrou que sua presença no jogo contra o Brasil poderia ter complicado bastante as coisas para nossa seleção. Os camaroneses bateram cabeça (literalmente) e seu futebol-força está longe de encantar. A eliminação precoce é merecida.



QUINTA
§ 1 - A primeira partida do dia já começou emocionante nos hinos, com a torcida colombiana cantando alto e um jogador marfinense chorando. Após uma primeira etapa com muita correria, a Colômbia venceu a Costa do Marfim em um 2º tempo eletrizante. A velocidade nos contra-ataques se mostrou decisiva no segundo gol, feito por Quintero. Desta vez a presença de Drogba não motivou uma virada marfinense, mas nos minutos finais sua seleção quase empatou o jogo. 
§ 2 - A vitória uruguaia foi mais do que justa; a Celeste mostrou muito mais raça que o England Team. Luis Suárez, após recuperação milagrosa, foi um monstro nessa partida, e fez os 2 gols do Uruguai. Os ingleses perderam muitas chances de gol porque insistem em um único tipo de jogada: o cruzamento na área ("chuveirinho"). Não por acaso, o gol saiu justamente de uma outra abordagem - contra-ataque rápido e toque certeiro para Rooney finalmente fazer seu 1º gol numa Copa. Com muita posse de bola e pouca eficiência, a Inglaterra está praticamente eliminada do Mundial. Já diria Antero Greco: "O campeonato inglês é espetacular. Os ingleses no futebol sempre foram bem medianos."


§ 3 - O Japão foi frustrante (e irritante) no empate sem gols com a Grécia. Mesmo com um jogador a mais, a equipe perdeu chances incríveis de gol. Um amigo meu observou que o problema da equipe japonesa não é exatamente tático ou técnico, mas de mentalidade:  faltou confiança, garra, "vontade de ganhar". O mesmo problema já havia ocorrido no jogo contra a Costa do Marfim, quando a entrada de Drogba foi o bastante para a equipe entrar em pane e levar a virada. Infelizmente os japoneses não conseguem repetir o bom Mundial que fizeram em 2010 (e 2002); a campanha desse ano tende a ficar mais parecida com a de 2006, ainda mais se no próximo  jogo levarem 2 ou mais gols da Colômbia.

SEXTA E SÁBADO
Dos seis jogos, cinco terminaram com resultados surpreendentes (o único previsível foi Equador 2x1 Honduras). Vamos à análise dessas partidas emocionantes:
§ 1 - Costa Rica repetiu a façanha de 1990 (quando se classificou após eliminar Escócia e Suécia e perder bravamente para o Brasil), só que dessa vez em um grupo dificílimo, com 3 campeões mundiais. A vitória contra o Uruguai já havia mostrado a habilidade costa-riquenha em operar contra-ataques rápidos; desta vez a vítima foi uma decepcionante Itália, que jogou de forma lenta e nervosa. Nem parecia a mesma Azzurra vice-campeã européia em 2012, 3ª na Copa das Confederações do ano passado e que há apenas uma semana havia vencido a Inglaterra jogando bem. O que me consola é que a Itália cresce na dificuldade. É por isso que o jogo contra o Uruguai será épico: duas equipes com vocação para fênix.
§ 2 - A França surpreendeu com uma goleada sobre a Suíça. Para quem esperava uma retranca do eterno país neutro, o que se viu foram (muitas) falhas defensivas, devidamente aproveitadas por Benzema e cia. Os franceses historicamente alternam uma Copa boa e outra ruim - campeões em 98, eliminados na 1ª fase em 2002, vice em 2006, outro fiasco em 2010 e, desta vez, podem novamente chegar longe. Parabéns para o técnico Deschamps, que por enquanto conseguiu suprir a ausência de Ribéry.
§ 3 - Os argentinos tiveram muito trabalho para vencer os iranianos por um mísero 1x0, graças ao gol salvador de Lionel "Robben" Messi. Confesso que cheguei a torcer para o Irã, pois eles mostraram muita raça e chegaram perto de abrir o placar. A Argentina ainda está abaixo do esperado, e seu "quarteto mágico" (Di María, Messi, Higuaín e Agüero) ainda não jogou o belo futebol que costuma mostrar no futebol europeu. O técnico Sabella demorou muito para fazer substituições (e ainda deixou um apático Gago em campo), e essa lentidão pode custar caro em um jogo de mata-mata.
§ 4 - Assisti ao jogo Alemanha vs. Gana no avião da Azul que me levou do Rio para Goiânia. Que grande partida, hein? Desta vez os alemães não encontraram uma defesa tão esburacada como a portuguesa, e por isso demoraram para abrir o placar - e, quando conseguiram, levaram o empate apenas três minutos depois. Para piorar, sua zaga cometeu um deslize que permitiu a virada pelos pés de Gyan. Foi então que Löw mostrou a celeridade que faltou no técnico hermano: Schweinsteiger e Klose (foto) entraram, e este marcou seu 15º gol em Copas, empatando com Ronaldo como o maior artilheiro da história do torneio. Gana ganhou sobrevida no Mundial, mas depende de uma vitória lusitana sobre os americanos para chegar à última rodada com chances reais (e não apenas matemáticas/remotas) de conseguir a 2ª vaga. Quanto à Alemanha, mais um favorito tropeça, deixando claro que essa Copa não está fácil para os europeus.


