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Kaio

 

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31 janeiro 2017

Huysmans, Hyoga, Merquior

1. Ainda estou preparando a resenha sobre Às Avessas. Gostei muito do texto de José Paulo Paes sobre a obra; as comparações que ele faz entre o romance de Huysmans com o art nouveau e o nouveau roman são interessantes.

2. O episódio de hoje de CDZ na Rede Brasil foi o da espetacular luta entre Hyoga e Camus na casa de Aquário. Camus, cujo nome de fato foi inspirado no filósofo francês, consegue a proeza de dar uma aula de termodinâmica (para explicar o Zero Absoluto) no meio de uma luta mortal contra seu pupilo.

3. Enviei dois resumos para a Alacip: ambos envolvem Merquior, mas um sobre a discussão sobre legitimidade em Rousseau e Weber e outro - que, aliás, já está pronto, mas nunca apresentei em congresso - comparando sua interpretação de Ariel (Rodó) com a de Felipe Arocena.

30 janeiro 2017

Cool Monday

Com seis anos de atraso (comecei e interrompi a leitura em fevereiro de 2011), hoje terminei de ler Às Avessas (J.K. Huysmans); já estou preparando uma resenha sobre ele. Posso adiantar que o livro é muito bom, mesmo que certos capítulos sejam deliberadamente maçantes (o que foi algo que não entendi bem em 2011).
Nesta segunda também finalmente assisti à dobradinha Os Cavaleiros do Zodíaco + Dragon Ball Z na Rede Brasil. Foi um bom para começar a vê-los, pois no CDZ teve o final da luta entre Shiryu e Shura e em DBZ, Goku chegou a Namekusei e já deu uma surra em Rikum.

27 janeiro 2017

Skins 10th Party

Esta semana completam-se 10 anos desde que Skins estreou na TV britânica. Começava ali uma das séries mais icônicas e controversas dos últimos tempos. O retrato da vida junkie e problemática dos jovens de Bristol é contundente, embora por vezes idealizado ou exagerado (concordo com o Guardian e a NME quando dizem que a comédia The Inbetweeners é mais "realista" em sua representação da juventude britânica). Uma das melhores sacadas narrativas de Skins era que cada episódio era centrado em um personagem (às vezes eram dois), e os eventos com os demais eram visto na idiossincrática perspectiva do(s) mesmo(s).
Descobri a série em julho de 2008, durante minhas primeiras férias universitárias. 
Assisti às duas primeiras temporadas em apenas uma semana, e dali em diante acompanhei a série religiosamente, assistindo a eles assim que os fóruns de fãs legendavam os episódios. 
A série teve seus altos (as 3 primeiras temporadas e certos momentos da 6ª) e baixos (a 4ª temporada e certos momentos da 7ª), mas em todo o seu percurso é caracterizada pelas tramas cativantes (destaque para as de Chris, Effy e Cook) e personagens complexos e carismáticos (os meus preferidos em cada geração são: Tony - especialmente na 2ª temporada, quando protagoniza um brilhante episódio de inspiração junguiana; JJ; e Rich). 
Skins certamente marcou a minha "pós-adolescência" e a de muitos amigos meus. Um dos aspectos mais marcantes da série é a sua trilha sonora altamente dançante, tendo em vista que várias cenas climáticas se passam em festas. O repertório é variado, incluindo a new-rave do Gossip, o drum 'n' bass do Pendulum, indie psicodélico do MGMT, o pop angustiado de Lily Allen, rocks pesados de Motörhead e Stooges etc. 
Em janeiro de 2012, para comemorar o 5º aniversário da série, fiz despretensiosamente uma lista chamada Skins Party no 8tracks, contendo 20 músicas que tocaram nas 5 primeiras temporadas. Dias depois descobri que minha lista tinha virado um hit no site, chegando a parar na página principal e conseguindo rapidamente mais de 1000 likes (atualmente são 1800, o que lhe garantiu selo de platina). Resolvi fazer um "remake" daquela lista no Spotify, com 5 músicas a mais, incluindo algumas das 6ª e 7ª temporadas e incrementando as anteriores.

