[Meu Facebook] [Meu Last.FM] [Meu Twitter]


 

 

Kaio

 

Veja meu perfil completo

 

 

 

 

29 junho 2007

Well, I'm just 17...

23h. Ufa, finalmente sobrou um tempinho para escrever este post. Estive ocupado o dia inteiro, neste 29 de Junho de 2007 em que comemorei meu 17º ano de vida.
Não seria exagero da minha parte afirmar que este foi um dos melhores aniversários que eu já tive, e pelos mais diversos motivos, desde os mais materialistas (entre os livros que eu ganhei, estão "A Montanha Mágica", do Thomas Mann, e "Ciência Política: Introdução à Teoria de Estado", de Itami Campos, além de óculos escuros) até os mais 'reconhecimentistas' (o pessoal da escola deve ter espalhado a notícia rápido, pois já na 1ª aula todo mundo estava sabendo do meu aniversário, e eu recebi umas 5 ou 6 salvas de palmas de parabéns ao decorrer do dia, hehe). Além disso, foi ótimo saber que eu sou uma pessoa valorizada lá no colégio. Um professor até disse brincando que eu sou quase que um líder de massas, rs. Fico feliz por ser popular não por ser uma patricinha ou um mala rebelde, mas sim por ser quem eu sou, mantendo a autenticidade acima de tudo. [Modo 'I am God' ativado]
Auto-elogios à parte, o dia foi ótimo. Não me importei com o fato de ter aula entre 7h e 12h45 (o horário normal) e, depois, das 14h45 até 18h (este último para cumprir o conteúdo), pois as aulas foram todas muito boas, e nem o cansaço, a fadiga e eventuais 'piscadas' em decorrência disso me atrapalharam para valer. À noite, fui a uma pizzaria com meus irmãos, minha mãe e meus dois melhores amigos, o Gino e o Gustavo. Em uma genuína conversa de nerds, falamos de tudo, desde O Laboratório de Dexter e DBZ até planos para a faculdade. Isso sem falar na pizza em si, que estava uma delícia.

Agora, falemos sobre o que representa para mim completar 17 anos.
1. O inevitável amadurecimento. Parece que meus planos continuam dando certo, e eu realmente evoluí bastante em relação ao garoto que eu era até meados dos 16.
2. Uma sensação de maiores liberdade e independência. Sinto-me cada vez mais dono de meu destino, de minhas escolhas, de minhas capacidades e potencialidades. Em outras palavras, acredito que não estou apenas teorizando o que é ser livre, mas de fato praticando-o. Claro que isto ainda ocorre em doses homeopáticas, mas já é o suficiente para que eu confie que posso e serei mais livre do que já sou. Não é uma liberdade pequeno-burguesa, tampouco uma liberdade aos moldes esquerdistas, mas sim algo quase anarco-individualista, libertário. Pode até ser que isso seja mais um livre pensamento do que realmente uma livre ação, e se o for, esta é a melhor ilusão que existe, hehe.
3. Com a proximidade do ingresso na faculdade, creio que, mais do que nunca, terei responsabilidade sobre meus atos. Sim, continuo pretendendo ser o mais careta e centrado possível na universidade, e me sentiria decepcionado comigo mesmo se desviasse dessa meta. Isso não quer dizer que eu não me divertirei, mas sim que buscarei definir quais são os meus limites e possibilidades.
4. Os próximos doze meses serão, de acordo com o que me proponho, os mais importantes de toda a minha existência. Ocorrerá a transição definitiva entre a minha adolescência e a minha fase adulta, e eu aproveitarei cada segundo dessa época para consolidar o que já sou e construir o que posso ser. Até mesmo os livros que lerei até Junho do ano que vem podem simbolizar ou indicar novas facetas do Kaio.
5. Uma parte do meu objetivo foi cumprida: cheguei ao 29/06/07 otimista e esperançoso. Estou em um momento excelente, e até coisas que me preocupavam muito, como o vestibular da UnB, já são encaradas de uma maneira menos temerosa. O que me resta é continuar desse jeito pelo máximo de tempo possível. Só espero, no entanto, que toda essa irradiação de alegria e 'serelepe way of life' não torne meus textos ainda mais auto-indulgentes e pedantes do que eles já são, mas mudar esse aspecto da minha estilística é algo muito complicado de se realizar. Eu não consigo imaginar um texto meu sem esses excessos de egocentrismo e orgulho, mas isso não chega a ser um problema. Pena que aquela minha idéia (mesmo que irônica) de escrever para o NoMínimo não mais se realizará, pois o site, em razão da falta de patrocinadores, não será mais atualizado a partir de hoje, mas eu só puxei o gancho para esse assunto para encerrar esse post. Até mais.