§ 5 - Quem diria que a Nigéria, após protagonizar o pior jogo da Copa 2014 contra o Irã, renasceria contra a Bósnia? Pois é, aposto que o bolão de muita gente não contava com essa zebra, rs. A seleção de Džeko foi eliminada por uma equipe aguerrida, que resistiu bravamente; o ataque bósnio também não colaborou, e teve até uma bisonha furada de bola aos 44 do 2º tempo. Os nigerianos estão praticamente classificados, e só precisam de um empate contra a Argentina ou, o que é mais provável, que os iranianos não vençam os bósnios por uma boa diferença de gols.

Sempre que possível estou fazendo a cobertura dos jogos da Copa do Mundo pelo meu Twitter.

15 junho 2014

Os quatro primeiros dias da Copa 2014

§ 1 - Gostei de Brasil x Croácia; o jogo foi equilibrado e por vezes tenso. Ao lado de Alemanha 4x2 Costa Rica (2006), foi a melhor abertura de Copa dos últimos 30 anos. Errei meu bolão (apostei que seria 1x0 para o Brasil), mas não contava com a astúcia de Marcelo e a eficiência da dupla Oscar-Neymar. Fiquei feliz em ver a capacidade de reação da equipe (ponto em que as seleções de Dunga e Parreira pecaram nas duas últimas Copas) e o poder ofensivo do esquema 4-2-3-1 adotado por Felipão. Porém, estou preocupado com nossa defesa, que principalmente no lado direito deixou muitos espaços para a Croácia contra-atacar. Além disso, o centroavante Fred deixou a desejar, embora tenha sido "decisivo" ao cavar um pênalti na malandragem, rs.
§ 2 - México 1x0 Camarões foi uma partida marcada pela chuva forte e pelos erros de arbitragem, mas nem o gramado molhado nem os 2 gols injustamente anulados impediram os mexicanos - que foram melhores em campo - de saírem com os 3 pontos.
§ 3 - Que massacre da Holanda sobre a Espanha, hein? Nem o mais entusiasta torcedor da Laranja Mecânica poderia imaginar que este jogo terminaria 5 a 1! Foi uma vitória sonora que mudou completamente o cenário do Grupo B - e do possível cruzamento do Brasil nas oitavas. Agora podemos enfrentar ou uma Espanha vingativa, querendo se redimir do 3x0 do ano passado e da má impressão da goleada de hoje, ou um Chile embalado por eliminar os atuais campeões do mundo já na 1ª fase.
§ 4 - Falando neles, os chilenos começaram o jogo contra a Austrália de forma arrasadora, com dois gols (um deles do mago Valdívia!) em menos de 15 minutos. A equipe comandada pelo "bielsiano" Sampaoli, no entanto, diminuiu o ritmo depois do segundo gol, permitindo aos australianos crescerem no jogo e quase empatarem o placar. Nos últimos instantes, contudo, o reserva Beausejor fez o terceiro e confirmou o triunfo da seleção chilena.


