[Meu Facebook] [Meu Last.FM] [Meu Twitter]


 

 

Kaio

 

Veja meu perfil completo

 

 

 

 

29 janeiro 2006

Atmosphere

A FESTA NUNCA TERMINA (24 Hour Party People, Reino Unido, 2002)

Para quem é fã de cultura pop e rock em geral, e também para quem curte filmes inteligentes e divertidos, eu recomendo muito esse filme.
A história se passa em Manchester, e é contada sob o ponto de vista de Tony Wilson, jornalista musical que fundou a Factory, talvez a mais famosa gravadora independente que já existiu. Abrigou bandas como o Joy Division, o New Order, o Happy Mondays, que revolucionaram o pós-punk, a new wave e o technopop na década de 80. Ele também era um dos responsáveis pela boate Haçienda, point dos indies de Manchester e lançadora de várias tendências. Para quem não sabe, foi na Haçienda que se popularizaram os DJs, o ecstasy e os clubbers. Isso mesmo, foi na cena alternativa que surgiram coisas que hoje são tão populares! =D
A era Factory é demonstrada de uma maneira não muito linear (o que deveria ser um defeito, mas acaba sendo interessante para que o filme não ficasse preso a uma ordem cronológica entediante), e vários dos fatos e pessoas mais importantes do período são mostrados no filme (mesmo que o New Order e “o resto da Inglaterra” tenham sido pouco mostrados).
Martin Hannett, o brilhante produtor do Joy Division, e suas técnicas de gravação “peculiares” (o que resulta em uma das cenas - não-verídicas - mais engraçadas, com ele desmontando a bateria de Stephen Morris e botando-o para tocar no telhado do estúdio, para deixar "She's Lost Control" mais soturna)
, marca presença. Assim como as loucuras do Happy Mondays, como gravar um disco no Barbados custando 200 mil libras e sem nenhum vocal nas canções (porque o vocalista estava drogado demais para fazer algo que exigisse alguma responsabilidade dele).
Além disso, temos ótimas histórias, como: a do primeiro e lendário show dos Sex Pistols, com 42 pessoas na platéia, sendo que estavam na platéia Peter Hook, Bernard Sumner (que seriam, respectivamente, baixista e guitarrista do JD e do NO), os punks do Buzzcocks, Martin Hannett, Mick Hucknall (vocalista do Simply Red), entre outras futuras celebridades do Brit Rock; o prejuízo dado pelo compacto de Blue Monday (cujo valor de produção mais os impostos eram mais altos que o valor de cada cópia vendida, devido à sua capa extravagante – porém fantástica. Por ter sido, ironicamente, o single mais vendido de todos os tempos, acabou dando prejuízo para a Factory); a morte de Ian Curtis; os problemas com traficantes de ecstasy e a falta de grana que a Haçienda enfrentou.
A Festa Nunca Termina foi todo gravado com uma câmera digital, o que dá uma sensação de liberdade à película. Atores como Steven Coogan (Tony) e, principalmente, Sean Harris (Ian), interpretaram muito bem suas personagens. Contudo, os exageros e distorções de Tony Wilson interferem na realidade dos fatos. Mas vocês queriam o quê? Um documentário realista e chato ou um filme mentiroso e encantador? Uma frase do próprio 'protagonista' resume tudo: "Entre a verdade e o mito, fique com o mito".
Aliás, eu preciso falar da trilha sonora?
Músicas como “24 Hour Party People” (Happy Mondays), "Blue Monday" e “Here To Stay” (New Order), “Love Will Tear Us Apart” e “Transmission” (Joy Division) já garantem a qualidade desse setor.
Enfim, chega de falar sobre o filme. Levante-se já do sofá e vá assistir A Festa Nunca Termina, agora!

 

Comentários:

 

 

Os filmes não-lineares são os melhores!
Ah... e tocar bateria no telhado deve ser bem divertido... Na minha opinião esse cara é um gênio por questões óbvias e já mencionadas.


Postar um comentário

[ << Home]