24 junho 2007

Hello Hello!

Após 23 dias sem postar em Racio Símio, creio que devo algumas explicações...
1º Estive muito, mas muito ocupado nos últimos dias, como ficará mais claro durante o post.
2º Bloqueio criativo. Estava sem idéias sobre o que escrever.
3º Precisava praticar mais os outros 2 dos 3 pilares do conhecimento, a fala e a leitura. Tanto que aproveitei o descanso do blog para melhorar a minha oratória (não estou falando tão rapidamente quanto antes!) e ler vários bons livros (ok, eu comecei vários e não terminei quase nenhum deles - foram 15 concluídos em 2007, e sobre o provável décimo sexto eu falarei daqui a pouco).

A seguir, utilizando-me um pouco de formatos ortodoxos e heterodoxos de fazer um diário, direi como foram esses últimos dias.

06 de Junho: viagem para São José dos Campos, visando ao PoliONU 2007. Se no ano passado eu fui como ministro da Alemanha pela OMC, desta vez seria como conselheiro (inclusive com direito a uma credencial!). No ônibus, pude conversar bastante com os alunos de 1º e 2º ano que iriam participar do evento. Os assuntos foram os mais variados, indo da boa e velha política até momentos autobiográficos. À noite, passei o filme que eu havia trazido, "Trainspotting". Foi uma escolha relativamente elogiada pelos meus colegas de viagem, que, na sua maioria, eram bastante extrovertidos e interessadíssimos na área de Humanas.

07 de Junho: primeiro dia em SJC. Os (as) meninos (as) foram até bem no primeiro dia, algo bom pro ego deles, já que puderam ver que seus futuros "adversários" nos debates de cada comitê não eram tão imbatíveis quanto eles imaginavam a priori. A cerimônia de abertura foi ótima, destacando-se o discurso de um convidado especial, que é embaixador do Brasil em vários países (dos que eu me lembro, Indonésia), e o coquetel (ênfase nos salgados e na Coca-Cola, rs).
No turno noturno, fomos ao shopping, e eu, obviamente, passei a maior parte do tempo em uma livraria. Esta não era grande coisa, mas o suficiente para que eu começasse meus velhos dilemas sobre qual livro comprar. Continuei indeciso, e resolvi adiar o veredicto para os dias seguintes. Quando voltamos para o hotel, passei um tempão ajudando meus colegas a preparar seus documentos de posição. Tive a oportunidade de me deparar com o duelo que seria mais evidente dali pra frente: dois amigos meus, que representariam Itália e Bolívia respectivamente, discutiriam na OMC a questão dos subsídios agrícolas. Ambos estavam bastante preparados, e eu sentia que isso poderia ser produtivo para os debates.

08 e 09 de Junho: o PoliONU começou para valer. Já no primeiro dia, o comitê do CSH, que discutia a Guerra da Coréia, entrou em crise devido ao impasse entre o bloco comunista e o capitalista. Na OMC, o embate entre “Norte rico x Sul pobre” era intenso, e um consenso parecia distante. No CS, a posição de europeus e asiáticos a favor do reconhecimento tanto do Estado de Israel quanto da Palestina esbarrava na intransigência dos EUA. No PNUMA, apesar do tema ser Recursos Hídricos, os delegados desviavam tanto do assunto que se chegou a falar sobre energia nuclear! Isso sem falar nas pérolas, como “É preciso desmistificar a lenda de que os peões colocam cacos de vidros na vagina do boi” e “[Nós da Colômbia] não temos exército para atacar os Estados Unidos, só se for com cocaína!”. O DSI discutia um tema delicado (tráfico ilegal de armas), mas desde o início houve a idéia de criar um órgão chefiado pela ONU que tratasse especificamente de tal prática. Já o CDH, que debatia sobre o tráfico de seres humanos, parecia mais devanear do que chegar a algo concreto.
Comprei dois livros: “Utilitarismo” (Stuart Mill) e “O Povo Brasileiro” (Darcy Ribeiro), sendo este o que eu pretendo ler primeiro, após tantos elogios feitos à obra que eu já vi e ouvi.
Quanto às atividades “extra-PoliONU”, houve uma péssima festa à fantasia (tema: cinema) organizada pelos alunos do Poliedro, com direito a funk e “eletrônico vagabundo e popularesco”. Era para irmos embora às 2h, mas o consenso de que não havíamos gostado do ‘jeito paulista’ de festejar permitiu que partíssemos já pela meia-noite. O lado bom foi que eu pude conversar bastante com meus amigos, enquanto torcia mentalmente por uma música boa. Minha fantasia de Rob Gordon (protagonista de “Alta Fidelidade”) foi em vão, hehe...
Na madrugada entre sábado e domingo, houve um problema com um aluno alcoolizado e fora de si (ironias do destino, justamente o meu colega de quarto!), mas nem quero falar muito do assunto de tão irritante que foi o ocorrido; felizmente, conseguimos resolver o problema e fazer com que o professor que levou a turma nem ficasse sabendo do fato, o que seria terrível. Após a confusão causada pelo menino imbecil durante umas duas horas e meia, acabei indo dormir no quarto de uma colega minha, mas só consegui ‘cochilar’ das 4:30 até as 6:30 de tão puto que estava. Claro que isso impediu a viagem de ser perfeita, mas contribuiu um pouco para a maturidade minha e dos outros colegas envolvidos, visto que tivemos que controlar uma situação tão delicada como aquela.