§ 5 - Colômbia mostrou força a despeito da ausência de Falcao García, e superou a Grécia por um contundente 3 a 0. Destaque para a sensacional comemoração do "Armeration", rs.


§ 6 - O Uruguai decepcionou. Eu e o Nauê concluímos que a Celeste é uma seleção que passa pelo mesmo problema da Espanha: envelhecida, sem renovação em relação à última Copa. Costa Rica fez por merecer a virada, ainda mais depois que, mesmo já ganhando por 2x1, o técnico colocou mais um atacante.
§ 7 - A Azzurra, minha seleção favorita desde os tempos de FIFA 98 e Euro 2000, combinou a ofensividade implantada por Prandelli (e executada por Balotelli, que na foto abaixo deu uma zoada nos ingleses) com 40 minutos de "catenaccio" depois que a equipe fez o 2º gol. O maestro Pirlo - que quase fez um gol de falta no finalzinho - regeu um time que acertou mais de 90% dos passes. A Inglaterra não teve como reagir, ainda mais com a péssima pontaria de Rooney. 


§ 8 O Japão começou bem, com um belo gol de Honda; gostei do jogo veloz do time. Porém, só foi Drogba entrar que a Costa do Marfim reagiu e, em menos de 5 minutos, virou o placar. Zaccheroni precisa arrumar a defesa nipônica para tentar conseguir a vitória nos próximos jogos.
§ 9 Você percebe que uma Copa do Mundo está boa quando até a Suíça não termina um jogo em 0x0. Após uma falha de marcação que permitiu o 1º gol equatoriano, os suíços ficaram mais ofensivos e foram recompensados com o gol da vitória no último minuto de jogo.
§ 10 A França se impôs sobre o jogo sujo de Honduras, num jogo cheio de polêmicas. A arbitragem de Sandro Ricci foi correta nos dois lances controversos: de fato Palacios merecia ser expulso (pela pisada em Pogba e pela cotovelada no pênalti), e de fato a bola entrou - ainda que milimetricamente - no lance do 2º gol. 
§ 11 Por fim, no Maracanã os argentinos jogaram mal, mas saíram com a vitória. Foi preciso a torcida xingar Messi para que o baixinho "acordasse" e fizesse um golaço, com direito a deixar seus marcadores trombando! A Bósnia precisa melhorar a precisão nos passes, mas fez uma partida melhor que o esperado. 


P.S.: A média de gols dessa Copa por enquanto está excelente: 3,36 (37 em 11 jogos). É a melhor desde a Copa de 1958.

Acompanhem minha cobertura ao vivo dos jogos da Copa do Mundo pelo meu Twitter.

21 maio 2014

"Quem vive sobrevive"

