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Kaio

 

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07 fevereiro 2015

Do rock à política

Já li quatro livros neste ano: BRock: O Rock Brasileiro dos Anos 80 (Arthur Dapieve), A vida até parece uma festa: toda a história dos Titãs (Hérica Marmo e Luiz André Alzer), As idéias conservadoras explicadas a revolucionários e reacionários (João Pereira Coutinho) e Pensadores da Nova Esquerda (Roger Scruton).
Graças aos dois primeiros, tive uma overdose de rock nacional nas últimas semanas, principalmente com Titãs. Eles já eram minha banda nacional favorita, mas depois de ler a história deles fiquei ainda mais fascinado pelo "ex-octeto e agora quinteto". Até comprei novamente três discos que eu tinha, mas estavam bem arranhados: Õ Blésq Blom (na minha opinião, a obra-prima dos Titãs), Volume Dois (veio como brinde do Õ Blésq Blom; após anos desprezando este disco, já fiz as pazes com algumas das regravações, como a de "Miséria") e Televisão (o disco mais esquisito deles; algumas letras são puro nonsense).
Os livros de Coutinho e Scruton são complementares: se o primeiro expõe de forma sucinta os princípios do pensamento conservador (para ser mais específico, o conservadorismo britânico, marcado pelo ceticismo anti-utópico e pela prudência), o segundo desfere ataques contundentes em seus principais adversário intelectuais no fim do século passado: os autores ligados à "New Left", que compartilham uma crítica paranóica ao poder e um desprezo pelas instituições ocidentais. 
Se As idéias conservadoras, até por ser mais curto, é um livro mais "redondo" (os capítulos se sucedem de forma fluida), Pensadores da Nova Esquerda apresenta instabilidades. Alguns capítulos são sensacionais (os sobre Foucault, Gramsci, Althusser, Anderson, Galbraith e Sartre), outros são razoáveis (Dworkin, Laing, Bahro, Williams e Wallerstein) e outros são um pouco decepcionantes (Thompson, Habermas e Lukács), na medida em que analisam e criticam estes autores a partir de poucas obras, deixando de lado outras cuja discussão valeria a pena (p.ex., no caso de Lukács senti falta de uma abordagem da sua ética kierkegaardiana nos anos 1910 e de sua crítica literária na fase marxista). Felizmente o capítulo final (com o propositalmente ambíguo título "What is right?") consegue "amarrar" bem as discussões anteriores.
Hoje comecei a ler os textos que pretendo usar nos meus trabalhos finais. O primeiro deles é O modernismo reacionário: tecnologia, cultura e política na República de Weimar e no 3º Reich (Jeffrey Herf).