25 janeiro 2017

Alola confirmed

No dia 17 deste mês zerei Pokémon Moon. O final do jogo (quer dizer, da trama principal, pois ainda tem o pós-Liga) é espetacular; foi a Elite Four mais difícil que já enfrentei, e os créditos são bonitinhos.
Pokémon Moon é a melhor versão que já joguei desde SoulSilver. Num ranking "impessoal", entra num top 3 de melhores gerações com Red/Blue/Yellow e Gold/Silver/Crystal.
As três gerações anteriores foram ótimas, mas sempre faltou alguma coisa: 
1) em Diamond/Pearl, faltou inovação na jogabilidade; embora algumas mecânicas tenham sido aprimoradas (p.ex., golpes físicos e especiais em vez de tipos físicos e especiais) e outras resgatadas (a separação entre dia e noite, inexplicavelmente ausente em Ruby/Sapphire), em geral a Game Freak foi conservadora na transição da série para o DS;
2) Black/White tem um ótimo enredo (possivelmente o melhor da série), mas os pokémons novos eram feios e com pouca variação tática; foi uma boa intenção dos criadores só liberar a National Dex depois da Elite Four e da batalha com o Team Plasma, mas eles podiam ter caprichado mais nos quase 150 monstrinhos que criaram para aquela geração.
 3) X/Y possui belos gráficos (a guinada para o 3D em cel-shading foi um salto técnico sem precedentes na franquia) e causou rebuliço nas batalhas competitivas ao criar o Fairy (a.k.a. "Dragon Slayer"), mas o enredo principal era fraco; o "esteticismo niilista" do Team Flame não chegava aos pés da profundidade da utopia "socialista-medieval" do Team Plasma.
Por sua vez, Sun/Moon tem bom enredo (com muitos plot twists e até uma cidade da equipe vilã) e melhora nos gráficos (usa ao máximo o potencial do 3DS), mas avança especialmente na jogabilidade: 
- Os trials são uma experiência interessante, e alguns são realmente desafiadores; 
- O fim dos HMs acabou com os "escravos de HM" e já permite ao jogador montar logo cedo sua equipe definitiva; 
- Os Z-moves, tal como as mega-evoluções, aumentam as possibilidades estratégicas (e "apelativas", rs) das batalhas; 
- O nível de dificuldade aumentou, com uma inteligência artificial mais apurada que não permite ao usuário se "acomodar" (mesmo que haja facilidades como o Exp. Share e os inúmeros Max Revives que são dados ao personagem ao longo da aventura). 
- Pokémon Pelago traz alternativas interessantes para aprimorar os EVs, plantar berries e achar itens e pokémons raros;
- O modo Pokémon Refresh avança em relação a seu antecessor Poké-amie faz o jogador se importar mais com seu monstrinho, e tem inúmeross benefícios - dentre eles curar status e aumentar a experiência obtida em batalha;
- O Festival Plaza tem minigames divertidos, principalmente os "type match-up tests";
- A região de Alola é uma das mais carismáticas da série, e apresenta uma diversidade geográfica de fazer inveja a Hoenn ou Sinnoh.
Hoje avancei bastante no pós-Liga; gostei bastante da trama envolvendo o Looker. Ela parece pensada para os jogadores mais veteranos, e garante a longevidade do jogo (aliás, já ultrapassei as 80 horas, e ainda nem terminei as missões).
Por fim, cabe ressaltar os "easter eggs", as piadas internas com jogos anteriores da franquia. Uma que me divertiu bastante foi a homenagem à Nugget Bridge em Malie Garden. Neste e em outros níveis, Pokémon Sun/Moon consegue ser uma digna homenagem aos 20 anos da série; além disso, os tutoriais no início - por mais que possa entediar jogadores veteranos - devem facilitar a vida daqueles que jogaram Pokémon Go e resolveram embarcar na série canônica.

24 janeiro 2017

Word on a Wing

Decidi me impor um projeto, uma meta para as próximas semanas: escrever um post por dia no blog. 
É uma maneira de eu criar uma rotina para as quatro semanas restantes das minhas férias, com o benefício de "ressuscitar" Racio Símio depois de quase não atualizá-lo em 2016 - sem falar que muitas atualizações foram precárias.