Não imaginei que este dia chegaria; depois de fiascos como As Dez Mais (1999) ou Sacos Plásticos (2009) eu já tinha perdido as esperanças. Porém, pela primeira vez desde meus 7 anos de idade (ano de lançamento do Acústico; se considerarmos só os álbuns de estúdio, então a última vez foi um ano antes, quando comprei Domingo), posso dizer a plenos pulmões: os Titãs lançaram um disco muito bom!
Na primeira vez que ouvi “Nheengatu” (e admito, sem prestar tanta atenção), confesso que não gostei. Para mim soava como se os Titãs estivessem fazendo uma paródia de si mesmos, um maneirismo nostálgico dos tempos em que a banda fazia um som mais pesado.
Porém, surpreendido por tantas resenhas positivas (Folha, O Globo, Scream & Yell...), resolvi dar uma segunda chance para Nheengatu - e desta vez ouvindo-o atento. E não é que achei o álbum ótimo? Acredito que, com 20 anos de atraso, ele é o disco que fecha a trilogia iniciada pelo auto-produzido e escatológico Tudo Ao Mesmo Tempo Agora (1991) e o grunge/metal Titanomaquia (1993); é um digno sucessor de ambos. Porém, ele soa mais indispensável agora em 2014 do que o seria em 94.
Cabe citar as 5 canções que mais me impressionaram: “Fardado” é um 'pé na porta' que começa o CD em grande estilo e poderia muito bem ser a trilha sonora das manifestações; “Mensageiro da desgraça” é um inusitado hino dos marginalizados, situado em São Paulo mas de alcance (infelizmente) universal; “Cadáver sobre Cadáver” - que conta com a colaboração do saudoso Arnaldo Antunes na letra - é um autêntico bate-estaca, e sua letra é uma dolorosa reflexão sobre a morte; “Pedofilia” traz à tona um tema polêmico e delicado; “Quem são os animais?” é candidata a single, pois é mais pop que as demais, mas tem uma letra contundente e extremamente atual.
Pois é, finalmente os Titãs voltaram à boa forma! A turnê Cabeça Dinossauro (2012) realmente fez bem para a banda; eles redescobriram a agressividade lírica e a crueza sonora, e voltaram a escrever sobre política, demonstrando estar mais sintonizados com a realidade nacional do que a grande maioria das bandas mais jovens (com a louvável exceção do Apanhador Só).
Enfim, não resisti e comprei "Nheengatu" hoje à tarde, na Saraiva. Recomendo que façam o mesmo.

30 abril 2014

Lolla

(Post incompleto. Terminarei de escrevê-lo nesta quinta de manhã)
Capítulo I: A viagem de ida


Capítulo II: Longe de tudo


Capítulo III: Passeando na Avenida Paulista


Capítulo IV: A caminho do Lolla


Capítulo V: Apanhador Só



Capítulo VI: Raimundos


Capítulo VII: Johnny Marr



Capítulo VIII: Pixies

As "fadas" tocaram 23 músicas, praticamente o mesmo número de faixas dos shows no Lollapalooza argentino e chileno (24).
É verdade que boa parte da platéia não se empolgou com a maioria das faixas, mas isso não é culpa da banda, que fez um setlist (quase) impecável; é uma pena que a maioria das pessoas só conhece “Where is my mind?” e “Here comes your man”.
Faltaram “Debaser”, “Wave of Mutilation” e “Velouria”, é verdade, mas eles escolheram as 5 melhores das faixas novas, tocaram 6 do álbum “Surfer Rosa” (meu preferido dos Pixies) e 5 do “Doolittle” e do “Come on Pilgrim”. Eu esperei 9 anos para ver um show deles, e saí mais do que satisfeito.


Capítulo IX: New Order

Fim de um ciclo. 1º show internacional que vi.


Capítulo X: Onde dormir no domingo à noite?



Capítulo XI: A saga do metrô



Capítulo XII: De volta ao Rio


01 abril 2014

Reflexões sobre o desfecho de How I Met Your Mother

(SPOILER ALERT: Este post contém inúmeras revelações sobre os eventos dos dois episódios finais de HIMYM. Não leia se não quiser estragar a surpresa.)

Era para eu ter escrito ontem um texto sobre tudo o que aconteceu de bom e de ruim comigo ao longo do mês de Março (um dos mais intensos da minha vida, diga-se de passagem), mas isso fica para depois. Ontem passei o dia inteiro pensando, lendo e assistindo a How I Met Your Mother, e no fim da noite vi os episódios finais com minha namorada e três amigos. "Last Forever - Part One" e "Part Two" são tão impactantes - além de polêmicos e controversos - que me senti impelido a dar minha interpretação sobre eles.