10 de Junho: O domingo foi ótimo. Todos os comitês, após muita discussão e braços torcidos, conseguiram concluir os seus trabalhos, e à tarde tivemos a cerimônia de encerramento. O clima de despedida não impediu que todos continuassem animados até o fim, com muitas promessas de reencontros. Já no ônibus, foi quase instantâneo: lá pelas 20h (saímos às 18h30), todos já estavam dormindo, exaustos pelos quatro dias agitadíssimos que tivéramos.

11 de Junho: chegamos em Goiânia, e eu tive de encarar o retorno da rotina.

14 de Junho: na aula de Redação, assisti a um dos filmes que eu mais gostei até hoje: “Donnie Darko”. Mais detalhes sobre ele em uma redação que eu publicarei em breve!

15 de Junho: véspera das provas da UnB. A cada segundo eu estava mais ansioso, e nem as aulas com dicas dos professores que eu tive pela tarde minaram minha tensão.

16 de Junho: além de um pesadelo no qual bolhas (ou plasmas, não me lembro bem) gigantescas engoliam um prédio ao som de "Paranoid" (Black Sabbath) - adoro sonhos metalingüísticos! - , fiz a prova de Ciências Humanas e Língua Estrangeira. Fui muito bem, tendo obtido 95 na primeira (105 acertos e 12 nas questões do tipo A e 1 acerto do tipo B = 95 pontos) e 20 na segunda (25 / 5). O teste estava uma delícia de fazer; adorei questões como uma sobre as últimas eleições na França. Fiz uma excelente redação, mas fiquei triste quando soube que ela terá um peso mínimo na composição do argumento final.

17 de Junho: realizei a prova que eu tanto temia, a de Exatas e Biológicas. Foi tão difícil quanto eu esperava, e eu saí arrasado do exame. Três dias depois, quando fui conferir o gabarito, fiquei menos triste: dos 107 itens que eu fiz, acabei acertando 77 e errando 29 do tipo A e 1 do tipo B. Total – 48 pontos. Segundo o site Vestunb.com, a nota que eu obtive na prova da UnB seria suficiente para que eu passasse em Ciência Política nos últimos três anos. Espero que eles estejam certos; não é porque eu fiz esse vestibular como treineiro que eu não gostaria de ser aprovado!

20 de Junho: no Cineclasse, os professores passaram e comentaram “O Labirinto do Fauno”. Gostei do filme e da sua combinação do contexto histórico da Espanha franquista com o universo imaginário e onírico criado pela garotinha Ofélia (Ivana Baquero). As metáforas também são geniais, indo do freudiano até a mitologia greco-romana.

22 de Junho: finalmente chegou uma encomenda que eu fiz pelo Submarino, contendo um livro que eu estava morrendo de vontade de ler: “Física Moderna para Iniciados, Interessados e Aficionados – Volume 1”.

23 de Junho: comprei o Volume 2 em uma livraria. Também descobri, através da Folha de S. Paulo, que um grupo de físicos dos EUA sugeriram que buracos negros não existem. Sim, Kaio está cada vez mais interessado pelas Ciências da Natureza!

24 de Junho: antes de usar o PC, já li umas 47 páginas do Vol. 1. O livro, sempre combinando cálculos matemáticos para demonstrar as fórmulas com uma linguagem envolvente e agradável, inicia seus trabalhos recapitulando os princípios da Física Clássica, mas já apontando o que os “modernistas” poderiam relacionar e retificar. Fiquei com a mente bem viajada após a leitura, de tanta informação que absorvi! E olha que ainda nem cheguei na parte em que há um aprofundamento sobre Relatividade, Mecânica Quântica, Física Nuclear etc.