#1
Hoje comecei e terminei de ler O catolicismo hoje (Luiz Felipe Pondé). O livro trata dos desafios teológicos, políticos e culturais que a Igreja Católica vem enfrentando tanto na modernidade como um todo quanto no mundo contemporâneo de forma mais detida. A conclusão de Pondé é interessante: 
"A Igreja tem a seu favor uma 'experiência de mercado' de 2 mil anos. Por isso, sua psicologia do humano está, de certa forma, sustentada numa longa observação das mazelas humanas e do enfrentamento delas. (...) Sua hipótese é de que somos seres atormentados pelas inseguranças do cotidiano e pelo medo da morte. Sua aposta é de que, mesmo que mude o cenário, somos os mesmos invejosos, orgulhosos e assustados de sempre. Se alguém ajudar-nos a lidar com esses afetos, amando-nos e dando-nos parâmetros, nós seremos melhores do que foi Caim. Enfim, uma busca pelo Abel que existe dentro de nós" (pp. 135-136).
A propósito, acho que não disse isso aqui ainda, mas estou me convertendo ao catolicismo. 
Fui ateu dos 13 aos 20 anos; em 2011 comecei a ler mais sobre filosofia cristã, e romances de Dostoiévski como Os Demônios despertaram meu interesse pela visão de mundo do cristianismo. Quando me mudei para o Rio, no ano seguinte, já estava pensando em me converter; mas, com o mestrado e o doutorado - além de uma vida pessoal turbulenta em 2012 -, acabei adiando esse intento. 
No ano passado, contudo, um amigo meu (com quem eu inclusive dividia um apartamento) disse que ia começar a fazer aulas de catecismo num centro católico em Botafogo; resolvi aproveitar a oportunidade para também fazer essas aulas de doutrina. 
Nas férias passadas, quanto contei da minha conversão para meus avós maternos, eles ficaram bem felizes; comecei até a ir à missa que eles freqüentam, e gostei muito. Quando voltei para o Rio em agosto, comecei a ir todo domingo na missa das 9h da igreja mais próxima do meu prédio. Em dezembro terminaram as aulas de doutrina.
No próximo domingo meu avô deve me indicar um padre para cuidar da minha primeira comunhão. 

#2
O primeiro livro que li em 2017 foi O Vermelho e o Negro (Stendhal). É um grande romance, com uma psicologia fina e por vezes cínica e um acurado retrato sociopolítico da França pós-napoleônica e à beira da Revolução de 1830. Personagens como Julien Sorel, Madame de Rênal e Senhorita de La Mole são extremamente cativantes, e seus monólogos interiores são um ótimo expediente para o autor mostrar o contraste entre intenções e ações. Agora entendo melhor por que Auerbach dedicou um capítulo de Mimesis a esta obra, considerada por ele um dos momentos culminantes do realismo literário.
Consegui ler o romance inteiro em 10 dias, de tão envolvido que fiquei pela trama. Futuramente pretendo ler também A Cartuxa de Parma, outra obra consagrada de Stendhal.

#3
Ontem foi o 41º aniversário de Station to Station, meu 2º álbum favorito de David Bowie. Todas as suas seis faixas são excelentes: a épica faixa-título, a ambígua "Golden Years" (alegre nostalgia ou "run for the shadows"?), a religiosidade conflituosa de "Word on a Wing", a excêntrica "TVC 15", a empolgante "Stay" (com direito a um belíssimo solo de guitarra na segunda metade) e o belo e melancólico cover de "Wild is the Wind".
O meu disco predileto de Bowie é Low, sobre o qual escrevi o seguinte há alguns dias: 
Em 14 de Janeiro de 1977, David Bowie lançou o álbum "Low", que marcou o início da chamada "trilogia de Berlim" (muito embora apenas "Heroes" [77] tenha sido gravado na capital alemã; as sessões de "Low" foram na França e as de Lodger [79], na Suíça e nos EUA). Após os excessos da vida em Los Angeles (retratados no documentário "Cracked Actor" [75] e no excelente disco "Station to Station" [76]), Bowie resolveu se "exilar" em Berlim para recuperar sua sanidade física e mental. 
Em "Low" sua verve experimental foi atiçada pelos produtores Tony Visconti (que desenvolveu o som peculiar da bateria) e Brian Eno (que cooperou nas experiências com música eletrônica e ambiente). O Lado A tem canções repletas de sintetizadores e letras fragmentadas e por vezes melancólicas, dentre as quais se destacam "What in the World" (os efeitos sonoros lembram uma máquina de pinball, e a faixa conta com backing vocals de Iggy Pop), "Sound and Vision" (um clássico de melodia alegre e letra claustrofóbica), "Always Crashing in the Same Car" (uma das mais soturnas do disco) e "Be My Wife" (seria a letra tocante ou debochada?). O Lado B tem fortes influências de Kraftwerk e krautrock, e conta com quatro faixas instrumentais, dentre elas a sublime "Warszawa" e a taciturna "Art Decade".
"Low" é meu disco predileto de David Bowie, pois traz uma radical renovação estética na obra deste artista (e isso considerando que entre "Diamond Dogs" [74] e "Young Americans" [75] já havia migrado do glam para o soul!) e serviu de inspiração direta para o post-punk - em bandas como Joy Division (que inicialmente se chamava Warsaw) e The Cure - e também influenciou discos de viés mais artístico de bandas posteriores, como Blur e Pulp.