Comecei a assistir à série em Janeiro de 2011, quando ela já ela estava em sua 6ª temporada. Eis um tweet que postei na época: "Uau, em menos de 10 dias já descobri um 3º seriado legal para acompanhar: How I Met Your Mother.  Funny, e os personagens são carismáticos." Cinco dias depois, uma nova mensagem mostra que não demorou muito para eu ser fisgado pelo romantismo da série: "Grrr, os 2 últimos eps. de How I Met Your Mother que eu vi (1x12, 1x13) foram tão românticos que me "contaminaram". Odeio quando fico meloso".
Para quem não lembra, é no 13º episódio ("Drumroll, Please") que Ted conhece Victoria, e a forma como ocorre o primeiro encontro deles é tão bonita que resolvi dar um tempo em HIMYM; pressenti que seria doloroso ver como um relacionamento que começou tão bem iria necessariamente acabar mal, afinal provavelmente Victoria não seria a mãe. (Aliás, é no mínimo intrigante ter descoberto ontem (!) que, na verdade, ela poderia sim ter sido "The Mother": esse era o plano dos criadores, caso a série fosse cancelada após a primeira temporada.)
Enfim, passei alguns meses sem ver a série - e admito que um motivo para isso foi meu platonismo, pois na época eu estava em um momento difícil da minha vida de solteiro, amargurado pelo desejo de ter um relacionamento sério e duradouro. O fracasso do meu 1º namoro, em meados de 2009, não me marcou como desilusão amorosa; pelo contrário, me deixou ainda mais esperançoso de que as coisas poderiam dar certo com uma nova namorada.
O destino quis que, em Agosto de 2012, já morando no Rio de Janeiro, durante uma sexta-feira em que eu estava assistindo a alguns episódios da 4ª temporada (aliás, após uma nova pausa - e, por engano, vi o episódio "Not a Father's Day" antes do "Happily Ever After", portanto soube que a Stella deixou Ted no altar de forma indireta, e só depois assisti a como tudo ocorreu, rs), eu fosse em uma festa na qual fiquei com uma garota com quem passei horas conversando depois que a boate fechou. Ironicamente, uma das primeiras coisas que eu disse para ela no caminho - depois, é claro, de perguntar se ela já tinha ouvido falar em How I Met Your Mother - foi "Estou numa fase da minha vida em que quero parar de ser como o Ted e agir mais como o Barney". Em outras palavras, eu estava de saco cheio de tentar um relacionamento sério (dois meses antes, meu 2º namoro também acabou mal), e estava tentando ser um rapaz solteiro "normal", que fica com várias meninas sem ficar pensando em compromisso.
No dia seguinte, vi vários episódios de HIMYM e pensei que terminaria minha noite de forma pacata, mas um amigo me chamou para uma outra festa; de repente tive a idéia de chamar a menina da noite anterior para ir comigo e, por sorte, ela aceitou. Kids, that's how I met my girlfriend!
De tanto eu insistir, Carolina começou a assistir à série, o que me permitiu rever os episódios (foram muitas maratonas!) e notar o quanto How I Met tinha a ver com nosso relacionamento, desde coincidências da nossa história com a da "mãe" e Ted até semelhanças entre nós e o casal Marshall & Lily. (Meses depois fizemos um teste no Zimbio que confirmaram que "somos" estes dois personagens.) Isso me levou a pronunciar, certo dia, uma frase que define a importância da Carol na minha vida: "Estava tentando ser menos parecido com o Ted e mais com o Barney. Acabei virando Marshall".