Enfim, por hoje é só. Espero que, nos próximos dias, eu volte a postar no blog com a mesma freqüência de antes.
P.S.: Daqui a 5 dias eu completarei 17 anos. Como já disse em textos anteriores, aguardo essa data há dez anos, quando comecei a fazer planos para o meu 17º ano de vida e tentar provar o quanto o número dezessete é e continuará a ser importante na minha vida (e não por motivos astrológicos, mas sim porque eu confio no fato de que o período 29/06/07 - 28/06/08 será decisivo na minha existência). See ya!

01 junho 2007

Sargento Pimenta, um quarentão

Hoje é aniversário do provável melhor disco de todos os tempos. Digo provável não apenas para que tal opinião não soe axiomática (lembrando que, por incrível que pareça, há seres humanos que não colocariam um disco dos Beatles entre os maiores da história da música), mas porque eu mesmo ando meio dividido nos últimos tempos; de tanto ouvir o Álbum Branco, passei a questionar o posto do primeiro colocado no meu top. Parece-me, no entanto, que o 40º aniversário dele conseguiu mantê-lo em #1 por mais algum tempo. É claro que estou falando do estupendo "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band".
Lançado em 1º de Junho de 1967, este disco foi muito mais do que uma nova fase na carreira dos Beatles. Há vários outros apostos possíveis para ele, desde coisas mais situacionistas como 'o LP que melhor simboliza o fim da década de 60 e sua loucura psicodélica' até megalomanias como 'o divisor temporal no rock e na música contemporânea (a.S.P e d.S.P, hehe)'. Tudo isso é justificável, pois o Fab-Four realmente estava inspiradíssimo durante aqueles quatro meses e meio em que idealizaram e gravaram o Sgt. Pepper's. George Martin, produtor da banda, ajudou (e muito) o quarteto a consolidar essa mudança de sonoridade. Deram-se até ao luxo de lançar, em Fevereiro de 67, um compacto com duas obras-primas que poderiam muito bem figurar no álbum; "Strawberry Fields Forever" / "Penny Lane" foi um susto para os fãs e a crítica, e já indicava o nível ao qual a banda havia chegado àquela altura.
O disco é composto por 13 faixas, que se estendem por 40 prazerosos minutos. A faixa-título é uma das mais pulsantes já gravadas pelo quarteto. É seguida pela linda e irônica "With a Little Help From My Friends", cantada por Ringo Starr. "Lucy In The Sky With Diamonds" mescla uma letra dúbia com uma sonoridade viajante, constituindo-se em uma das mais marcantes obras de John Lennon.
"Getting Better" tem a melodia mais alegre e viciante de Sgt. Pepper's. "Fixing a Hole" faz interessantes analogias envolvendo o buraco da chuva e o da mente, contando ainda com um instrumental impecável. "She's Leaving Home" é melancólica e doce, bem típica do estilo das canções de Paul McCartney. "Being for the Benefit of Mr. Kite!" pode até causar uma certa tontura com seus arranjos malucos, que realmente lembram a atmosfera de um circo.
"Within You, Without You" prova o quanto George Harrison estava evoluindo como compositor, levando ainda mais a fundo o experimentalismo com a música indiana. "When I'm Sixty-Four" poderia ser definida como, hã, 'extremamente fofa e nostálgica', rs. Já "Lovely Rita" aparenta ingenuidade, mas isso não a impede de ter um refrão grudento e uma batida ligeiramente dançante. "Good Morning Good Morning" é ideal para acordar alguém (ou a si mesmo) da maneira mais alegre e beatlemaníaca possível; destaque para a 'cadeia alimentar sonora' que ocorre no minuto final dela.
"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)" tem um andamento mais rápido e um nítido clima de fim de show. As palmas ao final, no entanto, antecipam mais uma faixa, que é para muitos a melhor do disco: "A Day In The Life". Densa, intensa, melodia inesquecível, letra incrível e, claro, uma orquestra oportuna que parece vir do nada e encerrar a canção do jeito mais poderoso e apocalíptico possível. Está encerrada a audição de um álbum que provavelmente marcará para sempre o seu ouvinte.

Em off:
1. Comprei o meu Sgt. Pepper's em Março de 2004, seis meses depois que eu comecei a adorar o som dos Beatles. Aliás, estou ouvindo-o enquanto estou escrevendo esse post, hehe.
2. Ah, saí em uma matéria sobre jovens à moda antiga em um jornal, o Diário da Manhã. Se quiser dar uma olhada, clique aqui.