Fiz todo esse prefácio para finalmente chegar à análise de "Last Forever". (Mais uma vez aviso: spoilers a seguir!) Se HIMYM já era conhecido por seu enredo cheio de reviravoltas, os quarenta minutos finais da série levaram essa premissa às últimas conseqüências:
1) Após três temporadas "construindo" o casamento de Robin e Barney (sendo que a última delas se passou inteira durante os 3 dias da cerimônia), é revelado que, apenas três anos depois, o casal se divorciou. O principal motivo para o término foi a prioridade que Robin deu à sua vida profissional, viajando pelo mundo inteiro para fazer suas coberturas jornalísticas. Barney se cansa dessa rotina e, cumprindo seu voto de que sempre seria sincero a sua esposa, confessa que está insatisfeito, e ambos terminam amigavelmente - bem, não tanto quanto no break-up anterior (no 7º episódio da 5º temporada, em 2009), pois Robin começa a se afastar cada vez mais do grupo de amigos. Porém, há um outro motivo para esse distanciamento...
2) ... que é o fato de que ela percebe o quanto ama Ted e o quanto dói vê-lo tão feliz com Tracy (eis o nome da mãe!). Uma tragédia, entretanto, muda tudo: após 11 anos de relacionamento, 4 anos de casamento e 2 filhos, Tracy é acometida por uma doença terminal (não é especificada qual, mas imagino que tenha sido algum câncer) e morre em 2024. Após seis anos de luto - eis a grande revelação deste episódio final -, Ted conta a seus filhos a história de "como conheci sua mãe", mas segundo eles próprios aquilo soou mais como "ainda sinto algo por sua tia Robin". Penny e Luke dão a seu pai o aval para tentar retomar a relação com sua ex-namorada, agora que ambos já conquistaram aquilo que antes os impedira de continuar o namoro: seus interesses conflitantes (Ted se casou e teve filhos e Robin já viajou pelo mundo inteiro e alcançou sucesso profissional).
3) Para completar, Barney "regride" ao estilo de vida promíscuo e playboy que o caracterizava antes de seu amadurecimento emocional, a partir da 7ª temporada, o qual floresceu em seus relacionamentos com Nora, Quinn e Robin. Ele, contudo, abandona esta persona de "player" quando descobre que uma das garotas com quem teve one-night stand está grávida - e de uma menina! Barney volta a "evoluir", passando a ser menos misógino. Achei muito bonito o que ele disse quando segurou pela primeira vez sua filha Ellie: "Você é o amor da minha vida. Tudo que tenho... e tudo que sou... é seu. Para sempre."
4) Por sua vez, Marshall e Lily têm um terceiro filho. Além disso, após cinco anos desde que desistira de ser juiz para viajar para a Itália e comemorar a segunda gravidez de Lily, Marshall é chamado novamente para ser juiz; e, em 2020, "Marshmallow" ganha a eleição para a Suprema Corte. "Lawyered!"

Ao longo dos últimos meses, a teoria de que a mãe estaria morta ganhava cada vez mais força nos fóruns da internet; mesmo assim, muitos fãs duvidavam que a série poderia ter tal desfecho, e consideravam que tudo não passava de "conspiração", de especulação mórbida. Eu mesmo era um deles, como demonstra este comentário que fiz ontem no Facebook, em resposta a uma amiga: "você leu a teoria do "The Mother is dead"? Eu achei meio viajada (e inverossímil, afinal seria uma maneira extremamente depressiva de acabar a série), embora episódios como "Tive Travelers" e "Vesuvius" dêem subsídios para ela.
Sobre os episódios mencionados: no primeiro deles Ted faz um discurso extremamente triste sobre o fato de que gostaria de ter passado 45 dias a mais com "a mãe": 


Já em "Vesuvius" há várias pistas: 1) a mãe diz a Ted que ele não pode mais viver em suas histórias, pois precisa seguir em frente ("life only moves forward"); 2) ao se lembrar de que o casamento de Barney & Robin foi uma das últimas ocasiões em que todos os cinco amigos estiveram juntos, Ted consola-se ao pensar que é melhor aproveitar os momentos enquanto você ainda pode, e assim deixar algumas coisas não-ditas ("it's best to leave it unspoken"); 3) quando seu marido se refere ao fato de que a mãe de Robin finalmente apareceu no hotel, Tracy brinca: "Que tipo de mãe iria perder o casamento da própria filha?". Ted reage de forma bastante emotiva, como se tal frase fosse premonitória:




Os cinco minutos finais da série confirmaram as teorias (e temores) dos fãs. O tom nostálgico de Ted ao se referir à mãe, combinado com um "slide-show" de momentos importantes que passaram juntos (e com os filhos), me preparou para o pior. Eis que ele diz, após explanar sobre a importância de perseverar no amor a despeito de todas as brigas e desentendimentos: "Eu carreguei essa lição comigo. Carreguei até mesmo quando ela adoeceu. Até lá, no que podemos chamar de pior dos tempos, tudo o que eu conseguia fazer era agradecer a Deus (...) por ter encontrado aquela garota linda, naquela plataforma de trem, e por ter tido coragem de me levantar, caminhar até ela, e tocar seu ombro,  abrir a minha boca, e falar." Foi um final emocionante. 
Muitos, no entanto, não gostaram desse "plot twist"...

Este texto foi profético sobre como seria a reação de muitos fãs caso "The Mother is dead" fosse mais do que uma especulação: "Really, this could all be a big, misleading twist. Just for fun, though, can we just step back and imagine what the Internet will do if it reveals that after nine seasons of Ted telling the tale of How He Met Their Mother to his future kids, it’s all because the mom is dead? It would be a triumph for conspiracy theorists everywhere, but Internet commenting systems might actually explode. If there’s one thing you don’t want to do, it’s make an obsessed fandom feel like they’ve wasted their time (still thinking of you, “Lost”) — and that’s how many would feel if the producers revealed that the end of a glorious love story is actually a completely depressing tale of death."

Nas últimas horas li textos extremamente agressivos, criticando o desfecho de How I Met Your Mother. Compreendo a sensação indignada de muitos fãs, afinal não foi o "final feliz" que se esperava; porém, acredito que é justamente por isso que gostei tanto dele: foi corajoso, ousado. Destruir as expectativas dos telespectadores dessa maneira pode render, por exemplo, a acusação de que unir Robin e Ted foi um "cheap trick"; mas, peço que os detratores façam o seguinte: assistam novamente ao primeiro episódio da série. Creio que um dos motivos pelos quais adorei o final foi justamente porque havia decidido rever o piloto de HIMYM ontem, enquanto almoçava. Poucas vezes a estréia de uma série cresceu em importância à medida que ela avançava. A chave para entender o porquê desta comédia dramática ter terminado com o casal Ted & Robin reside no fato de que How I Met começou justamente enfatizando o quanto os dois combinavam, o quanto tinham uma notável química: 



Mesmo que o narrador termine o episódio-piloto deixando claro que ela não é a mãe mas sim a "tia Robin", é impossível acreditar que as coisas parariam ali. Ted precisou de nove temporadas para "esquecer" Robin, mas foi graças a esse processo de superação que este personagem se tornou maduro o bastante para "estar pronto" para encontrar o amor de sua vida, Tracy. Depois que sua esposa morreu, Ted passou por um longo período de luto até perceber que, viúvo aos 52 anos de idade, ele merecia a chance de ainda (tentar) ser feliz. O amor eterno jurado à "mãe" não o obrigava a passar o resto da vida sofrendo, se martirizando com o próprio passado - e esse "siga em frente" foi algo que a própria Tracy pediu para que ele fizesse: "I don't want you to be the guy who lives in his stories."
Para aqueles que ainda não estão convencidos do pleno sentido que a morte da mãe faz para o enredo da série, eis algo que ela diz no famoso episódio "How Your Mother Met Me":



Portanto, também ela passou pela perda traumática do amor de sua vida (Max), e demorou seis anos até decidir namorar novamente. Porém, foi preciso tomar uma decisão mais radical ainda: ela recusou o pedido de casamento de Louis porque sentia que aquele relacionamento ainda não era o bastante, era "casual", não tinha a consistência que ela precisava para que realmente considerasse que havia superado o luto. Eis que, na noite seguinte, ela conhece Ted, sua "segunda chance no amor", e ele foi um companheiro maravilhoso para Tracy nos 11 últimos anos da vida dela.
O ponto central da trama não é, portanto, "como conheci a pessoa perfeita para mim", mas sim "como superei a perda de alguém que eu amava e estou me dando uma segunda chance de ser feliz". Um comentarista do A.V. Club explicou bem isso, relacionando este tema com a cena acima: "A scene that also takes on additional weight in retrospect is when Tracy breaks off her relationship and asks her deceased ex for permission to move on. Her decision to move on with her life and try to find happiness does not detract from her love for him. Likewise with Ted, she did not want him to "live in his stories" and she would have given him permission to be able to move on and explore a life with Robin. It does not take away from his love for Tracy. This is the story of him six years later thinking back on his younger life and deciding it's not too late to give Robin another chance."
Este outro comentário feito por um dos fãs no A.V. Club sintetiza bem o que eu penso: "The show was never really about meeting the mother. They said that many times- it's about the journey. Just because he gets with Robin TOO doesn't mean his journey to meet Tracy, THE MOTHER OF HIS CHILDREN, isn't equally important. It's about how it's not about the "one" or even about the perfect person. Robin and Ted would never get married before: he wanted and needed kids and she needed to travel and be independent. If Ted had met Tracy when he met Robin, he was not the man he needed to be.
Para encerrar as "referências bibliográficas", este belíssimo texto de Donna Bowman - mesmo tendo sido escrito antes de ela ver o episódio final - também enfatiza que a série é sobre amadurecimento, tanto afetivo quanto num sentido mais amplo.
Cabe afirmar também que HIMYM já havia lidado anteriormente com o tema da mortalidade, e sempre de forma tocante; por exemplo, a morte do pai de Marshall (6ª temporada), ainda mais por ela ter ocorrido no mesmo dia que o marido de Lily havia descoberto que seria pai pela 1ª vez. É raro ver uma comédia com tamanha capacidade de emocionar:


O final de How I Met Your Mother é do tipo "ame ou odeie", e vai continuar a dividir opiniões por muitos anos. De alguma forma, contudo, eu prefiro um final assim do que um feito na medida para agradar aos fãs, como o de Friends. A ousadia dos criadores de HIMYM me fez lembrar de outro desfecho inusitado: o de Seinfeld, que "cuspiu" na cara dos fãs ao mostrar que os quatro protagonistas eram cínicos e misantrópicos, e portanto mereciam ser "punidos" por anos e anos de comportamento abertamente anti-social.
É claro que muita gente que acompanhou a série estava movido pela expectativa de que haveria muitos episódios sobre "a mãe", e que portanto o título do seriado deveria ser tomado ao pé da letra; mas, esta nunca foi a intenção dos criadores. O fato de que o final de How I Met já estava roteirizado em 21 de Fevereiro de 2006 deixa claro que, já em seus primórdios, HIMYM é a história da superação, pelo protagonista, da perda da "Mother", e uma investigação autobiográfica que permite a redescoberta de um amor antigo. Robin e Ted finalmente estão maduros e livres para serem felizes para sempre. Ambos tiveram suas auto-realizações (ela no trabalho - e, durante algum tempo, no casamento com Barney; ele, na vida conjugal com Tracy e nos dois filhos que tanto queria ter); agora que estão solteiros na meia-idade, por que não tentarem novamente um relacionamento? Nossa vida é muito curta para ficarmos eternamente atormentados pelo passado, assombrados pelas lembranças de bons tempos que não voltam mais. Sendo assim, vale a pena arriscar; mesmo que dê errado, é melhor tentar do que não fazê-lo e passar o resto dos dias em amargo arrependimento. Creio que esta é uma bonita lição de vida, e que atenua qualquer morbidez que possa haver no final da série.